Barulho d'Água Música

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913 – Tonino Arcoverde (PE) assina discos de puro regionalismo e poesia que os aproximam de obras literárias

2 Comentários

O Barulho d’água Música mais uma vez buscou nas páginas do blogue Terra Brasilis, mantido pelo mineiro Daniel Lamounier Paim, uma excelente dica para amigos e seguidores que apreciam música de qualidade produzida por artistas independentes que sobrevivem Brasil à dentro sem cachês de cervejarias, pagarem jabás para que tenham obras minimamente reconhecidas, nem são atrações em programas de Variedades, revistas e cadernos cults badalados. Entre tanta gente boa que Lamounier acolhe em sua tarefa de garimpagem (o blogueiro de Pará de Minas mantém, ainda, o Em Canto Sagrado da Terra, dedicado somente a trabalhos de conterrâneos, e o Nômade, de música étnica) destacamos o compartilhamento de um dos álbuns do pernambucano Tonino Arcoverde, intitulado Cidade das Abelhas (2005), o segundo da bela discografia que registra quatro títulos, ao todo, em mais de 20 anos de estrada.

Cantor e compositor, Tonino nasceu em Palmares e cresceu em Arcoverde. Em sua trajetória assina canções marcadas pelas sonoridades das manifestações populares e pela poesia nordestina, temperadas com pitadas mouras, flamencas e que passeiam, ainda, por ritmos que nos levam ao interior caipira paulista, por exemplo. Esta versatilidade já o premiou com participações em diversos eventos transcorridos no Estado natal e a dividir palcos com artistas tais quais Wagner Tiso, Renato Borghetti, Fagner e Toquinho, consagração em festivais e convites para gravações em programas como o Som Brasil, antecessor do Sr. Brasil na Rede Globo, com apresentação de Lima Duarte e Rolando Boldrin.

Depois da Chuva, que Tonino Arcoverde lançou em 2012, quando entrou em estúdio pela última vez até este momento, revela as poesias de João Batista de Siqueira, o poeta Canção. O regionalismo é uma forte variante e o homem do campo, as atividades que este exerce e os animais com os quais o campesino convive como jaçanãs, preás, sapos e grilos recorrentes temas e personagens que emolduram “belezas naturais do sertão e as velhas histórias de vilarejos da região”, conforme acentua o blogueiro Lamounier. A obra de Tonino Arcoverde, enfim, é revestida por uma aura literária digna de um olhar mais generoso, o mesmo que se debruça para mestres como Elomar Figueira de Mello, e com este perfil já passou da hora de ganhar espaços mais nobres e palcos para ser repercutida além das fronteiras pernambucanas.

Pai e filho também se destacam

Tonino Arcoverde não é o único que crava com talento o nome da cidade pernambucana no cancioneiro nacional. Pai e filho, os violeiros Adelmo e André Arcoverde também carregam esta bandeira com apresentações em duo ou solo impecáveis.

Discografia e músicas de Tonino Arcoverde*

capa-do-cd-na-hora-dos-bondesNa Hora dos Bondes (LP e CD-1992/1998)
Produção executiva: Wilton, Lídio e Brema
Direção musical e coprodução: Paulo Guimarães
Arranjos: Tonino Arcoverde e Paulo Guimarães
Arranjos de Cordas: Rubens
Gravação: Jaílson Romão, Hélio Ricardo Rozenblit e Jair Gervásio (Estúdio Somax – Recife/PE)
Mixagem: Aluisio Melo (Estúdio Somax – Recife/PE)
Masterização: Jaílson Romão (Estúdio Somax – Recife/PE)
Fotografia da capa: Flávio Fotografias
Reedição de contracapa: Antonio de La Maria
Arte da contracapa: Socorro Cursino
Gravadora: Som Libre – São Paulo/SP

Repertório
Cale do Rio (Murié e Tonino Arcoverde)
Lendas do Brasil/Boi Labareda (Tonino Arcoverde e Paulo Guimarães)
Zé Vaqueiro (Tonino Arcoverde)
Muralhas (Tonino Arcoverde)
Polliana (Murié e Tonino Arcoverde)
Na hora dos bondes (Tonino Arcoverde)
Vozes da América (Tonino Arcoverde e Eraldo da Silva)
Mana (Tonino Arcoverde e Paulo Guimarães)
Saudade do Mulungu (Tonino Arcoverde)
Velho Salvador (Tonino Arcoverde e Paulinho)

 

capa-do-cd-danc%cc%a7a-das-abelhasDança das Abelhas (2005)
Produção: Eduardo Buarque, Publius e Tonino Arcoverde
Arranjos e concepção: Publius, Eduardo Buarque, Tonino Arcoverde e músicos convidados
Arranjo de Transformou-se em Espinho: Coco Raízes de Arcoverde
Arranjo de Zeca Tropeiro: Breno Lira e Juliano Holanda
Produção fonográfica: Via Som Music – Recife/PE
Produção executiva: Paulo Germano Vasconcellos Lins
Gravação, edição, mixagem e masterização: Paulo Germano Filho (Via Som – Recife/PE), em 2003
Assistência de gravação: Luciano Oliveira e Ana Paula Veríssimo
Projeto gráfico: Kelen Linck e João Lin
Desenhos: João Lin
Fotografia: Michele Zollini

Repertório
Aos mestres com desrespeito (Tonino Arcoverde, Publius e Alberto da Cunha Melo)
Caatinga Floresta Branca (Tonino Arcoverde)
Colmeia/Dança das abelhas (Tonino Arcoverde, Ediel Guerra e Walkis Pacheco)
Dois Unidos (Tonino Arcoverde e Publius)
Essência (Zeto)
Flor da cana (Publius)
O rico e o cobre (Publius)
Outonos insanos (Tonino Arcoverde e Publius)
De riacho abaixo/Passarada (Tonino Arcoverde)
Voo de colibris/Praia dos Carneiros (Tonino Arcoverde e Paulinho Leite)
Transformou-se em espinho (Lula Calixto e Tonino Arcoverde)
Muiraubi (Tonino Arcoverde)
Zeca Tropeiro (Tonino Arcoverde)

capa-do-cd-a-chuva

Chuva (2007)
Produção, arranjos e concepção: Publius, Hugo Linns, Eduardo Buarque e Tonino Arcoverde
Produção fonográfica: Hugo Linns
Produção executiva: Eduardo Buarque
Gravação: Marcílio Moura, Denildo e Gera Vieira (Estúdio Carranca – Recife/PE)
Mixagem e masterização: Gera Vieira (Estúdio Carranca)
Assistência técnica: Jonatas Melo
Fotografia: Glauco Spíndola
Design: Balão Comunicação
Ilustração: João Lin

Repertório
Telhados da Várzea (Juliano Holanda e Tonino Arcoverde)
Olho-d’água dos Bredos (Publius e Tonino Arcoverde)
Serra do Tapúio (Tonino Arcoverde e Assis Calixto)
Terá Cura (Tonino Arcoverde e Walkis)
Viola Fora de Moda (Edu Lobo e Capinam)
Sexto Dia (Eduardo Buarque e Tonino Arcoverde)
Transformou-se em Espinho (Lula Calixto e Tonino Arcoverde)
Chuva de Ís (Tonino Arcoverde)
Terra Boa (Tonino Arcoverde e Delson Laranjeira)
A Faca (Tonino Arcoverde)

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Depois da Chuva (2012)
Produção e direção musical: Publius
Arranjos: criação coletiva
Gravação: Junior Evangelista, Bruno Lins e Jorge (Estúdio Carranca – Recife/PE), em 2010
Assistência de gravação: Neto
Edição: Jorge (Estúdio Carranca – Recife/PE)
Mixagem: Junior Evangelista (Estúdio Carranca – Recife/PE)
Masterização: Carlinhos Borges (Estúdio Carranca – Recife/PE)
Projeto gráfico e ilustração: João Lin
Fotografia: Emerson Calado

Repertório
Depois da Chuva (João Batista de Siqueira e Tonino Arcoverde)
Lamentos (João Batista de Siqueira e Tonino Arcoverde)
Noite francesa (João Batista de Siqueira e Tonino Arcoverde)
Horas matutinas (João Batista de Siqueira e Tonino Arcoverde)
Crepúsculo 91 (João Batista de Siqueira e Tonino Arcoverde)
Cair da tarde (João Batista de Siqueira e Tonino Arcoverde)
Os dois coqueiros (João Batista de Siqueira e Tonino Arcoverde)
O tempo é como fumaça (João Batista de Siqueira e Tonino Arcoverde)
Crepúsculo (João Batista de Siqueira e Tonino Arcoverde)
Julieta (João Batista de Siqueira e Tonino Arcoverde)
Flores a Maria (João Batista de Siqueira e Tonino Arcoverde)
Abandono (João Batista de Siqueira e Tonino Arcoverde)
(Technozoide Mix) (Technozoide)
São Paulo (Nude)
Distraída pra Morte (Muchachos’s) (Muchaco Alves)
TV a Cabo/O Que Dá Lá é Lama (Medley) (Garcia Y Carvalho)
*Extraída do portal Sons de Pernambuco
http://sonsdepernambuco.com.br/artistas/toninho-do-arcoverde/

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Autor: barulhomarcel

Jornalista nascido em Bela Vista do Paraíso (PR). Corintiano por herança do pai, Geraldo Caetano de Lima. Do velho também puxou a paixão por modas de viola, música de raiz e caipira, que era chamada de "sertaneja" antes da mídia comercial se apropriar, indevidamente, do nome. Quando criança ouvia aos pés da cama dele, vindas de um rádio à pilha que chiava muito, clássicos destes gêneros que marcaram para sempre a sua vida. Eu e Andreia Beillo não temos nada em comum. Para começo de conversa, ela torce pelo Palmeiras. Mas resolvemos juntos botar o pé na estrada e acreditar nas bençãos de São Gonçalo do Amarante e tentar encontrar na atividade de blogueiros dedicados à música de qualidade algo que nos una e ajude muita gente boa espalhada por todo este país, e lá fora, também, a ter seus méritos reconhecidos, resgatando e preservando valores de nossa cultura popular.

2 pensamentos sobre “913 – Tonino Arcoverde (PE) assina discos de puro regionalismo e poesia que os aproximam de obras literárias

  1. Ola Marcelino, mais uma vez obrigado pela divulgação dos blogs no elogiado Barulho d´`agua e espero estar contribuindo mesmo com muito pouco mas que essa nova geração possa ter acesso a grandes nomes do nosso cancioneiro muitas vezes no anonimato, agradeço de coração e vamos trilhando esse caminho por esse Brasil afora. Abs
    Daniel

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