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879 – Está saindo do forno álbum com Vânia Bastos e Marcos Paiva em homenagem à Pixinguinha

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O álbum Concerto para Pixinguinha, um dos mais bonitos tributos dos últimos tempos ao carioca mestre do choro, está previsto para chegar em junho. O trabalho é resultado das apresentações que a cantora Vânia Bastos e o contrabaixista Marcos Paiva fazem há mais de três anos pelo Brasil e  marca a estreia do selo Conexão Musical, do paulista Fran Carlo. O produtor cultural trabalha com Vânia Bastos, há vinte anos, é responsável pela direção artística do projeto que por onde passa lota teatros e casas de espetáculos e em formato digital trará temas consagrados e canções de Pixinguinha pouco divulgadas, nem por isso menos marcantes, tais quais Lamento, Rosa,  Samba de Fato e Isso é que é Viver. Marcos Paiva responde pela direção musical, divide-se entre vários instrumentos e também participa com vocais. O designer da capa é de Luciano Murina, a foto de Vinícius Campos.

O carioca Alfredo da Rocha Vianna Filho ( (1897-1973) entrou para a história como flautista, saxofonista, compositor, orquestrador e arranjador brasileiro dos mais inventivos e carismáticos. Só por ter composto Carinhoso (cuja letra destaca os versos meu coração, não sei por quê, bate feliz quando te vê) Pixinguinha já estaria na lista dos maiores da música brasileira. Além de choros,  foi autor de valsas e de sambas que atravessam o tempo na memória afetiva e no gosto musical em geral. Era filho do músico flautista Alfredo da Rocha Vianna, funcionário dos Correios e que possuía uma grande coleção de partituras de choros antigos. Ainda garoto, Pixinguinha começou a aprender música em casa, fazendo parte de uma família com vários irmãos músicos, entre os quais Otávio Vianna, China, como Otávio era chamado, foi quem obteve o primeiro emprego para Alfredinho, em 1912, em cabarés do bairro carioca da Lapa até substituir o flautista titular na orquestra da sala de projeção do Cine Rio Branco. Nos anos seguintes, continuou atuando em salas de cinema, ranchos carnavalescos, casas noturnas e no teatro de revista.

Pixinguinha integrou o famoso grupo Caxangá, com Donga e João Pernambuco, embrião do Oito Batutas, muito ativo a partir de 1919. Na década dos anos 1930 assinou contrato como arranjador pela gravadora RCA Victor, criando arranjos celebrizados na voz de cantores como Francisco Alves ou Mário Reis. No fim da década foi substituído na função por Radamés Gnattali, mas logo passou a integrar o regional de Benedito Lacerda, com o saxofone tenor. Algumas de suas principais obras foram registradas em parceria com o líder do conjunto, mas hoje se sabe que Benedito Lacerda não era o compositor, mas pagava pelas parcerias.

Pixinguinha

Quando compôs Carinhoso, entre 1916 e 1917 e Lamentos em 1928, Pixinguinha foi criticado e as composições consideradas inaceitáveis por supostamente apresentarem muita influência do jazz, enquanto hoje em dia podem ser vistas como avançadas demais para a época. Além disso, Carinhoso, inicialmente, recebeu a classificação de polca. Outras composições, entre centenas, são Rosa, Vou vivendo, 1 x 0, Naquele tempo, e Sofres porque Queres.  

Pixinguinha morreu na igreja de Nossa Senhora da Paz, em Ipanema, quando seria padrinho em uma cerimônia de batismo, no dia 17 de fevereiro de 1.973, e teve seu corpo enterrado no Cemitério de Inhaúma; a partir de 2.000,a data em que nasceu, 23 de abril, tornou-se no Brasil Dia Nacional do Choro.  Ao escrever a biografia do chorão, o jornalista Sérgio Cabral lembrou que músicos, musicólogos e amantes de nossa música podem discordar de uma coisa ou outra, pois, “como diria a vizinha gorda e patusca de Nélson Rodrigues, gosto não se discute”. Entretanto, prossegue Cabral, todas as polêmicas cessam quando se afirma que  acima das preferências individuais está o nome de Pixinguinha. Ainda conforme o texto de Cabral, o crítico e historiador Ari Vasconcelos sintetizou de forma admirável a importância desse fantástico instrumentista, compositor, orquestrador e maestro: “Se você tem 15 volumes para falar de toda a música popular brasileira, fique certo de que é pouco. Mas se dispõe apenas do espaço de uma palavra, nem tudo está perdido; escreva depressa: Pixinguinha.”

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Autor: barulhomarcel

Jornalista nascido em Bela Vista do Paraíso (PR). Corintiano por herança do pai, Geraldo Caetano de Lima. Do velho também puxou a paixão por modas de viola, música de raiz e caipira, que era chamada de "sertaneja" antes da mídia comercial se apropriar, indevidamente, do nome. Quando criança ouvia aos pés da cama dele, vindas de um rádio à pilha que chiava muito, clássicos destes gêneros que marcaram para sempre a sua vida. Eu e Andreia Beillo não temos nada em comum. Para começo de conversa, ela torce pelo Palmeiras. Mas resolvemos juntos botar o pé na estrada e acreditar nas bençãos de São Gonçalo do Amarante e tentar encontrar na atividade de blogueiros dedicados à música de qualidade algo que nos una e ajude muita gente boa espalhada por todo este país, e lá fora, também, a ter seus méritos reconhecidos, resgatando e preservando valores de nossa cultura popular.

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