Barulho d'Água Música

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853 – Katya Teixeira (SP) recebe amigos e fãs em teatro lotado e lança Cantariar comemorando 21 anos de trajetória

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A cantora, instrumentista e compositora Katya Teixeira (SP) recepcionou no palco e na plateia do teatro do Sesc Belenzinho, em São Pailo, na noite de sábado, 9 de abril, familiares, amigos, fãs e parceiros de estrada para festejar o lançamento de Cantariar, álbum com o qual marca 21 anos de carreira. O espetáculo merece adjetivos como deslumbrante e memorável, mas ambos, além de correr o risco de parecerem reducionistas, soariam com pouca fidelidade ao que foi visto e ouvido. Acompanhada por Cássia Maria (percussão), Ney Couteiro (violão) e Thomas Rohrer (rabeca), Katya Teixeira apresentou o repertório ao seu melhor estilo, costurando a apresentação com histórias sobre sua trajetória artística pelo Brasil afora e alguns países latino-americanas, narradas com bom humor mais acentuado do que o de costume, e interpretando com propriedade e deleite as canções que no disco, cuja distribuição agora cabe a Tratore, teve remasterização de Júlio Santin (SP).

O violeiro, por sinal, recebeu a tarefa de juntar a “tropa” de convidados especiais que dividiram a cena com ela: Daniela Lasalvia, Amauri Falabella, Oswaldo Rios, Vidal França (um dos seus mestres, a quem se refere sempre com orgulho e reverência, carinho que também demonstra por Dércio Marques e a irmã do saudoso poeta mineiro, Doroty), Jica (da dupla Jica y Turcão), Antônio Galba e integrantes do grupo de música latino-americanas Tarancón. João Arruda, Levi Ramiro, paulistas; Antônio Pereira, amazonense; João Bá, baiano; e Erick Castanho e João Evangelista Rodrigues, mineiros, entre outros, não puderam comparecer, mas também foram respeitosamente mencionados por Katya Teixeira.

O show teve as bênçãos de São Gonçalo e direção terrena, mas não menos arrebatadora, de André Venegas, barbatuque companheiro da ave cantadeira há 16 anos. Venegas também fez a montagem das imagens escolhidas por ela para projeção, contra a parede de fundo do teatro, durante a cantoria. Em animadas conversas que teve com o público, Katya Teixeira reiteradas vezes pronunciou frases ou palavras de gratidão aos tantos artífices, esteios e companheiros que amealhou e cativou nesta trajetória de duas décadas já coroada com Katxerê, Lira do Povo, e Feito de Cordas e Cantigas, que no segundo semestre vai se tornar ainda mais rica com As Flores do Meu Terreiro e inclui, também, 2 Mares, em parceria com Luiz Salgado (MG), amém cêis tudo! Em uma de suas mais espirituosas tiradas, a musa arrematou um comentário sobre sua opção por cantariar recorrendo à seguinte expressão, levando às gargalhadas o auditório. “Pois é, eu poderia estar roubando ou matando…”

quaro cantariar

Katya Teixeira momento em que recebia no palco os músicos do Tarancón, cantandocom Daniela Lasalvia Canto Lunar, na foto maior, acima; com Dani e Amauri Falabella, no centro. Na foto maior de baixo, Vidal França (Fotos: Arquivo Barulho d’água Música/Marcelino Lima)

Brincadeiras à parte, como todo artista independente (e que no caso dela, felizmente, não seguiu o conselho de um tio para tentar a sorte em outro ofício), Katya Teixeira batalha para se manter ativa e não precisar empenhar as cordas dos próprios instrumentos na hora de acertar as contas com o Leão ou se entender com o ECAD enquanto teima em descolar um microfone para dar seus recados e seguir regando e resgatando tradições populares do Brasil profundo. Se o carisma que tem não a ajudou até agora a consolidar uma carreira próspera, nem despertou a atenção da estrábica mídia do entretenimento (sina de tantos artistas como ela, vida bandida!), a legião que a venera já a guindou à condição de uma das mais aguerridas e imorredouras estrelas do meio regional, para o qual não apenas lega preciosos conteúdos e coordena premiados projetos, mas é também referência obrigatória, posto que, além de cantora de poderoso timbre, é incansável pesquisadora.

A medida desta popularidade se refletiu tanto no saguão de entrada do teatro, antes e depois do show de lançamento de Cantariar, quanto na ocupação completa das cadeiras do Sesc Belenzinho — que, simultaneamente, vai ouvindo, recebia na Comedoria um não menos concorrido espetáculo protagonizado por Alice Ruiz e as Orquídeas do Brasil! O Barulho d’água Música proseou com ou avistou antes do terceiro sinal Consuelo de Paula; o casal Alex Rocha e Joyce Carvalhaes, do grupo Acordais; os violeiros Noel Andrade, Júlio Santin, e Ricardo Vignini; as Vozes Bugras Anabel Andres e Tiane Tessaroto; o cineasta Luiz Carlos Bahia; os fotógrafos Fa Cabral, Daniel Kersys, Roberto Aso, e Stela Handa; diretores do Centro de Estudos Superiores Authos Pagano; e o blogueiro do Ser-tão Paulistano José Maria e esposa, Adriana.

Recorramos, por sinal, às precisas palavras de José Maria para dar a dimensão exata da noite cujo perfeito sinônimo pode ser “Dia Santo” (como se canta na canção com a qual Vidal França e Mazé Pinheiro presentearam Katya Teixeira), pois elas completarão sem carências os dois adjetivos do início desta resenha:

“O espetáculo Cantariar coroa uma trajetória honesta e coerente. Quando ela sobe no sagrado espaço do palco, todos nós nos sentimos representados, pois é a voz de todos, a voz de um povo. Sentimos orgulho por fazer parte de sua geração, como devemos sentir orgulho da história que construímos e das nossas capacidades.  Katya agrega em si essa capacidade que poucos artistas conseguem sintetizar, a de verdadeiramente ser intérprete. Quando ela solta a voz, é a própria voz da lavadeira, da doceira, do operário, do camponês, do vaqueiro, do pescador, do escravo, do índio.  Ver, ouvir e aprender com Katya Teixeira, seu amor pela nossa arte e por nossa gente, é enxergar caminhos: se fosse possível sintetizar numa frase ou num nome, num corpo ou numa voz o sentido de arte popular, tudo caberia num nome: Katya Teixeira, que carrega consigo legiões.”

Repertório Cantariar, parceiros das músicas e respectivos discos nos quais estão os fonogramas originais. A obra pode ser ouvida em plataformas digitais como iTunes e Deezer

1-Dois Sertões – 2013 – Ronaldo Pereira e Poli Brandani
2-Os grilos são astros – Cantos da Mata Atlântica/ Dércio Marques e Doroty Marques – 1999 – Rosinha de Valença
3-Encantado – Capiau/ Levi Ramiro – 2013 – Levi Ramiro e João Evangelista Rodrigues
4-O Canto das Águas Serenas – Espelho d’Água/ Dércio Marques – 2001 – Regina Rosa
5-Fotossíntese – Cavaleiro de Macunaíma / João Bá – 2013 – João Bá e Ney Couteiro
6-Roxa cor da saudade – Parceria/ Amauri Falabella – 2015 – Kátya Teixeira e Amauri Falabella
7-Canteiros do Coração – Afluentes / Antonio Pereira – 2007 – Antonio Pereira
8- Flor de algodão – Meus Retalhos/ Viola Quebrada – 2015 -Rogerio Gulin, Etel Frota e Oswaldo Rios
9- Vento viajeiro – Venta Moinho/ João Arruda – 2013 – Kátya Teixeira e João Arruda
10- Além de Olinda – Mexericos da Rabeca /José Eduardo Gramani – 1997 – José Eduardo Gramani
11- Canto Lunar – Vuelvo para Vivir / Tarancón – 1997 – Denise Emmer
12- A Lua Girou – Elemental/ Erick Castanho – 2015 – DP – folclore da Bahia
13- Canto Cego – Capiau/ Levi Ramiro – 2013 – Levi Ramiro
14- Dia Santo – Sertão e Mar/ Vidal França e Mazé Pinheiro – 1994/1995 – Eliezer Teixeira e Luiz Carlos Bahia
15- Teus Olhos – Sonhares/ Ney Couteiro – 2008 – Consuelo de Paula e Ney Couteiro

Depois do lançamento de Cantariar, Katya Teixeira parte para um giro por cidades do Rio Grande do Sul nas quais cantará acompanhada por artistas locais tais quais Giancarlo Borba pelo Dandô Circuito de Música Dércio Marques, da qual é a idealizadora. A agenda marca passagens por Terra de Areia (13 de abril), Osório (14), Torres (15), Maquiné (16), Pedro Osório (17), e Santa Cruz do Sul (18).

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Autor: barulhomarcel

Jornalista nascido em Bela Vista do Paraíso (PR). Corintiano por herança do pai, Geraldo Caetano de Lima. Do velho também puxou a paixão por modas de viola, música de raiz e caipira, que era chamada de "sertaneja" antes da mídia comercial se apropriar, indevidamente, do nome. Quando criança ouvia aos pés da cama dele, vindas de um rádio à pilha que chiava muito, clássicos destes gêneros que marcaram para sempre a sua vida. Eu e Andreia Beillo não temos nada em comum. Para começo de conversa, ela torce pelo Palmeiras. Mas resolvemos juntos botar o pé na estrada e acreditar nas bençãos de São Gonçalo do Amarante e tentar encontrar na atividade de blogueiros dedicados à música de qualidade algo que nos una e ajude muita gente boa espalhada por todo este país, e lá fora, também, a ter seus méritos reconhecidos, resgatando e preservando valores de nossa cultura popular.

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