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1034 – Tavinho Moura recebe amigos e lança no Clube da Esquina (MG) O Anjo na Varanda

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O 18° álbum do mineiro de Juiz de Fora traz safra singular de canções de um dos mais originais e sofisticados compositores do Brasil

Marcelino Lima, com Dubas Música

O cantor, compositor, escritor e fotógrafo Tavinho Moura, um dos mais aclamados violonistas e violeiros do país, lançou no dia 10 de março o décimo-oitavo álbum da carreira em apresentação concorrida que levou amigos e fãs ao templo sagrado da música mineira, o Museu do Clube da Esquina, em Belo Horizonte (MG). O Anjo na Varanda, lançado pelo selo Dubasdá sequência à premiada carreira iniciada com Como Vai Minha Aldeia, há 40 anos.

O juiz-forano radicado na Capital do Estado ainda se desdobra como estoriador e autor de trilhas sonoras para  longas-metragens, 13, ao todo. Maria do Matué – Uma Estória do Rio São Francisco, que traz encartado o álbum Rua do Cachorro Sentado, marcou a estreia na literatura, em 2007. Em seguida, vieram dois livros dedicados à fotografia de pássaros . Pássaros Poemas – Aves na Pampulha recebeu os prêmios Gentileza Urbana/IAB; Professor Hugo Werneck de Ecologia/Revista Ecológico; e Bom Exemplo FIESP/TV Globo. Vale do Mutum – Aves da Mata Atlântica ganhou o JK de Cultura e Desenvolvimento/FIESP/Mercado Comum.

Compositor de rara qualidade, autor de melodias peculiares, harmonias e divisões rítmicas, aliadas a seu canto econômico e afinado e à escolha certeira dos parceiros que compõem versos para suas músicas, são os atributos que fazem de Tavinho Moura um dos mais ricos tesouros da arte que melhor representa o Brasil. Desde o final da década dos anos 1970, Tavinho nos deleita a cada composição, a cada descoberta, a cada interpretação, a cada releitura, a cada trilha, a cada álbum.

O Anjo Na Varanda não é exceção, mas tem algo que o torna especial: trafega em contramão aos tempos que correm, requer calma e concentração para ser devidamente apreciado. Mas o que à primeira vista poderia parecer um esforço, logo após os primeiros acordes transforma-se em floresta de belezas e de diversidade incomuns. Como a imagem dos trapezistas no circo, na letra de Fernando Brant, “é tudo um respirar, caminhar”. Nessa caminhada, Tavinho Moura contou com o auxílio do músico conterrâneo Beto Lopes — que toca violão sete cordas, baixo flats, baixo acústico, trompete e faz vocais em diversas faixas, além de dividir a autoria de uma das músicas (A Música E O Circo), as ideias, a direção musical e a produção do álbum.

Outros músicos e intérpretes que enriquecem a obra são Wilson Lopes ( guitarra de Eu E Mais Você), Mariana Brant (vocais), Nelson Angelo (piano de A Música E O Circo), Chiquito Braga (em uma das suas últimas gravações, no violão), Trio Amaranto (vocais) e Gabriel Grossi (gaita de Clara Clara Clara), Paulinho Carvalho (baixo de Cabaré Mineiro) e Barbara Barcelos (vocais de A Grande Graça). 

Entre os parceiros letristas, o mais presente é o saudoso Fernando Brant, nas letras de O Fruto do Ouro, Casa de Barro, Encontro das Águas e A Grande Graça, do repertório do musical Fogueira do Divino, concebido pela dupla em 2000 ; em O Sono do Rio, também de início dos anos 2000; em Clara Clara Clara, de 2006; e nas mais recentes A Música E O Circo e Dona do Olhar, canções que, além de atestar o nível que Fernando Brant atingira antes de nos deixar no plano físico, representam a continuidade e um desenvolvimento do trabalho que vinha sendo apresentado na parceria com Tavinho, especialmente a partir do álbum Conspiração dos Poetas (1997); não por acaso, Tavinho considera O Anjo na Varanda sua Conspiração dos Poetas 2.

 

Outro amigo de longa data e parceiro importante na produção recente de Tavinho Moura é Ronaldo Bastos, quem mostra vitalidade no tema-abertura do álbum Eu E Mais Você (dos versos O mistério de tocar um coração / o poeta quando quer é pra valer), em Anjo na Varanda e na mágica Menino Bente Altas. Chico Amaral é parceiro novo e ilustra com seus versos Serra da Lua, música que nasceu de uma viagem de Tavinho a Roraima, à procura por aves raras.

O álbum conta ainda com uma nova gravação do poema Cabaré Mineiro, de Carlos Drummond de Andrade, musicado por Tavinho, e a releitura do clássico Morte de Zambi, de Edu Lobo e Gianfrancesco Guarnieri para a peça Arena Conta Zumbi.

Como disse Fernando Brant, “a música é a conversa de deuses”. O Anjo na Varanda pode ser uma belíssima surpresa para os admiradores da arte de Tavinho Moura ou uma excelente porta de entrada para a obra de um dos maiores artistas da música nascida das Minas Gerais. Talvez esteja na hora de descobrir esse tesouro “barroco”, brasileiro e quase secreto.

Tavinho Moura teve no palco do Museu Clube da Esquina as companhias de Beto Lopes, Mariana Brant, Bárbara Barcellos, Neto Bellotto e Trio Amaranto. Além das canções do O Anjo na Varanda,  recordou pérolas do repertório como Paixão e Fé, Gente que vem de Lisboa,Tesouro da Juventude, Viagem das Mãos, Cruzadas e Peixinhos do Mar. O cantor mineiro é um dos fundadores do Clube da Esquina.

Tavinho Moura e Fernando Brant assinaram algumas das mais belas parcerias da música brasileira e estão presentes mais uma vez em Anjo na Varanda (Foto: Marcelino Lima/Acervo Barulho d’água Música)

Chiquito Braga

Um dos mestres do violão brasileiro, o mineiro de Belo Horizonte Chiquito Braga morreu no final de 2017, às vésperas do Natal, em 22 de dezembro, de infarto agudo do miocárdio, sofrido no Rio de Janeiro. Com 81 anos, estava internado com pneumonia e insuficiência cardíaca há uma semana, quando expirou. A técnica que Braga desenvolveu para tocar violão, com elementos do jazz e da música clássica e novas formas de organizar acordes, influenciou músicos do Clube da Esquina — em especial Toninho Horta, um dos seus discípulos.  Em 17  de janeiro deste ano, era aguardado no palco do Teatro Riachuelo (Rio de Janeiro) para receber o violonista argentino Luis Salinas e o baixista chileno Christian Gálvez, que nunca havia sido apresentado no Brasil.
Francisco Andrade Braga estudou orquestração, harmonia, fuga e contraponto com o maestro Moacir Santos e começou a carreira acompanhando Tito Madi, Agostinho dos Santos e Sérgio Ricardo em Belo Horizonte. Depois, tocou com Elizeth Cardoso e ao lado da “Divina” chegou a fazer uma temporada em Montevidéu, capital do Uruguai. Em 1966, chegou à Cidade Maravilhosa e passou a fazer parte da Orquestra Arco-Íris, da TV Rio, além de atuar em estúdio. Ao longo da trajetória, dividiu o palco com Taiguara, Gilberto Gil, Jards Macalé, Dorival Caymmi, Fafá de Belém, Alaíde Costa, Tim Maia, Leila Pinheiro, Gal Costa (nos discos Cantar e Gal canta Caymmi), Maria Bethânia (em Drama), Chico Buarque, Tom Jobim, Caetano Veloso, Simone, Nara Leão, Zizi Possi, Fafá de Belém, Guinga e Ed Motta.
“Chiquito é o pai do violão moderno de Minas Gerais”, disse sobre ele Wagner Tiso. “Gravamos juntos com o Moacir Santos e ele participou do meu disco Matança do porco.” Com o violão, o mineiro participou também de trilhas sonoras de novelas da TV Globo, como Irmãos Coragem, Gabriela e O Cafona. Em 2000, lançou Quadros modernos, com Toninho Horta e Juarez Moreira, formando um trio que se apresentou pelo Brasil.

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Em  http://www.tavinhomoura.com.br/é possível localizar mais informações sobre a carreira, a discografia e as obras literárias e fotográficas de Tavinho Moura.

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Autor: barulhomarcel

Jornalista nascido em Bela Vista do Paraíso (PR). Corintiano por herança do pai, Geraldo Caetano de Lima. Do velho também puxou a paixão por modas de viola, música de raiz e caipira, que era chamada de "sertaneja" antes da mídia comercial se apropriar, indevidamente, do nome. Quando criança ouvia aos pés da cama dele, vindas de um rádio à pilha que chiava muito, clássicos destes gêneros que marcaram para sempre a sua vida. Eu e Andreia Beillo não temos nada em comum. Para começo de conversa, ela torce pelo Palmeiras. Mas resolvemos juntos botar o pé na estrada e acreditar nas bençãos de São Gonçalo do Amarante e tentar encontrar na atividade de blogueiros dedicados à música de qualidade algo que nos una e ajude muita gente boa espalhada por todo este país, e lá fora, também, a ter seus méritos reconhecidos, resgatando e preservando valores de nossa cultura popular.

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