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1051 – Segundo disco de Rita Lee, com Os Mutantes, é destaque do Clássico do Mês

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Disco atribuído a Rita Lee que levou Os Mutantes ao estúdio pela última vez, tema do Clássico do Mês, foi  primeiro a utilizar a tecnologia multicanais e segundo da carreira da eterna Rainha do rock

Marcelino Lima, com jornal Extra

Hoje É o Primeiro Dia do Resto da Sua Vida, o segundo álbum de estúdio da cantora Rita Lee, é o disco escolhido como tema de abril da série Clássico do Mês, que o Barulho d’água Música vem publicando desde dezembro. Lançado em 1972 pela Philips Records, por meio do selo Polydor Records. Este disco, na verdade, foi a maneira encontrada pela banda Os Mutantes para aproveitar a inauguração do Estúdio Eldorado — que possuía uma mesa de 16 canais, a única disponível no Brasil naquele momento. O álbum, portanto, é creditado à estrela maior do rock brasileiro, mas na prática acabou colocando na fita toda a banda, de tal sorte que, na prática, o bolachão acabou tendo a honra de ser o último disco gravado pela formação clássica d’Os Mutantes[1] do qual a corintiana confessa fez parte no início da carreira. Os Mutantes já haviam lançado Mutantes e Seus Cometas no País do Baurets naquele ano, mas o contrato com a gravadora só permitia o lançamento de um disco por ano.

A produção de Hoje…, nome da terceira faixa do disco, tem em todas as dez trilhas a pegada psicodélica de Arnaldo Baptista, em parceira com o bródi [dele, Baptista], Sergio, mais Ronaldo Leme, Arnolpho Filho e a própria Rita Lee. Com a característica sonoridade de Os Mutantes, destacam-se, além da canção título, Amor Branco e Preto, uma ode de Rita à paixão pelo Corinthians, Vamos Tratar da Saúde e Superfície do Planeta, entre outras. O mais massa do play é que em várias das músicas Rita e a patota ponta firme souberam muito bem explorar os vários canais do estúdio postos à disposição da galera: além de cantar, eles adicionaram recursos e efeitos sonoros que vão desde distorções nas cordas das guitarras a trechos de uma narração de partida de futebol (seria Pedro Luiz o locutor?) do alvinegro – que, pela menção a Eurico, sugere ser contra o arquirrival Palmeiras, já que o jogador mencionado era lateral-direito do alviverde naquele período —  até troca de ideias entre eles.

Tudo que li me irrita quando ouço Rita Lee (Paulo Leminski) 

No último dia de 2017,  Rita Lee Jones de Carvalho chegou à casa dos 70 anos como muitos cantores e artistas de sua geração (Gal Costa, Alceu Valença, Guarabyra, Zé Geraldo, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia, entre outros) considerada, ainda, apesar de há seis anos afastada dos palcos, um dos ícones de todos os tempos da MPB. À cantora é atribuído o título de “A rainha do rock”, majestade que ela não perdeu nem mesmo agora que é obrigada por recomendação médica a  viver “reclusa” em sua casa nos arredores de São Paulo. No imóvel que divide com o marido e parceiro Roberto de Carvalho, ela cria animais de estimação que incluem ratos entre um cão, um gato, e uma tartaruga.

Mãe de três  Beto, Antônio e João, Rita Lee também é avó coruja. Quando a primogênita Izabella nasceu, em 2005, decidiu abandonar drogas e bebidas. Como jamais fugiu de bolas divididas, cultuada e respeitada justamente por suas posturas, a “Ovelha Negra”, em entrevista ao programa Conversa com Bial  afirmou ao jornalista Pedro Bial, em maio do ano passado: “Estou limpa há 12 anos. Canalizei minha energia e estou achando muito louco esse negócio de ser careta”.

A união com Carvalho dura desde 1970, temporada em que estreou em disco com Build Up. De lá até a data do último show no Circo Voador (RJ), em 2 de janeiro de 2012, e do anúncio de Reza, disco que sairia um mês depois, a discografia conta somente em álbuns de estúdio mais de 30 títulos. Embora não possa mais fazer apresentações públicas, Rita Lee, neste período, não se deixou aposentar e escreveu dois livros que a crítica e os fãs adoraram como quem balançou ao som de Lança Perfume ou fez coro em Arrombou a Festa: Rita Lee – Uma autobiografia e Dropz.

Em casa, Rita Lee dedica-se se entre outros afazeres, além da faxina e dos cuidados com os bichos a cultivar horta:  “Atitude rock é cuidar da minha horta, dos tomatinhos, da alface, da couve, do rabanete. O Roberto cuida das plantas e é o cozinheiro.”

Amor é latifúndio, sexo é invasão

A trajetória de Rita Lee também passou pela televisão com participações em novelas (10) e programas como Os Trapalhões; cinema (9 filmes, incluindo papéis e utilização de sua voz); e, recentemente, pelo teatro, com Rita Lee Mora ao Lado, montagem de 2014 dirigida por Débora Dubois e Márcio Macena, além de Paulo Rogério Lopes, adaptada do livro Rita Lee Mora ao Lado — Uma Biografia Alucinada da Rainha do Rock, de Henrique Bartsch. Mel Lisboa (atriz gaúcha que em 2001, no início  da carreira, virou a cabeça de muito marmanjo e enfureceu corações e mentes de muitas marmanjas interpretando a ninfeta ardilosa de Presença de Anita) fez o papel de Rita Lee.

As indicações que recebeu para e prêmios os quais Rita Lee ganhou somam, efetivamente, 40 e 22, respectivamente – e isso considerando apenas os mais importantes, entre os quais o Grammy Latino, o Sharp e o Multishow. Dariam para dar a volta nos anéis de Saturno, portanto, e, agora, que nos desculpem, o auê: mesmo que comam muita grama, será que Anitta (que não é a personagem de Mel Lisboa), Pablo Vittar (que é mais macho que muito homem pela coragem que tem em assumir sua condição transsexual, postura elogiável e que o faz digno de respeito, mas que não em nada contribui em para melhorar o papel de cantor) chegarão lá, aos 70, ainda no auge da fama e da produtividade?   

1 Músicos d’Os Mutantes: Ronaldo Leme (Dinho), Arnolpho Lima (Liminha), Sérgio Dias, Arnaldo Baptista, Rita Lee, Lucinha Turnbull e Claudio Cesar Baptista

Capa do disco Hoje... e relação das indicações e dos prêmios conferidos a Rita LeeLeia também no Barulho d’água Música:

1035 – “Clássicos do Mês”: Vitor Ramil funda nova identidade gaúcha com Ramilonga-A Estética do Frio
1026 – Clássico do Mês destaca Cicatrizes, álbum crítico do MPB4 desafiador para os anos de chumbo

 

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Autor: barulhomarcel

Jornalista nascido em Bela Vista do Paraíso (PR). Corintiano por herança do pai, Geraldo Caetano de Lima. Do velho também puxou a paixão por modas de viola, música de raiz e caipira, que era chamada de "sertaneja" antes da mídia comercial se apropriar, indevidamente, do nome. Quando criança ouvia aos pés da cama dele, vindas de um rádio à pilha que chiava muito, clássicos destes gêneros que marcaram para sempre a sua vida. Eu e Andreia Beillo não temos nada em comum. Para começo de conversa, ela torce pelo Palmeiras. Mas resolvemos juntos botar o pé na estrada e acreditar nas bençãos de São Gonçalo do Amarante e tentar encontrar na atividade de blogueiros dedicados à música de qualidade algo que nos una e ajude muita gente boa espalhada por todo este país, e lá fora, também, a ter seus méritos reconhecidos, resgatando e preservando valores de nossa cultura popular.

Um pensamento sobre “1051 – Segundo disco de Rita Lee, com Os Mutantes, é destaque do Clássico do Mês

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