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987 – Teatro da Rotina promove em Sampa apresentação de Túlio Borges (DF), com participação de Consuelo de Paula

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* Com Sara Loiola, Padê Produções

“A paixão é uma casa feita na beira da encosta. É barco navegando à deriva. É o inacessível juízo, emergente. É súbita combustão, o fogo espontâneo nascendo da pele, eriçando os pelos. É feita de versos, castelo de areia. É uma ordem, uma sentença e uma pena. E se for veneno, desce uma dose aí…” 

O cantor e compositor Túlio Borges será atração do acolhedor Teatro da Rotina (São Paulo) no sábado, 12 de agosto, a partir das 21 horas, quando apresentará músicas da carreira que já conta com dois álbuns bastante elogiados pelos críticos e um terceiro, enviado para masterização no final de julho e que ele planeja lançar em outubro, em Brasília (DF), cidade onde nasceu e mora. Borges estará acompanhado pelo amigo Victor Angeles (bandolim) e contará com participação para lá de especial de Consuelo de Paula (MG), parceira dele na música Caracará, que o brasiliense interpretará pela primeira vez, ao piano. O Teatro da Rotina fica na rua Augusta , 912, no bairro Consolação. Para mais informações há o telefone (11) 3582-4479

Ao lançar Eu venho vagando no ar, o disco de estreia, em 2010, Túlio Borges, de cara, ganhou elogios do musicólogo e crítico dos mais renomados Zuza Homem de Mello, que a respeito da produção musical do poeta, escreveu:“Proponho aos ouvidos atentos prestarem bastante atenção ao trabalho musical de Túlio Borges. Depois a gente conversa”.  O álbum apresenta “profundidade, delicadeza e poesia calorosa, com cuidadosa feitura e perfeito dominio de textos e ideias”, de acordo com outro jornalista especializado, Tarik de Souza. “Trata-se de um manifesto de um novo e singular artista”, observou Tarik . Tanto as palavras de Homem de Mello, quanto de Tarik de Souza, depois, foram referendadas com o prêmio de melhor cantor independente do ano entregue a Borges pela Rádio Cultura de São Paulo. Eu venho vagando no ar também entrou para a seleta lista dos 50 melhores discos daquela temporada e nominado para o Prêmio da Musica Brasileira (PMB).

Em 2015, Túlio Borges concluiu quatro anos  de trabalho ao voltar aos estúdios para gravar  segundo álbum, Batente de Pau de Casarão, que dedicou à cidade de São José do Egito. O município pernambucano é reconhecido como berço da poesia popular nordestina e terra de nomes de quilate do panteão do repente, entre os quais Louro do Pajeu, Rogaciano Leite e Antonio Marinho. São José do Egito, onde diz-se que quem nao é poeta é louco e quem é louco faz poesia, também é o local de nascimento do pai do músico e compositor. Desta forma, aliando sua reconhecida e singular musicalidade brasiliense às raízes nordestinas, Borges perfez o caminho poético afetivo desde o Sertão do Pajeú pernambucano até à moderna e convergente capital nacional.

Batente de Pau de Casarão fia cuidadosamente parcerias inéditas de Túlio Borges com amigos poetas nordestinos — entre eles Jessier Quirino (PB), Climério Ferreira (PI) e Afonso Gadelha (PB) — e é acompanhado por alguns dos mais talentosos musicos de Brasília e do Brasil: Rafael dos Anjos (violão), Júnior Ferreira (acordeom), Pedro Vasconcellos (cavaquinho), Hamilton Pinheiro (baixo), Valério Xavier (percussao e cavaquinho), Papete (percussão), Lucas de Campos (violão), Fernando César (violao de 7), Rodrigo Bezerra (violão), Paulo André Tavares (violão), Daniel Sobreira (violão de aço), Cacai Nunes (viola brasileira), Oswaldo Amorim (baixo), Victor Angeleas (bandolim), Leander Motta (percussão), Rafael dos Santos (percussão), Davi Abreu (pífano), Toty (coro), Cacá Pereira (coro) e Afonso Gadelha (coro). Fruto da admiração do compositor brasiliense pelos grandes da poesia popular nordestina, Batente de Pau de Casarão é uma interpretação pessoal deste universo sonoro e uma aproximação da Música Popular Brasileira à poesia dos maravilhosos vates do repente.Os dois primeiros álbum de Túlio Borges estão integralmente disponíveis para streaming e download na página virtual www.tulioborges.com, mesmo endereço no qual podem ser encontradas informações sobre Cutuca meu peito incutucável, que será gravado após bem-sucedida campanha de crowdfunding  pela Catarse que recebeu 99 contribuições. “Estava nos preparativos desde o ano passado, com a convicção do galo, que, no terreiro, de manhã, todo dia canta”, disse Túlio Borges. “O novo disco já está todo gravado e, é certo dizer e sem medo de exagerar, lindo demais”, emendou. “Será um disco exclusivamente sobre a paixão, esse doce azar da sorte.”

O tradutor brasiliense Túlio Borges cultua a musa como no tempo da delicadeza. “Nunca quis trabalhar com música com medo de perder o prazer de tocar”, confessa ele, que estreia, aos 29 anos, no belo e multifacetado disco Eu venho vagando no ar, após um longo namoro com a arte. Estudou piano na Escola de Música de Brasília, gravou jingles, integrou uma jazz band e um grupo vocal escolar quando morou nos Estados Unidos, onde excursionou e ganhou festivais. Embora compusesse desde a infância, só aos 23 anos, morando em Londres, começou a compilar a obra (tinha quase 40 canções) que gravaria na volta ao Brasil. Aqui, passou a participar de festivais e, dentre outros prêmios, ficou em primeiro lugar no Sesc de Brasília e em segundo na Semana da Canção Brasileira, em São Paulo. Com seu primeiro CD, foi escolhido pela Rádio Cultura de São Paulo o melhor cantor de 2010, entre as produções independentes.

Em um destes festivais conheceu a cantora carioca Vytória Rudan com quem passou a dividir o palco. No disco, ela é sua parceira tanto no sedutor samba Paraty (“Ela tem algo mais/ coisa que nada no mundo faz/ trazer paz pra um coração”), cevado por cuíca, tamborim e violão, quanto no fado/tango Zorro (“Eu quero amar você e vou/ mas tenho que aprender quem sou/ achar dentro de mim o mapa”), onde a dupla contracena no vocal de forma intensa.

Quem também divide o microfone com Túlio é D. Inácia, que o criou e trabalha com a família há 35 anos. “É na vida talvez quem mais tenha me influenciado”, analisa. “Era ela quem trazia o negro e o popular, o Nordeste e as histórias para dentro de casa”, conta. Ela abre o disco com Túlio em Pontos, de domínio público; “músicas que eu a pegava cantando enquanto trabalhava, canções que ela nem sabia que sabia de cor, tão doces e melodiosas”. A piauiense D. Inácia Maria da Conceição sola no último dos pontos. “A idéia era gravá-los com acompanhamento que os valorizassem e que a gravação fosse um agradecimento em vida pela força que Dona Inácia me dá, tão simplesmente com um abraço e um beijo que limpam a alma de tão sinceros e puros”, define o solista.

Eu venho vagando no ar (título tirado de um dos pontos) aposta nesta pureza depurada pela urbanidade do talentoso Túlio. Como no abaionado Trem, aberto por uma percussão que imita este meio de transporte, e tem um trecho de voz projetada, versado como nas cantorias (“o fogão dos meus desejos fala/ é tão linda que a lindeza estala”). Do regional, Túlio salta ao universal na “jazzy” Shirley, profusão de imagens sensuais pontuadas pelo próprio violão do cantor e a guitarra de Genil Castro. Deste clima, ele salta para a não menos envolvente Birosca, um samba de cuíca, cavaco, clarineta, violões e o piano de Leandro Braga. “Não pode essa princesa/ da sandália e dos pés lindos demais/ da blusa tomara que caia/ repare o tamanho da saia/ e o estrago que ela faz”.

O samba, a urbanidade e o misticismo são as coisas nossas de Altar, pontilhada de imagens fluídas (“Tantos morros e só um Redentor”) e duetada com o compositor fluminense Fred Martins. “Há muito choro em mim/ por mil razões que eu sei/ e mais dez mil que herdei” soma Toca aí, etérea, no vocal sensível de Túlio, cerzida pelos violões de Rafael dos Anjos. Já a canção Sua, pavimentada pelas teclas do próprio autor em diálogo com as digressões do acordeon de Toninho Ferragutti, está entre as mais arrebatadoras do disco. A teia de palavras de Cicatriz (“que saudade me dói, devora/ as lembranças do outono outrora”) atada pelo piano de Leandro Braga, sublinha a comunhão do cantor/autor com sua arte (“as lembranças enramam raízes/ por toda parte”). O insinuante choro Oi/ Rio demais, onde dialogam inesperadas trompa (Yuri Zuvanov) e clarineta (Ademir Junior) com o pandeiro de Amoy Ribas (o mesmo que alicerçou a percussão dos iniciais Pontos), prepara o impacto devastador da faixa título, que finaliza o disco. Prefaciada por um pífano suspenso, a letra brilha como uma jóia reluzente, um manifesto deste novo artista singular:

“Deixo que a brisa toque/o sino em mim no tempo/o vento sabe quando é tempo/e quando é silêncio entendo”

Tárik de Souza, Jornalista e crítico musical (2010)

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Autor: barulhomarcel

Jornalista nascido em Bela Vista do Paraíso (PR). Corintiano por herança do pai, Geraldo Caetano de Lima. Do velho também puxou a paixão por modas de viola, música de raiz e caipira, que era chamada de "sertaneja" antes da mídia comercial se apropriar, indevidamente, do nome. Quando criança ouvia aos pés da cama dele, vindas de um rádio à pilha que chiava muito, clássicos destes gêneros que marcaram para sempre a sua vida. Eu e Andreia Beillo não temos nada em comum. Para começo de conversa, ela torce pelo Palmeiras. Mas resolvemos juntos botar o pé na estrada e acreditar nas bençãos de São Gonçalo do Amarante e tentar encontrar na atividade de blogueiros dedicados à música de qualidade algo que nos una e ajude muita gente boa espalhada por todo este país, e lá fora, também, a ter seus méritos reconhecidos, resgatando e preservando valores de nossa cultura popular.

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