1124 – Sesc Santo André (SP) programa shows em tributo a Elizeth Cardoso e Catulo Cearense com Zezé Motta e Cláudio Nucci

Edvaldo Santana também foi convidado para apresentação na qual cantará sucessos do seu mais recente disco e da carreira, que já ultrapassa 40 anos, em um show intimista com voz e violão, guitarra e percussão

A unidade Santo André do Sesc de São Paulo programou para este começo de novembro apresentações com nomes marcantes da música popular brasileira. Na sexta-feira, 2, feriado dedicado aos Finados, a entidade receberia a cantora e atriz Zezé Motta para uma homenagem às canções imortalizadas na voz de Elizeth Cardoso, Divina Saudade. Amanhã, sábado, 3, Cláudio Nucci, Rodrigo Maranhão e Mariana Baltar interpretarão músicas do cancioneiro popular em lançamento do disco A Paixão Segundo Catulo, do Selo Sesc. E para o dia 9 o palco estará reservado ao cantor e compositor Edvaldo Santana, que apresentará entre outras músicas do seu oitavo disco, Só Vou Chegar Mais Tarde, com o qual  celebra mais de 40 anos de carreira.

Divina Saudade, com Zezé Motta

Zezé Motta interpreta sucessos imortalizados na voz de Elizeth Cardoso, considerada uma das primeiras-damas da música popular brasileira e pioneira da Bossa Nova, além de ser a primeira cantora popular a interpretar Villa-Lobos e uma das grandes responsáveis por trazer à tona a obra de esquecidos sambistas.

Elizeth iniciou a trajetória na década de 1.920, período considerado com o da “explosão da música popular”, graças às suas ligações familiares à comunidade baiana que tanto contribuiu para a consolidação do samba na cidade do Rio de Janeiro. Começou cantando em um dos principais programas da Rádio Guanabara, o Programa Suburbano, ao lado de nomes como Noel Rosa, Vicente Celestino, Araci de Almeida e Marília Batista. Seu modo de cantar agradou tanto Noel que o “Poeta da Vila”  tirou seu violão da caixa e ensinou-a cantar o samba Quem Ri Melhor.

Elizeth Cardoso, considerada uma das primeiras-damas da música brasileira e pioneira da Bossa Nova, com 20 anos já fazia sucesso

O que mais impressionava na jovem cantora era seu potencial. Ela interpretava as músicas do repertório de Vicente Celestino no mesmo tom do cantor. “A Divina”, como Elizeth ficou conhecida,  cantou em várias partes do mundo – a lista inclui, por exemplo, Costa Rica, Guatemala, Estados Unidos, Bolívia, Japão. Em cada lugar que passava, emocionava plateias. Elizeth partiu em 7 maio de 1990, vítima de um câncer no estômago. O corpo, velado no Teatro João Caetano, foi coberto pelas bandeiras do Cordão Bola Preta, da Escola de Samba Portela e do Flamengo.

Em Divina Saudade Zezé Motta – nome artístico que foi dado por sua comadre Marília Pera – interpreta canções que ficaram marcadas pela voz de Elizeth com toda a originalidade e voz poderosa de uma das maiores intérpretes do país. O show acolhe a plateia com repertório recheado de samba, bossa nova e composições gravadas nos anos dourados do rádio.

Zezé Motta nasceu no Campo dos Goytacazes, no Rio de Janeiro, em 1944. Após estudar teatro no Tablado, curso de Maria Claro Machado, começou sua carreira como atriz em 1967, atuando em peças como Roda-Viva, Fígaro-fígaro, Arena conta Zumbi, entre outras, além de atuar no filme Xica da Silva, de Cacá Diegues.  Iniciou sua carreira de cantora em 1971 em casas noturnas como Balacobaco e Telecoteco. Ainda na década de 1970, fez show no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro responsável por impulsionar sua carreira.

O primeiro disco veio em 1978, Zezé Motta, seguido por Negritude, Dengo, Frágil Força, Chave dos Segredos, Quarteto Negro. Entre seus maiores sucessos estão as interpretações de Dores de Amores, Magrelinha (ambas de Luiz Melodia), Trocando em Miúdos (Chico Buarque/ Francis Hime), Prazer Zezé (Rita Lee/ Roberto de Carvalho), entre outras. Zezé Motta é cantora, atriz, mãe de seis filhos, ativista. Tem 50 anos de carreira, e possui no currículo 14 discos, 35 novelas e mais de 40 filmes.

Catulo em três vozes

Nesse show de lançamento do disco A Paixão Segundo Catulo, Claudio Nucci, Rodrigo Maranhão e Mariana Baltar entoam pérolas do nosso cancioneiro popular como Luar do Sertão, Flor Amorosa, Ontem ao Luar, Por um Beijo, Rasga o Coração, Talento e Formosura, entre outras canções, arranjadas pelo flautista e saxofonista Mário Sève, idealizador e produtor do álbum.

Catulo da Paixão Cearense, natural do Maranhão, legou sucessos que fazem parte da memória afetiva do país, como “Luar do sertão”, dele e de João Pernambuco

Para lembrar o poeta Catulo da Paixão Cearense, “o mais famoso letrista brasileiro no início do século XX”, o Selo Sesc SP lança em 2018 o já aclamado A Paixão Segundo Catulo, com participação de um notável elenco. Leila Pinheiro, Joyce Moreno, Claudio Nucci, Rodrigo Maranhão, Mariana Baltar, Alfredo Del-Penho, Carol Saboya e Lui Coimbra entoam pérolas do nosso cancioneiro popular. Para o show no Sesc Santo André, sobem ao palco Claudio Nucci, Rodrigo Maranhão e Mariana Baltar para interpretar canções presentes no disco.

Dia 3/11, sábado, às 20h.

Ingressos nos valores de R$ 20,00 (inteira), R$ 10,00 (meia-entrada) e R$ 6,00 (trabalhadores do comércio de bens, serviços e turismo e seus dependentes com Credencial Plena). Disponíveis online no Portal Sesc SP ou nas Bilheterias da Rede Sesc.

Edvaldo Santana já canta há 40 anos e nunca deu mole às concessões para gravar ou fazer suas apresentações (Foto: Marcelino Lima/Acervo Barulho d’água Música)

Jazz e blues rimam com samba na “quebrada”

O artista paulistano Edvaldo Santana, que conta com mais de 40 anos de estrada, apresentará em Santo André  Só Vou Chegar Mais Tarde em um show intimista próximo ao público com voz e violão, guitarra e percussão.

Especialista em misturar blues e rock com ritmos brasileiros, Edvaldo Santana é responsável pela produção de seu novo álbum, o oitavo, com Luiz Waack, seu parceiro de longa data e que também o acompanha na apresentação, junto dos músicos Ricardo Garcia, na percussão, e Reinaldo Chulapa, no baixo, além das participações especiais de Rita Benneditto e Alzira E.

O show traduz a capacidade de Edvaldo de reunir em suas canções uma diversidade de estilos como blues, samba, rock, salsa e reggae, temperados com banjo e gaita, sempre preservando sua sonoridade característica. No disco, as peculiaridades do artista paulistano como fusões de ritmos, gêneros e sotaques estão mais acentuadas. Ora remetem ao jazz e ao blues do começo do século passado, ao samba bossa dos anos 1950, ora aos charmes latinos do bolero e do reggae incorporado numa atitude rock’n roll do final dos anos 1960.

As letras trafegam pelo cotidiano urbano, pelos conflitos sociais, pela diversidade dos nossos costumes e sentimentos. Temas sociais são evidenciados em canções como Domínio e O Retorno do Cangaço, faixa mais experimental do álbum. Jazz e blues aparecem em músicas como Fazendo pra Aprender e Arte Depura, realçados por instrumentações diferentes, enquanto uma é conduzida por piano, baixo e trompete a outra é levada pelo suingue das congas, harmonizadas por banjo, cavaquinho e gaita.

A latinidade e o samba estão sempre presentes na obra de Edvaldo Santana  na faixa Ando Livre, bolero conduzido por violão e sanfona, e conta com a participação especial da cantora Rita Benneditto, que canta o Brasil do cerrado à caatinga. Dom homenageia Sócrates, ídolo de ideias libertárias no futebol, e Gelo no Joelho, composta em parceria com Luiz Waack, é uma crônica bem humorada sobre a atividade futebolística, com arranjo de metais como nas orquestras de gafieira.

Edvaldo Santana nasceu em 17 de agosto de 1955, em São Paulo. Iniciou sua carreira na década de 1970, com sua peculiar mistura de blues com música urbana. Gravou seu primeiro disco em 1975, ao lado dos amigos Fernando Teles, Luciano Bongo e Zé Bores, na banda que ficou conhecida como Matéria Prima, responsável pelo sucesso Maria Gasolina. Nos anos 1980, Edvaldo Santana integrou o Movimento Popular de Arte, e gravou um disco coletânea lançado em 1985. Ao longo de sua carreira, firmou parcerias com Tom Zé, Paulo Leminski, Haroldo de Campos e Arnaldo Antunes, e em seu novo trabalho, Edvaldo Santana se mostra um veterano trovador dos palcos brasileiros, soando mais sereno, mais musical e brasileiro do que nunca.

Dia 9/11, sexta-feira, às 21h.

Ingressos nos valores de R$ 20,00 (inteira), R$ 10,00 (meia-entrada) e R$ 6,00 (trabalhadores do comércio de bens, serviços e turismo e seus dependentes com Credencial Plena). Disponíveis online no Portal Sesc SP ou nas Bilheterias da Rede Sesc.

Serviço:

O Sesc Santo André fica na rua Tamarutaca, 302, Vila Guiomar, e disponibiliza para contato o telefone (11) 4469-1200

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