1188 – Grupo João Rubinato dedica-se à pesquisa da obra e músicas menos conhecidas de Adoniran Barbosa (SP)

A unidade Santo André do Sesc de São Paulo terá entre suas atrações apresentará na sexta-feira, 17 de maio, a partir das 21 horas, uma apresentação do Conjunto João Rubinato. Em 14 de abril, o programa Sr. Brasil, apresentado por Rolando Boldrin na TV Cultura, exibiu entre a gravação da passagem pelo palco da unidade Pompeia o grupo fundado em 2 de dezembro de 2009 com o objetivo pesquisar, recolher e difundir a obra menos conhecida de Adoniran Barbosa (nome artístico de João Rubinato). A pesquisa abrange a obra musical, a trajetória como ator de rádio, cinema e televisão, e aspectos da vida pessoal do autor de Trem das Onze, entre outras composições das mais admiradas há gerações. Para quem perdeu, o linque da apresentação está disponível na internet e pode ser acessado pelo endereço eletrônico https://www.youtube.com/watch?v=DK6XAaHNivE

O Grupo João Rubinato também realiza encontros com pesquisadores, parceiros, colegas e familiares de Adoniran, como meio de potencializar a memória viva de João Rubinato. Em 2017, após intenso trabalho de pesquisa, o conjunto lançou o disco-livro Adoniran em Partitura: 12 canções inéditas, álbum de estreia premiado pelo edital ProAC 2016 – Gravação de Álbum Inédito de Canção.

Compostas entre 1935 e 1970, as músicas vêm acompanhadas de suas raríssimas partituras originais e de um texto exclusivo sobre o início da carreira do artista. Ao longo de sua trajetória, o grupo se apresentou em diversos espaços como SESC, Theatro Municipal de São Paulo, Itaú Cultural, Casa de Francisca, Teatro Porto Seguro e dividiu o palco com artistas renomados tais quais Baby do Brasil, Luiza Possi, Tiago Abravanel, Paulo Miklos, Eduardo Gudin, Carlinhos Vergueiro, Osvaldinho da Cuíca, entre outros.

Em 2017, o conjunto participou do documentário biográfico Meu Nome é João Rubinato, de Pedro Serrano, e em 2013 foi citado na segunda edição do livro Adoniran – dá licença de contar, do pesquisador Ayrton Mugnaini Júnior.

Os integrantes do Conjunto João Rubinato são

Maiara Moraes

Flautista e compositora, formou-se em flauta popular pelo Conservatório de Tatuí e pela Emesp, além de estudar na Escola Municipal de São Paulo. Graduou-se em licenciatura pela Udesc e no mestrado em música pela Unicamp, onde realizou pesquisa sobre o flautista Copinha. Em 2018 lançou seu primeiro disco solo, chamado Nós. Dedica-se ao estudo da música popular latino-americana, especialmente a brasileira, com foco na interpretação e improvisação.

Gregory Andreas

Cavaquinista, cantor, compositor e arranjador, já acompanhou artistas como Germano Mathias, Jair Rodrigues, Alcione, Riachão, Osvaldinho da Cuíca, Edil Pacheco, Wilson Moreira, entre outros. Foi idealizador e arranjador do projeto Deixa Ismael Falar, no centenário de Ismael Silva. É fundador do Trio Gato com Fome (CDs Trio Gato com Fome e Em Busca dos Sambas de Raul Torres) e integra o grupo Bambas de Sampa (CD Todo Mundo Tem Que Falar).

Verônica Borges

Percussionista e socióloga, desde 2006, é ritmista de escolas de samba e blocos de carnaval de rua. É regente do Bloco Pagu e atua como surdista também no Conjunto Picafumo, ao lado do sambista da velha guarda Toinho Melodia. Já tocou ao lado de mestres como Seu Carlão do Peruche e Osvaldinho da Cuíca. É integrante do Coralusp, sob regência de Tiago Pinheiro. Ministra oficinas de percussão e dedica-se ao debate sobre a atuação das mulheres na música.

Cadu Ribeiro

Percussionista, cantor e compositor, já tocou ao lado de artistas como Riachão, Jair Rodrigues, Germano Mathias, Alcione, Wilson Moreira, Osvaldinho da Cuíca, entre outros.

Integra os grupos Trio Gato com Fome e Bambas de Sampa. Participou de gravações em discos de nomes como Osvaldinho da Cuíca, João Macacão e Douglas Germano. Além disso, de 2005 a 2008 produziu o programa Sr. rasil, apresentado por Rolando Boldrin, na TV Cultura.

Soraia Ioti

Cantora, compositora e antropóloga, iniciou as atividades no samba como pesquisadora, defendendo mestrado na Unicamp em 2004 sobre a velha guarda do samba paulistano. Participou de diversos álbuns, entre os quais Osvaldinho da Cuíca 70 anos, SP em Retalhos e Nossa Chama canta Osvaldinho da Cuíca. É compositora da Comunidade Samba da Vela, cantora e porta-estandarte do Cordão Carnavalesco Ziriguidum e solista do Grupo Musical Teses de Canto Lírico.

Ivan Banho

Percussionista e produtor musical, já acompanhou artistas como Altamiro Carrilho, Toninho Carrasqueira, Dona Inah e Luizinho 7 Cordas, entre outros. Com Licenciatura em Música pela Faculdade Paulista de Artes, integrou o projeto Pixinguinha na Pauta (Maestro Branco) e o VII Festival Sonamos Latinoamérica (Argentina) com o grupo Bora Barão. Participou de diversos discos como produtor e percussionista e é diretor musical do álbum Vitoru Kinjo (2017).

Laura Santos

Clarinetista popular e erudita, formou-se na Escola Brasileira do Auditório Ibirapuera em 2017 e atualmente cursa Bacharelado em Clarinete na Unesp. Atua em diversos grupos e formações, como Samba da Sardinha, Bloco do Fuá, Banda Sinfônica Jovem do Estado de São Paulo, Orquestra Tom Jobim (Jazzinha), e acompanha artistas como Aloysio Letra, Toinho Melodia, Lão Gomes (Velha Guarda da Nenê de Vila Matilde) e Paulo Aliende.

Cadu Barros

Violonista de 7 cordas, formou-se no Conservatório de Tatuí em 2017. Participou de diversas gravações, shows e master classes no Brasil e na Europa. Em 2014 e 2017 se apresentou no Festival Chorando Sem Parar, realizado em São Carlos. Em 2015, foi convidado a se apresentar no Festival Internacional da África e do Universo Afro – AfroCaña, realizado em Barcelona, Espanha. Hoje cursa licenciatura em música na Faculdade Integral Cantareira.

Tomás BAstian

Pesquisador, músico e professor de filosofia, é idealizador e diretor do Conjunto João Rubinato e de seu principal projeto: o disco-livro Adoniran em Partitura: 12 canções inéditas (ProAC 2016). Também concebeu e coordenou os projetos Versaria.sp: encontro de comunidades e improviso poético nos batuques paulistas (ProAC 2010) e A Ingoma Paulista: samba de bumbo, jongo e batuque de umbigada (ProAC 2009). Doutor em filosofia pela USP, atua como professor universitário desde 2003.

O Conjunto João Rubinato vai se apresentar no Sesc Santo André em 17 de maio (Foto: Merylin Esposi)

DISCO-LIVRO

Fruto de um cuidadoso trabalho de pesquisa, o disco-livro Adoniran em Partitura, álbum de estreia do Conjunto João Rubinato, traz a público 12 canções inéditas do mestre do samba paulista. Compostas entre 1935 e 1970, as músicas vêm acompanhadas de suas raríssimas partituras originais e um texto exclusivo sobre o início da carreira do artista, ilustrado com fotos e reportagens da época.

Participações especiais

O álbum conta com a participação especial de artistas que trabalharam e conviveram com Adoniran, como Eduardo Gudin, Carlinhos Vergueiro, Osvaldinho da Cuíca e a cantora do rádio Esterzinha de Souza, além do sambista Toinho Melodia e a cantora Regina Cordovil. “Foi uma honra ter participado do projeto do Conjunto João Rubinato, com inéditas do meu parceiro e amigo Adoniran Barbosa. Trabalho sério de pesquisa e musicalmente de muito bom gosto”, aponta o músico Carlinhos Vergueiro.

Adoniran e Carlinhos Vergueiro, início dos anos 1980

DOCUMENTO HISTÓRICO
Além das gravações, o disco-livro traz os fac-símiles das partituras originais, apresentando-se como um verdadeiro documento histórico da música brasileira, já que preenche uma lacuna significativa da obra do maior ícone do samba paulista. Para Sergio Rubinato, sobrinho de Adoniran, este trabalho “supera em muito as inúmeras tentativas de garimpo da obra deste compositor”.

O músico Eduardo Gudin, amigo e parceiro de Adoniran, ressalta a qualidade do “magnífico projeto do Conjunto João Rubinato, um trabalho seríssimo, com farta documentação e pesquisa, que começa na década de 1930 e revela como Adoniran foi criando essa linguagem tão pessoal, eu diria chapliniana”. E faz questão de diferenciar este projeto de outras iniciativas semelhantes, que geralmente supervalorizam suas “descobertas” e mesmo sem a devida comprovação “já vão logo gravando e tornando público o material, como verdade”.

Eduardo Gudin e Adoniran na produtora Realejo, 1981

faixa-relíquia

Há somente uma canção deste disco-livro que não foi registrada em partitura: o samba Duas horas da madrugada, de 1970, parceria inédita de Adoniran Barbosa com o maestro Hervé Cordovil. Exemplo da minuciosa garimpagem realizada pelo Conjunto João Rubinato, esta música foi encontrada primeiramente na memória viva de Regina Cordovil, filha do maestro; e, pouco tempo depois, em uma gravação caseira do próprio Hervé cantarolando a composição ao piano – verdadeira preciosidade reproduzida na última faixa do disco, carinhosamente batizada de “faixa-relíquia”, e transcrita em partitura pelo conjunto.

Cópia realizada à mão por um dos últimos copistas (Toniquinho  Batera) à moda antiga

SOBRE OS TEXTOS

Como abertura, o livro traz um texto exclusivo sobre o início da trajetória artística de Adoniran, ilustrado com fotos e reportagens da época. Antes de cada partitura, há breves textos com informações sobre a composição, assinados pelos músicos e pesquisadores Tomás Bastian, diretor do Conjunto João Rubinato, e Ayrton Mugnaini Júnior., autor da primeira grande pesquisa sobre a obra de Adoniran Barbosa.

Encomende o seu exemplar pelo email projetojoaorubinato@gmail.com

VARREDOR DE RUAS,, ENCANADOR

Filho de imigrantes italianos, Adoniran Barbosa nasceu com o nome de João Rubinato, em Valinhos, cidade do Interior de São Paulo situada na região de Campinas, em 1910. A trajetória como artista começou na Capital como ator e humorista de rádio, na Cruzeiro do Sul,  e ele ainda atuou em televisão e cinema até tornar-se músico consagrado, compositor e intérprete de canções que o imortalizaram e viraram crônicas paulistanas, como Trem das Onze, Saudosa Maloca, Tiro ao Álvaro e Samba do Arnesto. Partiu em 1982, vítima de enfisema pulmonar.

Uma tardia, mas bem vinda e merecida homenagem póstuma, foi concedida para ele em 24 de setembro de 2018, no Farol Santander, antigo edifício do Banespa, pela Câmara Municipal de São Paulo: o título de Cidadão Paulistano. A concessão da honraria atendeu proposta sugerida pela vereadora licenciada e atual secretária municipal de Desenvolvimento Econômico, Aline Cardoso (PSDB). O Farol Santander, icônico edifício do Centro da cidade de São Paulo, também sediou no ano passado a exposição Trem das Onze – Uma viagem ao mundo de Adoniran.

Adoniran é um dos símbolos atemporais de São Paulo, que continua promovendo a cidade no Brasil e no exterior. Temos de preservar sua memória e suas obras. O título de Cidadão Paulistano vem coroar esse trabalho e é motivo de orgulho para mim fazer parte dessa história”, comentou Aline Cardoso perante familiares do compositor, incluindo a filha Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa.

O acervo do Farol Santander sobre Adoniran começou a ser montado na década dos anos 1940 por Matilde, mulher do sambista, e continuou a ser enriquecido aos cuidados de Maria Helena. Adoniran Barbosa eternizou em suas músicas a São Paulo na qual viveu intensamente. Os sambas são fabulosas crônicas sobre a cidade e seus personagens, que ficaram no imaginário popular.

De Valinhos, Adoniran se mudou ainda muito jovem para Jundiaí e depois Santo André, até se estabelecer na Capital. A vida na metrópole influenciou diretamente a obra, principalmente pelo cotidiano ligado ao rápido desenvolvimento da cidade e pelo modo de falar de vários imigrantes recém-chegados em São Paulo, principalmente italianos. Antes de ser o músico Adoniran Barbosa, João Rubinato trabalhou como pintor, encanador, varredor de ruas e muitas outras funções antes.

O cantor e compositor não gostava de João Rubinato para ser nome de cantor de samba, então, de um amigo pegou emprestado Adoniran e, em homenagem ao sambista Luiz Barbosa, adotou seu sobrenome. Em 1933, depois de ser desclassificado inúmeras vezes devido à voz fanha, Adoniran conquistou o primeiro lugar no programa de Jorge Amaral cantando Filosofia de Noel Rosa. Em 1935, compôs, em parceria com o maestro e compositor J. Aimberê, a primeira música Dona Boa, eleita a melhor marcha do Carnaval de São Paulo naquele ano. Na rádio Cruzeiro do Sul, um de seus primeiros empregos como músico, ficou até 1940, transferindo-se, em 1941, para a rádio Record, a convite de Otávio Gabus Mendes. Ali começou sua carreira de ator participando de uma série de radioteatro intitulada Serões Domingueiros.

Essa foi a oportunidade para Adoniran começar a criar sua galeria de personagens, sempre cômicos, como o malandro Zé Cunversa ou Jean Rubinet, um galã de cinema francês. O linguajar popular de seus personagens encontrava par em suas composições. A maneira de compor sem se preocupar com a grafia correta tornou-se sua maior característica e lhe rendeu críticas de gente como o poeta e compositor Vinícius de Moraes. Adoniran não deu importância às declarações de Vinícius, tanto que musicou uma poesia do escritor carioca transformando-a na valsa Bom Dia, Tristeza.

DISCOGRAFIA

1951 – “Os mimosos colibris/Saudade da maloca” (78 rpm)

1952 – “Samba do Arnesto/Conselho de mulher” (78 rpm)

1955 – “Saudosa maloca/Samba do Arnesto” (78 rpm)

1958 – “Pra que chorar” (78 rpm)

1958 – “Pafunça/Nois não os bleque tais” (78 rpm)

1972 – “A Música Brasileira Deste Século -Adoniran Barbosa”

1974 – “Adoniran Barbosa”

1975 – “Adoniran Barbosa”

1979 – “Seu Último Show” (Ao Vivo)

1980 – “Adoniran Barbosa e Convidados”

1984 – “Documento Inédito”

2003 – “2 LPs em 1” (Relançamento dos LPs de 1974 e 1975)

COLETÂNEAS

1990 – “Claudinha Do céu” (Com interpretes de suas músicas)

1996 – “MPB Compositores: Adoniran Barbosa” (Com participações e interpretes de suas músicas)

1999 – “Meus Momentos: Adoniran Barbosa”

1999 – “Raízes do Samba: Adoniran Barbosa”2001 – “Para Sempre – Adoniran Barbosa

2002 – “Identidade: Adoniran Barbosa”

2004 – “O Talento de: Adoniran Barbosa” (Com participações especiais)

PRINCIPAIS CANÇÔES

1951 – Malvina/1951 – Saudosa maloca/1952 – Joga a chave/1953 – Samba do Arnesto/1955 – As mariposas/1956 – Iracema/1956 – Apaga o fogo Mané/1958 – Bom-dia tristeza/1959 – Abrigo de vagabundo/1959 – No morro da Casa Verde/1960 – Prova de carinho 1960 – Tiro ao Álvaro/1964 – Luz da light/1964 – Trem das Onze/1964 – Trem das Onze com Demônios da Garoa/1965 – Agüenta a mão/1965 – Samba italiano/1965  Tocar na banda/1965 – Pafunça/1967 – O casamento do Moacir/1968 – Mulher, patrão e cachaça/1968 – Vila Esperança/1969 – Despejo na favela/1972 – Acende o candeeiro/1975 – Fica mais um pouco, amor

AGENDA DO GRUPO JOÃO RUBINATO

17 de maio Sesc Santo André, 21 horas: Rua Tamarutaca, 302, Vila Guiomar, TELEFONE (11) 4469-1200
31 maio Sesc São José dos Campos, 19h30, Avenida Adhemar de Barros, 999, Jardim São Dimas, TELEFONE, (12) 3904-2000

Ingresso: R$60 (meia-entrada), R$80 (promocional) e R$ 120 (inteira) e pelo whatsApp (11) 9835-75195

O ingresso poderá ser adquiro pelo endereçohttps://ticketbras.com/product/renato-teixeira-no-teatro-municipal-de-osasco/ida/barulhodagua  

Vendas na bilheteria apenas a partir do dia 20, das 13h às 18h.

Leia também no Barulho d’água Música:

1173 – Flautista Maiara Moraes (SC) homenageia Copinha, parceiro de Adoniran e de Pixinguinha, com show no MCB

805- Trio Gato com Fome (SP) grava álbum que reafirma o papel de Raul Torres na história do samba paulista

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