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1025 – Centenário de Jacob do Bandolim reúne ases do instrumento no Teatro Paulo Autran*

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*Com o Portal Vermelho, por Julinho Bittencourt (Revista Fórum)

Plêiade de bandolinistas formada por Hamilton de Holanda, Danilo Brito, Fábio Peron, Milton Mori e Izaías Almeida vai se encontrar ao lado de Gian Correa (violão de 7 cordas), Roberta Valente (pandeiro), Rafael Toledo (percussão) e Carmen Queiroz (voz) no palco do Teatro Paulo Autran da unidade Pinheiros do Sesc de São Paulo neste sábado, 17, e no domingo, 18 (leia Serviço). Reunidos pela produtora cultural Lu Lopes (Rubra Rosa), os músicos tocarão juntos pela primeira vez em homenagem ao carioca Jacob do Bandolim, até hoje um dos maiores nomes do Choro do país, que na quarta-feira, 14, completaria 100 anos.

De batismo Jacob Pick Bittencourt (1918*-1969+), Jacob do Bandolim marcou seu nome na história do instrumento cujo nome incorporou à identidade artística e ocupa lugar de destaque também na constelação dos maiores compositores do gênero — talento que permitiu deixar um legado de Choros, Sambas, Modinhas, Frevos e Valsas que somam mais de uma centena de músicas. São dele, por exemplo Noites Cariocas, Vibrações, Treme-treme, Santa Morena, Doce de Coco e O Voo da mosca, dentre outras. Já Como intérprete, Jacob do Bandolim imortalizou grandes sucessos, dentre eles Brejeiro (Ernesto Nazareth) e Ingênuo (Pixinguinha e Benedito Lacerda).

O jornalista músico e redator da Revista Fórum Julinho Bittencourt escreveu matéria reproduzida na sexta-feira, 16, pelo Portal Vermelho lembrando que Jacob do Bandolim, por vezes, tem subestimada a principal de suas facetas, a de compositor, diante do seu talento infindo ao tocar seu instrumento. Bittencourt menciona clássicos como Vibrações, Doce de Coco, Noites Cariocas, Assanhado e Receita de Samba. “Estes cinco choros bastariam para justificar uma vida. No entanto, o controverso Jacob fez mais, muitos mais”, comentou Bittencourt.

As composições de Jacob do Bandolim, prosseguiu Bittencourt, estão entre algumas das melodias mais executadas nas rodas de choro de todo o Brasil. Elas trazem estruturas harmônicas e construções melódicas que soam, ainda hoje, tantos anos depois, como extremamente modernas e elaboradas. Tanto se atribui ao jazz e aos impressionistas europeus a formação estrutural da Bossa Nova, mas se esquecem de que, por aqui, nas ruas do Rio de Janeiro, tudo aquilo já era gestado com naturalidade por grandes instrumentistas e compositores, entre os quais os amigos Jacob e Pixinguinha.

O próprio Jacob do Bandolim — durante a antológica apresentação de Elizeth Cardoso, em 1968, no Teatro João Caetano (RJ) — ao lado do seu grupo (o também lendário Época de Ouro, e do Zimbo Trio), fez questão de executar o clássico seminal da bossa Chega de Saudade, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes. O que se ouvia naquele momento, eternizado em disco, ficou para a posteridade como um encontro de eras. Por meio do talento da “Divina” Elizeth, dois mundos se reencontravam para atestarem o quanto um devia ao outro, o tanto que um vinha do outro.

Tanto a Bossa Nova, quanto o Choro, passam por fenômenos parecidos. Vez ou outra, reinventados, voltam a ser tocados intensamente. A diferença, e pode-se afirmar com toda a certeza, é que enquanto a Bossa só tem um Tom Jobim, o Choro tem vários deles, entre os quais e sem sombra de dúvidas, está o carioca que partiu bem antes do combinado, com apenas 51 anos.

Os discos de Jacob do Bandolim, na avaliação de Julinho Bittencourt, são lindos e repletos de variações. Muitos com o pequeno regional, outros com cordas. Desde 1947 até morrer, em agosto de 1969, gravou dezenas deles em vários formatos. Mesmo depois da morte, Jacob continuou sendo homenageado, tanto em relançamentos, quanto por álbuns com artistas, recuperando e relendo a sua obra.

Jacob do Bandolim seria uma pessoa “chata e geniosa, de temperamento forte e difícil”, observou o jornalista. E, por ser competitivo, detestaria Waldir Azevedo. Já ao responder sobre os três maiores gênios do Choro respondia, sem pestanejar: “Pixinguinha, Pixinguinha e Pixinguinha”. Ele, aliás, passou sua última tarde no bairro de Ramos, em visita a Pixinguinha. Ao chegar à varanda da sua casa, caiu nos braços de sua esposa Adília, já sem vida.

As contribuições deixadas por Jacob permeiam a nossa música desde então. A sua influência pode ser notada sobre músicos dos quilates de Pepeu Gomes, Armandinho e, mais atualmente, Hamilton de Holanda. “Tradicionalista, entretanto, talvez detestaria o que os três andaram fazendo com a sua música, desde executá-la com guitarras elétricas até improvisos extensos em um bandolim de dez cordas”, alfinetou Bittencourt

Paradoxalmente, apesar de ser um grande tradicionalista, a música de Jacob do Bandolim permanece até hoje extremamente revolucionária. O compositor e colecionador de Choros alcança semelhante importância para a nossa música quanto têm os maiorais, mas poucos, muito poucos conseguiram tanto prestígio e reconhecimento fazendo música instrumental.

Jacob do Bandolim teve um casal de filhos, um dos quais o polêmico jornalista (O Globo, Última Hora) e compositor Sérgio Bittencourt, que era hemofílico e morreu ainda mais jovem que o pai, com apenas 38 anos, em 1979. A filha, Elena Bittencourt, cirurgiã dentista, fundou e presidiu o Instituto Jacob do Bandolim antes de também falecer, em 2011, por problemas cardíacos.

Leia depoimentos e mais informações sobre Jacob do Bandolim visitando o portal oficial do músico acessando o linque http://www.jacobdobandolim.com.br/jacob-do-bandolim.html 

Serviço:

Apresentações em homenagem a Jacob do Bandolim
Sábado, 21 horas e domingo, 18 horas*
Local: Teatro Paulo Autran (Sesc Pinheiros)
Duração: 90 minutos.
Recomendação etária: 10 anos.
*Entrada não permitida após o início do espetáculo
Rua Paes Leme, 195, Pinheiros, São Paulo, a menos de 500 metros da estação Faria Lima da Linha Amarela do Metrô

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Autor: barulhomarcel

Jornalista nascido em Bela Vista do Paraíso (PR). Corintiano por herança do pai, Geraldo Caetano de Lima. Do velho também puxou a paixão por modas de viola, música de raiz e caipira, que era chamada de "sertaneja" antes da mídia comercial se apropriar, indevidamente, do nome. Quando criança ouvia aos pés da cama dele, vindas de um rádio à pilha que chiava muito, clássicos destes gêneros que marcaram para sempre a sua vida. Eu e Andreia Beillo não temos nada em comum. Para começo de conversa, ela torce pelo Palmeiras. Mas resolvemos juntos botar o pé na estrada e acreditar nas bençãos de São Gonçalo do Amarante e tentar encontrar na atividade de blogueiros dedicados à música de qualidade algo que nos una e ajude muita gente boa espalhada por todo este país, e lá fora, também, a ter seus méritos reconhecidos, resgatando e preservando valores de nossa cultura popular.

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