Barulho d'Água Música

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1000 – Neymar Dias transcreve para a viola obra que passeia pela mente de Deus e lança álbum novo no MCB (SP)

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Neymar Dias, um dos mais conceituados violonistas brasileiros da atualidade, será atração do concerto gratuito que o Museu da Casa Brasileira (MCB) oferecerá no domingo, 8 de outubro, a partir das 11 horas. Na ocasião, a plateia que sempre lota o auditório e o acolhedor jardim do terraço do prédio situado em São Paulo conhecerá o recém lançado álbum no qual o multi-instrumentista paulistano promove releituras da obra de Johann Sebastian Bach  para a viola brasileira, produzido em parceria com André Mehmari. Neymar Dias Feels Bach reúne 20 composições divididas em três movimentos, mais três peças avulsas, impecavelmente executadas pelo autodidata que desde criança encanta seu público e domina com maestria viola caipira, guitarra, violão, baixo elétrico, contrabaixo, guitarra havaiana e bandolim, habilidades que esmerou ao se formar em Composição e Regência pela Faculdade de Artes Alcântara Machado (FAAM) e integrando orquestras respeitadas tais quais a Sinfônica da Universidade de São Paulo (Osusp) e a Experimental de Repertório.

Filho de um compositor caipira, Neymar Dias, na definição do maestro Gil Jardim, dá substância musical às suas composições com cores decididamente autorais. “Naturalmente sua música revela, também, um forte traço antropofágico unindo gestos do universo da música sertaneja com gestos do universo metropolitano e cosmopolita; fundindo as poéticas de um Tião Carreiro e de um Ralph Towner na sonoridade das cordas duplas de sua viola”, aponta Jardim. Juntando as raízes com a formação acadêmica, Neymar Dias é dono de uma bagagem que consegue colocar em benefício do jazz à música erudita, com especial propriedade à música regional brasileira. Desta forma, sempre é destacado por sua profundidade e musicalidade ímpares.

“Neymar Dias a cada dia que passa faz sua viola soar mais intensa, mais atrevida, mais brilhante”, escreveu no encarte de Caminho de Casa (2007) o cantor Ivan Lins. “Faz parte de uma nova geração de músicos brasileiros que teimam em preservar o maravilhoso nome de nossa música mundo afora e, com a ajuda de uma mídia mais generosa e patriótica em seu próprio país, poderia contribuir ainda mais para que o nosso povo possa se encantar e culturalmente crescer com ela”, complementa o autor de Bandeira do Divino, com Vitor Martins.

“A viola vem sendo recriada nas mãos de muitos e alguns jovens têm singrado águas mais profundas nessa crescente relação com o instrumento”, observa, por sua vez, o Professor Doutor, pesquisador acadêmico e também violeiro Ivan Vilela, destacando: Neymar Dias, já no disco de estreia, apontou “caminhos novos na maneira como lida com o instrumento, quer seja na expansão impressa ao usar ritmos tradicionais ou na abordagem de novos temas, claro, criados por ele”.

Por conta de todos estes predicados, Neymar Dias coleciona parcerias com importantes nomes do cenário musical brasileiro, em diversos segmentos, entre eles Inezita Barroso, Roberta Miranda, Tinoco, Leonardo, Ivan Lins, Théo de Barros, Naná Vasconcelos e André Mehmari. Antes do álbum que será tema da apresentação no MCB, compunham a discografia solo Capim (2008) e Caminho de Casa. Intervalo (2010) saiu com o Neymar Quarteto —  quarteto de cordas não convencional  que já abriu shows de Toquinho, Chico Buarque e Chico Cesar, bem como protagonizou espetáculos em importantes salas de concerto como a São Paulo.

A lista aumentou em 2015 com Come Togheter Project, no qual Neymar Dias e Igor Pimenta (contrabaixo) revisitam clássicos dos The Beatles. Festa na Roçagravado em parceria com o acordeonista Toninho Ferragutti, concorreu ao Grammy Latino, em 2014, na categoria de melhor álbum de Música Brasileira de Raiz. A estes trabalhos somam-se participações em O Tempo e o Branco, de Consuelo de Paula; Árvore e o vento, de Tarita de SouzaCasa Aberta, de Wilson TeixeiraTrilha Boiadeira, de Cláudio Lacerda;  As Estações na Cantareira, com André Mehmari e Sérgio Rezze;  a turnê nacional com Mônica Salmaso — para a qual fez arranjos de viola caipira e baixo acústico no mais recente álbum da cantora, Caipira;  mais arranjos e produção de um novo projeto com Ivan Lins e Rafael Altério.


A obra de J.S.Bach é completamente inspiradora para qualquer músico instrumentista. É sempre um desafio técnico e musical ao mesmo tempo. Eu que sou um apaixonado pela música de Bach, sempre tive vontade de trazer esta atmosfera musical para a viola brasileira na tentativa de aproximar dois universos que a princípio são muito distantes. Ao mesmo tempo a obra de Bach é tão única e se adapta tão bem às mais diversas formações instrumentais que acabou se tornando irresístivel para mim a ideia de fazer alguma coisa com este repertório na viola brasileira. Foi então que comecei a pesquisar e a experimentar algumas peças que se adaptariam melhor ao instrumento respeitando seus limites técnicos e ao mesmo tempo aproveitando a sonoridade particular, que muitas vezes se assemelha ao cravo, instrumento muito utilizado na época de Bach. Procurei ser o mais fiel que pude no processo das transcrições para que a música soasse da forma mais natural possível evitando assim qualquer comparação com o mero pitoresco ou curioso.

É com prazer que divido com vocês a imensa satisfação que estou tendo em realizar este projeto desafiador, mas muito prazeroso ao mesmo tempo.

Eu gostaria de agradecer ao André Mehmari pela parceria e amizade de sempre e por ter me ajudado, de forma sensível e inteligente, tornar possível este projeto.

Neymar Dias


A música de Bach carrega a mais profunda e verdadeira universalidade de toda história da música. Não há nenhum caso similar. Navegar por sua obra é passear pela mente de Deus, tocar o transcendente, o intraduzível em palavras em qualquer língua. Essa música acolhe e aceita as mais diferentes leituras, seja num cravo ou em um sintetizador moderno. Talvez o exemplo mais evidente dessa universalidade seja a leitura de um Glenn Gould, tocando ao teclado de um piano atual uma obra que não foi pensada para este instrumento. A voz de cada intérprete dialoga com esse código sagrado de imensa força expressiva, deixando que sua personalidade transpareça ao mesmo tempo que sendo absolutamente fiel ao texto original.

Assim são as leituras de Neymar Dias nas cordas de sua viola audaz e sem fronteiras. Esse caipira universal acatou o grande desafio de transpor para a viola brasileira uma musica densa, com rica textura polifônica, algo bastante distante das toadas, pagodes e catiras do interior paulista, onde ele fez sua primeira morada estilística, ainda criança. Desta maneira, Neymar lança uma nova luz à obra escrita inicialmente para alaúde barroco e nos oferece leituras geniais e inéditas, impulsionando seu amado instrumento para um novo patamar de qualidade e de acabamento técnico.

Em se tratando de uma música de tal pureza e grandiosidade, pensei em captar o som da maneira mais natural e direta, evitando ao máximo qualquer rebuscamento tecnológico ou excesso na microfonação. Foram utilizados apenas  dois microfones, um par estéreo, distante aproximadamente dois metros do corpo do instrumento. A acústica e a reverberação ouvida nesta gravação são, portanto, totalmente naturais, oriundas do pé direito alto e das reflexões da sala do estúdio Monteverdi, localizado no coração da Serra da Cantareira. Desta maneira o ouvinte tem o contato mais direto possível com o som que emana da viola de Neymar, sem artifícios de estúdio ou qualquer processamento desnecessário neste caso.

Ouçamos.

André Mehmari


15/10 – Paulo Paschoal e Camerata DarcosO violonista Paulo Paschoal se une à Camerata Darcos, criada por ele em 2004, em um concerto com obras conhecidas em todo o mundo como Quatro Estações, de Vivaldi, e Toccata e Fuga, de Bach. Nas apresentações, o músico interage com o público apresentando informações sobre os compositores e instrumentos, o que torna a música instrumental mais atraente, conquistando assim a atenção da plateia. 
 
22/10 – Coro Acadêmico e Orquestra Sinfônica da FMU/FIAM-FAAMA abertura da Semana da Música FIAM-FAAM Centro Universitário acontecerá no terraço do MCB com apresentação especial do Coro Acadêmico e da Orquestra Sinfônica da FMU/FIAM-FAAM. Com coordenação de Paulo César Rocha e regência do Maestro Rodrigo Vitta, o repertório conta com Beethoven e Bach.
 
29/10 – Banda Sinfônica de Cubatão O concerto de abertura da XVI Semana Eleazar de Carvalho será no palco do MCB com show da Banda Sinfônica de Cubatão, sob regência do Maestro Rodrigo Vitta. A apresentação contará com os convidados especiais: Maestro Roberto Farias, Maestro Sergei Eleazar de Carvalho e Quarteto Novas Tendências.
 
Sobre o projeto Música no MCBCom edições contínuas desde 1999, o projeto Música no MCB já beneficiou mais de 250 mil pessoas, que tiveram acesso gratuito a shows de grupos como Pau Brasil, Zimbo Trio, Projeto Coisa Fina, Orquestra Bachiana Jovem, Grupo Aum, Mawaca e Traditional Jazz Band. As apresentações, que são realizadas em palco montado no terraço do Museu da Casa Brasileira entre os meses de março e dezembro, reúnem atualmente cerca de 400 espectadores a cada domingo.Sobre o Museu da Casa Brasileira

O Museu da Casa Brasileira, instituição da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, dedica-se à preservação e difusão da cultura material da casa brasileira, sendo o único museu do país especializado em arquitetura e design. A programação do MCB contempla exposições temporárias e de longa duração, com uma agenda com base em debates, palestras e publicações que contextualizam a vocação do museu para a formação de um pensamento crítico em temas como arquitetura, urbanismo, habitação, economia criativa, mobilidade urbana e sustentabilidade. Dentre suas inúmeras iniciativas, destacam-se o Prêmio Design MCB, principal premiação do segmento no país, realizado desde 1986; e o projeto Casas do Brasil, de resgate e preservação da memória sobre a rica diversidade do morar no país.
 
SERVIÇO:

Música no MCB – 18ª temporada
Dia e Horário: Domingos, sempre às 11h
Entrada gratuita
Avenida Faria Lima, 2.705, Jardim Paulistano/Pinheiros, telefone (11) 3032.3727
 
VISITAÇÃO

De terça a domingo, das 10h às 18h

Ingressos: R$ 10 e R$ 5 (meia-entrada) | Crianças até 10 anos e maiores de 60 anos são isentos | Pessoas com deficiência e seu acompanhante pagam meia-entrada
Gratuito aos finais de semana e feriados
Acessibilidade no local
Bicicletário com 40 vagas | Estacionamento pago no local

Visitas orientadas: (11) 3026-3913agendamento@mcb.org.br | www.mcb.org.br

Informações para a imprensa – Museu da Casa Brasileira

Suzana Gnipper – (11) 3026-3910 | comunicacao@mcb.org.br
Bruno Dória – (11) 3026-3900 | analistacomunicacao@mcb.org.br
Jaqueline Caires – (11) 3026-3900analistacomunicacao2@mcb.org.br

O MCB fica na avenida Brigadeiro Faria Lima, 2705, Pinheiros, bairro da zona Sul de São Paulo. Para mais informações disponibiliza os números de telefone 11 3032 3727


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Autor: barulhomarcel

Jornalista nascido em Bela Vista do Paraíso (PR). Corintiano por herança do pai, Geraldo Caetano de Lima. Do velho também puxou a paixão por modas de viola, música de raiz e caipira, que era chamada de "sertaneja" antes da mídia comercial se apropriar, indevidamente, do nome. Quando criança ouvia aos pés da cama dele, vindas de um rádio à pilha que chiava muito, clássicos destes gêneros que marcaram para sempre a sua vida. Eu e Andreia Beillo não temos nada em comum. Para começo de conversa, ela torce pelo Palmeiras. Mas resolvemos juntos botar o pé na estrada e acreditar nas bençãos de São Gonçalo do Amarante e tentar encontrar na atividade de blogueiros dedicados à música de qualidade algo que nos una e ajude muita gente boa espalhada por todo este país, e lá fora, também, a ter seus méritos reconhecidos, resgatando e preservando valores de nossa cultura popular.

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