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926 – Vânia Bastos retorna a São Paulo com “Concerto para Pixinguinha”, no Sesc Campo Limpo

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A cantora Vânia Bastos, uma das mais fulgurantes musas da MPB, será atração do Sesc Campo Limpo no sábado, 8 de abril, quando protagonizará com entrada franca, a partir das 20 horas, mais uma apresentação do consagrado Concerto para Pixinguinha, baseado no disco homônimo considerado um dos melhores de 2016. Vânia Bastos subirá ao palco ao lado do quarteto liderado pelo baixista Marcos Paiva, diretor musical do projeto, para interpretar sucessos do compositor carioca entre os quais a valsa Rosa, o samba Urubu Malandro e o clássico Carinhoso, chorinho que completa um século neste ano. O programa do show terá, ainda, Mundo Melhor, Isso é que é Viver e Fala Baixinho, que embora menos conhecidas do público, carregam a genialidade do músico cujo nome de batismo era Alfredo da Rocha Viana Filho.

“Ele é tratado popularmente como gênio, além de ser tema de estudos acadêmicos, mas tem mais valor hoje que no final de sua vida”, observa Marcos Paiva sobre Pixinguinha. “Apesar do grande prestígio, na década dos anos 1930 e e 1940, quando o entretenimento começou a ser mais valorizado, houve um ‘embranquecimento’ do mercado”, complementa o baixista. “E por fatores históricos, Pixinguinha e sua turma se tornaram ‘tradição da cultura nacional’, que necessitava se modernizar.”

O tributo ao compositor que Vânia Bastos interpreta como se cantasse músicas escritas para ela vem atraindo lotações máximas pelos teatros e casas de espetáculos pelos quais passa desde 2013, quando a subida de Pixinguinha ao andar superior completou 40 anos. O sucesso verificado junto ao público encontrou eco também na crítica especializada e motivou os sócios Fran Carlo e Petterson Mello (que teve a ideia da homenagem) a registrá-lo em disco. Lançado em 2016 em noite de gala no teatro paulistano J. Safra, o álbum marcou a estreia do selo fonográfico de ambos os produtores culturais, o Conexão Musical, e com menos de um ano de estrada já é finalista do Prêmio Profissionais da Música (categoria Artista Choro); Petterson Mello também concorre a um dos troféus que serão entregues aos vencedores entre 28 e 29 de abril, no Cota Iate Clube, situado em Brasília (DF).

“O Pixinguinha, musicalmente, é uma imensidão sonora que ganhei de presente”, disse Vânia Bastos ao O Estado de S. Paulo. A estrela acredita que, para interpretá-lo, seguiu o que Pixinguinha teria pensado. “Ele não fez nada em vão, então, se colocou certas notas ali, é para fazer isso, não é para ficar inventando muito”. E completou: “Acho legal ter esse respeito aos compositores, em geral. No mais, é se deliciar mesmo!”

Vânia Bastos é uma das candidatas à estatueta de Melhor Cantora de 2016 do Prêmio Profissionais da Música.

Do J. Safra, Concerto para Pixinguinha viajou o Brasil e, agora, antes do regresso à São Paulo, está ganhando também versão em videoclipe — o primeiro da carreira de Vânia Bastos —  uma das candidatas à estatueta de Melhor Cantora de 2016 do Prêmio Profissionais da Música. Com produção impecável, da iluminação ao elegante figurino dos músicos, tudo no espetáculo é marcado pelo bom gosto e perfeito entrosamento dos músicos da formação idealizada por Paiva: Nelton Essi (vibrafone), César Roversi (sopros) e Jônatas Sansão (bateria).  

“Os arranjos de Marcos Paiva são de uma delicadeza que, de fato, se encaixam com perfeição com a interpretação aveludada – e versátil – de Vânia Bastos ”, escreveu Adriana Del Ré, do O Estado de S. Paulo. Mauro Ferreira reforçou a declaração da jornalista: “Com o toque refinado do Marcos Paiva Quarteto, Vânia Bastos dá voz com segurança a Gavião Calçudo, Rosa e Fala baixinho. (…) A abordagem resulta classuda e jamais trai a obra de Pixinguinha”, afirmou o produtor do sítio G1/Música.

O SESC Campo Limpo fica na rua Rua Nossa Senhora do Bom Conselho, 120, a uma caminhada leve da estação Campo Limpo da Linha Lilás/5 do Metrô de São Paulo.

Sobre os artistas

Vânia Bastos decolou como estrela da Sabor de Veneno, de Arrigo Barnabé, com quem gravou discos importantes como Tubarões Voadores (1984). Em 30 anos de carreira, firmou-se como uma das mais competentes vozes em âmbito nacional, como comprova a discografia que reúne títulos antológicos dedicados, entre outras, às obras de Tom Jobim, Caetano Veloso e ao Clube da Esquina. Na Boca do Lobo, um dos mais recentes, é dedicado à singular produção de Edu Lobo. Uma das referências da Vanguarda Paulistana, Vânia Bastos lançou também três discos no Japão e quatro na Europa.

Baixista, compositor e arranjador paulista, Marcos Paiva é referência em música instrumental e assina vários discos autorais, entre eles Meu Samba no Prato – Tributo a Edison Machado (2012). A homenagem ao carioca Edison Machado (1934 – 1990) rendeu críticas positivas na Folha de S. Paulo, n’O Globo e na Rolling Stone por destacar essa ‘lenda’ da bateria brasileira. Paiva atua também ao lado de artistas como Bibi Ferreira e Zizi Possi, além do cubano Fernando Ferrer e da portuguesa Teresa Salgueiro, com quem viajou pela América e Europa.

Compositor, orquestrador, flautista e saxofonista, Alfredo da Rocha Viana Filho deu vida a clássicos que guardam lugar na memória afetiva e de qualquer gosto musical brasileiro e embalam sucessivas gerações, obra que completou com consagradas orquestrações para cinema e teatro e arranjos para intérpretes contemporâneos à época, como Carmem Miranda.

Pixinguinha celebrizou parcerias ao lado de Braguinha, Vinícius de Moraes e Hermínio Bello de Carvalho e na década dos anos 1920 fundou o grupo Oito Batutas — primeiro regional brasileiro a excursionar para fora do país: a turnê pela Europa agradou tanto às plateias que se prolongou por seis meses, contra os inicialmente planejados 30 dias. Alguns biógrafos apontam que o apelido com o qual o músico ganhou o mundo derivaria do modo carinhoso como a avó Eurídice o tratava na infância, chamando-o de Pizindim (cujo significado seria “menino bom”). Pixinguinha pode ainda, ser a resultante de Pizindim com Bexiguinha, pois ainda na infância Alfredinho teve a face marcada pela varíola, doença popularmente conhecida como “Bexiga”.

 

 

 

 

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Autor: barulhomarcel

Jornalista nascido em Bela Vista do Paraíso (PR). Corintiano por herança do pai, Geraldo Caetano de Lima. Do velho também puxou a paixão por modas de viola, música de raiz e caipira, que era chamada de "sertaneja" antes da mídia comercial se apropriar, indevidamente, do nome. Quando criança ouvia aos pés da cama dele, vindas de um rádio à pilha que chiava muito, clássicos destes gêneros que marcaram para sempre a sua vida. Eu e Andreia Beillo não temos nada em comum. Para começo de conversa, ela torce pelo Palmeiras. Mas resolvemos juntos botar o pé na estrada e acreditar nas bençãos de São Gonçalo do Amarante e tentar encontrar na atividade de blogueiros dedicados à música de qualidade algo que nos una e ajude muita gente boa espalhada por todo este país, e lá fora, também, a ter seus méritos reconhecidos, resgatando e preservando valores de nossa cultura popular.

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