Barulho d'Água Música

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975 – Viola Quebrada (PR) vai à final do 28º PMB com “Meus Retalhos”; concorrentes são de Jundiaí (SP) e de São Leopoldo (RS).

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O disco Meus Retalhos poderá render ao grupo de Curitiba (PR) Viola Quebrada o troféu de melhor da categoria Regional do 28º Prêmio da Música Brasileira (PMB), que será entregue no Rio de Janeiro, em 19 de julho. O álbum lançado em 2015 concorre com Trilhando o Rio Grande (Grupo Rodeio) e Forró por aí (Serelepe), conta com 13 faixas e é o sexto da trajetória do Viola Quebrada — referência não apenas no Sul do país de boa música caipira e de raiz que entremeia às composições próprias clássicos como Flor do Cafezal e Queria, ambas de Luiz Carlos Paraná. O mais recente trabalho apresenta composições e arranjos inéditos para ritmos variados em temas contemporâneos como a defesa da natureza; êxodo rural; fé e festejos populares; e amor, além de outros comuns ao cotidiano do sertanejo conforme leituras de Oswaldo Rios (voz e violão) e Rogério Gulin (violão e viola caipira); ambos formam o grupo com Rubens Pires (acordeon), Sandro Guaraná (contrabaixo) e Marco Saldanha (percussão), além da voz de Mari Amatti. Traz, ainda, parcerias com Consuelo de Paula, Paulo Freire, Rubens Pires, Etel Frota, Chico Lobo, João Evangelista Rodrigues e Roberto Prado. Katya Teixeira, em Flor de Algodão, Álvaro e Daniel, e Daniel Vicentini (viola caipira) em Linda Flor do Paraná, também participam.

O nome do grupo formado em 1997 está inspirado em canção homônima do poeta e escritor estudioso da cultura popular, o modernista Mário de Andrade, que se destacou também como pesquisador musical.  Desde a criação, o Viola Quebrada propõe a apresentação de motes clássicos do repertório caipira, em arranjos recriados que ganham vida pelas vozes e pelas cordas dos violões de Rios, da viola caipira de Gulin, do acordeon de Pires, do baixo de Guaraná e da percussão de Saldanha. A discografia é composta por cinco discos, dos quais o primeiro, Viola Quebrada (2000), registra Pena Branca e Xavantinho, Roberto Corrêa e Terra Sonora. Em seguida saiu Viola Fandangueira (2002), duplo, só de fandangos, com a participação da Família Pereira de Guaraqueçaba, do Mestre Eugênio e Pedro Pereira, ambos da Ilha dos Valadares.

Sertaneja (2003) conta com Zeca Baleiro cantando o fandango paranaense Balão que cai. Neste mesmo ano, o grupo integrou coletânea chamada Caipiríssimo, com Rolando Boldrin, Pena Branca e Renato Teixeira. Já em 2006, Noites do Sertão trouxe faixa de Alaíde Costa. Em 2011, os fãs ganharam o CD e o DVD Viola Quebrada canta Cascatinha e Inhana com participação das Irmãs Galvão. Depois dessa caminhada, o grupo passou a se dedicar às criações autorais.

Repertório de Meus Retalhos

1) Meus Retalhos  (Rogério Gulin, Oswaldo Rios e Etel Frota) 
2) Caminhos do Campo (Rogério Gulin, Oswaldo Rios e Etel Frota)
3) Zóio Seco (Paulo Freire e Oswaldo Rios)
4) Ilusões  (Oswaldo Rios e João Evangelista Rodrigues)
5) A Viola é que me Toca  (Chico Lobo, Oswaldo Rios e Roberto Prado)
6) Margarida (Rogério Gulin, Oswaldo Rios e Consuelo de Paula)
7) Estação  (Rogério Gulin e Rubens Nunes Pires)
8) Louvação (Rogério Gulin, Oswaldo Rios e J. Evangelista Rodrigues)
9) Viola de Palha (Rubens Nunes Pires, O. Rios e Dalton Luiz Gandin)
10) Rio do Peixe  (Rogério Gulin, O. Rios e J. Evangelista Rodrigues)
11) Violeiro e Poesia (Oswaldo Rios e Etel Frota)
12) Flor de Algodão (Rogério Gulin, Oswaldo Rios e Etel Frota)
13)Linda Flor do Paraná (Sérgio Penna, Oswaldo Rios e João Evangelista Rodrigues)

Autoria resgatada

Em suas apresentações, o Viola Quebrada costuma relembrar o maior clássico da música paranaense, As Mocinhas da Cidade, recentemente “resgatada” por uma decisão judicial pela família Graciano, herdeira do espólio da obra da dupla Nhô Belarmino & Nhá Gabriela que fez sucesso no país inteiro entre as décadas de 1940 e 1980. A canção havia sido usurpada há cerca de dez anos pela banda baiana de forró Arriba Saia, que a alterou para Enche Bailão, deturpando a letra original de Salvador Graciano (nome real do Nhô Belarmino) para atribuir a autoria a Roney Brasil, líder do grupo da Boa Terra. Com o novo nome, a música se tornou um grande sucesso no circuito de shows do Nordeste, em 2005 . A notícia do furto da canção chegou em 2006 aos ouvidos do musico Ivan Graciano, filho de Nhô Belarmino, por meio de fãs da música do pai.

 “As pessoas viajavam para o Nordeste, ouviam e me ligavam”, disse Graciano. “Este pessoal simplesmente pegou a música do meu pai, modificou a letra colocando alguns versos de mau gosto e fez muito sucesso”, contou. “Em parte, tinha um lado benéfico, pois fez o povo cantar novamente a música. Se eles tivessem me procurado, eu teria autorizado com prazer como fiz nas outras diversas gravações da música”, observou. “Mas não foi isso que aconteceu, eles omitiram a autoria do meu pai e isso é inaceitável, ainda mais uma música como essa que não pertence só ao Nhô Belarmino, ou aos seus herdeiros, mas ao Estado inteiro”, concluiu.

Em 2007, o advogado José Alexandre Saraiva entrou com uma ação na 20ª Vara Cível de Curitiba e conseguiu uma decisão liminar que impedia o grupo baiano de continuar tocando a música e as gravadoras a retirar os discos que contêm a música de todas as lojas e rádios. Depois de nove anos de tramitações processuais, em maio saiu a sentença definitiva da ação condenando Roney Brasil a pagar uma indenização por danos morais à família Graciano. “Eles editaram a música como própria de uma maneira brutal, deturpando o lirismo original que a colocou no imaginário de várias gerações”, informou Saraiva.

O advogado asseverou que a ação foi uma das que lhe deu maior alegria em toda a carreira pois “resgata um patrimônio cultural paranaense e uma espécie de hino popular do estado”. Saraiva disse que pretendia, no entanto, recorrer da decisão: a sentença não incluia a gravadora como corresponsável, apenas o musico usurpador. Ele explicou ainda que a decisão estipulou o valor do dano moral (cerca de R$ 40 mil), mas os danos materiais serão calculados durante a fase de liquidação da sentença. “Na época do lançamento do disco, a banda deu declarações públicas que vendeu mais de 1,5 milhão de cópias e isto foi comprovado nos autos.”

Para Ivan Graciano, a indenização vale menos do que o acerto de contas com a memória do pai. “Para nós da família, o mais importante é dar uma resposta para os fãs de Belarmino e Gabriela de que há uma sentença judicial decidindo a questão”. Presidente da Ordem dos Músicos do Paraná, acredita que a sentença também poderá servir como base legal para outros casos semelhantes, para restabelecer uma relação de respeito que deveria existir no mercado musical. “Meu pai me ensinou que música é um trabalho sério como qualquer outro e é preciso ser feito com responsabilidade”.

As Mocinhas da Cidade, maior sucesso da dupla Nhô Belarmino e Nhá Gabriela, quase não foi gravada.  A música foi composta no tempo de solteiro (Salvador e Júlia Graciano se casaram em 1939). O pai já a cantava antes de formar a dupla com a mãe quando ainda se apresentava como Belarmino e sua trupe. Graciano recordou que Nhô Belarmino considerava a música “muito simples poeticamente e achava que ela cabia melhor nos espetáculos de circo que eles faziam”. Tanto que apesar de estar no reportório de Belarmino há anos, a música não entrou nas primeira gravação feitas por eles na antiga RCA no Rio de Janeiro no início dos anos 1950.

A música só foi registrada por insistência da Nhá Gabriela em 1959, como lado B da moda Paranaguá. Em 1961, a música foi incluída no primeiro LP da dupla e desde então é o seu maior sucesso projetando o nome dos dois em todo o Brasil. “A música era perfeita para o tipo de show humorísticos que eles faziam em dupla e virou uma referência da musica paranaense desde então”.

Anos depois, Belarmino compôs uma resposta à canção chamada As mocinhas do sertão. As Mocinhas da Cidade já teve mais de cem gravações inclusive em países como Alemanha, Portugal, Paraguai e Argentina.

Zabumba e gaita no páreo

O Serelepe é um duo formado por Luccas Martins e Robson Póvoa, em Jundiaí (SP), que além de pesquisar novos compositores, toca músicas autorais voltadas ao universo do forró pé-de-serra passando por filtros de outros gêneros musicais, como o jazz,o choro e o rock.

Régis Marques, Guilherme Régis da Silva Marques, Claurinei Luís Klein, Valter Cristiano Thiesen, Carlos Rafael da Rosa, Vagner Triel Muller e Eduardo Mendes compõem o grupo Rodeio, gaúcho de São Leopoldo, município da região metropolitana de Porto Alegre.

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Autor: barulhomarcel

Jornalista nascido em Bela Vista do Paraíso (PR). Corintiano por herança do pai, Geraldo Caetano de Lima. Do velho também puxou a paixão por modas de viola, música de raiz e caipira, que era chamada de "sertaneja" antes da mídia comercial se apropriar, indevidamente, do nome. Quando criança ouvia aos pés da cama dele, vindas de um rádio à pilha que chiava muito, clássicos destes gêneros que marcaram para sempre a sua vida. Eu e Andreia Beillo não temos nada em comum. Para começo de conversa, ela torce pelo Palmeiras. Mas resolvemos juntos botar o pé na estrada e acreditar nas bençãos de São Gonçalo do Amarante e tentar encontrar na atividade de blogueiros dedicados à música de qualidade algo que nos una e ajude muita gente boa espalhada por todo este país, e lá fora, também, a ter seus méritos reconhecidos, resgatando e preservando valores de nossa cultura popular.

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