Barulho d'Água Música

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802 – Maria Alcina e Roberto Seresteiro são atrações da folia no Sesc de São Caetano do Sul (SP)

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Maria Alcina: em mais de quarenta anos de carreira a irreverência sempre foi a marca principal da cantora que interpreta gênios como Luiz Gonzaga e Pixinguinha e que no Sesc cantará Carmem Miranda (Foto: Marcelino Lima/Arquivo Barulho d’água Música)

Para quem mora em Sampa e região metropolitana e está a fim de folia, mas não gasta paciência incrustado em uma poltrona assistindo aos desfiles de escolas de samba, nem alimenta disposição para encarar a muvuca do Anhembi ou de um bloco de rua, o Barulho d’água Música tem duas dicas relacionadas a conteúdos de Carnaval, ambas a serem promovidas pelo Sesc São Caetano, situado em São Caetano do Sul. A primeira, já na sexta-feira, 5, é curtir Maria Alcina interpretando sucessos consagrados por Carmem Miranda, a partir das 20 horas, na área de convivência, com entrada entre R$ 5 e R$ 17. No mesmo espaço, mas no dia seguinte, e mais cedo, a partir das 15 horas, estará Roberto Seresteiro relembrando marchinhas e músicas tradicionais que marcaram época na festa mais popular do Brasil. De graça!

Maria Alcina está prestes a completar 67 anos e continua com a mesma disposição e alegria que já exibia nos palcos no começo da década dos anos 1970: quando iniciava a carreira, que atingiu o merecido e duradouro estrelato interpretando Fio Maravilha, canção de Jorge Bem Jor campeã da fase nacional do Festival Internacional da Canção de 1972, a mineira de Cataguases colocou a plateia do Maracanãzinho em êxtase e ela própria quase não continha a vontade de se jogar nos braços da galera. Provando que jamais deixou de estar no auge e que não fez concessões ao seu jeito irreverente de cantar e de ser, em 3 de janeiro deste ano, quando muita gente ainda mal curara  a ressaca das festas, Maria Alcina fez pessoas de todas as idades suarem e também se extasiarem provocando desta vez no Sesc Campo Limpo, em São Paulo, o mesmo frenesi da final do Festival, agora ao protagonizar a 91ª apresentação, em 4 anos, do show Asa Branca, no qual presta tributo a Luiz Gonzaga e, muito à vontade, encarna e possibilita ao público experimentar o verdadeiro espírito do forró e dos variados ritmos que expunham a alma da sanfona do Rei do Baião.

Maria Alcina dá vazão à mesma energia arrebatadora interpretando ao lado de Vânia Bastos outra homenagem a um bamba nacional, Pixinguinha, por meio do projeto Chorinho Bom — que a exemplo de Asa Branca tem direção do produtor cultural Fran Carlo. O Barulho d’água Música acompanhou uma das rodadas do projeto promovida no palco do teatro da Caixa Cultural, no Centro de São Paulo, em 15 de janeiro. Maria Alcina ocupou o terceiro bloco e seu peculiar modo revelou como deve ter sido a face mais extrovertida do carioca da gema Pixinguinha — músico de muitos predicados, capaz de lapidar joias dolentes e românticas como Carinhoso, mas também liberar a índole apimentada e ladina que possuía compondo, por exemplo, Gavião Calçudo e Urubu Malandro, composições que parecem ter sido escritas para alguém que tem a ousadia e a malemolência de morro de Maria Alcina.

 (Os admiradores de Maria Alcina já podem circular em vermelho na agenda ou folhinha também o dia 19 de fevereiro, data na qual ela estará a partir das 21h30  no palco do Sesc Belenzinho para lançamento de um DVD cujo título já dá uma pista do perfil bem humorado que ela preserva ao longo da trajetória: De normal bastam os outros. Os repertórios dos tributos a Gonzagão e a Pixinguinha também já estão sendo gravados em disco e em breve poderão ser encontrados no mercado.)

Em 2003, mostrando que também não tem medo de inovar, Maria Alcina gravou, ao lado de grupo eletrônico Bojo, Agora, um tiro bem dado pois ampliou sua faixa de público. Já Confete e Serpentina (2009) venceu o Prêmio da Música Brasileira nas categorias Melhor Cantora Popular e Melhor Disco Popular com méritos irretocáveis: Alcina mixa gerações diversas da música brasileira como Alberto Ribeiro (1902/1971) e Paulinho da Viola com nomes mais recentes como Roseli Martins, Wado, Moisés Santana.)

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Com 19 anos Roberto Seresteiro cantou pela primeira vez, em Piracicaba, cidade do Interior Paulista na qual nem todo músico se rende aos encantos da cultura caipira (Foto: Divulgação)

Piracicabano de panamá 

Roberto Seresteiro é o jornalista Roberto Saglietti Mahn, nascido em um dos berços paulistas da música caipira, Piracicaba, cidade na qual ainda na adolescência já batia ponto em rodas de choro e de samba e integrava serestas, hábitos que o tornaram íntimo de diversos músicos e cantores da região e o fez preferir usar na cabeça não um chapéu de palha, mas um clássico panamá.  Com 19 anos, em 2003, Roberto Seresteiro subiu ao palco como uma das atrações do evento mensal Noite de Seresta, promovido pela Prefeitura de Piracicaba, e desde então adotou o figurino típico dos boêmios,  tornando-se um ícone de vertentes musicais como MPB, valsa, seresta, canção, modinha, choro, samba, samba-canção e samba-de-breque em todo o estado de São Paulo.

O repertório de Roberto Seresteiro  já tem registro em um álbum, o primeiro da carreira, Cordiais Saudações. As 15 faixas trazem preciosidades de compositores do início do século XX tais como Noel Rosa, Herivelto Martins, Sílvio Caldas, Orestes Barbosa, Romualdo Peixoto e Cândido das Neves. No lançamento, em Piracicaba, em março de 2015, ele contou com participações especiais dos músicos Alessandro Penezzi e Antônio Carlos Fioravante, o Bolão. Em sua carreira Roberto Seresteiro  já atuou ao lado de nomes como Inezita Barroso, Dóris Monteiro, Dona Inah e Cauby Peixoto, segundo a assessoria do Sesc de Piracicaba, e em shows como O Choro e Sua História, ao lado de Isaías e Seus Chorões, e Orestes Barbosa – O Poeta da Canção, em homenagem aos 120 anos do nascimento do compositor, jornalista e cronista carioca.

O Sesc de São Caetano do Sul fica na rua Piauí, 554, a 1.500 metros da estação de trens da cidade e disponibiliza para mais informações o telefone 11 4223-8800.

 

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Autor: barulhomarcel

Jornalista nascido em Bela Vista do Paraíso (PR). Corintiano por herança do pai, Geraldo Caetano de Lima. Do velho também puxou a paixão por modas de viola, música de raiz e caipira, que era chamada de "sertaneja" antes da mídia comercial se apropriar, indevidamente, do nome. Quando criança ouvia aos pés da cama dele, vindas de um rádio à pilha que chiava muito, clássicos destes gêneros que marcaram para sempre a sua vida. Eu e Andreia Beillo não temos nada em comum. Para começo de conversa, ela torce pelo Palmeiras. Mas resolvemos juntos botar o pé na estrada e acreditar nas bençãos de São Gonçalo do Amarante e tentar encontrar na atividade de blogueiros dedicados à música de qualidade algo que nos una e ajude muita gente boa espalhada por todo este país, e lá fora, também, a ter seus méritos reconhecidos, resgatando e preservando valores de nossa cultura popular.

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