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998 – Roberto Seresteiro é a próxima atração do Projeto Retratos do Brasil-Prosa e Música, na BMA (SP)

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Serestas e Serenatas Brasileiras será o tema da edição de setembro do Projeto Retratos do Brasil – Prosa e Música, marcada para a quinta-feira, 21, quando o curador Jair Marcatti receberá o músico e pesquisador Roberto Seresteiro para um bate-papo com entrada franca, à partir das 19 horas, no palco da Biblioteca Mário de Andrade (BMA). Roberto Saglietti Mahn, nome de batismo do convidado de Marcatti, é jornalista, cantor, professor e ministra palestras sobre a História da Música Popular Brasileira, trabalhando desde 2010 em cursos da Pontifícia Universidade Católica (PUC), Unisant’anna, Anhembi Morumbi e em algumas unidades do Sesc. Seresteiro estará acompanhado do violonista Júnior Pitta.

Nascido em Piracicaba, um dos berços paulistas da cultura caipira, apesar desta origem emblemática Roberto Seresteiro não toca viola, não conta causos ou pita fumo de corda. Ele, entretanto, não renega ou deixa de estar identificado com as raízes do município. Mais ainda que abrigar o leito pelo qual corre o rio eternizado na canção de Lourival dos Santos, José Dias Nunes (Tião Carreiro) e Miguel Lopes Rodrigues (Piraci) ou  referência de uma saborosa iguaria cabocla (a pamonha), a aprazível cidade do glorioso XV de Novembro (o Nhô Quim) também é reduto de Serestas e de Serenatas — gêneros que o icônico artista canta e sobre os quais se debruça com afinco, dedicando apresentações e tempo a pesquisas e a estudos acadêmicos para não deixar que estes temas de escassa bibliografia, mas  de muita história e inúmeros amantes, caiam no esquecimento e se percam obras de cantores e compositores, tanto antigos como contemporâneos, relegados ou reduzidos aos seus locais de origem e a públicos periféricos.

Esta paixão por música começou ainda na adolescência de Roberto Seresteiro, quando por influência do avô e pesquisador musical Amando, o então rapazola já batia ponto (sem perder nenhuma!) em rodas de choro e de samba e integrava grupos de seresteiros, hábitos que o tornaram parceiro de diversos músicos e cantores da região.  Em 2003, aos 19 anos, ele resolveu dar um passo além das brincadeiras e sessões de cantorias em encontros familiares e de amigos: inscreveu-se em um teste municipal que recrutava candidatos a seresteiros e, aprovado, acabou como atração no centro do palco do evento Noite de Seresta, ainda hoje promovido mensalmente na afamada Rua do Porto, pela Prefeitura de Piracicaba.

A carreira profissional que começava ali se solidificou com um estilo peculiar de canto que leva muita gente a viajar no tempo — característica que somada ao repertório muito bem escolhido e à ênfase na interpretação acabou lhe valendo o nome artístico “Seresteiro”. Desde então, além do apelido incorporado ao nome, Roberto adotou o figurino típico dos boêmios e dos malandros que o fez preferir usar não um chapéu de palha comum aos roceiros, mas um clássico Panamá e paletós bem recortados e de caimentos impecáveis, complementados por gravatas borboletas fechando golas de finas camisas coloridas, ao invés de xadrezes.

Hoje consagrado porta-voz de vertentes como MPB, valsa, seresta, canção, modinha, choro, samba, samba-canção e samba-de-breque, Roberto Seresteiro viaja o país e ajuda a puxar para cima o gráfico da audiência em programas representativos como nas duas vezes que estrelou o Sr. Brasil, apresentado por Rolando Boldrin, e no Viola, Minha Viola, com Inezita Barroso, ambos na TV Cultura; no Record News, com Heródoto Barbeiro;  na TV Câmara; na TV Aparecida; no Todo Seu, com Ronnie Von;  e no Samba e História, da LBV TV, entre tantos. Destes gêneros musicais que se inter-relacionam, resguardam valores e revelam Brasis capilares e mais profundos, domina um eclético repertório, com mais de 600 composições. Seresteiro canta todas de cor e algumas registrou em um álbum independente — o primeiro da carreira, delicioso biscoito fino que não se dispensa e que se ouvido com gula setenta vezes sete jamais poderá ser considerado pecado.

Cordiais Saudações saiu com o auxílio luxuoso do Regional Imperial (selo independente Pôr do Som) com 15 faixas que resgatam preciosidades de compositores de vários períodos do século XX — uns tais de Noel Rosa, Herivelto Martins, Sílvio Caldas, Orestes Barbosa, Romualdo Peixoto e Cândido das Neves, já ouviu falar? No lançamento, em Piracicaba, em março de 2015, Seresteiro contou com participações especiais dos músicos Alessandro Penezzi e Antônio Carlos Fioravante, o Bolão, em quem se inspira e trata como ídolo. Roberto Seresteiro já atuou ao lado de nomes como Inezita Barroso, Dóris Monteiro, Dona Inah e Cauby Peixoto e ao lado de talentos da nova geração como Adriana Moreira, Tuco Pellegrino e o Batalhão de Sambistas e Márcio Gomes, entre outros. Tem um programa dominical, Espaço Seresta, na Rádio Educativa de Piracicaba. Recentemente, a TV Brasil transmitiu o show que Seresteiro gravou junto com Roberto Luna, no teatro do BNDES, situado na cidade do Rio de Janeiro. 

Formam o Regional Imperial João Camarero (arranjos e violão de sete cordas), Júnior Pita (violão de seis), Lucas Arantes (cavaquinho) e Rafael Toledo (percussão).

Serviço:

Retratos do Brasil – Prosa e Música
Roberto Seresteiro: Serestas e Serenatas Brasileiras, com participação de Júnior Pitta
Curadoria e apresentação: Jair Marcatti
21 de setembro, quinta-feira, 19 horas
Entrada Franca
Biblioteca Mário de Andrade: Rua da Consolação, 94, Centro, próxima das estações Anhangabaú e República do Metrô, telefone 3775-0002


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Autor: barulhomarcel

Jornalista nascido em Bela Vista do Paraíso (PR). Corintiano por herança do pai, Geraldo Caetano de Lima. Do velho também puxou a paixão por modas de viola, música de raiz e caipira, que era chamada de "sertaneja" antes da mídia comercial se apropriar, indevidamente, do nome. Quando criança ouvia aos pés da cama dele, vindas de um rádio à pilha que chiava muito, clássicos destes gêneros que marcaram para sempre a sua vida. Eu e Andreia Beillo não temos nada em comum. Para começo de conversa, ela torce pelo Palmeiras. Mas resolvemos juntos botar o pé na estrada e acreditar nas bençãos de São Gonçalo do Amarante e tentar encontrar na atividade de blogueiros dedicados à música de qualidade algo que nos una e ajude muita gente boa espalhada por todo este país, e lá fora, também, a ter seus méritos reconhecidos, resgatando e preservando valores de nossa cultura popular.

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