886 – Sueldo Fernandes (SP) canta histórias para público da Estação Cultural de Santa Bárbara d’Oeste (SP)

O cantor e compositor Sueldo Fernandes será uma das atrações da Estação Cultural de Santa Bárbara d’Oeste neste sábado, 4 de junho, quando protagonizará a partir das 16 horas o espetáculo Cantando História, projeto viabilizado pelo ProAc de São Paulo. Natural da cidade paulista de Santos, Sueldo Fernandes toca instrumentos de cordas e de percussão, é luthier, pesquisador de cultura e de temas do folclore nacional. Desde a infância demonstra os dotes artísticos que permitem além de atuar como músico compor as próprias poesias e melodias. Em sua carreira integrou bandas como vocalista e instrumentista entre 2000 e 2007, optando após esta experiência por empregar a voz marcante e apoiada em vários timbres passeando por ritmos  populares brasileiros, country e folk, sempre buscando compor canções autorais que também destacam elementos de culturas étnicas tradicionais marcadas pela visão criativa, inovadora e original.

O currículo de Sueldo Fernandes no circuito paulista aponta entre outras atividades a turnê Cantante Romântico das Américas (entre 2012 e 2014) e participações em programas como o Dia Dia Rural, apresentado por Tavinho Ceschi no Terra Viva, canal de agronegócios da TV Bandeirantes (SP); Revelando São Paulo; e Festival da Cultura Paulista Tradicional, com a atriz Nani Braun, da TV Cultura (São Paulo). Cantando História reúne músicas étnicas, próprias e inéditas, em um álbum single distribuído digitalmente por plataformas virtuais. O disco também pode ser encomendado junto à Cantando História Produções, cujos números de telefone são 11 2456-3338/ 11 98486-5793

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Trilhos da arte e da emoção

Antes da apresentação de Sueldo Fernandes o público que frequenta a Estação Cultural de Santa Bárbara d’Oeste poderá acompanhar durante uma feira de artesanato um coral local (a partir das 10 horas) e uma sessão de contação de histórias intitulada Rolando Causos com a Companhia Xekmat (por volta das 13 horas). Administrada pela Fundação Romi, a casa de espetáculos promove encontros plurais e multiculturais em um espaço revitalizado da antiga estação ferroviária da cidade, no qual a comunidade pode aprimorar a sua percepção acerca da cultura regional, divulgar valores, trocar vivências, adquirir conhecimentos, experimentar emoções, elaborar pensamentos, tomar iniciativas e ajudar a constituir a identidade cultural da região por meio exposições, oficinas e cursos de literatura, música, teatro e dança, dentre outras que promovam o desenvolvimento social por meio da cultura.

O endereço é rua Tiradentes, 2, Centro, e para mais informações sobre a programação oferecida de terça à sexta-feira (das 9 às 18 horas), aos sábados (das 8 às 17 horas) e aos domingos (das 8 às 12 horas) há o telefone  (19) 3455-4830

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885 – Recém formada, dupla de violeiros paulista vence encontro nacional promovido em Mato Grosso

Anderson Batista e Luciano, irmãos residentes em Sumaré (SP), conquistaram o primeiro prêmio do 14º Encontro Nacional de Violeiros de Poxoréu, cidade situada a 249 quilômetros de Cuiabá, capital do Mato Grosso. O festival é considerado de acordo com os organizadores o maior encontro de violas do país e busca preservar as manifestações inerentes à cultura caipira. As atrações do evento que começou com quatro duplas já atraiu a Poxoréu mais de 50 mil pessoas  para acompanhar a cada nova edição shows e concursos das categorias mirim e adulto. Neste ano, entre 26 e 28 de maio, por exemplo, o público prestigiou além da dupla paulista: Cacique & Pajé, Zé Mulato & Cassiano, Arnaldo Freitas, Mariângela Zan, Juliana Andrade e Lucimara, Divino e Donizete, a Orquestra Municipal de Viola e grupos de catira os Guarás e Diamantes.

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Anderson Batista e Luciano acreditam que primeiro lugar em Poxoréu ajudará a abrir portas para a dupla e impulsionar vendas do disco que lançarão ainda em 2016

O duo de Sumaré começou a carreira há menos de um ano e comemorou bastante o resultado que Anderson Batista classificou como “muito gratificante”. De acordo com Luciano, o título deverá não apenas impulsionar a trajetória da dupla, bem como ajudar a promover o lançamento do primeiro álbum previsto para o segundo semestre. “Estar entre grandes violeiros do país e vencer o Encontro Nacional nos dá ainda mais vontade de gravar e sair pelo Brasil afora divulgando a música caipira”, disse Luciano.

 

 

 

 

884 – Brasil perde Papete, ícone da música e do folclore do Maranhão; cinzas são lançadas em rio de Bacabal

A música e a cultura brasileira perderam na madrugada de quinta-feira, 27, mais uma de suas luzes: o maranhense Papete, nome artístico do cantor e compositor José de Ribamar Viana. Embora tenha causado comoção entre amigos e fãs, fora da mídia do entretenimento formadora de opinião mais uma vez a notícia foi completamente ignorada, repercutida apenas em notas rápidas ou por meio de matérias protocolares. A exceção quem promoveu  coube aos blogues especializados, cujos autores se dedicaram a fornecer mais informações sobre a carreira de Papete, nascido em Bacabal, a 240 quilômetros de São Luís, capital do Maranhão. A morte, por insuficiência cardiorrespiratória, encerrando a batalha que ele travava contra um câncer de próstata, colheu-o em São Paulo, aos 68 anos, em um dos leitos do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

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883- Se sanfoneiro ou acordeonista, quem se importa? Thadeu Romano é o cara que toca vários sotaques do Brasil Profundo

O acordeonista Thadeu Romano (SP) foi a atração do primeiro bate-papo da temporada do projeto Imagens do Brasil Profundo, mediado pelo curador e professor de Sociologia Jair Marcatti na noite de quarta-feira, 25 de março, na Biblioteca Mário de Andrade, situada no Centro da cidade de São Paulo. Durante cerca de 90 minutos, Thadeu Romano revelou-se um músico inquieto, influenciado por costumes interioranos do distrito no qual nasceu, em Campinas, e a convivência com familiares italianos alguns, como os nonos, responsáveis pela escolha afetiva que o levou a se tornar uma das referências atuais no país, ao ponto de ter se tornado um dos mais elogiados por Dominguinhos (que o considerava “um diamante bruto”) e Sivuca (que dizia dele ser “um músico que toca com o coração!”).

Durante a entrevista com Marcatti, Thadeu Romano explicou que há diferenças não apenas técnicas, mas também de forma e tamanho, por exemplo, entre acordeon, sanfona e consertina, embora seja comum e já consagrado tratá-los como sinônimo um do outro. Ao comentar sobre as peculiaridades do bandoneon, que ele também toca, valorizado por conta dos tangos de Astor Piazzolla depois de incerta inserção na cultura platina (“era um instrumento desprezado e que marinheiros usavam como moeda para pagar contas em mercearias”) , soltou uma frase bem espirituosa: “Parece um pacote de pães Pullman!” .

Thadeu Romano também frequentou bancos de conservatórios de ponta, acrescentando ao seu dom formação e saberes clássicos, e, por isso, pode ainda discorrer com propriedade sobre a adaptação e a popularização do acordeon e seus similares nos estados do Brasil nos quais ocorrem com mais força. Nesta altura da entrevista, didático, apontou diferenças e similaridades que permitem ao instrumento não apenas figurar em apresentações, mas ganhar status de solista, afirmando-se no contexto nacional por meio de ritmos como Vanerão, Bugiu e Xote, no Rio Grande do Sul; outra variação de Xote, Baião, e Forró em manifestações comuns em Pernambuco e centros vizinhos; Chamamé e Valsa, no Centro-Oeste e no Interior de São Paulo, divulgando valores e tradições das culturas pampeira, caipira e nordestina que contribuem para moldar uma identidade brasileira. “O acordeon é uma orquestra, sozinho faz um baile, e por ter estes muito sotaques é que ganhou o coração do brasileiro!”

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Entre um tema e outro da conversa com Marcatti, Thadeu Romano arrancou calorosos aplausos da plateia presente ao teatro Rubens Borba de Moraes ao interpretar joias tais quais Asa Branca, da Cor do Pecado, Perigoso, Saudades de Matão, Corta Jaca, Tico-Tico no Fubá, Feira de Mangaio e Lamento Sertanejo, sempre mencionando dados biográficos e curiosidades sobre os autores destes clássicos, entre os quais Luiz Gonzaga, Chiquinha Gonzaga e Zequinha de Abreu — o que permite mostrar que o acordeon também sempre se aclimatou e se sentiu bem-vindo a rodas de choro ou mesmo a temas românticos.

A entrevista de Thadeu Romano foi pontuada por várias pitadas de bom humor e, em especial, uma declaração de pura devoção, temperada por uma genuína e profunda saudade. Foi quando mencionou a convivência com Dominguinhos e com  Sivuca. Embora tenha acentuado “me considero ‘sivuquiano’ pelo jeito que ele tocava e pelo que almejo para a minha carreira”, o convidado desta rodada do Imagens do Brasil Profundo embargou a voz ao recordar a amizade com o parceiro pernambucano. “Dominguinhos era uma alma extremamente bondosa, tinha paciência com tudo, dava até dó, pois a turma abusava dele!”, contou Romano. “Ele morreu na data do meu aniversário [23 de julho, em 2013] e foi um presente que  me deu, pois a gente não gosta de ver uma pessoa que ama sofrendo”, emendou. “Sinto falta de conversar com ele!”

Os dois mestres do acordeon não são os únicos com quem Thadeu Romano já tocou e com os quais conviveu. A lista de artistas é extensa e de qualidade inquestionável e apresenta nomes como Renato Teixeira, Nailor Proveta, Zizi Possi, Guelo, Heraldo do Monte, Luciana Rabello, Fernanda Porto, Fátima Guedes, Peri Ribeiro, Eduardo Gudin, Mafalda Minozzi, Ary Holland, Giba Favery, Fábio Canela, Rodrigo Sater, Naná Vasconcelos, Dona Inah, João Borba, Celia e Celma, Cláudio Lacerda e Rodrigo Zanc. Além de acordeonista, o campineiro hoje radicado em São Paulo ele é arranjador, dirige um festival de choro com 10 horas de duração, todos os meses de dezembro, em São Carlos; integra grupos de tango e de gafieira; uma pequena orquestra que no segundo semestre  estará em ação para reinterpretar temas de trilhas sonoras do cinema, rearranjadas para um festival do gênero; e está aprendendo a tocar sanfonas de várias partes do mundo, disponibilizando os vídeos destas experiências (“eu arranjei sarna para me coçar”) em redes sociais.

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Todas estas atividades já somam 20 anos de pesquisas, de viagens, de shows, de gravações e de eventos correlatos por fim ganharam sua marca autoral e darão vida e alma ao primeiro disco solo da carreira que até a cidades minúsculas de Angola, além de países europeus, já o levou. Da Reza à Festa, uma ode à religiosidade e à amizade será lançado em São Paulo em 29 de julho, no teatro da Unibes, situado no bairro Sumaré. Reúne 10 faixas e uma vinheta dedicada por Thadeu Romano ao avô paterno, Albino; durante o bate-bapo na Biblioteca Mário de Andrade ele apresentou a música que abrirá o disco, Baião pro Malta, com participação do amigo homenageado, o saxofonista carioca Carlos Malta. Sobre este primeiro álbum, comentou: “Eu sempre estive atrás de artistas, de forma que, para  mim, este disco está sendo, mais do que uma grande novidade, uma responsabilidade de tremer na base. Mas tomará que seja o primeiro de muitos!”

A próxima atração do Imagens do Brasil Profundo já foi anunciada por Jair Marcatti, para 15 de junho, a partir das 20 horas: Jean e Joana Garfunkel, pai e filha, interpretando e adaptação exclusiva para o projeto poemas do patrono Mário de Andrade, com destaque para “Eu sou 300”.

A primeira temporada do Imagens do Brasil Profundo, em 2014, buscou imprimir um Olhar sobre a Cultura Caipira em quatro bate-papos com expoentes desta vertente das nossas tradições populares. Depois, em 2015, ampliada, a programação passou a abarcar outros aspectos das diversas culturas regionais, agora desvendados por meio de shows, bate-papos musicais, debates e palestras. Nestas ações, ao invés de promover abordagens tradicionais, Jair Marcatti interage com músicos, documentaristas, diretores de cinema, ativistas culturais e pesquisadores da cultura popular que em comum nutrem um modo peculiar de retratar o país e promovem trabalhos de pesquisa e de resgate das nossas mais entranhadas tradições.

Com cada um dos participantes, o sociólogo joga luz “sobre aspectos do universo cultural brasileiro, de nossas trajetórias, continuidades e rupturas,daquilo que sem nenhuma pretensão definidora poderíamos chamar de identidades brasileiras, no plural, com a vantagem dos exemplos serem pontuados no calor da prosa, ao vivo, pelo som dos instrumentos, muitos artesanais, e pela apresentação de outras formas de expressão cultural”, observa. Seguindo princípios e ideais de três dos nossos maiores expoentes culturais que são o patrono Mário de Andrade, Darcy Ribeiro e Ariano Suassuna, apoiado, ainda, em pensamentos de Machado de Assis, o projeto propõe “um reencontro do Brasil com ele mesmo”, mas não com o Brasil institucional, caricato e burlesco, e sim o mestiço, aquele que nos permite afirmar perante o mundo a originalidade da civilização tropical, revelador de nossos melhores instintos e mais arraigadas tradições.

 

 

 

 

882 – DVD gravado em Ribeirão Preto (SP) revela a excelência do repertório da Orquestra Paulistana de Viola Caipira

O Barulho d’água Música recebeu um exemplar de Viola in Concert Ao vivo, DVD gravado em 2009 pela Orquestra Paulistana de Viola Caipira (OPVC) no Teatro Pedro II, situado em Ribeirão Preto (SP), produzido pela Associação São Gonçalo de Estudos Caipiras e com direção musical e arranjos de Rui Torneze. Mais do que um mergulho no universo caipira, resgatando e reinterpretando no presente álbum clássicos tais quais Cabocla (Tonico e Tinoco), Natureza (Dino Franco), Saudades de Matão (Jorge Gallati, Raul Torres e Atenógenes Silva), e Índia (J. Assuncíon Flores/M. Ortiz Guerrero, consagrada por Cascatinha e Inhana em versão de José Fortuna), a OPVC apresenta um trabalho que demonstra o esmero em buscar permanente aprimoramento técnico desde quando foi fundada, mergulhando em outras culturas nacionais e estrangeiras com o intuito de divulgar peças de vários ritmos e épocas e permitir (conforme uma palavra dita por Torneze em certa altura da gravação) “plasmar” pelo emprego da viola outras sonoridades, algumas até antes de serem alcançadas supostamente bem mais complexas e distantes dos recursos possíveis de se extrair do pontear das dez cordas do pinho.

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881- Conheça a Orquestra Filarmônica de Cruzeta (RN), banda formada por jovens que é orgulho da cidade e terceira melhor do país

“Aprender uma nota e através dela conhecer o mundo” é mais do que uma frase o passaporte de entrada para uma atividade que vem mudando há três décadas o dia a dia de centenas de jovens e dando orgulho aos moradores de uma pequena cidade do sertão nordestino,situada a 220 quilômetros de Natal, capital do estado do Rio Grande do Norte. Lugar no qual se contam aproximadamente 8 mil pessoas, o município, Cruzeta, sedia uma Escola de Música criada em 1984 e que dois anos depois passou a abrigar a Orquestra Filarmônica 24 de Outubro, assim batizada em homenagem a data de fundação da localidade e que com apenas um ano de estrada já conquistava o II lugar no I Concurso de Bandas em Carnaúbas dos Dantas em um estado com forte tradição musical.

Além de mudar as perspectivas de futuro de seus atuais 60 integrantes, a Orquestra de Cruzeta também trouxe alegria e aproximou famílias que todos os dias, sempre por volta das 19 horas, seguem acompanhando os ensaios regidos pelo exigente, mas admirado por todos Humberto Carlos Dantas, o Bembem, músico autodidata que dirige o grupo desde 1988, quando tinha apenas 19 anos, de acordo com matéria assinada por Mariana Kaipper Ceratti.

A jornalista produziu matéria sobre a Orquestra de Cruzeta para a versão eletrônica do jornal El Pais e entre outras informações divulgou em 2014 que o repertório privilegia composições dançantes e abarca desde ritmos mais conhecidos da música brasileira como forrós de Luiz Gonzaga (PE) ao pop-rock. Bembem acompanha tudo com rigor em busca da técnica própria de uma orquestra, chega a reprender quem comete erros, mas se os corrige, também não dispensa elogios. O orientador sabe que tem diante de si a delicada tarefa de formar artistas, incluindo à época da reportagem um garoto de 7 anos que, como os demais colegas, são procedentes das zonas rurais da região que é uma das mais vulneráveis do Brasil, já assolada pelo crack e pela ocorrência de outras drogas que são ameaças à juventude.

“Quando eu era jovem, consideravam músico como alguém que vivia mal”, comentou o maestro. “As pessoas convidavam meus colegas para tocar em festas e achavam que eles fariam isso de graça, só pela cerveja”, emendou. “Nunca aceitem essa condição: sei que vocês vão ser profissionais de primeiro nível, na música ou em qualquer outra área.”

A receita e o carinho de Bembem têm dado tão certo que mais do que encaminhar os meninos para uma forma digna de viver, as atividades da Orquestra de Cruzeta revigoraram a economia local. A Mariana Ceratti ele revelou: “hoje em dia movimentamos R$ 2 milhões por ano entre cachês de apresentações e salários de nossos músicos, demonstrando assim que investir em música é gerar ingressos e desenvolvimento”. Ele contou, ainda, que o grupo foi um dos beneficiados por um projeto do Banco Mundial que apoiou orquestras filarmônicas em 43 cidades de todo o Estado, aporte que permitiu custear os instrumentos musicais e as lições aos participantes das aulas.

“As bandas trouxeram não só a possibilidade de geração de renda, mas também desenvolvimento educativo e cultural para os jovens”, recordou também Fátima Amazonas, diretora do projeto que já em sua terceira geração fez brotar mais de 50 artistas contratados mais tarde por bandas profissionais, muitos dos quais se tornaram professores de música em universidades públicas ou dirigentes de orquestras em outras cidades do Rio Grande do Norte, entre as quais a de São Tomé, cuja metade dos membros da filarmônica é mulher. Ex-pupilos de Bembem, portanto, assumiram o perfil de agentes multiplicadores, ao mesmo tempo que iam ganhando experiência e conhecimentos para entrar no mercado de trabalho com currículos enriquecidos por saberes acadêmicos.

O governo do Rio Grande do Norte e o Banco Mundial, conforme publicou o El Pais, perceberam que a iniciativa da Escola de Música é, portanto, tanto via de preservação de tradições como via de inclusão e firmaram parceria que abriu a possibilidade de que essa atividade musical própria de Cruzeta repercuta e viceje em mais lugares do Estado, considerando-se a indiscutível tônica de encorajamento daquela Escola nos aspectos educacionais, culturais e principalmente social, centrada em valores que consideram a música não só meio de desentraves e de alegria às pessoas, mas também como importante veículo de inclusão social e agente transformador.

“Antes de formar grandes músicos, pensamos em formar grandes cruzetenses, seridoenses, norteriograndense, nordestinos, brasileiros, cidadãos do mundo e de si mesmos”, declarou Bembem. O Rio Grande do Norte durante a colonização portuguesa formou inúmeras bandas para tocar em eventos religiosos e militares, mas este interesse passou a diminuir com o correr do tempo e hoje abriga poucas filarmônicas. Uma das explicações é a falta de partituras e de peças musicais escritas antigamente, pois quando um compositor morria, era comum os familiares queimarem o material dele que poderia servir de referência a novos músicos e incentivar estudos e projetos.

“As pessoas  não davam valor às composições musicais”, aponta Bembem, em cuja árvore genealógica entre três compositores encontra-se Tonheca Dantas. As obras dele ficaram à salvo e mais bem conservadas porque Tonheca Dantas (1871-1940) pertencia à Polícia Militar, instituição que preserva melhor seus documentos.

As obras deste parente de Humberto Carlos Dantas e de muitos outros compositores locais pouco conhecidos pelo público em geral estão incluídas nos discos gravados pela Orquestra de Cruzeta. Descobrir e difundir esse repertório – valsas e ritmos brasileiros – alegra os jovens músicos toda vez que cai a noite no sertão e eles se reúnem para os ensaios. “As pessoas que não conhecem nossa cultura têm de entrar no mundo da música, pois vão descobrir ritmos de que nem imaginam que vão gostar”, disse o trompetista Edjarde Silva, de 16 anos. “É muito bom estar aqui aprendendo e em contato com a música brasileira.”

Hoje, além de cumprir este papel, a Filarmônica de Cruzeta já se afirmou como a melhor banda do Estado e de acordo com dados publicados no sítiio eletrônico da Orquestra ocupa um lugar entre as três melhores do Brasil, reconhecida por profissionais respeitados e conhecedores da realidade musical do país. As várias formações colecionam  apresentações pelas cidades e por eventos culturais realizados em solo potiguar e em localidades do Nordeste. A lista aponta, por exemplo, São José do Seridó, Caicó, Jardim de Piranhas, Parelhas, Jardim do Seridó, Carnaúbas do Dantas, Currais Novos, Florânia, Assu, Angicos, Apodi, Acari, São Gonçalo do Amarante, Macaíba, Pedro Avelino, São Paulo do Potengi, São Tomé, Carnaubais, Caraúbas, Cerro Corá, Lagoa Nova, Macau, Mossoró, Martins, Umarizal, Viçosa, Porta Alegre; João Pessoa, Baieux e Santa Luzia (PB); Recife, Olinda, Nazaré da Mata (PE); Aracajú, Laranjeiras e Instância (SE); Fortaleza e Aquiráz (CE); Salvador e São Félix (BA);  São João Del Rei, São Tiago, e Rezende Costa (MG). Em 2003 a Banda foi convidada para fazer a abertura do X Festival de Música de Recôncavo Baiano, em Salvador, um dos principais do país, e também já levou um concerto para ser apresentado no Teatro Alberto Maranhão, em Natal.           Participou juntamente com a Orquestra Sinfônica do Rio Grande do Norte do Projeto Música no Interior, tocando na porção Oeste do Estado em locais como Martins, Umarizal, Riacho da Cruz, Pau dos Ferros, Viçosa, Porta Alegre e Lucrécia.

Discografia

 A Orquestra de Cruzeta lançou o primeiro álbum em 2002, em parceria com a Fundação Hélio Galvão e Projeto Nação Potiguar, só com músicas de compositores seridoenses. O segundo, ao vivo, gravou em sua sede própria, também em 2002, com músicas de vários autores brasileiros. O trabalho é “caseiro”, para ofertar aos amigos, e parte do plano de divulgação do trabalho. Em 2004, o grupo voltou ao estúdio e gravou um álbum didático para Universidade Federal do Rio Grande do Norte, mais o disco Cruzeta Revela Márcio Dantas e Filarmônica de Cruzeta interpreta a obra de Normando CarneiroEm 2006 saiu Banda de Cruzeta 20 Anos.

Para contato com a Orquestra Filarmônica de Cruzeta telefone teclando 0XX84-3473-2164.

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880 – Paulo Freire (SP) abre Imagens do Brasil Profundo para público infanto-juvenil com “Violinha Contadeira”

O compositor, cantor, violeiro e contador de causos Paulo Freire apresentou na manhã de domingo, 22, Violinha Contadeira, título de um dos seus álbuns, como atração da primeira atividade destinada ao público infanto-juvenil do projeto Imagens do Brasil Profundo, no terraço da Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo. Paulo Freire narrou histórias populares que recolheu enquanto vivia no sertão do Urucuia, Nordeste de Minas Gerais, região na qual conviveu e aprendeu toques de viola com mestres seguidores da temática roseana. Entre um causo e outro, tocava e cantava e assim o tempo todo envolveu a plateia, criando expectativas que por vezes se consumavam de forma surpreendente e até assustadora, mas ao final sempre divertidas.

(Atendendo ao pedido do curador do Imagens do Brasil Profundo, Jair Marcatti, Paulo Freire cantou Horóscopo, de Alvarenga e Ranchinho).

Nos próximos dias, Paulo Freire embarcará com o amigo Levi Ramiro Silva para nova temporada do projeto Sonora Brasil, que neste ano começará por Boa Vista (RR) e percorrerá várias outras cidades das regiões Norte e Nordeste, totalizando mais de 60 concertos. Ao voltar, deverá lançar Pórva, seu mais novo disco instrumental; ele já cedeu, autografado, um exemplar ao Barulho d’água Música.

A terceira temporada do projeto Imagens do Brasil Profundo terá sequência nesta quarta-feira, 25, a partir das 22 horas. Jair Marcatti receberá no palco Rubens Borba de Moraes o acordeonista Thadeu Romano para um bate-papo cuja pauta será Os caminhos da sanfona no Brasil, sem cobrança de entradas. Em 5 de maio, o público presente acompanhou concorrida e marcante apresentação da cantora, compositora e poetisa Consuelo de Paula (MG).

A Biblioteca Mário de Andrade fica na rua da Consolação, 94, São Paulo, a uma caminhada leve das estações República e Anhangabaú do Metrô.

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879 – Está saindo do forno álbum com Vânia Bastos e Marcos Paiva em homenagem à Pixinguinha

O álbum Concerto para Pixinguinha, um dos mais bonitos tributos dos últimos tempos ao carioca mestre do choro, está previsto para chegar em junho. O trabalho é resultado das apresentações que a cantora Vânia Bastos e o contrabaixista Marcos Paiva fazem há mais de três anos pelo Brasil e  marca a estreia do selo Conexão Musical, do paulista Fran Carlo. O produtor cultural trabalha com Vânia Bastos, há vinte anos, é responsável pela direção artística do projeto que por onde passa lota teatros e casas de espetáculos e em formato digital trará temas consagrados e canções de Pixinguinha pouco divulgadas, nem por isso menos marcantes, tais quais Lamento, Rosa,  Samba de Fato e Isso é que é Viver. Marcos Paiva responde pela direção musical, divide-se entre vários instrumentos e também participa com vocais. O designer da capa é de Luciano Murina, a foto de Vinícius Campos.

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878 – “Chamamento”, álbum de viola caipira de Fábio Miranda (DF): chapéu no goleiro antes do grito de gol

Há algum tempo  é corrente a expressão “o Brasil é um celeiro de craques”, guardando referência com uma manifestação cultural das mais típicas em Pindorama, o futebol.  Hoje, entretanto, o esporte bretão por aqui está mais para atividade lucrativa e científica do que hedonista ou idílica. De tão maçante que se tornou o que antes afirmava-se com toques de arte, teme-se que tenha sido quebrado um encanto do qual éramos fartamente beneficiários e aquinhoados, com direito a passarmos incontáveis vezes pela fila. Consequência desta desdita: já rareiam peladeiros fabulosos, arteiros pela macunaímica nata, aqueles que ainda podem ou tentam surpreender com um drible de nos deixar de boca escancarada, improvisando do nada um lançamento despretensioso em cujo desfecho a senhorita, após amortecida no peito do atacante, ganha o caminho que a aninhará à rede; personagem assim, capaz ou interessado em ser protagonista de um lance impensado ou improvável que vire o jogo e nos arrebate, quando pinta rapidamente é rapinado pelo mercado externo. E, quem diria, até em negócio da China acaba envolvido!

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877 – Cardo Peixoto (RS) disponibiliza Filete, primeira música de álbum digital com temas sobre o Interior brasileiro

Cantor e compositor gaúcho estabelecido em Caxias do Sul, Cardo Peixoto acaba de lançar Menino Brasileiro, projeto pelo qual pretende disponibilizar uma música autoral por mês, ligadas aos costumes do Interior do Brasil, até completar um álbum. Filete, em parceria com o poeta Guerá Fernandes, de Durandé-MG, já pode ser encontrada em plataformas digitais e streaming tais quais One RPM, I Tunes, Amazon, Google Play, Spotify e Deezer.

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