1141 – Antonio Guerra e Silvério Pontes formam duo piano/trompete e lançam “Coração Brasileiro”

Álbum gravado pela Kuarup inaugura um novo caminho na trajetória do trompetista fluminense que se consagrou ao lado do trombonista Zé da Velha

A gravadora Kuarup, à qual agradecemos na pessoa de Rodolfo Zanke, enriqueceu o acervo do Barulho d’água Música com um exemplar do álbum Coração Brasileiro, recentemente gravado por Silvério Pontes, trompetista, e Antonio Guerra (Rio de Janeiro/RJ) ao piano; considero o disco como um presente do meu aniversário de 55 anos, neste dia 26/12, e estou curtindo de monte! Silvério Pontes  (Laje do Muriaé/RJ) já emplacou pelo menos 30 anos tocando ao lado do trombonista sergipano de Aracaju Zé da Velha e com este novo trabalho inaugura outra história musical, concretizando um sonho antigo de formar um duo neste formato, que proporcionou uma mistura harmoniosa de sensibilidade, com humor e alegria contagiantes que resumem uma brasilidade refinada!

Continue Lendo “1141 – Antonio Guerra e Silvério Pontes formam duo piano/trompete e lançam “Coração Brasileiro””

Anúncios

1140 – Nelson da Rabeca e esposa, com Thomas Rohrer, lançam álbum “áspero”, mas que encanta pelo tom festivo*

Vozes e instrumentos lembram o carro de boi, os gritos roucos do dia de trabalho, o atrito entre madeiras, metais e rochas e revelam  o modo como esses sons são articulados e dão a eles um tom de celebração
* Com Tiago Mesquita, do Selo Sesc

A audição matinal do sábado, 29/12, aqui no cafofo/redação do Barulho d’água Música, na Estância Turística de São Roque, Interior paulista, começou com Tradição Improvisada, álbum do Selo Sesc lançado em junho que destaca o inédito e feliz encontro entre Thomas Rohrer, Seu Nelson da Rabeca e  Benedita dos Santos. O disco reúne 23 faixas que revelam a união dos músicos em torno das rabecas produzidas por Nelson dos Santos. O instrumento, de timbre tão peculiar, permitiu que as sensibilidades musicais dos músicos de Alagoas e da Suíça se entendessem como Pelé e Coutinho.

A música chegou tarde para Nelson da Rabeca, nascido Nelson dos Santos  em março de 1929 na cidade alagoana de Joaquim Gomes. Embora possua memória extensa do repertório da música popular executada naquele estado, o instrumentista, compositor e luthier voltou-se para as artes só depois de décadas de trabalho penoso no corte de cana. Impressionado com o som de um violino que ouvia pela televisão, decidiu reproduzir um instrumento de cordas, a ser tocado com arco. E assim descobriu como fabricar, afinar e tocar a rabeca por conta própria.

Embora análogo, o instrumento de Nelson não soa uniforme como os das cordas da orquestra, pois tem um zumbido metálico. O rabequeiro deixa ranger as cordas e, acorde após acorde, faz com que o som, rouco, emule harmonias que nos remetem às cantigas medievais, às cirandas e aos xotes dos cantores de rádio. O timbre é arranhado, mas o toque é festivo. Com mais de 50 anos de idade, o artista descobriu uma maneira de viver mais intensamente pela música. Faz tempo que ele é jovem desse jeito.

Antes de se dedicar a fabricar e a tocar rabecas, Nelson dos Santos trabalhou penosamente no corte de cana, no Interior alagoano: Foto: Flavio Vogtmannsberger

Esse som original, incontrolável, temperado de maneiras não convencionais, fez com que Thomas Rohrer se iniciasse na rabeca. Quando chegou ao Brasil, o músico suíço originário da Basileia não tocava mais o violino que aprendera na infância: tornara-se saxofonista de recursos infinitos. Dedicado à produção de música nova, Rohrer fez da improvisação livre seu método principal. Para ele, o improviso é um modo de evitar os cacoetes harmônicos tradicionais e de buscar maior diálogo com outros procedimentos criativos. A sua música parece mais espontânea, aberta a novos sons, novas formas de tocar.

Rohrer conheceu a rabeca no fim da década dos anos de 1990, por meio de Zé Gomes, um dos músicos mais importantes do Brasil. O instrumento pôs Rohrer em contato com timbres inusitados e um repertório rítmico saído do sertão nordestino. O som que mais chamou a atenção foi o da rabeca de Seu Nelson. Quando pôde, adquiriu um instrumento e se aproximou do rabequeiro de Marechal Deodoro (AL). Ali nasceu a colaboração musical que resultou em Tradição Improvisada. Infelizmente Zé Gomes, outro interlocutor dos dois músicos, não sobreviveu para participar do projeto.

Nesse disco do selo Sesc, Nelson da Rabeca, Benedita dos Santos, Thomas Rohrer e Panda Gianfratti trabalham com sons ásperos. A voz e os instrumentos lembram o carro de boi, os gritos roucos do dia de trabalho, o atrito entre madeiras, metais e rochas. No entanto, o modo como esses sons são articulados dão a eles um tom de celebração, de alegria incontida, como se com aquele pouco a vida pudesse se tornar uma festa interminável. Em uma das faixas do disco, a partir de rangidos desencontrados, os músicos encontram uma progressão de acordes que nos lembra um trechinho de Cintura fina, de Luiz Gonzaga. Sons rudes vão estabelecendo contatos gentis, festivos, como se um convidasse outro a abrir a carranca e aproveitar a vida.

Aliás, são as letras de Benedita dos Santos que melhor expressam esse esforço para encontrar uma canção que faça sentido para a vida de todos. Suas palavras musicadas são fundamentais no disco. Elas falam de amores que não pedem nada em troca, do encontro com maravilhas naturais e sobrenaturais e da felicidade que a música trouxe a ela e a NelsonAs músicas também são sobre encontros, amor e amizade. Um desses encontros é o da cultura popular com a improvisação livre: duas formas de resistir à homogeneização da música pela indústria cultural. Aqui, essas formas de arte dançam juntas no baile infinito de Nelson da Rabeca e Thomas Rohrer.

A Revista Bravo! deste mês elegeu o disco Tradição Improvisada entre os melhores do ano.


*Tiago Mesquita é o autor do texto desta atualização

Leia também no Barulho d’água Música:

1012- Título de melhor rabequeiro do Brasil é pouco para reconhecer a contribuição de Zé Gomes (RS) à música do país
853 – Katya Teixeira (SP) recebe amigos e fãs em teatro lotado e lança Cantariar comemorando 21 anos de trajetória
Músico que quando menino tocou para Lampião, Sebastião Biano (AL) lança em Sampa álbum com banda de pífanos Terno Esquenta Muié

1139- Aos 81 anos, Miúcha (RJ) é mais uma estrela que se apaga em 2018

Cantora e intérprete carioca, irmã do compositor  Chico Buarque, estreou em disco em 1975 e ao longo de 40 anos gravou e se apresentou ao lado de expoentes como Vinícius de Moraes, Toquinho, Tom Jobim e João Gilberto

Em seu apagar de luzes, 2018 está levando consigo mais uma voz das mais queridas e aclamadas do país e com centenas de admiradores fora dele: a cantora e compositora Heloísa Maria Buarque de Hollanda, popularmente conhecida como Miúcha, uma das estrelas da Bossa Nova, sepultada na tarde de dia 28/12 no Cemitério São João Batista, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), onde morreu na véspera, aos 81 anos completados no final de novembro, devido a problemas respiratórios decorrentes de um câncer pulmonar. Miúcha era irmã de Chico Buarque e das cantoras Ana de Hollanda e Cristina Buarque e  foi a primeira esposa do cantor e compositor João Gilberto. Filha do historiador Sérgio Buarque de Holanda e da pintora e pianista Maria Amélia Cesário Alvim.

Continue Lendo “1139- Aos 81 anos, Miúcha (RJ) é mais uma estrela que se apaga em 2018”

1138 – Revolver, segundo álbum de Walter Franco, é tema de mais um “Clássico do Mês”

Segundo disco da carreira do paulistano já passou pela casa dos 40 anos de história e ainda hoje ninguém que o ouve pela primeira vez fica indiferente aos arranjos e às letras que consagraram as 14 faixas, todas autorais

O Barulho d’água Música, passado mais um Natal, está chegando a edição 12 da série Clássico do Mês, que pinça um álbum que bombou na história da música brasileira e ficou na memória de muitas gerações. Haja paciência e método para  destacar os títulos que merecem estar neste espaço, pois qualidade é o que não falta neste nicho, o que nem sempre torna a decisão fácil. O escolhido para a atualização deste mês de dezembro é Revolver, verbo revolver, segundo disco do paulistano Walter Franco, lançado em 1976 e que causou tanto buxixo e estranhamento que até hoje há quem reaja perplexo ao ouvi-lo — como minha parceira Andreia Beillo, que é descolada e cabeça aberta, mas entre outros adjetivos para as faixas que rolavam enquanto redigia este texto tascou “confuso”, “desarmônico”, “perturbador”, “não dá para ouvir a seco, só com um estímulo psicodélico…” Disse para ela: “Mandei bem, então!  42 anos depois, o Walter Franco deverá ficar contente de saber que Revolver ainda provoca as mesmas reações da época do lançamento e ninguém fica indiferente ao ouvi-lo”.

Continue Lendo “1138 – Revolver, segundo álbum de Walter Franco, é tema de mais um “Clássico do Mês””

1137 – Marcelo Quintanilha (SP) lança Caju, álbum em homenagem a Cazuza

Cantor e compositor paulistano faz releitura em 12 faixas da obra do consagrado carioca que marcou a MPB com composições de amor e protesto e se tornou referência após sua precoce morte de de luta contra a AIDS

“O sabor mais acentuado de Caju reside nos arranjos de Quintanilha e do maestro Rodrigo Petreca, para tentar renovar um cancioneiro já formatado pelas gravações originais” Mauro Ferreira (G1/Globo)

“Uma homenagem à irreverência e atualidade das canções de Cazuza” — Revista Continente (Recife/PE)

“Quintanilha se distanciou das versões originais, criando novas possibilidades” — Revista Sucesso!

A tradicional audição dos sábados pela manhã aqui no cafofo/redação do Barulho d’água Música hoje, 22/12, relembrou um dos mais aclamados cantores das últimas gerações, o carioca Cazuza, pela voz do cantor e compositor paulistano Marcelo Quintanilha. O disco que rolou na vitrolinha, Caju, foi recentemente gravado e chegou até nós como mais uma colaboração dos amigos Beto Previero e Moisés Santana, da Tambores Comunicações, aos quais mais uma vez somos gratos. “Atual” é o adjetivo que Quintanilha utilizou para definir o trabalho de Cazuza (1958/1990), que partiu bem antes do combinado e em 2018  completaria  60 anos. Caju era o jeito que o poeta era chamado pelos amigos mais chegados.

Continue Lendo “1137 – Marcelo Quintanilha (SP) lança Caju, álbum em homenagem a Cazuza”

1136 – Claudette Soares e Alaíde Costa rememoram 60 anos de Bossa Nova em álbum imperdível da Kuarup

Antologia produzida por Thiago Marques Luiz reúne 25 músicas, revisitadas em 18 faixas emblemáticas, do movimento até hoje é respeitado no mundo inteiro

Está rolando hoje aqui no cafofo do Barulho d’água Música na aprazível, mas abafada São Roque (SP), em mais uma audição matinal de sábado, o extraordinário e gostoso álbum 60 Anos de Bossa Nova, gravado em março no luxuoso Teatro Itália, em São Paulo, pelas divas Claudette Soares e Alaíde Costa. Mais uma joia do catálogo da gravadora Kuarup, o exemplar do álbum que está na vitrolinha nos foi cedido, gentilmente, pelos amigos Beto e Moisés, da Tambores Comunicações, aos quais mais uma vez somos gratos; estendemos nossa gratidão também a Rodolfo Zanke, que à frente da gravadora vem promovendo lançamentos e resgates que passam longe dos mais comuns que infestam o mercadão e com os quais certos programadores e agentes adoram torturar nossos ouvidos.  Então fica a dica: para quem ainda não conhece 60 Anos de Bossa Nova, corra atrás, aproveite a época de festas, peça ao ou presentei o amigo oculto com esta maravilha que pode ser curtida pelo linque abaixo.

Continue Lendo “1136 – Claudette Soares e Alaíde Costa rememoram 60 anos de Bossa Nova em álbum imperdível da Kuarup”

1135 – Tânia Grinberg e Fabio Madureira lançam “Gota Onde Nada o Peixe”, no Teatro da Rotina (SP)

Álbum de 11 faixas convida o público a um mergulho no que passa batido no dia-a-dia  por causa da zoada, do corre-corre e relações mecânicas e propõe escutar para ver sentido, sentir para entender e vivenciar para aprender

O Barulho d’água Música recebeu mais uma valiosa contribuição para o acervo do blogue gentilmente nos enviada pelos colegas da Tambores Comunicação, aos quais agradecemos: o disco Gota Onde Nada o Peixe, que traz composições da dupla Tânia Grinberg (voz) e Fabio Madureira (voz e violão), com lançamento previsto para sábado, 15/12, no Teatro da Rotina, que fica na emblemática Rua Augusta, um dos mais badalados endereços paulistanos (veja a guia Serviços).

Continue Lendo “1135 – Tânia Grinberg e Fabio Madureira lançam “Gota Onde Nada o Peixe”, no Teatro da Rotina (SP)”

1134 – Luiz Ayrão comemora 50 anos de carreira com apresentação no Sesc Belenzinho (SP)*

Autor de consagrados sucessos que embalam várias gerações como Lencinho, Porta Aberta e Bola Dividida tem músicas gravadas por ícones da música como Roberto Carlos,  Bethânia, Diogo Nogueira e Nana Caymmi
*Com Eliane Verbena, Verbena Comunicações

O sambista carioca autor de clássicos da música brasileira Luiz Ayrão comemorará 50 anos de carreira protagonizando o Show de Sucessos nesta sexta-feira, 14 de dezembro, na unidade Belenzinho do Sesc da cidade de São Paulo.  A apresentação integra o projeto Salve Samba! e está programada para a Comedoria da Unidade, a partir das 21 horas. Aos 76 anos, Ayrão é um dos artistas mais importantes de sua geração: intérprete e autor de sambas memoráveis e clássicos românticos – gravados por Roberto Carlos, Maria Bethânia, Vanessa da Matta, Zeca Baleiro, Diogo Nogueira e Nana Caymmi -, o nome dele está ligado à história musical brasileira desde a década dos anos 1960.

Continue Lendo “1134 – Luiz Ayrão comemora 50 anos de carreira com apresentação no Sesc Belenzinho (SP)*”

1132 – Chico Maranhão (MA): símbolo musical da década de 1960 lança CD duplo

Autor do frevo Gabriela, destaque em um dos festivais da TV Record,  apresenta Contradições, álbum de canções inéditas e autorais, pela Kuarup

A tradicional audição matutina dos sábados aqui na redação do Barulho d’água Música excepcionalmente a fizemos no domingo, 2, colocando para rodar na vitrolinha Contradições, álbum duplo do maranhense Chico Maranhão, gentilmente cedido ao blogue pela gravadora Kuarup, a quem, em nome do amigo Rodolfo Zanke, agradecemos. Compositor, violonista, tocador de tambor de crioula, escritor e arquiteto nascido em São Luís, Chico Maranhão (Francisco Fuzzetti de Viveiros Filho) emplacou a canção Gabriela no festival de 1967, defendida pelo grupo MPB-4, e agora está estreando na Kuarup com o projeto que resgata canções inéditas compostas nos últimos anos, reunindo 22 faixas gravadas na cidade natal, pela Sonora Estúdio. Os arranjos, produção e direção musical foram comandados pelo violonista Luiz Júnior. Na capa do disco destaca-se a arte que desmembra a palavra contradições recriando outros significados em um jogo de letras com a criação gráfica e artística do pintor e desenhista Cláudio Tozzi.

Continue Lendo “1132 – Chico Maranhão (MA): símbolo musical da década de 1960 lança CD duplo”