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960 – Após seis anos afastado da música, Alexandre Grooves volta a gravar e aos palcos com álbum Multi

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O paulistano Alexandre Grooves está com álbum novo, que lançou em maio, com direito a concorrida apresentação em uma das mais badaladas casas de espetáculos de São Paulo. Multi, nome que ele escolheu para o disco independente, é o segundo da carreira e chega mesclando influências do rock, do folk e do blues, mas sem perder a identidade pop e as referências da MPB em dez faixas das quais nove são autorais. A lista é completada pela releitura de Ska, do Paralamas do Sucesso, que ganhou versão vibrante e surpreendente.

Multiinstrumentista, Grooves gravou a maioria dos instrumentos e fez os arranjos, além de produzir o álbum. Com Multi, ele encerrou um hiato de seis anos, período durante o qual tratou de uma lesão nas cordas vocais. Nesta retomada, demonstra mais maturidade como compositor tanto nas letras – que podem ser ao mesmo tempo engajadas e emocionantes -, quanto no instrumental – mais criativo e virtuoso. O repertório reúne É  tudo gente, Sou louco por ela, Cancela, Respeite-me, Ska, Pra viver só com você, Na parede, O que seria das flores, Garota da capa, e Quando o Mar Quebra.

Alexandre Grooves começou a tocar aos sete anos como aluno da escola do Zimbo Trio, onde fez os cursos de piano e contrabaixo. Mais tarde, como autodidata, aprendeu também violão, bateria e percussão. O cantor declara que segue influências entre outros de Djavan, Gilberto Gil, John Mayer, Stevie Wonder, Seu Jorge, Jamie Cullum, Lenine; antes de se lançar em carreira solo, dividiu palcos com Maurício Manieri, Seu Jorge, Cláudio Zoli, Jair Oliveira e Funk Como Le Gusta. Integrou as bandas Grooveria e Paumandado e entre os que já participaram de seus shows ele destaca Wilson Simoninha, Luciana Mello, Seu Jorge, Jair Oliveira, Max de Castro, Maurício Manieri, Milton Guedes e Gabriel Moura.

[Multi sucede Amanhã Eu Não Vou Trabalhar, lançado há uma década com convidados ilustres como Seu Jorge, Céu e Maurício Manieri. O álbum foi pré-selecionado para o Latin Grammy Awards em cinco categorias e considerado por um renomado site de streaming um dos  dez melhores discos brasileiros de 2007, sendo também lançado no Japão. A faixa-título ficou entre as dez músicas mais pedidas da Rádio Eldorado FM (SP), além de ser incluída no repertório dos shows da cantora Mart’Nália. Passar por Mim foi gravada por Luciana Mello  e Antes Não do que Talvez, por Pedro Mariano. Em outubro de 2008, Alexandre Grooves fez o show de abertura para a apresentação da cantora inglesa KT Tunstall, em São Paulo. Em março de 2009, realizou a primeira turnê nos Estados Unidos visitando Los Angeles, Long Beach, San Antonio, Nova York e Boston, além de participar do festival SXSW, em Austin.]

As faixas de Multi por Alexandre Grooves

1 – É Tudo Gente – Esta música é muito importante no contexto do disco. A letra fala sobre algo necessário e urgente nos dias de hoje, a compreensão de que somos todos iguais – rico, pobre, negro, branco, alemão, japonês. Somos gente e ninguém é melhor que ninguém. Fiquei satisfeito também com o resultado do arranjo e da composição.

2 – Sou Louco por Ela – Uma das mais dançantes do disco, traz fortes influências do som dos anos 2000, de Ed Motta e dos meus amigos Simoninha, Jair Oliveira, Max de Castro, entre outros.

3 – Cancela – Um dos meus sambas preferidos e o único deste disco. A letra, bem humorada, conta sutilmente a história de uma cara de classe média baixa que convida a namorada pra ir a um restaurante francês e começa a desdenhar do cardápio ao ver o preço dos pratos.

4 – Respeite-me – Uma música com “punch”. Letra forte do tipo “dedo na cara”; timbres ácidos e incisivos; e a pegada de bateria de Adriano Trindade, músico da banda do Seu Jorge. E no meio de todo o bolo de instrumentos do arranjo um berimbau traz a batida da capoeira, contribuindo com o tom de “declaração de guerra” que a letra tem.

5 – Ska (Herbert Vianna) – Essa é uma versão bem inusitada pra uma música muito conhecida do Paralamas do Sucesso. Originalmente, ela é um ska, mas eu fiz a versão numa levada shuffle, meio bluesy, com um naipe de metais soando quase como uma “pequena” big band.

6 – Pra Viver Só com Você – Adoro a sonoridade de piano e cordas. Esta é a balada de piano e cordas do disco. Tem uma suave influência de Tom Jobim e uma letra poética com um detalhe especial: o primeiro verso (“Joga lá no céu o teu anzol, amor…”) parafraseia a letra de O Rouxinol (de Gilberto Gil) que diz: “Joguei no céu o meu anzol pra pescar o sol…”. O arranjo de cordas e o piano são do grande músico cubano, residente no Brasil, Pepe Cisneros.

7 – Na Parede – Esta letra fala sobre o dia “fatídico” na vida da maioria dos homens solteiros que namoram por um longo tempo, quando são colocados na parede pela namorada, que questiona: “vai casar ou não vai?”.

8 – O que seria das flores – Esta música eu compus para a trilha do curta-metragem Malu e Fred. Gostei tanto da música que resolvi colocar no meu disco. Para gravá-la eu usei o ukulele, instrumento havaiano que aprendi a tocar para a gravação. É uma música romântica e pop que me traz um clima de paz, uma alegria não eufórica.

9 – Garota da capa – Conta a história de um amigo que namorava uma bela garota que queria ser atriz, e ele pediu que escolhesse: ficar com ele ou ser atriz. Ela optou pela carreira e fez sucesso aparecendo em comerciais, outdoors, revistas, novelas e minisséries. Fiz a música imaginando o que um cara desses faz para esquecer essa garota. O arranjo e a sonoridade traz uma onda meio Lulu Santos anos 80, que eu adoro.

10 – Quando o mar quebra – É a composição mais antiga do CD, feita na época que eu treinava capoeira, tocava e ouvia música africana, principalmente de Lokua Kanza. Minha intenção era ter a minha Bat Macumba (Gil e Caetano), aquela música como um mantra, um tipo de vinheta, mais curta, com uma letra mínima, praticamente uma brincadeira musical. As pessoas adoram esta faixa. Nunca imaginei essa resposta tão positiva.

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Autor: barulhomarcel

Jornalista nascido em Bela Vista do Paraíso (PR). Corintiano por herança do pai, Geraldo Caetano de Lima. Do velho também puxou a paixão por modas de viola, música de raiz e caipira, que era chamada de "sertaneja" antes da mídia comercial se apropriar, indevidamente, do nome. Quando criança ouvia aos pés da cama dele, vindas de um rádio à pilha que chiava muito, clássicos destes gêneros que marcaram para sempre a sua vida. Eu e Andreia Beillo não temos nada em comum. Para começo de conversa, ela torce pelo Palmeiras. Mas resolvemos juntos botar o pé na estrada e acreditar nas bençãos de São Gonçalo do Amarante e tentar encontrar na atividade de blogueiros dedicados à música de qualidade algo que nos una e ajude muita gente boa espalhada por todo este país, e lá fora, também, a ter seus méritos reconhecidos, resgatando e preservando valores de nossa cultura popular.

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