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862 – Ao tambor e ao violão, Consuelo de Paula anuncia: começa nova temporada do Imagens do Brasil Profundo em São Paulo

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Para quem estava com saudade o reencontro com o projeto Imagens do Brasil Profundo transcorrerá a partir da quarta-feira, 4 de maio, e enseja que ficará entre os mais marcantes de todos os espetáculos congêneres já promovidos na Biblioteca Municipal Mário de Andrade, em São Paulo. A cantora, poetisa e compositora Consuelo de Paula, aclamada pelo público que prestigia e cultua música de qualidade, é a primeira convidada do curador professor de Sociologia Jair Marcatti para a temporada. Mineira de Pratápolis radicada em Sampa, Consuelo de Paula ocupará o palco Rubens Borba de Moraes a partir das 20 horas. Não haverá cobrança de entrada para vê-la e ouvi-la tocando manifestações e os ritmos como Moçambique, Toada de Congo, Folia, Jongo, Samba, Baião e Maracatu que compõem o repertório de Tambor de Rainha, por meio do qual transmite com a emoção que a caracteriza memórias de vários momentos de encantamento e fascínio que guarda e a inspira desde os 13 anos quando, por exemplo, seguindo cortejos populares, sentiu-se estimulada a fundar um bloco feminino de Carnaval em Pratápolis só para extravasar a paixão por batucar. Durante a apresentação, Consuelo de Paula alternará tambores e violão e até mesmo um pandeiro poderá entrar em cena para que ela desfile composições clássicas e autorais dos seis álbuns da discografia, entre os quais o mais recente, O Tempo e o Branco.

O Tempo e o Branco foi lançado em 1º de fevereiro do ano passado  no Auditório do Ibirapuera (SP), com participações de Guilherme Ribeiro (acordeom) e João Paulo Amaral (viola caipira), músicos que na ocasião substituíram, respectivamente, Toninho Ferraguti e Neymar Dias, que utilizando os mesmos instrumentos gravaram em estúdio com Consuelo de Paula, mas na ocasião atendiam outros compromissos profissionais. O disco, inspirado livremente nas poesias de Cecília Meireles,  apresenta composições próprias que unem aspectos da música erudita a uma essência e referências ligadas ao cancioneiro popular brasileiro do qual, no show que se tornou inesquecível, cantou, por exemplo, Cuitelinho, Mucuripe e Saudosa Maloca.

A escolha instrumental para os arranjos de O Tempo e o Branco, composta de acordeom e viola caipira, representa bem essa relação com as raízes musicais que levou Consuelo de Paula a homenagear, no batismo da obra, Dércio Marques, conterrâneo de Uberaba, e o sambista do Brás, do Bixiga, da Barra Funda, de Ermelino Matarazzo, da Penha, da Vila Ré, da Vila Matilde e adjacências Adoniran Barbosa. O tributo ao amigo do Arnesto foi por meio de uma composição que ela apresentou pela primeira vez após escrever a letra para melodia dele e de Copinha, de 1934, que ganhou o singelo título Valsa para Matildenome da esposa do mais famoso passageiro do trem das onze. Outro momento de emoção: por meio da projeção de um vídeo, o público pode ver e ouvir, também, Rubens Nogueira, o saudoso Rubão, um dos parceiros, compositores e arranjadores mais próximos dela. 

jair marcatti cpDarcy, Mário e Ariano

O Projeto Imagens do Brasil Profundo em 2016 chegará à terceira temporada alicerçado nas obras e nas visões de mundo de Darcy Ribeiro, de Mário de Andrade e de Ariano Suassuna, de quem Jair Marcatti conta ter tomado de empréstimo a expressão Imagens do Brasil Profundo. n“O Ariano sempre dizia que é preciso mergulhar no Brasil Profundo, ir além das aparências brasileiras, temos de entender o Brasil de dentro”, disse Jair Marcatti. “E pela conjuntura que a gente vem atravessando mais do que nunca esse projeto se tornou necessário ao longo do caminho”.

Em 2015 passaram pelo palco Rubens Borba de Moraes como convidados do curador 38 pessoas. Conforme o próprio Jair Marcatti, todos buscaram revelar um painel não só da diversidade brasileira, “mais de um Brasil rico, intenso, absolutamente interessante; um Brasil que consegue se colocar de frente a uma espécie de espelho simbólico onde encontra, claro, suas mazelas, suas contradições, mas também seus momentos de luminosidade e de profunda afirmação”.

Jair acredita que o revelado é a síntese “de um Brasil para além das dicotomias ligeiras e fáceis, um Brasil de bem com a vida” posto em debate por meio de músicas, de filmes, de manifestações populares e de objetos que consubstanciam as recomendações de Ariano Suassuna, que mesmo que escondam ou se encerrem em rincões considerados profundos, são vivas e inesgotáveis, posto que ainda possuem o condão de se renovarem, sem ferir tradições, e ainda de resistir às regras reducionistas do mercado de entretenimento  e das produções culturais de massa.  

Para a primeira temporada, em 2014, foram convidados violeiros que falaram sobre as ligações de sua música com a cultura caipira. Em 2015, com a ampliação do programa, passaram a ser abordados outros aspectos das diversas culturas regionais do Brasil, agora desvendados em diferentes formatos: shows, bate-papos musicais, debates e palestras. Ao menos a cada suas semanas, sempre às quartas-feiras, a meta neste ano é amplia-lo ainda mais, mantendo-se no entanto os principais pilares de enfoque e o perfil, já que ao invés de promover abordagens tradicionais, Marcatti prefere que o protagonismo caiba aos músicos, documentaristas, diretores de cinema, ativistas culturais e pesquisadores da cultura popular que em comum nutrem um modo de olhar aprofundado e amplo sobre o Brasil e promovem trabalhos de pesquisa e resgate das nossas mais entranhadas tradições. Com cada um dos participantes, Marcatti aborda aspectos do universo cultural brasileiro, de nossas trajetórias, continuidades e rupturas; daquilo que sem nenhuma pretensão definidora poderíamos chamar de identidades brasileiras, no plural, com a vantagem dos exemplos serem pontuados no calor da prosa, ao vivo, pelo som dos instrumentos, muitos artesanais, e pela apresentação de outras formas de expressão cultural.

A Biblioteca Mário de Andrade fica na rua da Consolação, 94, Centro, a caminhadas leves das estações República e Anhangabaú da linha 3 Vermelha do Metrô de São Paulo.

 

H1n1-2

 

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Autor: barulhomarcel

Jornalista nascido em Bela Vista do Paraíso (PR). Corintiano por herança do pai, Geraldo Caetano de Lima. Do velho também puxou a paixão por modas de viola, música de raiz e caipira, que era chamada de "sertaneja" antes da mídia comercial se apropriar, indevidamente, do nome. Quando criança ouvia aos pés da cama dele, vindas de um rádio à pilha que chiava muito, clássicos destes gêneros que marcaram para sempre a sua vida. Eu e Andreia Beillo não temos nada em comum. Para começo de conversa, ela torce pelo Palmeiras. Mas resolvemos juntos botar o pé na estrada e acreditar nas bençãos de São Gonçalo do Amarante e tentar encontrar na atividade de blogueiros dedicados à música de qualidade algo que nos una e ajude muita gente boa espalhada por todo este país, e lá fora, também, a ter seus méritos reconhecidos, resgatando e preservando valores de nossa cultura popular.

Um pensamento sobre “862 – Ao tambor e ao violão, Consuelo de Paula anuncia: começa nova temporada do Imagens do Brasil Profundo em São Paulo

  1. Uma das mais belas vozes que já ouvi

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