1107 – Conheça Arlindo e Ramon, dupla caipira de Sorocaba (SP), autora do disco Tropeada

Dupla resgata valores do Tropeirismo e canta em homenagem à quarta maior cidade do estado de São Paulo em seu álbum de estreia, de 2016

Da cidade paulista de Sorocaba, surge no Brasil uma nova dupla dedicada à música caipira e suas variantes regionais, já na estrada com Tropeada, álbum gravado em agosto de 2016: Arlindo e Ramon. O duo é composto pelo violeiro, compositor e produtor Arlindo Lima, e pelo cantor, folclorista e também compositor Ramon Vieira, que trabalham juntos desde 2012. Ao longo desta parceria, ambos aprofundaram-se na pesquisa do universo caipira visitando antigos violeiros, fazendeiros, dançarinos, foliões e mestres, consolidando-a com a realização de projetos que envolviam cantorias em bares, teatros, escolas, casas de espetáculo e praças públicas.

Arlindo e Ramon, conforme o texto que os apresenta na página virtual da dupla, gostam de mesclar a música caipira do Interior de São Paulo com a música dos outros sertões brasileiros — que nada mais são do que a soma de suas influências, proporcionando a fusão de toadas, pagodes, lundus, carimbós, cateretês, maracatus, e bois, entre outros ritmos 6.

Hoje considerada referência da música regional do Interior bandeirante, por meio do álbum Tropeada eles propõem uma viagem documental e artística que visita a história tropeira da cidade de Sorocaba e região, identificando, em âmbito nacional, o legado cultural e social do ciclo econômico que ficou conhecido por Tropeirismo7; ambos, nesta pesquisa, chegaram a encontrar alguns atuais tropeiros do norte do Brasil.

Os clipes e as conversas que produziram e recolheram nestas andanças nos levam às raízes do país, ao cerne da nossa cultura e ao Interior de nós mesmos. Diferentes sonoridades do Brasil interior compõem o repertório do disco e dos shows do duo, concebidos para apresentação em atmosfera intimista e para proporcionar o contato mais próximo possível do público.

O repertório ainda resgata, por meio de releituras, clássicos do cancioneiro das regiões interioranas do Brasil como Vaca estrela e boi fubá, de Patativa do Assaré, um ícone do  folclore sertanejo nordestino, e Tristeza e saudade, do Sr.Brasil  Rolando Boldrin, compositor da música caipira da região Sudeste. “O grande ponto em comum é que todas as músicas vêm dos interiores do Brasil, que são a nossa paixão. E acaba sendo também um ponto comum com a viola caipira,  já que ela está presente todos esses lugares”, afirmou Arlindo.

Ramon, como percussionista, excursionou pela Itália para fazer concertos ao lado do renomado pianista sorocabano Fabio Luz e após esta experiência o duo também acrescentou ao repertório O canto de Pajé, de Heitor Villa-Lobos. No início de 2018, a dupla empreendeu turnê pela região Sudeste para  divulga o álbum Tropeada, lançado também no formato DVD com apoio da Lei de Incentivo à Cultura de Sorocaba (Linc). O documentário reúne músicas autorais inéditas e releitura de um clássico de Teddy Vieira e conta com 14 videoclipes entrecortados por depoimentos de personalidades de Sorocaba e região que também desenvolvem pesquisas sobre o tropeirismo e a cultura caipira. De acordo com Arlindo, o DVD tem caráter didático e, por meio de relatos de artistas e historiadores, mostra como a atividade tropeira influenciou outras regiões do Brasil, como o fandango, no Sul, e o lundu, na Amazônia.

Foto: ZAQUEU PROENÇA

Terra rasgada

A cidade cantada por Arlindo e Ramon, Sorocaba (foto acima), foi fundada em 15 de agosto de 1654, portanto, há um mês, completou 364 anos. A conhecida Manchester Paulista, cuja padroeira é Nossa Senhora da Ponte, teve índios da etnia tupiniquins como os primeiros habitantes. Passava por lá, onde hoje seria a cidade, o caminho indígena utilizado também por bandeirantes e missionários que se dirigiam ao Sul e ao Oeste além do Litoral. Afonso Sardinha, seu filho e Clemente Alvares, à procura de ouro no morro Araçoiba encontraram minério de ferro e comunicaram ao Governador Geral a descoberta. O mandatário  esteve em 1599 na região e levantou um pelourinho, símbolo do poder real, na nova Vila de Nossa Senhora de Monte Serrat.

Em 1611, esta Vila teve seu nome alterado para Itavuvu, em um período no qual caçadores de índios percorriam a região para achá-los e escravizá-los. Um deles, o capitão Baltazar Fernandes, ganhou aquelas terras em forma de sesmaria. O primeiro registro de que se tem notícia do nome atual da cidade aparece pela primeira vez em “Fazenda Sorocaba”, citado no testamento de Isabel de Proença, segunda esposa de Baltazar, em 28/11/1654.

Em 21 de abril de 1660, com a doação da capela de Nossa Senhora da Ponte, a atual igreja de Sant’Ana do Mosteiro de São Bento e outros bens como glebas de terras, e mais sua casa no Lageado, Baltazar Fernandes configurou a fundação do povoado. A condição das doações era de que fosse edificado o convento e uma escola para aqueles que desejassem estudar.

Muitos habitantes foram atraídos para a região, ajudando no povoamento que foi batizado Sorocaba, palavra que em tupi-guarani significa “terra rasgada”. Em 1661, Fernandes, por meio de requerimento datado de 2 de março, provando a existência da Região de Trinta Fogos, como era chamada, conseguiu que a fazenda fosse elevada à categoria de Vila. O despacho do governador autorizou, então, a transferência simbólica do Pelourinho, então em Vila do Itavuvu, para o local atual com o nome de Vila de Nossa da Ponte de Sorocaba.

Os primeiros moradores da Vila de Sorocaba eram os bandeirantes, que buscavam ouro e índios e ampliaram as fronteiras. Sorocaba pertenceu à comarca de Itu desde 1811 até a criação da comarca de Sorocaba (pronuncia-se IPA: [so̞ɾo̞ˈkabɐ]) em 30 de março de 1871. Está localizada na Região Metropolitana de Sorocaba, parte da Mesorregião Macro Metropolitana Paulista e da Microrregião de Sorocaba. É a quarta mais populosa do interior de São Paulo (precedida por Campinas, São José dos Campos e Ribeirão Preto) e a mais populosa da região Sul paulista, com uma população de 659 871 habitantes, estimada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) para 1º de julho de 2017 sendo, portanto, uma capital regional, com área territorial de  450,38 km². 

O município está integrado — junto com a Grande São Paulo, a Região Metropolitana de Campinas e a Baixada Santista — ao Complexo Metropolitano Expandido, uma megalópole que ultrapassa os 30 milhões de habitantes (cerca 75% da população paulista) e que é a primeira aglomeração urbana do tipo no hemisfério Sul. A Região Metropolitana de Sorocaba é composta por 26 municípios que somam (aproximadamente) 2,06 milhões de habitantes, sendo a quarta maior do estado, depois da Região Metropolitana de São Paulo, da Região Metropolitana de Campinas e da Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte.

Importante polo industrial paulista, sua  produção industrial chega a mais de 120 países, atingindo Produto Interno Bruto (PIB) acima dos R$ 32 bilhões, o 19º maior do país, à frente de capitais como São Luís, Belém, Vitória, Natal e Florianópolis. As principais bases de sua economia são os setores de indústria, comércio e serviços, com mais 22 mil empresas instaladas, sendo mais de duas mil delas indústrias.

Os irmãos Tonico & Tinoco formaram a dupla caipira mais famosa do país, tocaram juntos por 64 anos e venderam mais discos que Roberto Carlos

O legado das duplas caipiras

Arlindo e Ramon estão  resgatando com a parceria de ambos a “forma básica da música caipira, uma dupla de violas (ou viola e violão) cantando em dueto”, segundo a opinião do jornalista José Hamilton Ribeiro no livro Música Caipira/As 270 maiores modas, escrito por ele para a Realejo Livros — hoje, como perdão do trocadilho, já quase fora de moda.  As duplas da música caipira1  “de antigamente” assumiram desde os primeiros registros fonográficos o papel de protagonistas da tarefa de divulgação e de popularização do gênero no país. Ainda em 1929, Caçula e Marinheiro — que teriam formado a primeira dupla caipira oficial do Brasil — gravaram a moda de viola2 Jorginho do Sertão em um bolachão de 78 rotações por minuto (RPM), coroando o esforço iniciado anos antes pelo jornalista, escritor, folclorista, empresário e ativista cultural Cornélio Pires, que gastava a sola dos sapatos pelo Interior paulista, a partir de sua terra natal, Tietê, apresentando a música caipira ao público e  fazendo gestões junto à indústria fonográfica para que abrisse espaço em seus lançamentos para artistas que, como ele, admiravam as belezas do universo da roça e seus elementos apresentados em cantorias e em rodas.

Cornélio Pires integrava a turma chamada Os Caipiras de Cornélio3, que incluía ninguém menos que Raul Torres, Jararaca e Ratinho, Mandi e Sorocabinha, o palhaço Ferrinho e a dupla Caçula e Mariano (estes, respectivamente, pai e tio do sanfoneiro Caçulinha). Deste mesmo seleto grupo, mais tarde, sairiam para cantar em duo e fazerem relativo sucesso Jararaca e Ratinho, além de Raul Torres — que ao lado de Florêncio, por exemplo, também atuou em duplas, a Raul Torres & Florêncio.

Cornélio Pires, de terno, entre os amigos da turma caipira que incluem Caçula e Marinheiro e Mandi e Sorocabinha, que são apontados como pioneiros das duplas caipiras

Relatos e alguns historiadores indicam que, na verdade, a primeira dupla caipira a se constituir e se apresentar como tal seria Mandi e Sorocabinha, do mesmo time de Cornélio Pires, e formada, assim como Caçula e Marinheiro, em Piracicaba, cidade próxima à Tietê  que é um dos berços e referências da música caipira. Polêmicas à parte, não se pode negar que ambas são contemporâneas e, pioneiras, abriram as porteiras para gente muito boa que veio na esteira ajudar a consolidar uma verdadeira escola de música genuinamente brasileira, que cavou generosos espaços em programas de rádio e de emissoras de televisão, além de um escaninho indissolúvel na história e na cultura nacionais — sem contar o coração de seguidas gerações embaladas por sucessos que se encontram no imaginário popular.

Os discos da dupla “Coração do Brasil” venderam no mínimo 50 milhões de exemplares, mas o total pode chegar a 150 milhões

A despeito, hoje, do quase desaparecimento das duplas caipiras (ou de raiz, outro termo que ajuda a classifica-las e a situa-las melhor no cenário), cujos espaços e contratos vêm sendo predados cada vez mais pelas supostamente congêneres “duplas sertanejas”, Tonico & Tinoco seguem como recordistas de vendas de discos no Brasil –ainda hoje, passados mais de seis anos da morte de Tinoco (José Salvador Perez), irmão de Tonico (João Salvador Perez).

Tonico & Tinoco também figuram na lista dos maiores músicos recordistas de vendas da história mundial. Até o último show de ambos em Juína (MT), em 7 de agosto de 1994 (uma semana antes de Tonico cair de escada na casa onde morava, em São Paulo, e desencarnar) contaram-se 64 anos de trajetória, com quase 1000 gravações, divididas em 83 discos e cerca de 40.000 apresentações. As gravadoras às quais pertenceram lançaram no mercado um total de 60 discos. De acordo com pesquisas do jornalista José Hamilton Ribeiro para o livro Música Caipira/As 270 maiores modas, escrito para a Realejo Livros, a dupla “Coração do Brasil” vendeu ao menos 150 milhões4 de exemplares, batendo em mais de 30 milhões o segundo colocado, o “rei” Roberto Carlos, e somando o dobro alcançado pelo terceiro, Nelson Gonçalves (75 milhões).

Em um país que já teve Belmonte & Amarai, Duo Glacial, Tião Carreiro & Pardinho, Cascatinha & Inhana e Pena Branca & Xavantinho entre outros inúmeros bons exemplos, ainda seguem em atividade carregando o bastão com dignidade e ajudando a evitar o “canto do cisne” da música caipira cantada por duplas poucos artistas, com destaque para As Galvão (Mary Zuil, que adotou o nome artístico “Meire”, e Marilene Galvão), já há sete décadas juntas; Cacique & Pajé (Antônio Borges de Alvarenga, o Cacique, está na dupla desde sua primeira formação com o já falecido Roque Pereira Paiva, cujo posto de Pajé, hoje, é preenchido por Geraldo Aparecido da Silva, depois de ter sido ocupado, ainda, por Índio Cachoeira, recentemente falecido); e a premiada Zé Mulato & Cassiano (José das Dores Fernandes e João Monteiro da Costa Neto, respectivamente), que decolou para a fama ao gravar, em 1978, em seu primeiro disco, um tributo a outra dupla de ouro dos caipiras, Zé Carreiro e Carreirinho.

As Galvão formam dupla caipira há 70 anos

Sobre a diminuição cada vez mais expressiva das duplas caipiras e seu possível desaparecimento no cenário da música brasileira, o compositor, arranjador, pesquisador, violeiro dos mais expressivos entre os brasileiros, professor da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP) Ivan Vilela5   comentou a pedido do Barulho d’água Música que “é fácil perceber a razão: muitas destas duplas surgiram em função da existência de um espaço no mercado fonográfico. À medida em que este espaço vai diminuindo, os focos vão sendo para outros estilos; as duplas hoje são de ‘sertanejo universitário’, que é para onde o mercado está direcionando o fogo das vendagens”. Vilela, entretanto, ponderou em sua análise que “desaparecer elas não vão, nunca, mas vão diminuir, pois é compreensível que artistas, sobretudo os que vivem de música, precisam ganhar dinheiro. Assim, se este espaço não está mais gerando renda, ou eles atiram em outro para sobreviver no mercado fonográfico [partindo para carreiras solo, por exemplo] ou vão ter a música só como hobby”


1 Geralmente, uma dupla se faz com dois cantores com tonalidades de voz diferentes, mas que se complementam em dueto, sendo a 1ª voz (com tom mais agudo, na maioria das vezes, e que segura a voz nos falsetes) e a 2ª voz (com tom mais grave, que faz uma base inversa da primeira, cantando uma oitava abaixo da primeira).
2 A palavra moda é de origem portuguesa:  significa cantomelodia ou música. A moda de viola é uma expressão da música caipira brasileira que se destaca como sendo seu maior exemplo, entre outros ritmos e estilos formados a partir das toadascantigasvirascanas-verdesvalsinhas e modinhas, união de influências europeias, ameríndias e africanas. No Brasil tomou a significação de um tipo de canção rural. Na região Centro-Oeste e Sudeste, as modas de viola são previamente escritas e decoradas. Já no Nordeste, os cantadores cantam de improviso.
3   Jorginho do Sertão é a primeira música caipira gravada no Brasil. Em 1929,  Cornélio Pires, juntamente com  “Os Caipiras de Cornélio” — que incluíam ninguém menos que Raul Torres, Jararaca e Ratinho, Mandi e Sorocabinha, o palhaço Ferrinho e a dupla Caçula e Mariano (estes, respectivamente, pai e tio do sanfoneiro Caçulinha – sim, aquele do Domingão do Faustão), gravaram o primeiro disco de música caipira da história.  Jorginho do Sertão, a primeira moda de viola gravada, faz parte do folclore paulista e foi adaptada por Cornélio Pires, e interpretada por Caçula e Mariano, com gravação em disco de 78 rotações (ou rpm. O formato de 78 rpm determinou também o tamanho padrão das músicas caipiras, que antes eram enormes, e que a partir deste formato teriam apenas de 1 a 4 minutos.
Zé Hamilton Ribeiro e seu livro: fonte das mais ricas sobre a música caipira, seus protagonistas desde os primórdios e variações do gênero mais autenticamente brasileiro
4 Zé Hamilton Ribeiro ressalta que a informação de que Tonico & Tinoco são campeões em vendas de discos tem por fonte a Wikipédia, “cuja credibilidade pode ser sempre constestada”,  conforme pondera o jornalista. Esses números aparecem na Wikipédia e são confirmados por dois outros sites de música, como o  “melhoresmaiores.com.br “. O site www.meteleco.com aponta Roberto Carlos em primeiro, com 120 milhões de discos, e Tonico & Tinoco em segundo, mas alertando que o total das unidades vendidas pela dupla estaria num número difícil de precisar entre 50 e 150 milhões, condição em que poderia muito bem – outra vez – figurar na frente de Roberto Carlos” (in Música Caipira/As 270 maiores moda, página 15).  Zé Hamilton ainda observa à página 18:  “Ranqueados como campeões de vendas no Brasil, com 150 milhões de discos, Tonico e Tinoco ficam — nessas listas da internet — ao lado de astros internacionais como Frank Sinatra, Luciano Pavarotti e Stevie Wonder, os três também com 150 milhões de discos vendidos. Estão um pouco acima de Madonna, abaixo de Paul McCartney e dos Rolling Stones, sempre com base na informação dos sites de música. (Por curiosidade: o topo da lista dos campeões de discos vendidos é ocupado pelos The Beatles, com mais de um bilhão de unidades, embora Michael Jackson também seja referência de vendas acima do bilhão e continue vendendo.)
5 Ivan Vilela é autor do livro Cantando a própria história: Música Caipira e Enraizamento, pela Edusp
6 Também no livro já mencionado, Zé Hamilton Ribeiro recorre à pesquisa da fonoaudióloga, cantora, violeira e pesquisadora cultural Simone Sperança para revelar entre as páginas 277 e 306 que existem nada mais, nada menos, que 22 ritmos diferentes dentro do gênero definido por música caipira, incluindo arrasta-pé, cana verde, querumana, pagode, canção rancheira, valsa, cateretê, cururu e toada.
7 Para saber mais sobre o Tropeirismo visite o linque http://cultura.sorocaba.sp.gov.br/casaraobrigadeirotobias/o-tropeirismo/

Visite a página https://arlindoeramon.com.br/e tenha acesso a vídeos, às plataformas de streaming que reproduzem o disco Tropeada; baixe o DVD e leia, também, contos da dupla

 

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