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1063 – Pedro Vaz (SP/GO) comemora quinze anos de carreira com álbum de viola instrumental

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Paulistano que adotou Goiânia e marca presença em Brasília como músico, maestro e professor profissionalizante explora diversas sonoridades em álbum com 12 faixas com participações de Pedro Macedo, Thomas Roher, André Rass e Milla Tuli

Marcelino Lima

Pedro Vazvioleiro e compositor paulistano, goiano de coração e músico dos mais destacados na atual cena cultural de Brasília (DF) e do Planalto Central, está comemorando 15 anos de carreira com o lançamento do primeiro álbum solo, Dê Espaço ao Tempo. Com 12 faixas instrumentais nas quais dá seu recado com a viola caipira – companheira de estrada já há dez anos -, o disco produzido por Ricardo Vignini no estúdio Bojo Elétrico (SP) é uma síntese de belos arranjos e composições do músico que já foi pupilo dos mestres Roberto Corrêa e Marcos Mesquita, graduou-se em Música pela Universidade de Brasília (UnB), tocou guitarra e percussão e, atualmente, é professor  do CEP/EMB – Escola de Música de Brasília, além de maestro da Orquestra Roda de Viola — entre outros projetos e participações em grupos de referência como Cega Machado, Caboclo Roxos, Banda Judas e Encontro Violado.

É o próprio Pedro Vaz quem nos conta: Dê Espaço ao Tempo dialoga com o presente, o passado e o futuro, diluindo fronteiras entre a tradição e o contemporâneo, a sabedoria popular e a erudição, por isso, vai além do gênero consagrado pela viola: o da música caipira. Os ponteios de Vaz, sim, até nos fazem entrar em sintonia com a roça (em Estância, por exemplo), mas atingem outras sonoridades, sensações e cenários que passeiam pelo agreste ( Vida Seca Severina) e pela América Latina (Ilhoa), recorda a tragédia que atingiu o Rio Doce (contaminado pelos dejetos da lama tóxica que o poluiu depois do rompimento da barragem da Samarco, em Mariana, em 2015) e traz homenagem ao paulista Fernando Deghi, todas com surpreendentes contrapontos que dialogam com contrabaixo acústico, rabeca e percussão.

Dê Espaço ao Tempo, disco autoral de estreia de Pedro Vaz, pode ser ouvido em plataformas de streaming

“O disco tem sido trabalhado desde que comecei a tocar viola e a fazer as primeiras composições, amadurecidas ao longo do tempo”, disse Pedro Vaz. “Então, a inspiração para esse álbum parte de coisas inusitadas que venho colhendo na minha carreira”, emendou. O resultado obtido convida à pausa, ao mergulho em densa e bela paisagem de melodias que reafirmam “um momento muito bonito da viola”. Pedro Vaz comemora e observa que o instrumento tem sido o passaporte tanto para artistas iniciantes em busca de oportunidades no universo musical, quanto, empunhado por expoentes tradicionais, vem promovendo a obra de duplas e de violeiros “solteiros”, autores de trabalhos de diversos estilos e gêneros. “A gente diz que é a viola quem escolhe o violeiro, e não o contrário”, acredita Pedro Vaz. “Mas o importante é que todos estejam levando a viola para o mundo.”

Clube do Choro

Um dos locais em que Pedro Vaz lançou Dê Espaço ao Tempo, em 28 de abril, é o Clube do Choro, um dos mais concorridos espaços culturais da Capital Federal, com as presenças de André Rass (percussão), Pedro Macedo (contrabaixo acústico), Thomas Rohrer (rabeca e sax soprano) e Milla Tuli (voz na faixa Deghiana), além das participações especiais de Rosa Barros e Pedro Verano. O álbum está sendo distribuído pela Tratore e saiu com apoio institucional da Prefeitura de Goiânia, por meio de leis goianas de incentivo à cultura, com produção executiva de Taiana Martins, da Mitema Projetos Culturais e Soluções Sustentáveis — referência no Centro Oeste em elaboração de projetos culturais, produção executiva, produção de eventos, espetáculos, dados, indicadores culturais e soluções sustentáveis para os problemas urbanos. Pedro Vaz é, também, um dos artistas da caravana do Dandô Circuito de Música Dércio Marques, premiado projeto da paulistana Katya Teixeira.

 

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Autor: barulhomarcel

Jornalista nascido em Bela Vista do Paraíso (PR). Corintiano por herança do pai, Geraldo Caetano de Lima. Do velho também puxou a paixão por modas de viola, música de raiz e caipira, que era chamada de "sertaneja" antes da mídia comercial se apropriar, indevidamente, do nome. Quando criança ouvia aos pés da cama dele, vindas de um rádio à pilha que chiava muito, clássicos destes gêneros que marcaram para sempre a sua vida. Eu e Andreia Beillo não temos nada em comum. Para começo de conversa, ela torce pelo Palmeiras. Mas resolvemos juntos botar o pé na estrada e acreditar nas bençãos de São Gonçalo do Amarante e tentar encontrar na atividade de blogueiros dedicados à música de qualidade algo que nos una e ajude muita gente boa espalhada por todo este país, e lá fora, também, a ter seus méritos reconhecidos, resgatando e preservando valores de nossa cultura popular.

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