1085 – Canção do Amor Distante, de Ana Salvagni e Eduardo Lobo, celebra os sentimentos presentes na saudade

Disco gravado em 2016 rememora canções clássicas de autores como Tom Jobim, Dominguinhos & Anastácia, Paulo César Pinheiro, Adoniran e Elomar
Marcelino Lima

A redação do Barulho d’água Música, caso fosse o estúdio de uma emissora de rádio, só tocaria boa música, pois, diariamente, baixam em nosso boteco, enviados de várias partes do Brasil, álbuns excelentes. O mais recente e que estamos tocando agora é Canção do Amor Distante, que Ana Salvagni e Eduardo Lobo lançaram em 2016. O amor ausente deixa saudade e melancolia e é tema universal e atemporal encontrado em todas as formas de criação artística. A nostalgia, o amor e a tristeza presentes na “saudade” são elementos propulsores para o artista que, por meio de sua criação, pode dar forma e vazão a estes sentimentos que o atormentam, ainda que, muitas vezes, a canção gerada não seja, necessariamente, triste. Na canção popular brasileira o amor distante é cantado desde sempre, vestido de roupagem diversa, tantas vezes com leveza, despojamento, lirismo e refinamento. Além disso, o tema é valorizado pela grande riqueza melódica, rítmica e harmônica das composições, ao longo de todo esse tempo.

Canção do Amor Distante apresenta a união entre o canto e o violão, reunindo algumas das mais belas canções brasileiras, ainda que pouco divulgadas, e importantes autores, como Tom Jobim, Dominguinhos , Carlos Lyra e Sinhô — além de canções estrangeiras, como uma italiana composta sobre a morna cabo-verdiana e um vals venezuelano. Com arranjos e direção musical de Eduardo Lobo, as canções são tratadas de forma apurada, de forma a valorizar a precisão e as sutilezas da voz e do violão.

O álbum tem direção musical de Eduardo Lobo e produção de Ana Salvagni, que convidaram Matteo Ricciadi (clarinete), Chico Santana (percussão), Paulo Freire (viola), Fernanda Vieira (marimba), Carlinhos Antunes (cuatro venezuelano) e Thibault Delor (contrabaixo). O projeto foi viabilizado por meio de uma bem sucedida campanha de financiamento coletivo, com mais de 250 apoiadores, pela plataforma Benfeitoria.

Ana Salvagni é cantora, regente e poeta. Nasceu em Taquaritinga (SP) e vive em Campinas (SP), onde se formou em Regência pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) em 1994, mesmo ano em que começou a cantar, ao lado de José Eduardo Gramani e Patrícia Gatti. Desde 1998 integra o duo com o violeiro Paulo Freire no show Viola e Voz. Com Freire também montou o espetáculo infantil Cantigas, Histórias e Brinquedos de Roda.

Em 2005 Ana Salvagni estreou o show Avarandado (nome de um dos seus discos autorais) com Edmilson Capelupi, Daniel Allain e Marcelo Costa. Foi professora de música na Escola Waldorf Veredas em 2006 e no mesmo ano lançou seu primeiro livro de poesias –“Janela sem Tranca (Editora Komedi), com prefácio de Chico César, músico com quem dividiu o palco em 2007, no Espaço Cultural CPFL, em Campinas. Com o pianista Henrique Eisenmann estreou o espetáculo Sinhô Luiz, com músicas de Sinhô e Luiz Tatit (2009). A cantora realizou, ainda,  turnês do show Alma Cabocla ao lado de Edson Alves, Edmilson Capelupi, Daniel Allain e Bré, pelo programa Circuito Cultural Paulista, da Secretaria Estadual de Cultura (2010) e também em Santa Catarina, ao lado de Silvia Beraldo e Pedro Cury, pelo SESC SC Regional (2011). Foi responsável pelo Curso de Formação em Música para professores de artes da rede municipal de ensino de Campinas (2011).

Em 2012, Ana Salvagni estreou o espetáculo Canção do Amor Distante com o violonista Eduardo Lobo e a clarinetista Maria Beraldo Bastos; lançou o segundo livro de poemas – Fotos do Espelho – em 2013, com texto de apresentação do poeta e linguista Carlos Vogt. Uniu-se ao grupo regional Choro da Mata para a montagem do espetáculo Janelas do Tempo, que estreou em 2015.

Participou de importantes programas musicais da TV Cultura de São Paulo: Ensaio, em 2010, Mosaicos, em 2009, em homenagem a Luiz Vieira, e Sr. Brasil,  em 2007, 2008 e 2017. Em 2016 lançou, com o violonista e arranjador Eduardo Lobo,  Canção do Amor Distante, fruto de um projeto financiado por mais de 200 apoiadores, através da plataforma Benfeitoria. Foi regente de vários corais e também responsável por três temporadas do curso de Coral promovido pelo SESC Campinas. Atualmente dirige o Coral Avis Rara e o Coral Da Quinta, além de ministrar o curso de Canto Coral no projeto Oficinas de Música Caipira, patrocinado via Lei Rouanet e que é desenvolvido em uma escola pública no distrito de Joaquim Egídio, em Campinas. É professora de canto e mantém seus estudos sob orientação de Maurício Martinazzo.

Tem quatro CDs gravados: Ana Salvagni (1999), Avarandado (2005), Alma Cabocla –  a música de Hekel Tavares” (2009) e Canção do Amor Distante (2016).  Alma Cabocla foi eleito Melhor Álbum na categoria Regional do 21º Prêmio de Música Brasileira (2010).

Eduardo Lobo, violonista, guitarrista, arranjador e compositor é Doutorando em música pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e estuda música durante os últimos 19 anos. Iniciou seus estudos em Curitiba no ano de 1997 e logo ingressou no curso de Música Popular da Unicamp, onde se formou em 2003 e obteve o título de Mestre em Música em 2011. Atualmente divide seu tempo entre a produção artística, a pesquisa acadêmica, e a docência. 

Desde o ano de 2004 tem tido participação importante no cenário artístico nacional. Como integrante do grupo Quatro a Zero, foi um dos vencedores do 7º Prêmio VISA de Música Instrumental Brasileira e realizou importantes recitais em Lisboa e Paris (2012) e no 25º Festival de Jazz de Guimarães, Universidade de Aveiro e ESMAE e Amsterdã (Portugal e Holanda, 2016). Em Canção do Amor Distante, o primeiro no qual gravou somente com violão, assinou os arranjos e a produção musical. 

Com o Quatro a Zero lançou Choro Elétrico (2005), Porta Aberta (2008) e Alegria (2010). Durante o ano de 2008, escreveu arranjos e gravou os violões do disco Abrideira (2009) com o grupo Fina Estampa, álbum que foi gravado e coproduzido por Maurício Carrilho. No ano de 2013, gravou composições de sua autoria no disco de música instrumental Ideia de Antes. Em 2016 lançou o disco Viajante em duo com o pianista Rafael dos Santos, interpretando obras de Radamés Gnattali e dos Santos. Durante os anos de 2014 e 2015 realizou a digitalização e revisão dos Concertos Cariocas 1 e 2, de Radamés Gnattali, que foram registrados em disco juntamente com o Concerto Carioca 3, ao lado da Orquestra Sinfônica de Campinas sob regência do maestro Victor Hugo Toro, lançado no ano de 2016.

Desde o ano de 2009 estuda a obra do compositor Radamés Gnattali e com frequência publica artigos nos Congressos da ANNPOM, ABRAPEM e IASPM. Seu atual projeto de pesquisa trata do Concerto Carioca 1 de Radamés Gnattali para violão elétrico e piano, abordando aspectos históricos, musicais e interpretativos. Durante o Mestrado participou, no ano de 2010, do curso Music Analysis Summer School, promovido pela Society for Musical Analysis na Universidade de Durham (Inglaterra).

Atualmente é professor de violão e prática de conjunto no curso de Licenciatura em Música na Faculdade Nazarena do Brasil (FNB). Desde o ano de 2011 tem produzido textos para o Projeto Guri. No ano de 2011 escreveu o artigo Conhecendo o Choro, e nos anos seguintes, desenvolveu, em parceria com pedagogos do projeto o livro Cavaco – Básico 1 em versões para educadores e alunos. Escreveu também arranjos para os grupos de referência de percussão e cordas dedilhadas do Projeto Guri. 

Leia também no Barulho d’água Música:
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