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1072 – Roda ao ar livre, em Beagá, comemora reconhecimento da viola como patrimônio cultural imaterial de Minas Gerais

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Patrimônio cultural imaterial é uma categoria definida pela Unesco que abrange expressões culturais e  tradições que um grupo de indivíduos preserva em respeito da sua ancestralidade para conhecimento das gerações futuras

Marcelino Lima

Os violeiros Chico Lobo, Pereira da Viola e Wilson Dias vão se apresentar, juntos, a partir das 19 horas da quinta-feira, 14 de junho, na Praça da Liberdade, em palco que será armado entre o Memorial Minas Gerais Vale e o Museu de Minas e do Metal da Gerdau, em Belo Horizonte (MG). A cantoria celebrará a análise pelo Conselho Estadual de Patrimônio Cultural de Minas Gerias (Conep) que — antes da roda de viola ao ar livre,  em reunião prevista para começar às 16 horas — analisará o Dossiê do Registro dos Saberes, Linguagens e Expressões Musicais da Viola em Minas Gerais para reconhecimento do instrumento como patrimônio imaterial do Estado. Com direção artística de Chico Lobo e produção da Viola Brasil, o show ao ar livre terá como convidados Letícia Leal, Gustavo Guimarães, o mestre e folião Seu Odorino e a Orquestra Estudo Viola de Betim.

Chico Lobo, Pereira da Viola e Wilson Dias são três dos mais populares representantes da viola caipira em Minas Gerais

Patrimônio cultural imaterial ou patrimônio cultural intangível é uma categoria de patrimônio cultural definida pela Convenção para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial e adotada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), em 1997. Abrange as expressões culturais e as  tradições que um grupo de indivíduos preserva e  difunde em respeito da sua ancestralidade, para conhecimento das e continuidade entre as gerações futuras. São exemplos de patrimônio imaterial: os saberes, os modos de fazer, as formas de expressão, celebrações, as festas e danças populares, lendas, músicas, costumes e outras tradições.

A cada dois anos são escolhidos os bens a partir das candidaturas apresentadas pelos países signatários da Convenção para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial. A primeira lista de bens inscritos foi divulgada em 2001, seguida por outras duas, em 2003 e 2005, totalizando 90 bens imateriais inscritos.

O modo de tocar dos sinos, cuja “linguagem” é peculiar meio de comunicação, no Brasil, está sendo objeto de registro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como patrimônio imaterial nacional. Em Minas Gerais, onde a viola passará a ter este status, já foi guindado a este importante grau de reconhecimento e valorização como patrimônio cultural intangível o modo artesanal de fazer queijo.

Em Pirenópolis (GO), está registrada outra manifestação já entendida como patrimônio imaterial, a Festa do Divino de Pirenópolis, criada em 1819 e repetida até hoje. É na Festa do Divino que são apresentadas as Cavalhadas, que rememora a luta entre mouros e cristãos na Idade Média. A Câmara Municipal da cidade de São Paulo aprovou a Lei 14.406 de 21 de maio de 2007, de autoria do vereador Chico Macena (PT), sancionada pelo prefeito àquela época. Gilberto Kassab, que criou o Programa Permanente de Proteção e Conservação do Patrimônio Imaterial do Município de São Paulo.

Podem ser citadas, ainda, diversas tradições, saberes e técnicas que geralmente são submetidas às normas que estabelecem o Inventário Nacional de Referências Culturais (INRC) do Iphan, na complexa tarefa de preservar o patrimônio material e imaterial, resguardando bens, documentos, acervos, artefatos, vestígios e sítios, assim como as atividades, técnicas, saberes, linguagens. Um dos critérios são a atenção às tradições que não encontram amparo na sociedade e no mercado, permitindo a todos o cultivo da memória comum, da história e dos testemunhos do passado.

Frente nacional

A partir de Belo Horizonte também se articula uma frente de violeiros em campanha pelo reconhecimento da Manifestação Cultural Histórica da Viola como Forma de Expressão válida aos Livros de Registro de Patrimônio Imaterial do Brasil junto ao Iphan. A iniciativa é do músico, produtor e gestor cultural João Araújo (Viola Urbana Produções), que com a supervisão do órgão elaborou o requerimento já assinado pela Secretária de Cultura de Belo Horizonte e protocolado em Brasília (DF) nos primeiros dias de janeiro de 2017.

João Araújo mantém uma página em mídia social com os linques das ações já promovidas neste sentido, entretanto observa: o acatamento pelo Iphan depende do engajamento da classe formadora do bem que reivindica ver reconhecido como patrimônio nacional– ou seja, todos os envolvidos com o instrumento viola no Brasil,  independentemente da forma como o instrumento possa ser conhecido (“viola caipira”, “viola 10 cordas”, “viola cabocla” e outras) e em todas as formas que ela tem representatividade no Brasil, a saber: “viola caipira”, “viola nordestina”, “viola de cocho”, “viola machête”, “viola de fandango”, “viola de cabaça”, “viola caiçara”, “viola de buriti” e outras, se detectadas e comprovada existência e  representatividade.

O recorte se baseia em vários estudos existentes com base nos instrumentos oriundos de Portugal, com cinco ordens de cordas, em sua maioria com 10 cordas em duplas, mas não excludente às recentes comprovações da presença também de violas com 12 cordas e inovações e adaptações com fundamento nas originais, como violas de 14 cordas e outras.

A campanha conta com os chamados Embaixadores, violeiros voluntários, responsáveis em conjunto pela curadoria, divulgação e tomada de decisões, em cuja lista aparecem Almir Pessoa (Goiânia/GO); Angelim Sítio do Angelim (Brasília/DF); Arthur das Oliveira “Bento” (Lima Duarte/MG); Beto Moschkovich (Florianópolis/SC); Cleber Tomas Vianna (Salvador/BA); Henrique Bonna (Rio de Janeiro/RJ); Júlio Bicalho (Contagem/MG); Júnior da Violla (São Paulo/SP); Leandro de Abreu (Santo André/SP); Lenir Boldrin (Campinas/SP); Luciano Queiroz (Assis /SP); Mainho Coelho (Leme/SP); Maikel Monteiro (Curitiba/PR); Milton Primo (São Francisco Conde/BA); Osni Ribeiro (Botucatu/SP); Rodrigo Nali (Paulínia/SP); Sandra Cristina Peripato (São Paulo/SP); Valdir Verona (Caxias/RS); Zé Terra (Mauá/SP); Zé Brasil (Jandira / SP)

Clique no linque abaixo para ter acesso à página Viola Nosso Patrimônio e conhecer as ações de Araújo e embaixadores.

 Viola Nosso Patrimônio


Alguns bens já registrados como patrimônio imaterial no Brasil, classificados por região, são:

Norte

O futebol, que é uma expressão da cultura nacional, por meio do clássico paraense Remo (azul escuro) x Paysandu, é considerado patrimônio imaterial

Centro-Oeste

A Cavalhada é uma das atrações da Festa do Divino de Pirenópolis (GO)

Nordeste

Maracatu Rural, ou Maracatu de Baque Solto, em Recife (PE)

 

Sudeste

Modo artesanal de fazer queijo em Minas Gerais, nas regiões do Serro e da Serra da Canastra e da Serra do Salitre

Nordeste/ Sudeste

Roda de Capoeira, em ilustração de Rugendas, é uma das manifestações populares mais cultivadas no país

Sul

Uma das contribuições culturais da região Sul do país é a técnica de tecer conhecida por Renda de Bilro

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Autor: barulhomarcel

Jornalista nascido em Bela Vista do Paraíso (PR). Corintiano por herança do pai, Geraldo Caetano de Lima. Do velho também puxou a paixão por modas de viola, música de raiz e caipira, que era chamada de "sertaneja" antes da mídia comercial se apropriar, indevidamente, do nome. Quando criança ouvia aos pés da cama dele, vindas de um rádio à pilha que chiava muito, clássicos destes gêneros que marcaram para sempre a sua vida. Eu e Andreia Beillo não temos nada em comum. Para começo de conversa, ela torce pelo Palmeiras. Mas resolvemos juntos botar o pé na estrada e acreditar nas bençãos de São Gonçalo do Amarante e tentar encontrar na atividade de blogueiros dedicados à música de qualidade algo que nos una e ajude muita gente boa espalhada por todo este país, e lá fora, também, a ter seus méritos reconhecidos, resgatando e preservando valores de nossa cultura popular.

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