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1064 – Andreia Preta, com Thiago Ligouri, apresenta Intuição, no Teatro da Rotina (SP)

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Intuição, show que levará Andreia Preta à cidade de São Paulo, será a atração do Teatro da Rotina na quarta-feira, 23 de maio. A partir das 21 horas, a cantora  e compositora nascida e residente em Campinas (SP) e que já emplacou 18 anos de carreira ocupará o palco acompanhada pelo músico Thiago Liguori, produtor do álbum Doce de Salgar, que ela lançou em 2016. A apresentação tem formato acústico e mostra a força das palavras presente nas canções que Andreia compõe, fazendo uso da oralidade aprendida com a avó materna. Além de músicas do disco de estreia, o repertório para o Teatro da Rotina inclui inéditas, todas autorais, entre as quais a parceria com Consuelo de Paula, de quem  foi uma das convidadas em março, quando, naquele espaço da rua Augusta, a mineira de Pratápolis conduziu Bibianas, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher.

Andreia Preta destacou que o público que for ao TR, entre tantas referências  “brasucas”, poderá  se embalar ao som de ritmos como baião, xote,  maracatu,  ciranda, coco e samba, além de sonoridades modernas. É exatamente a cara dela, uma filha e neta de nordestinos que viveu em Minas Gerais e tem formação marcada pelo signo da integração cultural. Andreia estudou canto com Paulo Rowlands, Taís dos Guimarães e Marcelo Arruda Onofri, em Campinas, com Babaya Morais, em Belo Horizonte, e piano no Conservatório Estadual Lobo de Mesquita, situado em Diamantina (MG), entre 2009 e 2010. A carreira começara antes, em 2000, quando ela passou a integrar o sexteto de forró Folefurado, que gravou uma das músicas dela para o disco Cooperativa Brasil ao Vivo. Por três anos consecutivos, entre 2003 e 2005, também atuou no Grupo Lua Branca, no qual deu sequência ao trabalho com música regional nordestina, realizando shows nas unidades Campinas, São Carlos e Pompeia do Sesc, entre outros espaços culturais.

Andreia também fez parte do do Coral Unicamp Zíper na Boca com o qual, em 2006, protagonizou o show Coisa Nossa – Filmes e Trilhas, em Campinas, apresentado também em Diamantina, em 2009. Em 2011, ela produziu e realizou O Centenário de Maria Bonita, no Sesc Campinas, e no 43° Festival da UFMG, personagem que ela voltou a homenagear no álbum de estreia. Neste mesmo ano, cantou para o projeto Mulheres do Samba, em comemoração aos 10 anos de atividade de um tradicional bar campineiro.

Ao longo destes 18 anos de trajetória, Andréia Preta experimentou sonoridades diversas, desde o forró pé-de-serra, à MPB clássica, incursionando ainda por sambas, tradicional e de gafieira, e até rock, para atender ao convite do músico João Carlos Dalgalarrondo e participar do CD Deputadaria, lançado pelo Fundo de Incentivo à Cultura de Campinas (FICC), em 2013. Em agosto daquele ano, Andreia Preta homenageou Dominguinhos em projeto da Secretaria de Cultura de Campinas batizado Seresta na Praça.

Em 2014, comandou uma roda de samba no encerramento do Festival Comida Di Boteco de Campinas e participou da Virada Cultural Paulista na mesma cidade, com show autoral e ao lado da Banda Hos Tio. Ainda em 2014, participou como atriz na Oficina Montagem do espetáculo internacional PERCH, com o Lume Teatro. Em 2015, em nova apresentação na Virada Cultural de Campinas, dividiu o palco com o angolano Abel Duerê cantando em dialetos africanos.

Doce de Salgar saiu em 2016, com apoio do FICC, e direito a concorridas festas de lançamento no Museu de Arte Contemporânea de Campinas, em março, e no Teatro do Sesc Campinas, em abril, com a participação de Osvaldinho da Cuíca. Entre julho e setembro daquele mesmo ano, esteve à frente da curadoria do projeto AYÓ (de gastronomia e arte) no Teatro de Tábuas, mesma casa de espetáculos campineira que a convocou para compor e dirigir a trilha sonora da montagem infantil de bonecos Sempre Bem Protegidos. Antes de encerrar 2016, Andreia Preta ainda atuou e cantou no musical Amor, Mar e Fúria, também promovido pelo Teatro de Tábuas. Em 2017, de volta às rodas de rodas de samba, ela também alternou shows de divulgação do Doce de Salgar com apresentações com a banda Forró Mandaçaia.

Tempero brasileiro

O jornalista e compositor Adriano Rosa escreveu em março de 2016 matéria na Agência Social de Notícias destacando o lançamento de Doce de Salgar, que chegava  “totalmente temperado pela sonoridade do universo rítmico da música brasileira“. Para Adriano Rosa, o álbum apresenta “Andréia crua, linda e quase nua coberta de argila e céu, desde a capa e encarte do CD até a sonoridade do disco, onde o samba, forte companheiro de trajetória da cantora, aparece em apenas duas oportunidades, mas com a identidade necessária que a autora sabe imprimir em suas aparições ao vivo pela cidade”. Siga a partir do parágrafo seguinte a íntegra do texto:

Capa do CD da campineira Andréia Preta, que tem onze músicas com melodias e sonoridades modernas e cheias de brasilidade Foto: Davi Moraes

“O samba belisca o repertório em Na Cachaça, com a presença luxuosa do mestre Osvaldinho da Cuíca tocando pandeiro, tamborim, ganzá, reco-reco e, fazendo chorar manhoso sua cuíca inigualável em arranjo impecável de Thiago Liguori. Aliás, é Thiago quem assina a direção e produção musical do disco.

Mas antes do próximo samba, Andréia escala seu time de onze músicas com melodias e sonoridades modernas, mas apresentando a brasilidade que trás no sangue de seus antepassados, como em Maria de Salgar, um coco adocicado pelo bendir de João Dalgalarrondo e os samples do DJ Barata, trazendo para o futuro as tantas Marias inspiradoras e bonitas como a rainha do cangaço, como define a cantora: “Chego à conclusão que sou um pouco Maria Bonita, que era tão doce, mas também era de salgar.”

Desprendido de rótulo, Doce de Salgar revela talvez uma outra Andréia, compositora sim, autora sim, mas que traz em onze faixas quinze anos de carreira como cantora, criando grupos ou participando de bandas, inquieta em xote e baião com solos rasgados e profundos, uma trilha sonora para algum trecho de estrada, onde diz: Perdi o rumo do caminho de casa/E na beira da estrada/Eu corria da dor/Mas ela vinha, magoava de um jeito/Eu corria, ela alcançava/Eu perdi o meu amor.

Drama estacionado em algum canto de Nordeste, remete aos beirais do cancioneiro da dor de cotovelo de Odair José a Reginaldo Rossi, mas com propriedade de quem já viveu um grande amor. Tudo isso sem culpa, num quase tango de sertão, Amor Rasgado, clima esse causado pela sanfona dolorida de Edu Guimarães.

Sonho que não se sonha sozinho, Um Sonho…uma ciranda,  onde Andréia, cantarolando, aparece numa canção assim, muito bem acompanhada “sem pensar no fim”, onde trombone e sax tenor passeiam entre todas os personagens que a autora juntou e que se torna realidade em alguma praia do litoral nordestino, bem aqui, onde na mesma praia se forma uma roda de capoeira, onde não tem bobo não, se tiver passa a vez, mas entra na Capoeira assim: O povo na dança do bobo/O bobo, da vez é João/Parece que ficou tonto/Ou o teto que virou chão.

Poético e visceral, bateria e percussão ao redor de samples e piano rhodes, num techno mangue beat que vai criando perna, buscando raízes, marcante e robusto, chamando pra praça, ladeira, preguiça, mas chamando em Mais um Dia, onde Andréia conclama o vento cantando: Vamos gente, arregala essa vida!/À tarde, o sol se pondo/Merece poesia/À noite, o sono chega/E depois outro dia.

Juntando e trazendo gente pra roda, pra rua o movimento está em Tom Maior, com percussões do convidado especial Lucas dos Prazeres, de Recife (PE), cuja letra confessa saudades de lugares, sons e pessoas, como de Naná Vasconcelos, mestre de batucada de Leandro, homenageando em tempo: Lembro quando ti vi, alegre exaltando o mar/Alfaia, xequerê/Gonguê, cantratempo no ganzá/Quero dançar pra você/Um maracatu e te olhar.

Mas e o samba que Andréia tanto canta com estilo e identidade, cadê? Está aceso em Fogo Altaneiro, fechando as onze faixas, a única parceria de Andréia com o músico e compositor Diogo Nazareth, apenas ao violão, sem precisar de mais nada, pois está tudo ali, alma lavada, corpo fechado, ginga, mandinga, carnaval, feitiço e tradição ancestral, raízes negras a que pertence o Doce de Salgar de Andréia Preta, Ê Padê, Laroyê.

E temperando, salgando e adocicando os arranjos musicais do CD está o jovem Thiago Liguori, que também cuidou da direção musical, dirigindo um time de primeira na produção do disco, como os convidados especiais Osvaldinho da Cuíca, Lucas dos Prazeres e Ricardo Matsuda, muito bem acompanhados por João Dalgalarrondo, Allan Abbadia, Diogo Nazareth, DJ Barata, Edmar Pereira, Eduardo Pereira, Edu Guimarães, Felipe Trez, Fernando Sagawa, Mario Porto, Rafael Martins e as vozes  de Maíra Guedes, Mariana Castrillon, Gabriela Nunes e Gu Siqueira.”

Serviço
Show Intuição, Andréia Preta e Thiago Liguori
23 de maio, 21 horas
Teatro da Rotina: Rua Augusta, 912, Consolação, São Paulo
Ingressos: R$ 20 (antecipado)/R$ 40 (bilheteria)
http://www.teatrodarotina.org/ingressos

 

 

 

 

 

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Autor: barulhomarcel

Jornalista nascido em Bela Vista do Paraíso (PR). Corintiano por herança do pai, Geraldo Caetano de Lima. Do velho também puxou a paixão por modas de viola, música de raiz e caipira, que era chamada de "sertaneja" antes da mídia comercial se apropriar, indevidamente, do nome. Quando criança ouvia aos pés da cama dele, vindas de um rádio à pilha que chiava muito, clássicos destes gêneros que marcaram para sempre a sua vida. Eu e Andreia Beillo não temos nada em comum. Para começo de conversa, ela torce pelo Palmeiras. Mas resolvemos juntos botar o pé na estrada e acreditar nas bençãos de São Gonçalo do Amarante e tentar encontrar na atividade de blogueiros dedicados à música de qualidade algo que nos una e ajude muita gente boa espalhada por todo este país, e lá fora, também, a ter seus méritos reconhecidos, resgatando e preservando valores de nossa cultura popular.

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