1083 – CIS Unicamp abre roteiro de exibições em São Paulo de Viola Perpétua, de Mário de Almeida (SP)

Documentário de 72 minutos lança luz sobre as diversas formas de envolvimento com a música de viola, com ênfase nas orquestras que se multiplicam no Interior do estado de São Paulo
Marcelino Lima, com Mário de Almeida e CIS Guanabara

A celebração de valores ligados à cultura caipira por meio de orquestras que têm a viola como forma de expressão musical é o tema do documentário Viola Perpétua, longa metragem do diretor Mário de Almeida, que será exibido em primeira mão na quinta-feira, 19/7, às 19h30, na gare do Centro Cultural de Inclusão Social Guanabara (CIS) da Universidade de Campinas (Unicamp/SP). Com duração de 72 minutos, Viola Perpétua lança luz sobre as diversas formas de envolvimento com a música de viola e sobre as possibilidades e conflitos no que tange a coexistência da cultura caipira no ambiente das orquestras e outros grupos que se utilizam do instrumento. Com depoimentos de pessoas ligadas a essa cultura, o documentário apresenta fragmentos de vida, possibilitando uma aproximação do espectador em um contexto de personagens que refletem sobre as suas próprias raízes. A exibição do filme será seguida de uma conversa entre o público e o diretor, que falará sobre sua primeira experiência em longa metragem. O evento também será marcado pelo lançamento do site que leva o mesmo nome do filme.

Mário de Almeida mergulhou em mais de seis anos de pesquisa em busca de aspectos sobre grupos e pessoas que se expressam por meio da viola no estado de São Paulo. O trabalho foi concentrado em diversas orquestras e seus integrantes, desde os primeiros grupos até os mais atuais, relacionando o surgimento desses conjuntos com as novas formas de expressão do instrumento e da cultura peculiar. “Neste processo, segui no rastro de histórias que tinham as orquestras como ponto de partida ou de personagens que me levaram até seus grupos. Identifiquei contextos singulares, vivências de personagens em suas experiências coletivas. É isso que quero compartilhar por meio desse filme”, afirmou o diretor.

(A primeira orquestra de viola foi fundada em 1969, a segunda em 1979, ambas na região metropolitana de São Paulo, respectivamente nas cidades de Osasco e Guarulhos. Iniciativas como essas só iriam reverberar de maneira significativa na década de 1990 no estado de São Paulo, bem como na região centro-sul e outros estados.)

Mário de Almeida ressaltou que a ideia não é traçar um panorama geral sobre o surgimento de várias orquestras em curto espaço de tempo, lembrando que no período entre 2001 e 2009, segundo o pesquisador da Unicamp, Renato Cardinali Pedro, foram criados 49 grupos no estado de São Paulo.  O documentarista também não quer fazer o espectador entender exatamente esse fenômeno. “Diferentemente disso, a intenção é compartilhar esse processo de imersão nos fragmentos que compõem um universo tão cheio de significado e proporcionar uma viagem pelas riquezas dos saberes populares e da luta por manter viva essa cultura no Brasil.”

Em 2012, o diretor iniciou a pesquisa tendo como recorte principal orquestras de viola e grupos que trabalham atualmente com o instrumento no estado de São Paulo, especialmente no Interior: “Neste projeto, desde o início, a busca foi por encontrar nas memórias e nas histórias das pessoas um sentido para o fenômeno do crescimento da viola. Queria ouvir desde aqueles que não têm muito contato com a cultura caipira até os que nasceram na roça ou têm uma forte ligação com a tradição. Sempre me interessou ir atrás de saber quais os sentimentos que uma cantoria, o som de viola ou mesmo o cheiro do fogão de lenha despertam nessas pessoas. Na literatura, sempre encontramos pistas, mas é na conversa com as pessoas que a gente confirma que a viola é, por excelência, a porta-voz desses sentimentos”.

Mário de Almeida é documentarista e trabalha há quinze anos em projetos audiovisuais e multimídia. Formado em Rádio e Televisão pela Universidade Anhembi Morumbi, atua nas funções de diretor, roteirista, produtor e editor, participando de projetos em diversos segmentos. Além de Viola Perpétua, é diretor e produtor dos curtas-metragens REIS – os violeiros de Palmital (2013) e A mão direita do Itapuã (2017), filmes que são resultado de sua pesquisa sobre a cultura caipira e a música de viola.

O diretor cresceu na periferia de São Paulo, mas em 2017 mudou-se para Bragança Paulista, cidade do pai, onde, ainda na infância, teve seus primeiros contatos com a vida do interior, bem como na cidade vizinha de Pinhalzinho.  “Quando eu era criança, meu pai comprou uma chácara em Pinhalzinho e a gente sempre ia pra lá. Naquela época a cultura caipira ali era bem mais presente e eu pude ter um contato muito rico com os vizinhos, em pescarias, plantando e colhendo, andando à cavalo ou apenas passeando pelo mato. Mas foi ali que eu acompanhei pela primeira vez uma reza cantada para um falecido. Isso foi o que mais me marcou. Essas lembranças ficaram e afloraram mais tarde.”

Para o músico, pesquisador e autor de entrevistas que integram o documentário, Saulo Alves, esses grupos musicais vivem um momento de inovação. “Assim como reconhecemos a representação da imagem de uma dupla caipira para o segmento sertanejo, as orquestras representam um novo modo de se conceber a música de viola, seja pela formação do grupo, dos arranjos vocais e instrumentais ou do repertório. Mais do que cantar clássicos do cancioneiro sertanejo, as orquestras têm inovado com composições diversas que anteriormente permaneciam em campos musicais próprios.”

O filme, com produção de Carolina Scatolino e Mário de Almeida, contou com recursos da Secretaria Estadual da Cultura por meio do edital ProAC, programa de incentivo à cultura do governo paulista. Após essa primeira exibição na Estação Guanabara, o filme percorrerá um longo circuito por cidades do interior de São Paulo.  A apresentação do documentário no CIS-Guanabara tem a coordenação das agentes culturais Maria Aparecida Vaz Bueno e Helenice Vitorino.

O Cis Guanabara está localizado à Rua Mário Siqueira, 829, em frente à Praça Mauá, no Botafogo, com estacionamento no local.


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Ficha técnica Viola Perpétua:

Documentário de longa-metragem, 72 minutos, com direção de Mário de Almeida
Produtora Maravilha Filmes
Pesquisa, direção e montagem Mário de Almeida
Produção Carolina Scatolino e Mário de Almeida
Entrevistas Mário de Almeida e Saulo Alves
Fotografia Domingos Bernardino e Mário de Almeida
Música Domingos de Salvi, Dino Vicente e Fábio Miranda
filmesmaravilha@gmail.com
Facebook / violaperpetua
@viola_perpetua_documentario
97430 7237 l 11 97173 4443

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