822 – Rodrigo Zanc (SP) estreia “Violas para Dominguinhos”, promove dois bis e ouve público pedir ainda por pelo menos mais um

O Barulho d’água Música mais uma vez pegou a estrada e baixou em São Carlos, no interior paulista, para acompanhar a estreia de Viola Para Dominguinhos, projeto por meio do qual o violeiro Rodrigo Zanc presta tributo a um dos maiores artistas de todos os tempos do Brasil. A apresentação rolou na sexta-feira, 26 de fevereiro, acompanhada por Ricieri Nascimento (baixo), Bruno Bernini (bateria e zabumba), Gustavo Camilo (teclados), Thiago Carreri (violão e guitarras) e Thadeu Romano (acordeon) e estava cercada de expectativas. Uma chuva forte caiu hora antes do show, mas ouvir Rodrigo Zanc cantar e tocar com este time de músicos, ainda mais interpretando Dominguinhos, quem os conhece não perde nem sob dilúvio. E o Galpão do Sesc São Carlos ficou pequeno, em alguns momentos ganhou ares de CTN (Centro de Tradições Nordestinas) e o público que ocupou todos os espaços, inclusive os jardins, pode ouvir (e dançar) um belíssimo repertório para o qual solicitou não apenas mais um bis, mas insistiu no pedido mesmo com os funcionários da entidade já desplugando os instrumentos.

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821 – Violeiro Chico Lobo (MG), aniversariante de hoje, é semifinalista do Prêmio Profissionais da Música 2016

Hoje, 26, a folhinha do Barulho d’água Música registra o aniversário de um dos mais consagrados violeiros do país, o mineiro de São João Del Rei Chico Lobo.  Atualmente residindo em Beagá, Chico Lobo há mais de 30 anos desempenha papel de “ponte” entre o interior de Minas Gerais e o Brasil,  valorizando temas regionais com elementos contemporâneos. Conhecido pelo carisma que o levou a inúmeros palcos, inclusive europeus, sempre brinda o público com shows ricos em causos, canções e solos de viola que gravou em mais de 20 obras entre CDs e DVDs. Chico Lobo também idealizou e apresenta os programas O Canto da Viola, na Rádio Inconfidência, e Viola Brasil, na  TV Horizonte, há 12 anos. Em sua  cidade natal, fundou o Instituto Chico Lobo que atende escolas da zona rural com aulas de viola.

Percorrer o mapa mundi da carreira deste artista ajuda a tornar a aldeia global mais caipira. E a contribuição à cultura popular protagonizada por Chico Lobo, agora, está a um passo, ou melhor, talvez a um voto (que poderá ser o seu) de obter ainda mais reconhecimento.

Toda a produção dele ao longo da trajetória autoral e construída com vários parceiros musicais nestas três décadas está entre as semifinalistas do Prêmio Profissionais da Música de 2016, concorrendo em duas categorias (Melhor Artista Raiz Sertaneja e Melhor Artista Folclore e Cultura Popular). Portanto, um bom presente para confraternizar com ele a data de hoje é indicá-lo para finalista ao Troféu Fernando Brant  já a partir de amanhã, 27, quando estará aberta votação popular por meio do sítio virtual dos promotores. Visite o endereço eletrônico http://www.ppm.art.br/pt/ e saiba como participar do evento que neste ano terá em suas noites de gala, em Brasília, nos três primeiros dias de abril, o compositor de Travessia e tantos outros sucessos, que nos deixou em 2015!

Parabéns, Chico Lobo, e sucesso!

Zika CGU

820 – Pedro Antônio lança “Plantação de Estrelas” com Lula Barbosa, Trem das Gerais e filhos em Uberlândia (MG)

O cantor e compositor Pedro Antônio fará apresentação de lançamento de Plantação de estrelas em 5 de março, quando receberá no Teatro Rondon Pacheco, situado em Uberlândia (MG), convidados como o paulistano Lula Barbosa. A partir das 20 horas, o anfitrião também contará no palco com o Coral Nossa Voz, do Conservatório Estadual de Uberlândia, regido por Gleicy Mônica e Simone Paiva; André Campos, Carlos Alberto Haddad, Márcio Pereira e o  grupo Trem das Gerais. Lucas e Ângelo Cordeiro, ambos filhos do artista, e um trio de cordas, também foram anunciados. A banda reunirá sob a regência de Pedro Ferreira os músicos Cajuzin (bateria); Márcio Bonesso (contrabaixo); Pedro Figueiredo (guitarra); Edson Júnior (violões); Marco Mello (sax e flauta); Antônio José (percussão) e o próprio Pedro Ferreira ao piano.

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819 – Edu Sereno, revelação da nova música paulistana, toca e canta na Penha (SP) repertório que prepara para o primeiro álbum*

O Centro Cultural da Penha, um dos bairros mais populosos e tradicionais da zona Leste paulistana, receberá neste domingo, 28, um cantor jovem, da nova safra da cidade, Edu Sereno, que nasceu e cresceu naquele reduto cercado por diversidade musical e cultural das mais significativas. Em pouco tempo de estrada, Edu Sereno já conquistou admiradores em mais de sete capitais e vem ganhando notoriedade cada vez maior. O que impulsiona são letras  provocativas para arranjos urbanos do repertório que fará parte de O pão que o Diabo ama sou, cujas composições, mescladas a outras de Esquinas, Janelas e Canções (2013), comporão a apresentação de 60 minutos prevista para começar às 19 horas, com entrada franca, no Teatro Martins Penna.

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818 – Xangai, Ednardo, Tom Zé, Amelinha, Chico César: trilha sonora de Velho Chico embala novela que estreia em março

Velho Chico, mais uma telenovela com temática regionalizada com o dedo brilhante de Benedito Ruy Barbosa, escola que ganhou força no início dos anos 1990 quando ele produziu Pantanal para a extinta TV Manchete, já está sendo anunciada pela Rede Globo para suceder a inverossímil trama que atualmente ocupa o horário nobre da emissora e já deu com tanto maniqueísmo de feira, clichês, pancadões e regravações de gosto duvidoso de baladas românticas. Apoiada pela mesma fórmula de sucesso das histórias anteriores que o escritor assinou (desta, na verdade, será supervisor, pois a autoria cabe a Edmara Barbosa e Bruno Luperi, filha e neto, respectivamente de Benedito Ruy Barbosa) Velho Chico tem estreia prevista para março, quando na telinha passarão a comparecer atores consagrados do primeiro escalão da teledramaturgia de Pindorama contracenando com novatos (em sequências de tirar o fôlego, captadas em muitos planos abertos e apresentadas por fotografias dignas de Urso de Prata) e serão ouvidas músicas que compõem uma trilha sonora “recheada de brasilidade”, como indica o produtor musical Tim Rescala.

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Tarcísio Meira mais uma vez integra elencos convocados para as novelas que Benedito Ruy Barbosa escreve ou supervisiona e viverá Jacinto na trama que, em sua primeira fase, levará o telespectador para vários passeios pelo Rio São Francisco (Foto: Caiuá Franco/Globo; em destaque, imagem de Xangai, em uma das chamadas da emissora)

Os capítulos remontarão ao final da década dos anos 1960 e levarão o telespectador à cidade fictícia de Grotas de São Francisco, que se situaria em solo do Nordeste, às margens do majestoso e poético Rio São Francisco, desenrolando a novela em fases até a entrada nos dias atuais, outra das características do consagrado avohai. Para tanto, haverá compartilhamento de personagens, como Ruy Barbosa também já fez, por exemplo, na própria Pantanal e em O Rei do Gado. Tarcísio Meira, Antônio Fagundes, Rodrigo Santoro, Camila Pitanga, Selma Egrei, Christiane Torloni, Marcos Palmeira, Chico Diaz  atuarão ao lado de nomes menos tarimbados (o que não significa pouco talentosos em se tratando dos núcleos da Vênus Platinada!) tais como Julia Dalavia, Mariana Nery, Fabiula Nascimento e Pablo Morais, além do cantor e compositor baiano Xangai, que à pia batismal ganhou o nome de Eugênio Avelino.

Ao ser chamado para a trama, Xangai ganhou a mesma oportunidade (e reconhecimento) conferido a Almir Sater, Sérgio Reis, Yassír Chediak, Daniel, Rodrigo Sater e Gabriel Sater, por exemplo, que Ruy Barbosa já escalou em outras novelas de mesmo perfil. O parceiro, entre outros vates da música regional, de Elomar Figueira de Melo já protagoniza chamadas de Velho Chico (veja foto no destaque) e abrilhantará a trilha sonora para a qual a composição escolhida é Incelença pro amor retirante, que compôs com o mulungo criador de bodes de Vitória da Conquista (BA). O cearense Ednardo, que emplacou Pavão Misterioso (Pavão Mysteriozo) e decolou a partir da inclusão dela em Saramandaia (1976) ressurge com outro de seus grandes sucessos, Enquanto Engoma a Calça, que escreveu com Climério. O irreverente Tom Zé defenderá Senhor Cidadão dentro de um baú de joias que terá ainda pedras preciosas tais quais Amelinha, Marcelo Jeneci, Chico César, Renata Rosa, Alceu Valença, e Caetano Veloso cantando ou interpretando canções autorais ou de Robertinho do Recife, Capinam, Vital Farias, Thiago Pethit e Héli Flanders — dupla que contribuirá com L’Étranger (Forasteiro), com participação de Tiê, música que Cida Moreira gravou em seu álbum Soledade, de 2015.

“O Nordeste é o foco”, comentou Tim Rescala sobre o repertório, que, de acordo com ele, valoriza os toques de um sentimento nacional com características daquela região brasileira. A escolha das músicas coube a Luiz Fernando Carvalho – diretor da novela, “eu apenas dei uma assessoria”, complementou Rescala, que ainda assina o arranjo e a regência de Tropicália, canção gravada por Caetano Veloso e pela Orquestra Sinfônica de Heliópolis, que fará parte da abertura da novela.

Também o figurino de Velho Chico busca retratar com fidelidade a identidade brasileira que será a tônica dos demais recursos artísticos empregados para realçar a cenografia. Para ter as roupas ao gosto do projeto, recorreu-se a um processo inteiramente artesanal que de acordo com a figurinista Thanara Schonardie exigiu descoloração de tecidos e tingimentos até ser alcançada a cor definida. Nas primeiras fases, predominarão, por exemplo, tons pastéis para os personagens sertanejos, enquanto matizes saturadas vestirão os que habitam o meio urbano.

Repertório do primeiro álbum de Velho Chico

Tropicália
Intérprete: Caetano Veloso
Autor: Caetano Veloso

Gemedeira
Intérprete: Amelinha
Autores: Robertinho do Recife e Capinam

Me leva
Intérprete: Renata Rosa
Autora: Renata Rosa

Flor de tangerina
Intérprete: Alceu Valença
Autor: Alceu Valença

Enquanto engoma a calça
Intérprete: Ednardo
Autores: Ednardo e Climério

Veja Margarida
Intérprete: Marcelo Jeneci
Autor: Vital Farias

Como 2 e 2
Intérprete: Gal Costa
Autor: Caetano Veloso

L’Étranger (Forasteiro)
Intérpretes: Thiago Pethit part. Tiê
Autores: Thiago Pethit e Héli Flanders/ Versão: Dominique Pinto e Rafael Barion

I-Margem
Intérprete: Paulo Araújo
Autores: Paulo Araújo e João Filho

Incelença pro amor retirante
Intérpretes: Xangai participação Elomar
Autor: Elomar

Serenata (Standchen)
Intérprete: Chico César
Autor: Franz Schubert, Ludwig Rellstab e Arthur Nestrovski

Pot-pourri Suíte Correnteza – Barcarola do São Francisco, Talismã e Caravana
Intérpretes: Elomar, Geraldo Azevedo, Vital Farias e Xangai
Autores: Geraldo Azevedo e Carlos Fernando (Barcarola do São Francisco), Geraldo Azevedo e Alceu Valença (Talismã), Alceu Valença e Geraldo Azevedo (Caravana)

Triste Bahia
Intérprete: Caetano Veloso
Autores: Caetano Veloso e Gregório de Mattos

Senhor cidadão
Intérprete: Tom Zé
Autor: Tom Zé

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Tom Zé também está escalado para a trilha sonora de Velho Chico, álbum cujo repertório realça a brasilidade que os produtores da nova novela da Globo buscam imprimir à trama (Foto: Marcelino Lima/Arquivo Barulho d’água Música)

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817- Contribua para a gravação de “Catamarã”, segundo álbum do multi-instrumentista paulista André Siqueira

Compositor, arranjador e multi-instrumentista, André Siqueira está promovendo campanha virtual para lançar Catamarã, seu segundo álbum, que trabalha com novas linguagens no universo da música brasileira, a partir de improvisações e de arranjos para sopros, cordas e percussão. O repertório se desenvolve flertando com as técnicas composicionais da música do século XX e a cultura popular brasileira de matriz rural. Uma tentativa de releitura do modernismo da década de 1920, mas, também, uma busca de atualização da corrente nacionalista. O projeto busca, na utilização da cultura popular brasileira de matriz rural, deixar transparecer a vivacidade de nossa música.

A característica fundamental das suas composições é a fusão de timbres e linguagens, da música erudita contemporânea e da música popular. Seu primeiro álbum lithos, já trouxera um rico mosaico de timbres que foram tecidos a partir de pesquisas sobre materiais e técnicas da música do século XX, aplicadas aos gêneros da música brasileira. Esta fusão de timbres e estilos tem representado uma faceta importante da música instrumental feita no Brasil.

Estes conceitos (timbre, improvisação e abertura) são moldados como meio de concretizar por meio da música instrumental, ideias e conceitos resultantes da pesquisa de mestrado de André Siqueira, na qual desenvolveu os conceitos acima expostos na obra do compositor italiano Giacinto Scelsi. Com esta ação, pretende-se facilitar o acesso do público à música instrumental a partir de um conhecimento derivado de outras áreas que, tangenciando a performance, apontam para uma busca sonora na qual o cruzamento entre a arte contemporânea “erudita” e a cultura popular mostram-se próximas, interligadas e abertas a novos tipos de experimentações.

A campanha para a captação dos recursos mínimos necessários estará aberta até 18 de abril e as colaborações partem de R$ 50,00. Para cada valor depositado há uma respectiva recompensa que poderá ser desde agradecimento em redes sociais pelo apoio, mais um exemplar do Catamarã autografado, até um show em quarteto, com repertório de música brasileira instrumental, mais cincoenta discos autografados, com direito do nome do contribuinte ou da empresa nos agradecimentos do disco, logomarca na contracapa, citação do apoio nas redes sociais e show de lançamento. Para conhecer mais detalhes o linque da campanha é https://www.kickante.com.br/checkout/3260968

Catamarã é a designação dada a uma embarcação com dois cascos (vulgarmente chamados “bananas”), cuja propulsão ocorre à vela ou por motor e que se destaca por sua elevada estabilidade e velocidade em relação às embarcações monocasco. A sua origem é a Polinésia, e quando os navegadores europeus lá chegaram por mar, se surpreenderam com a grande velocidade dos catamarãs.

Compositor, arranjador e multi-instrumentista, André Siqueira nasceu em Palmital (SP). E doutor em Ciências Sociais pela Universidade do Estado de São Paulo (Unesp) com a tese A sonata de Deus e o diabolus: nacionalismo, música e o pensamento social no cinema de Glauber Rocha e mestre em música pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) onde desenvolveu pesquisa sobre os procedimentos composicionais do italiano Giacinto Scelsi. Formado em música pela Universidade Estadual de Londrina (UEL/PR), atualmente é docente da instituição e responsável pelas disciplinas de Harmonia e Contraponto, Arranjo e Percepção. Foi coordenador da pós-graduação em música (2008- 2010) e professor na habilitação de Arranjo Musical. É autor do livro Giacinto Scelsi: improvisação, orientalismo e escritura lançado pela EDUEL em 2011, no qual discute os procedimentos composicionais e a biografia do compositor italiano. Em 2011 ministrou a conferência A voz do morro: samba e resistência cultural no âmbito do Colóquio Internacional “Voci dal margine. La letteratura di ghetto, favela, frontiera realizado em maio na Universidade de Siena (Itália) e publicado no livro de mesmo nome em janeiro de 2012.

Em julho desse mesmo ano participou como violonista do projeto Concertos na Escola – 2012 da Funarte, do proponente Cândido José de Lima, dentro do qual foram realizados aula-espetáculos em três escolas estaduais da cidade de Uraí (PR), atingindo mais de mil crianças e adolescentes. Atualmente é coordenador do sub projeto de música do PIBID, no âmbito da Universidade Estadual de Londrina, subsidiado pela CAPES e que trabalha novas alternativas para o ensino de música nas escolas públicas.

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André Siqueira, tocando flauta, um dos vários instrumentos que domina, durante apresentação do amigo Wilson Dias (MG) em São Paulo (Foto: Marcelino Lima/Arquivo Barulho d’água Música)

Utiliza vários instrumentos como meio para a construção de sua escritura musical; flautas, guitarra elétrica, violões, viola caipira, contrabaixo e guitarra portuguesa. Sua trajetória é composta por experiências diversas em cultura popular e por pesquisas em música contemporânea. Tendo gravado com vários músicos e participado de diversas mostras e festivais, foi selecionado pelo programa Rumos Itaú Cultural/ Música na categoria coletivo no biênio 2010-2012 dentro do qual, em março de 2012, participou de um show em comemoração aos 25 anos do Instituto Itaú Cultural tocando com Gilberto Gil. Em 2009, integrou o Circuito Syngenta de Viola no qual dividiu o palco com Paulo Freire e Levi Ramiro e que resultou em um álbum com violeiros de todo o país no qual Siqueira, junto com Zeca Collares, assina a faixa Brincando com as crianças na qual utiliza uma viola de 14 cordas. Em novembro de 2009 participou do projeto Vozes de Mestres – Festival Internacional de Cultura Popular – realizado em Natal (RN), junto com a cantora Déa Trancoso onde dividiu o palco com Egberto Gismonti. Participou em 2007 da gravação do DVD Violeiros do Brasil com produção de Myrian Taubkin, acompanhando Pereira da Viola; dentro deste projeto já dividiu palco com Almir Sater, Pena Branca, Paulo Freire e Ivan Vilela entre outros.

André Siqueira também lecionou violão e improvisação na Universidade Federal de Ouro Preto  (MG) e no Projeto Arena da Cultura da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte no período de 2004 a 2007. Em 2006 participou do 2º Festival de Cinema de países de línguas portuguesas, na cidade de Lagos, em Portugal. Foi diretor artístico e curador do projeto Viola Popular realizado em Belo Horizonte, ainda em 2006, por meio da Lei Estadual de Incentivo a Cultura e com patrocínio da Natura Musical, no qual “mestres” de cultura popular dividiram o palco com músicos que utilizam linguagens contemporâneas. Em 2005 tornou-se finalista do Prêmio Syngenta de Viola Caipira, realizado no Teatro Alfa (SP). Em 2001 participou do III Mercado Cultural, realizado na cidade de Salvador (BA). Atua como produtor/diretor musical e arranjador nos trabalhos de Déa Trancoso, Luca Bernar, Pereira da Viola, Rodrigo Delage, Rubinho do Vale, Titane, Wilson Dias e Zeca Collares, além de seu próprio trabalho como compositor e instrumentista no qual música brasileira e improvisação surgem como elementos principais.

O seu primeiro álbum, lithos, atinge um universo sonoro particular. Os diálogos entre os músicos surgem em improvisações nas quais os sons inusitados da guitarra portuguesa e da viola caipira se materializam em construções musicais que flertam com o Jazz e com as matrizes da cultura popular brasileira. A idéia de improvisação utilizada parte de uma liberdade que transcende os clichês e que busca uma real interação na construção musical. Esta se realiza no tempo, ou, em tempo real. Composição instantânea que abarca vários estilos e tendências musicais, da música modal ao século XX. André Siqueira se interessa tanto pelo processo de improviso que considera suas composições mais próximas de roteiros a serem seguidos do que uma obra fechada. “Não sei nem se são composições, são proposições musicais”. Durante o período em que morou em Belo Horizonte, André Siqueira remasterizou a gravação de lithos e conseguiu reeditar o disco por dois selos mineiros: Picuá e Tum Tum Tum.

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816 – Socorro Lira (PB) lança “Amazônia – Entre Águas e Desertos” em apresentação única no Sesc Pompeia (SP)

A cantora, compositora e poetisa Socorro Lira (PB) lançará na sexta-fera, 26, o álbum em vídeo digitalizado Amazônia – Entre Águas e Desertos,  a partir das 21 horas, no palco do teatro da unidade Pompeia do Sesc da cidade de São Paulo. O DVD foi gravado no Auditório Ibirapuera quando Socorro Lira apresentava ao público o disco homônimo, em julho de 2014, com direção artística de Elifas Andreato (que assina também a arte gráfica do projeto). Os arranjos e a direção são do pernambucano Jorge Ribbas.

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815 – Cida Moreira brilha em “Soledade”, anuncia no Itaú Cultural (SP) novo show e que estrelará filme de terror*

Cida Moreira, uma das mais destacadas cantoras e intérpretes paulistas, ícone nacional desde a época da turma de vanguarda que armou seu bunker no teatro do Lira Paulistana, abriu em 18 fevereiro a temporada do projeto Quintas Musicais, do Itaú Cultural, em São Paulo, protagonizando o show do disco Soledade. Lançado em outubro de 2015 em homenagem a uma pequena cidade do sertão da Paraíba, o álbum revela a música brasileira em um roteiro tanto biográfico quanto histórico, trazendo as influências da artista e transportando o público a diferentes tempos e espaços. No palco, ela alia dotes dramatúrgicos da atriz que também é à proposta do disco que, em suas palavras, “discorre com emoção e lucidez sobre um país que está dentro do meu coração de brasileira, e encravado na inestimável experiência do conhecimento concreto dos lugares mais remotos e significantes.”

Acompanhada por Adriano Busko (percussão), Izaías Amorim (contrabaixo acústico e elétrico), Yuri Salvagnini (acordeom, teclado e piano) e Omar Campos (violões, viola e guitarra),  a própria Cida Moreira se encarrega da direção musical do show que começa caipira, com Viola Quebrada (Mário de Andrade), prossegue com interpretações bastante personalizadas de canções como Bom Dia (Gilberto Gil e Nana Caymmi); o domínio público Moreninha; Forasteiro (Hélio Flanders e Thiago Pethit); Poema, (Alice Ruiz); O Pulso (Arnaldo Antunes, Marcelo Fromer e Tony Bellotto); e As Pastorinhas (Noel Rosa e João de Barro), passando por A Última Voz do Brasil (Tico Terpins, Zé Rodrix, Próspero Albanese e Armando Ferrante) em levada de rock. Dentro do roteiro cênico e sonoro do disco, apresenta, ainda, três canções que dialogam com a linha melódica, dramática e musical: Cajuína, (Caetano Veloso); Minha Nossa Senhora (Fátima Guedes); e Na Hora Do Almoço (Belchior).

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Projeções de imagens ao fundo do palco fazem de Soledade mais do que um simples show musical no qual Cida Moreira se reafirma como uma das intérpretes mais ecléticas da música nacional (Foto: Christina Rufatto/Itaú Cultural)

O perfeito resumo da ópera é que Cida Moreira segue sendo um fenômeno ao seu modo absolutamente independente e avesso às concessões. Na volta do Quintas Musicais, encantou e surpreendeu não apenas interpretando um primoroso repertório (no qual “uma música que não tem explicação!”, como se referiu à Construção, de Chico Buarque, por exemplo, ganhou um arranjo de calle de San Telmo), mas também dramatizando e declamando poemas que derivam e se fundem a canções atemporais e ecléticas, revelando um bom gosto por meio do qual aproveitou para homenagear compositores como Taiguara e Nico Nicolaiewsky — que partiram bem antes do combinado, e, assim como ela, seguem “fora das paradas de sucesso, mas no coração das paradas do prestígio”.

Completamente à vontade no palco para distribuir alfinetadas (nem sempre sutis ou veladas), fazer provocações, improvisar e contar piadas (inclusive sobre o atual momento político), gargalhar (muito!) e, irreverente, conversar com a plateia, Cida Moreira, em alguns momentos, parecia se tornar etérea, convocando a acompanhá-la, no máximo, um instrumento além do piano ao qual se sentara, trazendo ao Itaú Cultural uma atmosfera de intimismo que, convidando-nos a fechar os olhos, impunha como forma de devoção cúmplice silêncio da plateia e dos próprios músicos: eles pareciam, também, ascender, desconectados do tempo e do espaço — tal qual a pera esquecida na fruteira, não a apodrecer, mas a se revitalizar por sorver, nota a nota, a seiva conduzida por um floema harmoniosamente melódico. O tecladista e acordeonista Yuri, por exemplo, em vários momentos, quedava-se imerso, talvez, em meditação, demonstrando que estaria em respeitoso transe ou que estaria a absorver as canções tal qual ouvisse orações ou as rezasse. Amorim, encostado à parede, fora do alcance da luz, enquanto sorvia um copo d’água, também se manteve imóvel por um longo intervalo, contemplativo, com os olhos fixos na fonte de sua admiração: a diva que tem declarado amor a todos os admiradores — como se fossem únicos — e entre ela e o coração de cada um construiu pontes sólidas como se fosse mágica. 

Para estes momentos de enlevo e descontração contribuíram não apenas impecável iluminação, com predomínio de tons vermelhos (ora quentes, ora suaves), mas também projeções de imagens ao fundo do palco, em planos e ritmos com andamento ao compasso das músicas — e como nem sempre em linguagem linear ou lógica, beirando o onírico, com direito a um sol nascente elevando-se ao céu e, a cena final, uma ponta de unha, a lua crescente. Enfim, cada pausa ou gesto de Cida Moreira, cada variação do timbre de sua voz do grave ao agudo, todos os demais recursos artísticos empregados para enriquecer a apresentação musical em si, encaixaram-se perfeitamente na concepção do projeto: permitir ao público viajar entre sertão e cidade durante o desdobramento de um espetáculo concebido não apenas com rigor técnico e profissional, bem como, sem perder a ternura, com sensibilidade e a delicadeza. 

 Soledade é assim: um passeio pelo Brasil meu, de cantora e cidadã brasileira, dentro de uma poesia extraordinária e de sua música absolutamente deslumbrante”, comentou Cida Moreira, sem se omitir de, generosamente, dividir os aplausos e o marcante carinho do apinhado auditório (as poltronas das galerias inferior e superior foram todas ocupadas) com sua equipe de trabalho — dentro da qual há e mencionou, por exemplo, o autor das imagens e sua montagem em clipes, Murilo Alvesso; e o cenógrafo, iluminador e diretor geral Humberto Vieira. O disco Soledade, segundo ela, esgotou-se, mas em breve nova prensagem estará disponível e o show seguirá sendo oferecido em casas de grande afluência de público e a Virada Cultural paulistana, ao passo em que ela, paralelamente, costura outros projetos, inclusive um filme de “terror contemporâneo, maravilhoso” do qual será a mocinha e terá parte das locações no Capão Redondo (bairro do extremo da zona Sul de São Paulo), mais outro musical, Copo de Veneno, com Murilo Alvesso.  

 

Sobre Cida Moreira

Cida Moreira (São Paulo, 1951) estreou nos palcos brasileiros na década dos anos 1970, depois de cantar pela primeira vez na rádio Marconi, de Paraguaçu Paulista. Seu primeiro trabalho musical, Summertime, produção independente realizada ao vivo, foi lançado em 1981, no teatro do Lira Paulistana, mesclando clássicos do jazz e do blues, além da versão censurada de Geni e o Zepelim (Chico Buarque). Cantora, pianista e atriz, já lançou dez álbuns, dentre os quais Cida Moreira interpreta Brecht (1988), Cida Moreira canta Chico Buarque (1993) e A Dama Indigna (2011). Ganhou o prêmio de Melhor Atriz pelo filme O Que Se Move (2013), no Lakino Film Festival, em Berlim.

* Com Larissa Corrêa, jornalista do Itaú Cultural

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814- Músicos de quatro estados estão em Uberaba (MG) para planejar nova temporada do Circuito Dandô ; no dia 20 todos sobem ao palco do TEU

Olhem ai, povos: foi divulgado o time de músicos que participará da apresentação de confraternização e encerramento do 2º Encontro Nacional do Dandô – Circuito de Música Dércio Marques,  que está sendo promovido desde ontem, 17, em Uberaba (MG), em uma nova realização da Katxerê Produções Artísticas, de São Paulo, e do Hotel Casa do Folclore, além da sempre inestimável colaboração do anfitrião Gilberto Rezende, incentivador da cultura popular, residente naquela cidade do Triângulo Mineiro. A partir das 20 horas do sábado, 20, subirão ao palco do Teatro Experimental de Uberaba Kátya Teixeira e João Arruda (SP); Valdir Verona, Cristiano Nunes e Giancarlo Borba (RS); Erick Castanho, André Salomão, Marcelo Taynara, Sol Bueno, Ricardo Rodrigues e Alexandre Bianchini (MG); e Victor Batista, Pedro Vaz, Isabella Rovo, Rosa Barros, Cabocla Inez (GO). Vai ser melhor do que carne seca com araticum!

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813 – Violeiros Levi Ramiro e Paulo Freire, de volta a São Paulo, tocam e ca(o)ntam no Sesc Belenzinho

Depois de percorrem mais de 130 cidades brasileiras durante a segunda metade de 2015 como uma das atrações do projeto Sonora Brasil, os violeiros e compositores paulistas Levi Ramiro e Paulo Freire voltarão a se encontrar neste domingo, 21, no palco da unidade Belenzinho do Sesc paulistano, agora como protagonistas do projeto Música de Raiz. A partir das 18 horas, os amigos que tiram São Gonçalo do sério e provocam inveja no chavelhudo, ambos nascidos em 1º de abril , apresentarão um panorama dos diversos desdobramentos da música regional brindando o público com modas e temas caipiras derivadas das pesquisas de ambos, com ênfase em composições próprias, mas também releituras de sucessos de duplas do Sudeste. Como normalmente o bom humor destes autênticos compadres tempera os espetáculos que promovem, o público poderá esperar, ainda, pela contação de causos dos mais pitorescos.

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