1075 – Ceumar, Lui Coimbra e Paulo Freire lançam álbum em homenagem a Inezita Barroso no Ibirapuera (SP)

Trio forma o projeto Viola Perfumosa, trabalho que procura resgatar e reciclar a genialidade e a sofisticação das melodias e da poesia da música que se convencionou chamar “caipira”

Marcelino Lima, com assessoria de imprensa do projeto Viola Perfumosa

O coletivo Viola Perfumosa, formado por Ceumar (MG), Lui Coimbra (RJ) e Paulo Freire (SP), três dos mais expressivos cantautores contemporâneos da música brasileira, estarão no palco do auditório Oscar Niemeyer do Ibirapuera, em São Paulo, no domingo, 24, para lançamento do primeiro álbum do trio. A casa de espetáculos que está entre os espaços culturais mais consagrados não apenas da Capital paulista deverá receber lotação máxima para a apresentação prevista para começar às 19 horas, pois os músicos prestarão tributo à rainha da música caipira, Inezita Barroso, lançando o primeiro álbum do grupo e recordando sucessos como Luar do Sertão; Tamba-TajáÍndia e Marvada Pinga, eternizados por ela e que ganharam releitura camerística unindo viola caipira e violoncelo, rabeca e alfaias e se mesclam a Villa-Lobos e a canções do repertório autoral do trio. O resultado é um show sutil, reverente e surpreendente como Inezita gostaria, com participações especiais de Guello (percussão) e Bruno Migliari (contrabaixo).

O trabalho do Viola Perfumosa procura resgatar e reciclar a genialidade e a sofisticação das melodias e da poesia da música que se convencionou chamar “caipira”, compondo um mosaico comovente e alegre do Brasil “de dentro”, “dos interiores”, ressaltando a singularidade desta obra poético-musical que é um retrato fiel deste país profundo. Inezita, que além de cantora e violeira, foi atriz e pesquisadora, dedicou seis décadas de sua vida à defesa da música realmente popular e do folclore brasileiro. Selecionado pelo programa Natura Musical e produzido com apoio da Lei de Incentivo à Cultura do Governo Federal, o show em homenagem a Inezita Barroso será traduzida em libras e contará com programas impressos em Braille, além de monitores videntes para receber os deficientes visuais que comparecerem ao Auditório Ibirapuera.

Viola Perfumosa , o disco que redescobre o Brasil

Hugo Sukman

Não por acaso, Viola Perfumosa abre com três de seus instrumentos fundamentais – viola, violão e violoncelo – costurando, à guisa de introdução, o famoso Prelúdio no 3, de Villa-Lobos, antes mesmo de o quarto instrumento, a voz, cantar a melodia de João Pernambuco com a letra de Catulo da Paixão Cearense : “Oh, que saudade do luar da minha terra/Lá na serra prateando folhas secas pelo chão/Este luar, cá da cidade tão escuro/Não tem aquela saudade do luar do meu sertão”.  Nesta primeira faixa, Luar do sertão, espécie de hino do Brasil sertanejo, nada é por acaso. Composto no Rio de Janeiro ainda na segunda década do século XX, por dois compositores nordestinos (sertanejos) desgarrados na cidade, João Pernambuco e Catulo fizeram dois movimentos fundadores do que hoje chamamos de música brasileira: migraram para o Sudeste e, cá na cidade, inocularam para sempre a música sertaneja (e suas saudades do luar) no nosso imaginário musical. E isto no mesmo momento em que Villa-Lobos estava inventando o que hoje chamamos de música brasileira, criando música de concerto a partir de manifestações populares como as estilizadas em Luar do sertão

Ao mesmo tempo virtuoses e populares, a mineira Ceumar (voz, violão e tambor), o carioca Lui Coimbra (voz, violoncelo, violão e rabeca) e o paulista Paulo Freire (voz e viola caipira) criaram Viola Perfumosa neste espírito de revisitar essa vertente tão importante para a música brasileira – tão importante que, hoje, mais de cem anos depois, uma sua contrafação pop chega a dominar o mercado musical brasileiro. 

Inspirado em Villa-Lobos e em uma linhagem de pesquisadores brasileiros como Mario de Andrade e Ariano Suassuna, mas, sobretudo, em Inezita Barroso, a artista que mais contribuiu para que a história da música sertaneja e caipira chegasse até nós, o trio propõe não propriamente uma pesquisa, mas a partir dela um passeio por esse universo musical do tamanho do Brasil. 

Tanto que os passos seguintes do trio, em seguida a Luar do sertão é o de mostrar como esse universo é amplo seja em termos estéticos ou geográficos. E desembarca na Amazônia de Tamba-Tajá, delicada obra-prima de Waldemar Henrique, principal compositor paraense da vertente nacionalista, com sua influência indígena, sobretudo na poesia em que a natureza, no caso uma flor, serve de metáfora para a mulher e seus encantos e mistérios. Neste arranjo, originalíssimo em seu enfoque ao mesmo tempo caipira e clássico, o trio mostra toda sua capacidade musical: a voz de Ceumar com a precisão lírica, mas o jeito popular e seu violão consistente; Paulo Freire e a infinita criatividade de sua viola; os desenhos do violoncelo de Lui Coimbra emprestando sua classe, versatilidade e alegria ao universo caipira.

Ou desembarca na fronteira com o Paraguai, lá para as bandas do Mato Grosso, em que a mulher é igualmente cantada em seus encantos na guarânia Índia ¹ [José Assuncion Flores e M. Ortiz Guerrero], marca de uma das duplas fundamentais na história do caipira brasileiro, Cascatinha e Inhana, mas que foi gravada por toda a MPB [a partir de versão de José Fortuna]. Nesta nova gravação linda e simples mostra-se toda a beleza dessa melodia tão popular e a influência da música paraguaia no nosso imaginário em que o sertão desconhece fronteiras. 

Mas o território caipira, como definiu um dos seus principais estudiosos, Antonio Candido, confunde-se com a Paulistânia, esse modo de vida profundamente arraigado no interior do Brasil que, a partir de São Paulo influenciou até o Mato Grosso, e abrange Minas, Paraná, Goiás e mesmo boa parte do interior de Espírito Santo e do Rio de Janeiro. Não por acaso a maior parte do repertório é dessa ampla região, mais abstrata que real e reflete esse modo de vida. Neste sentindo, Viola Perfumosa diferencia-se de outro disco recém-lançado sobre esse universo, Caipira, de Mônica Salmaso, que reflete mais um sertão interior, pessoal. Ceumar, Lui e Paulo, passeiam pelo território físico do sertão.

Amo-te muito, seresta caipira do mineiro João Chaves, é um exemplo da vertente lírica do universo caipira, recriada aqui como uma autêntica canção romântica, gênero da qual ela é matriz, com linda introdução vocal de Ceumar, que faz a segunda voz para o solo vocal de um Lui Coimbra de timbre seguro e bonito. De São Paulo, as clássicas modas de viola Marvada pinga e Horóscopo, esta da histórica dupla Alvarenga, Ranchinho e Capitão Furtado, representam a não menos importante linha satírica do universo caipira (e que encontram em Ceumar, Paulo e Lui uma inusitada “tripla” caipira que em nada deve aos mestres). Amor e humor são ambos naturalmente contidos neste universo musical. 

 

Ainda no universo da paulistânia, até o compositor paulista de música comercial Hervê Cordovil – que foi parceiro do nordestino Luiz Gonzaga (Vida de viajante), fez marchinhas cariocas com Noel Rosa e depois faria até o clássico do rock nacional Rua Augusta –  debruçou-se sobre o rico universo do calango afro-mineiro e criou, para Inezita Barroso, o delicioso Oi calango ê, aqui apresentado com arranjo sofisticado, com direito a solo de violoncelo, contracantos de viola e a moringa personalíssima, do convidado Marcos Suzano. 

Também sucesso de Inezita, e também com Suzano desdobrando-se nas percussões, Bolinho de fubá representa outra vertente importante da música caipira, a celebração descritiva da vida no Interior, com suas delícias gastronômicas e a vida calma: “Na varanda uma rede, pra lá, pra cá/E a chuva caindo e o café quentinho com bolinho de fubá”

Quebrando o ambiente propriamente caipira, mas voltando ao universo amplamente sertanejo e sem sair do imenso repertório de coisas do Brasil de Inezita Barroso, o trio recupera o coco de embolada Coco do Mané, do especialista Luiz Vieira. 

Esquadrinhado esse universo das coisas do Brasil de dentro, em termos de gênero, não poderia faltar neste levantamento sentimental um causo. E Pedro Paulo é esse causo, deliciosamente contado com alma de violeiro por Paulo Freire. E ao final do causo, quem emerge da história dos dois irmãos de Salinas? Ele mesmo, Villa-Lobos, e sua cantiga Caicó, como tantas coisas aqui, inspirada nessas tantas cantigas que brotam pelos sertões do Brasil. 

Para fechar o disco, a inspiradora de Viola Perfumosa, Inezita Barroso ganha uma singela homenagem também em forma de causo, Menina Ignêz, com texto da produtora e idealizadora do trabalho, Renata Grecco

Quero ver alguém não chorar ao ouvir a história de Inezita contada ao som da viola que ela tanto amou; uma história da menina que se encantou pelos sons e palavras do seu país e passou a vida enfrentando todos os desafios para ajudar que esse país se conhecesse e se amasse nesses sons e palavras. “Ela queria redescobrir o Brasil”, resume o causo. E o Viola Perfumosa também, na mesma toada e por causa dela. 

Ficha técnica do show

Idealização e Concepção do projeto: Renata Grecco
Direção Musical: Lui Coimbra
Arranjos e roteiro: Ceumar, Lui Coimbra e Paulo Freire
Projeto gráfico: Rafael Grecco e Flávio Loureiro
Engenheiro de Som: Carlos Rocha
Iluminação: Kátia Barreto
Fotografia: Leo Aversa
Assessoria de Imprensa: Debs Comunicação
Produção: Circus Produções e Aquarela Carioca Produção de Arte

Serviço

Viola Perfumosa, com Ceumar, Lui Coimbra e Paulo Freire, uma homenagem a Inezita Barroso
Duração: 90 minutos (aproximadamente)
ingressos: R$ 30 e R$ 15 (meia-entrada)
Classificação indicativa: 12 anos
A apresentação conta com interpretação na Língua Brasileira de Sinais (Libras)
Informações: www.auditorioibirapuera.com.brtelefone 3629-1075 ou info@auditorioibirapuera.com.br
As vendas serão realizadas nos canais da Ingresso Rápido e na bilheteria do Auditório Ibirapuera.

Horários da bilheteria:
Sextas-feiras e sábados, das 13h às 22h.
Domingos, das 13h às 20h.

Ingressos:
Sistema Ingresso Rápido, pelo site www.ingressorapido.com.br e pontos de venda espalhados por todo o Brasil. Telefone: 4003-1212
Formas de Pagamento: American Express, Visa, Master Card, Dinners Club, Aura, Hipercard, Elo, Vale Cultura Sodexo e Vale Cultura Ticket, todos os cartões de débito e dinheiro. Não aceita cheques.
O serviço de reservas pelo site do Auditório está suspenso temporariamente para adequação ao aumento da demanda e melhor atendimento ao usuário.

Meia Entrada:

– Estudantes: apresentar na entrada Carteira de Identidade Estudantil.
– Professores da Rede Estadual, Aposentados e Idosos acima de 60 anos: apresentar RG e comprovante
– Menores de 12 anos, acompanhados pelos pais, têm direito a 50% de desconto do valor da inteira, quando Censura Livre.

Auditório Ibirapuera – Oscar Niemeyer

Desde 2011, o Auditório Ibirapuera é gerido pelo Itaú Cultural, em parceria com a Prefeitura de São Paulo. O Instituto e a Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo renovaram o convênio de gestão, vigente até 31 de dezembro de 2019. O trabalho inclui a gestão da Escola do Auditório, voltada à formação de música para estudantes da rede pública de ensino da capital. Esta parceria público-privada de cultura e formação já impactou mais de um milhão e meio de espectadores.
Capacidade: 806 lugares
Endereço: Avenida Pedro Álvares Cabral, s/n, Portão 2 do Parque Ibirapuera (entrada para carros pelo Portão 3)

Estacionamentos/Transporte:

Estacionamento do Parque Ibirapuera, sistema Zona Azul – R$ 5 por duas horas. Dias úteis das 10 às 20 horas, sábados, domingos e feriados das 8 às 18 horas

Linhas de ônibus:

Linha 5154 – Terminal Santo Amaro/Estação da Luz
Linha 5630 – Terminal Grajaú/Metrô Brás
Linha 675N – Metrô Ana Rosa/Terminal Santo Amaro
Linha 677A – Metrô Ana Rosa/Jardim Ângela
Linha 775C/10 – Jardim Maria Sampaio / Metrô Santa Cruz
Linha 775A/10 – Jardim Adalgiza/Metrô Vila Mariana

O Auditório Ibirapuera não possui estacionamento ou sistema de valet. O estacionamento do Parque Ibirapuera é Zona Azul e tem vagas limitadas. Sugere-se o uso de táxi, Uber ou de transporte público.

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