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909 – Victor Mendes, integrante do Trio José, estreia carreira solo com “Nossa Ciranda”*

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O cantor, compositor e instrumentista Victor Mendes lançou no começo deste ano Nossa Ciranda, seu primeiro disco solo. Aos 29 anos, Victor Mendes atualmente mora na capital paulista, município para onde se mudou de São José dos Campos com o objetivo de cursar História na Universidade de São Paulo (USP). Antes de fazer as malas e zarpar do Vale do Paraíba, contou, já se entendia com um violão da mãe e a guitarra dada de presente pelo pai, habilidades que começou a aprender bem cedo, aos 11 anos. Versátil, o filho do casal Márcia e Júlio também tem intimidade com a bateria e marcou presença na banda de rock que ele e os amigos batizaram de Ethama (Terra, em tupi-guarani), a qual legou aos fãs dois álbuns independentes antes de encerrar as atividades, em 2006.

Durante os anos nos quais frequentou a USP a música ficou em segundo plano, mas acabou falando mais alto do que os planos de Victor Mendes virar  historiador (já diplomado, ele bateu ponto no Museu do Futebol, exercendo a função de Educador) e o colocou de vez na estrada, escolha influenciada pela amizade com Paulo Cesar Nunes, livreiro e poeta, e Saulo Alves, compositor, sedimentada nos tempos de universidade. À medida na qual os semestres iam sendo cumpridos, Nunes e Alves ajudavam-no a ampliar os próprios horizontes, aprender a tocar viola caipira e, mergulhando na música popular brasileira, descobrir entre outras a obra de Milton Nascimento, uma de suas prediletas. Em 2009, com o piracicabano Danilo Moura, formou o Trio José, que viria a animar quermesses em São José dos Campos e receber aplausos em bares de cidades do Brasil por conta do refinado repertório de composições regionais e de raiz.

O primeiro álbum do Trio José chegou seis anos depois. Puisia revelou ao público parte da extensa obra do poeta mineiro de Lagoa Formosa Juca da Angélica e ganhou noite de lançamento no programa Sr. Brasil, apresentado na TV Cultura por Rolando Boldrin. Victor Mendes conta que a experiência de cantar na noite serviu como escola, o ensinou a escolher bons repertórios, concentrar-se no palco ou apenas perder a natural timidez.  O plano de conceber Nossa Ciranda ganhou corpo depois de Puisia: durante o ano que cumpriu em gravações de estúdio o músico afirma ter adquirido traquejo tanto para tocar, quanto para cantar e assim passou a se sentir à vontade para produzir e dirigir o próprio disco. A maturidade, porém, não o levou a abdicar das sempre bem-vindas colaborações, participações e ideias de parceiros do dia a dia.

Formado em História pela USP, o músico natural de São José dos Campos atualmente reside em Sampa. Membro do Trio José, que fundou com Danilo Moura, teve uma banda de rock chamada Ethama, na qual tocava bateria e cantava (Foto: Andreas Guimarães)

“O olhar de músicos próximos sempre foi importante para a tomada das minhas decisões”, afirmou. “Por isso achei relevante convidar as intérpretes Karine Telles, Paola Albano e a Roberta Oliveira para dar um colorido especial ao meu CD.”

Neste primeiro trabalho solo, Victor Mendes investe em sonoridades que vão do samba aos ritmos latinos e flerta com o jazz, o folk americano e a tradição caipira como pode se notar, por exemplo, em Rio Manso. Já  A Mais Triste Canção antepõe peculiaridades regionais de Paulo Nunes e Saulo Alves com hábitos da vida urbana em Sampa. Essas duas obras ainda exemplificam a fusão entre arranjos modernos e instrumentos típicos do cancioneiro regional, como a viola e a rabeca, que casam a tradição e a inovação musical presentes no conjunto de 13 faixas enriquecido pelas influências de Bituca, Gilberto Gil, Dércio Marques, Renato Teixeira, Almir Sater, Vitor Ramil, Jorge Drexler, Dori Caymmi e o rock americano da década de 1990.  

“Apesar de levar dois anos para ser concluído, o trabalho ficou ainda melhor do que eu imaginava”, comentou. “A contribuição dos músicos foi incrível: eles entraram com o talento e com muita inspiração, o que deu uma cara mais coletiva ao Nossa Ciranda e me deixou muito feliz com o desfecho”.

O projeto independente já ganhou seu primeiro prêmio: o edital para a circulação de espetáculos de canção do ProAC 2016 (Programa de Ação Cultural, da Secretaria da Cultura do Governo do Estado de São Paulo), possibilitando dar início em meados de 2017 a turnê de lançamento do álbum Nossa Ciranda.

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Karine Telles

Canção amiga

Parceiros na faixa Negra Lua do álbum  Nossa Ciranda, Victor Mendes e Karine Telles vão tocar e cantar juntos no domingo, 12, a partir das 18 horas, no Instituto Juca de Cultura. O show, que se chama “Canção amiga”, faz referência à música de Milton Nascimento inspirada em poema de Carlos Drummond de Andrade e oferecerá um repertório no qual “ela me apresenta músicas lindas e eu mostro canções para ela cantar lindamente”, comenta o músico. O endereço do
Instituto Juca de Cultura é Rua Cristiano Viana, 1142, bem perto da Estação Sumaré da linha Verde do Metrô. O ingresso custará R$20,00, em dinheiro.

 

Faixas e ficha técnica de Nossa Ciranda

Remo bom, de Victor Mendes e Paulo Nunes.  Samba que aborda a relação pai/filho. Victor Mendes: voz, violão nylon, violão aço; André Rass: percussão.

Folhinha Mariana, de Victor Mendes e Paulo Nunes. Com base no Calendário Mariano, aborda todos os meses do ano. Victor Mendes; voz, violão nylon; Ana Eliza Colomar: flauta transversal.

A sede da água, de Danilo Moura e Paulo Nunes. Trata da temática ambiental. Victor Mendes: voz, violão nylon, viola; Danilo Moura: voz; Pedro Macedo: baixo acústico; André Rass: percussão.

Mágoas do Tietê, de Victor Mendes e Paulo Nunes . Mostra a degradação do rio. Victor Mendes: voz, violão nylon, violão aço; Ana Eliza Colomar: flauta transversal; Pedro Macedo: baixo acústico; André Rass: percussão.

A mais triste canção, de Saulo Alves e Paulo Nunes. Aborda o trabalho e a vida na cidade grande em comparação com o carro de boi. Victor Mendes: voz, violão aço; Thomas Rohrer: rabeca; Pedro Macedo: baixo acústico; André Rass: percussão.

Correria, de Victor Mendes. Instrumental com influência latino-americana.

Negra Lua, de Wagner Dias e Paulo Nunes. A canção de amor fala do que é ser mulher e negra. Karine Telles: voz; Victor Mendes: voz, violão nylon, violão aço; Kabé Pinheiro: percussão.

Nossa Ciranda, de Victor Mendes e Paulo Nunes. A música, que dá nome ao disco, aborda o universo feminino. Victor Mendes: voz, violão nylon, viola; Pedro Macedo: baixo acústico; André Rass: percussão.

Donde vem, donde virá, de Victor Mendes e Gabi Amorim. Poema gravado com dois violões de corda de aço. Victor Mendes: voz, violão nylon, violão aço.

Filho de Ogum, de Maria Ó. A salsa aborda o mundo das religiões afro-brasileiras. Roberta Oliveira: voz; Victor Mendes: voz, violão nylon, viola; Pedro Macedo: baixo acústico; Kabé Pinheiro: percussão.

Brinquedo de quebrar, de Victor Mendes e Paulo Nunes. Tem temática infantil. Victor Mendes: voz, violão aço; Kabé Pinheiro: percussão.

Rio Manso, de Victor Mendes. A música tem influência do folk e explora o som da rabeca. É a mescla da música americana com o instrumento brasileiro.  Victor Mendes: viola; Thomas Rhorer: rabeca.

Alta velocidade parada, de Danilo Moura e Paulo Nunes. Aponta a loucura do tráfego nas grandes cidades. Victor Mendes: voz, violão nylon; Paola Albano: voz.

Direção Musical e produção: Victor Mendes
Gravação e Mixagem: Estúdio Bojo Elétrico – Ricardo Vignini (entre agosto de 2014 e julho de 2016)
Percussão das faixas 4, 6 e 9 gravadas no Estúdio BongÔMusics – Flávio Franco Araújo
Participações especiais de Danilo Moura, Karine Telles, Paola Albano, Ricardo Vignini e Roberta Oliveira
Masterização: Estúdio Música Bacana – André Ferraz
Projeto Gráfico – Fotografia: Andreas Guimarães

Com Marisa Brito*

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Autor: barulhomarcel

Jornalista nascido em Bela Vista do Paraíso (PR). Corintiano por herança do pai, Geraldo Caetano de Lima. Do velho também puxou a paixão por modas de viola, música de raiz e caipira, que era chamada de "sertaneja" antes da mídia comercial se apropriar, indevidamente, do nome. Quando criança ouvia aos pés da cama dele, vindas de um rádio à pilha que chiava muito, clássicos destes gêneros que marcaram para sempre a sua vida. Eu e Andreia Beillo não temos nada em comum. Para começo de conversa, ela torce pelo Palmeiras. Mas resolvemos juntos botar o pé na estrada e acreditar nas bençãos de São Gonçalo do Amarante e tentar encontrar na atividade de blogueiros dedicados à música de qualidade algo que nos una e ajude muita gente boa espalhada por todo este país, e lá fora, também, a ter seus méritos reconhecidos, resgatando e preservando valores de nossa cultura popular.

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