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850 – Joaci Ornelas (MG) lança álbum que evoca tradições e hábitos do lugar onde o dia chega mais cedo e o céu quase nunca escurece

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O músico, compositor, violeiro e cantador Joaci Ornelas (Salinas/MG) está convidando amigos e admiradores residentes em Belo Horizonte (MG) e cidades da região para prestigiarem o concerto inaugural de No dizer do sertão, marcado para 15 de abril, a partir das 20h30. O álbum, segundo da carreira de Joaci Ornelas, será lançado na Sala Juvenal Dias no Palácio das Artes, onde trará pela primeira vez ao público o resultado de pesquisas, vivências e participações em atividades culturais de tradição de mestres violeiros, tocadores e foliões em comunidade rurais no vale do São Francisco que balizam o trabalho de composição do autor.

No dizer do sertão, realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte, conta com parcerias e participações especiais de diversos músicos, violeiros, cantadores e cantoras em evidências na cena musical mineira e brasileira. As dez cordas da viola caipira – base do trabalho do músico – costuram linguagem musical elaborada e arranjada a partir do perfeito diálogo com instrumentos utilizados em música de orquestra e na música contemporânea, além dos mais diretamente associados às tradições populares tais quais a rabeca, o pandeiro e a caixa de folia que compõem os arranjos de percussão. A parte rítmica é enriquecida por elementos pertencentes às folias, às contradanças, aos batuques, às cirandas, às cantigas de roda e de todo cancioneiro popular do Brasil, marca que caracteriza o perfil criativo de Joaci Ornelas. Como arremate que deixa a pedra ainda mais preciosa, as letras primam pelo conteúdo literário e conduzem a passeios por paisagens sertânicas, sobretudo mineiras, e discorrem ainda sobre temas universais relativos ao sentimento do homem, suas diversas formas de expressão e existência.

Joaci Ornelas reside residente em Belo Horizonte desde 1980. Estudou teoria musical, harmonia e história da música na Escola de Artes, e violão com os professores Adalberto Santos e Tássio Moreira. Autodidata em viola caipira, influenciado pelos violeiros Zé Coco do Riacho, Tião Carreiro e Renato Andrade, e por mestres e foliões do norte de Minas, incorporou o instrumento ao seu trabalho de forma essencial e a utiliza em interpretações de peças barrocas, modas, cantigas e batuques de violeiros do interior de Minas Gerais ou em suas próprias composições. Já se apresentou em diversos espaços culturais de Belo Horizonte e outras cidades mineiras, São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro.

Joaci

Joaci Ornelas usa a viola caipira em interpretações de peças barrocas, modas, cantigas e batuques de violeiros do interior de Minas Gerais ou em suas próprias composições (Foto acima: Ângela Lopes/Foto maior, no destaque: Divulgação)

O músico é um dos fundadores do grupo Vivaviola, que une Chico Lobo, Pereira da Viola, Wilson Dias, Bilora e Gustavo Guimarães em um movimento de valorização e difusão da música de viola em Minas. Em 2006 lançara Andejo, trabalho que reúne músicas de sua autoria e em parceria com o poeta e escritor João Evangelista Rodrigues e cantigas de domínio público. Também responde pela direção executiva do Instituto Vivaviola e foi coordenador do I Seminário Nacional de Viola Caipira, realizado em 2008, pela ANVB, em Belo Horizonte. Produziu Foliões e Tocadores, na comunidade de Taboquinha (São Francisco/MG, em 2013) e O congado em Bom Jesus de Matozinhos com as guardas de Mocambeiro e do Cruzeiro, projeto realizado na cidade de Matozinhos, MG.

A Sala Juvenal Dias fica na Avenida Afonso Pena, 1537, no Centro de Beagá. É um espaço reconhecido no meio cultural e artístico por revelar talentos da cena musical mineira que incluem desde músicos independentes até grupos corais, quintetos, duos, orquestras de câmaras, dentre outros. Também é utilizada para lançamentos de álbuns musicais e reúne estudantes, pesquisadores e amantes da música em geral.O ingresso para o concerto No dizer do Sertão custa R$ 5,00. Para mais informações há o telefone (31) 98515-7122

artworks-000145261309-x1zgxr-t500x500 Texto do encarte de No dizer do sertão

No dizer do sertão é um retrato sonoro de paisagens reais e imaginárias. Sertão de dentro, impróprio, transfigurado e real, transcendente de tempo e espaço em minha memória de menino, de canoinha de beira de rio, de muitas estradas e cercas… umas que vão, mas não trespassam o imaginar, o limite de ir além! Lugar de boa prosa, de fogão aceso e lenha seca, de gado manso e flores no terreiro. Lugar de gente simples e festeira: tocadores de violas, de rabecas e dançadores de lundus, de São Gonçalo, de batuques e brincadeiras, fiandeiras de rezas e benditos. Lugar onde o dia chega mais cedo e o céu quase nunca escurece. Lugar de mato seco e chão quase bruto! Irreparável!

O sertão de onde falo, fala em silêncio! Nos convida ao ser profundo, ao fundo de nós mesmos. Não carece de inventar, “o sertão está em toda parte”! Perto e longe da gente.

Este disco é dedicado a todos os trabalhadores e trabalhadoras, a todos os  tocadores e foliões, rezadeiras de benditos, incelenças e ladainhas da comunidade de Taboquinha da Tapera, sertãozinho que me inspirou cada nota musical, cada frase deste Sertão sonoro.

 

Links referenciais do artista:

 Andejo/No dizer do sertão 

https://soundcloud.com/joaci-ornelas

http://palcomp3.com/Joaciornelas

https://www.facebook.com/joaciornelasmusico

https://www.youtube.com/channel/UCZqMbEJ1RXgvMVDvpbthvmw

Programa Nos braços da Viola/TV Brasil

http://www.youtube.com/watch?v=ejiano_oBTo&feature=youtu.be Vivaviola

Vivaviola/Programa Brasil das Gerais

paulo netho arte

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Autor: barulhomarcel

Jornalista nascido em Bela Vista do Paraíso (PR). Corintiano por herança do pai, Geraldo Caetano de Lima. Do velho também puxou a paixão por modas de viola, música de raiz e caipira, que era chamada de "sertaneja" antes da mídia comercial se apropriar, indevidamente, do nome. Quando criança ouvia aos pés da cama dele, vindas de um rádio à pilha que chiava muito, clássicos destes gêneros que marcaram para sempre a sua vida. Eu e Andreia Beillo não temos nada em comum. Para começo de conversa, ela torce pelo Palmeiras. Mas resolvemos juntos botar o pé na estrada e acreditar nas bençãos de São Gonçalo do Amarante e tentar encontrar na atividade de blogueiros dedicados à música de qualidade algo que nos una e ajude muita gente boa espalhada por todo este país, e lá fora, também, a ter seus méritos reconhecidos, resgatando e preservando valores de nossa cultura popular.

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