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1070 – Concertos em São José dos Campos e em Araraquara lançam volume I do álbum “Viola Paulista”

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Selo Sesc mapeou violeiros que moram no Estado de São Paulo e contribuem para a divulgação, a afirmação e a conquista de público. Mostra com 19 músicos ligados ao instrumento integra o disco de estreia, apresentado por Ivan Vilela

Marcelino Lima

A unidade São José dos Campos do Sesc de São Paulo promoverá na sexta-feira, 8, a partir das 19h30, o concerto de estreia do volume 1 do álbum Viola Paulista, que reúne 19 músicos de influências múltiplas, violeiros de formação, que têm em comum a paixão pela história e pelo som do instrumento de 10 cordas. Nesta primeira apresentação, que terá entrada franca e será coordenada pelo violeiro de Botucatu, Osni Ribeiro, o palco será compartilhado por Jackson Ricarte, Rodrigo Nali e Rafael, Bob Vieira e Zé Marcio Kaipira Urbano-Aratara. Além da cidade do Vale do Paraíba, também no dia 8, a partir das 20 horas, o álbum estará sendo lançado na unidade de Araraquara — depois a turnê de lançamento percorrerá outros seis municípios, incluindo a Capital. Na Morada do Sol vão se apresentar os músicos Ivan Vilela, Bruno Sanches, Leandro de Abreu, Reinaldo Toledo e Ronaldo Sabino.

A viola, observa os organizadores do trabalho do Sesc — que está saindo pelo selo da entidade e já está disponível nas plataformas de streaming — ecoa no Brasil inteiro, de Norte a Sul. Provavelmente, todos conhecemos alguém que sabe tocá-la com destreza. Com o intuito de mapear onde a viola é tocada no Estado, é que o Selo Sesc deu vida ao projeto que, ao todo, terá três discos. Neste primeiro volume entraram aqueles que os produtores consideram “grupos e artistas solos expoentes da nova geração da viola de 10 cordas” e que “representam uma fração do que vem sendo feito com o instrumento no Estado de São Paulo”.

O professor, pesquisador, compositor e violeiro Ivan Vilela é quem alinhava a costura dos discos do projeto Viola Paulista e assina o texto abaixo:

O pesquisador, professor e músico, violeiro Ivan Vilela, é um dos convidados para o lançamento do projeto em 8/6, em Araraquara

“Talvez ninguém nunca tenha imaginado o que a viola se tornaria no Brasil. Seu uso, cada vez mais expandido, tem conquistado um espaço notável em meio a pessoas de todas as faixas etárias e segmentos sociais. De suas origens populares na Portugal medieval e renascentista, a viola se espalhou por todo o mundo lusófono, mas em nenhum outro lugar se desenvolveu tanto quanto no Brasil. Aqui, acompanhou o desenvolvimento da luteria do violão e, aos poucos, tem conquistado espaços que outrora sequer sonhara frequentar.

Até a primeira metade do século XIX, a viola foi o principal instrumento acompanhador de cantores em cidades como Rio de Janeiro, Recife e Salvador. Sua caminhada ao interior se deu, sobretudo, a partir da região Sudeste com as bandeiras e depois tropeiros num espaço que foi chamado, por Alfredo Ellis Júnior, de Paulistânia. Este pedaço de chão compreende os estados de São Paulo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Triângulo Mineiro e Sul de Minas Gerais, Norte do Paraná, parte Sul do Mato Grosso e de Tocantins.

O que chamamos de cultura caipira se estende por toda esta região e é onde ainda se consome em grande escala a música caipira. Certamente as gravações pioneiras de Cornélio Pires ajudaram a fixar a viola no Centro-Sudeste brasileiro a ponto deste instrumento ser nacionalmente conhecido como viola caipira, mas não devemos nos equivocar ao pensarmos que o modo de tocar caipira é a única maneira autêntica que se tem de pontear a viola. Vale lembrar que os primeiros registros escritos sobre a viola no Brasil provêm de Recife, em 1580.

Assim, devemos ter sempre muito cuidado para não circunscrevermos um instrumento a uma cultura específica, pois o fato dele beber em expressões culturais diversas não tira a sua propriedade de ser sempre livre para voar por onde a música o levar. Um instrumento musical deve estar, antes de tudo, a serviço da Música.

Impulsionando um novo voo da viola paulista, o Sesc nos presenteia com este registro sobre uma parte da produção musical feita com a viola no estado de São Paulo. Para esse disco não foram escolhidos os violeiros já consagrados e com vasta discografia, mas sim os que estão iniciando suas carreiras ou os que depois de um tempo de estrada não conseguiram, por razões diversas, o reconhecimento esperado e, diria, merecido por seus trabalhos.

São 19 músicos de vertentes distintas, do rock à música clássica contemporânea, da toada caipira aos temas instrumentais. A sonoridade do Nordeste se faz presente na voz de migrantes que vivem agora em terras paulistas, bem como a viola de cocho, natural do Mato Grosso. A viola soa nova quando inserida nos toques de Umbanda ou vestida de sons distintos como o de um quinteto de cordas ou ainda junta de um cravo.

Evocações a um passado idílico no campo onde se vivia com feliz simplicidade, e contestações aos altos custos dos pedágios das rodovias paulistas comprovam a presença plena da viola em tempos passados e presentes. Vale nos reportarmos à palavra era, termo tupi que faz alusão a algo que foi, que é, e que continuará sendo, como nos ensina o professor José de Souza Martins. Tal qual a tapera que é uma casa velha que representa um passado, mas está ali e continuará a estar por um tempo indeterminado. Presente em todos os tempos.

Assim devemos ver a viola, encontrada no Brasil desde o século XVI. Um instrumento que canta o passado, o presente e aponta para um futuro incerto, mas vindouro.”

Ouça por meio do linque abaixo as 19 primeiras músicas do Viola Paulista

Atrações em cada cidade:

Ribeirão Preto: Ivan Vilela (apresentação), Renato Gagliardi, José Gustavo Julião de Camargo, Zé Guerreiro Quarteto e Ronaldo Sabino

São José dos Campos: Osni Ribeiro (apresentação), Jackson Ricarte, Rodrigo Nali e Rafael Schimidt, Bob Vieira e Zé Marcio Kaipira Urbano-Aratara

Araraquara:  Ivan Vilela (apresentação), Bruno Sanches, Leandro de Abreu, Reinaldo Toledo e Ronaldo Sabino.

São Carlos: Rodrigo Nali e Rafael Schimidt, Neto Stefani, Gil Fenerich, Trio Tamoyo

Belenzinho Ivan Vilela (apresentação), Ricardo Matsuda e Patrícia GattiMoreno Overá, Bruno Sanches, 
Fabíola Mirella e Sérgio PennaVinícius Alves

Campinas: Ivan Vilela (apresentação), Bob Vieira, Reinaldo Toledo, Vinícius Alves, Ricardo Matsuda e Patrícia Gatti

Taubaté: Ivan Vilela (apresentação), Moreno Overá, Fabíola Mirella e Sérgio PennaOsni Ribeiro e Vinícius Alves


Sesc São José dos Campos: Av. Dr. Ademar de Barros, 999 – Jardim São Dimas, telefone: (12) 3904-2000

Sesc Araraquara: Rua Castro Alves, 1315, Quitandinha, telefone: (16) 3301-7500


Leia também no Barulho d’água Música:

952 – Sesc São José dos Campos promove estreia do álbum Estrada Afora, de Jackson Ricarte
866 – Rodrigo Nali comanda Roda de Viola Caipira em Piracicaba (SP)
800 – Barulho d’água Musica completa discografia do violeiro, compositor e professor Ivan Vilela (MG)

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Autor: barulhomarcel

Jornalista nascido em Bela Vista do Paraíso (PR). Corintiano por herança do pai, Geraldo Caetano de Lima. Do velho também puxou a paixão por modas de viola, música de raiz e caipira, que era chamada de "sertaneja" antes da mídia comercial se apropriar, indevidamente, do nome. Quando criança ouvia aos pés da cama dele, vindas de um rádio à pilha que chiava muito, clássicos destes gêneros que marcaram para sempre a sua vida. Eu e Andreia Beillo não temos nada em comum. Para começo de conversa, ela torce pelo Palmeiras. Mas resolvemos juntos botar o pé na estrada e acreditar nas bençãos de São Gonçalo do Amarante e tentar encontrar na atividade de blogueiros dedicados à música de qualidade algo que nos una e ajude muita gente boa espalhada por todo este país, e lá fora, também, a ter seus méritos reconhecidos, resgatando e preservando valores de nossa cultura popular.

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