1190 – Fábio Jorge canta, em francês, sucessos da MPB no Teatro Itália (SP)

Público curtirá lançamento de Connexions, álbum no qual o cantor mixa suas duas pátrias, Brasil e França, com versões para o francês de sucessos de Caymmi, Dalto, Edu Lobo, Vinicius de Moraes, Sullivan & Massadas, Carlos Lyra e outros

O cantor e letrista paulistano Fábio Jorge lançará o seu quarto álbum solo, Connexions, no palco do glamouroso Teatro Itália, em São Paulo, na terça-feira, 28, a partir das 21 horas (veja a guia Serviços). O disco foi nos gentilmente enviado por Beto Priviero, amigo do Barulho d’água Música, que ao lado de Moisés Santana coordena a Tambores Comunicações, aos quais somos gratos. No texto de apresentação de Connexions sua assessoria aponta que Fábio Jorge chegou mais longe e explica: o cantor, que há anos, vem aproximando o universo musical brasileiro da canção francesa em discos e em shows, deu uma cara mais personalizada ao trabalho. Connexions reúne sucessos da música brasileira que o próprio Fábio Jorge verteu, do seu jeito, para o francês. Assim, Arrastão (Edu Lobo/Vinicius de Moraes) se tornou Les bateaux sur la mer; Primavera (Lyra/Vinicius) virou Notres PrintempsPessoa (Dalto/Cláudio Rabello) agora é L’éternité, e Estranha Loucura (Sullivan/Massadas), sucesso na voz de Alcione, passou a ser Mon énorme folie, por exemplo.

Filho de pai brasileiro e mãe francesa, Fábio Jorge costuma dizer que a língua francesa sempre foi natural para ele e explicou assim o projeto: Acabei me especializando em fazer versões. Isso me agrada porque viro um pouco ‘autor’. Assim, a música brasileira, que tanto valorizo, ganha minha visão.”

Algumas músicas foram mais fáceis, outras menos, de acordo com Fábio Jorge. Arrastão, por exemplo, contém palavras de origem africana e procurei mantê-las para não as descaracterizar”. Já Pessoa é difícil porque “tem um fraseado peculiarmente brasileiro, diferente de Primavera. Tenho orgulho de Estranha Loucura, que canto em shows há muito tempo e só agora a registrei. Minha maior alegria foi ouvir o resultado dessa canção popular de Sullivan & Massadas que ‘afrancesei’ tão sutilmente. Virou uma das minhas preferidas”.

O disco foi produzido por Fábio Jorge, que também participou dos arranjos. A direção musical e os arranjos foram feitos por Alexandre Vianna, João Henrique Baracho e Rovilson Pascoal. Os de cordas são de Daniel Bondaczuk. Participam três grandes cantoras da nossa música. Márcia em Notres Printemps (Primavera), Edith Veiga em J’ai le mal de toi (Briguei com você) e Diva Maria em Dans ma rue (Pela Rua).

Acho que os brasileiros e os franceses vão receber bem o disco, porque a música brasileira é uma das mais ricas do mundo”, prosseguiu Fábio. “Não à toa, a bossa nova rodou o planeta e é cantada até hoje em vários idiomas”, emendou. “Não sou pioneiro em cantar bossa em francês, mas me orgulho de ter sido o autor de 13 das 14 composições do CD, e esse ineditismo me eleva a uma condição além de um intérprete.”

Em 15 anos de carreira,  Fábio Jorge lançou três discos e tem recebido críticas entusiasmadas da imprensa. A revista Rolling Stone Brasil qualificou o trabalho de como cheio de “classe e sensibilidade”, enquanto o jornal O Estado de S. Paulo escreveu que ele faz “surpreendentes versões em francês de canções brasileiras”. Opinião semelhante tem o jornal Estado de Minas, que sinalizou: “diversidade de influência ajuda a criar um estilo”.  

Paulistano, nascido em 1970, Fábio Jorge é formado em Letras e desde cedo soube que sua história era com a música. Começou cantando em concursos colegiais, prosseguiu em apresentações na universidade até chegar aos bares e aos teatros na década dos anos 2000. Filho de francesa com brasileiro, recebeu influências de artistas da terra de sua mãe, já que desde a infância ouviu Edith Piaf e Charles Aznavour, por exemplo, e nos bolachões do pai escutava artistas como Orlando Silva e Dalva de Oliveira. Também cita Tony Bennett, Cazuza, Zizi Possi e Cauby Peixoto, como referências.

O chansonnier do século 21*

Aquiles Rique Reis, vocalista do MPB4

Revelado pelo próprio Fábio Jorge, eis o norte do seu novo trabalho: “Bem, como você sabe, Aquiles, venho fazendo um trabalho exclusivamente na língua francesa há mais de dez anos, e esse é meu quarto CD, que chamamos de Connexions (independente). A ideia foi trazer para a língua francesa, sob meu olhar e minhas versões, o universo da rica música popular brasileira que eu tanto admiro e coleciono”.

Assim é. Connexions vem embalado pelo amor de Fábio à música brasileira e à canção francesa. Sua relação amorosa com as duas entra pelos ouvidos de quem as ouve e salta à vista dos que percebem o padrão profissional dedicado pelo intérprete à feitura do disco. (Fábio, filho de mãe francesa e pai brasileiro, cresceu ouvindo as músicas mais belas dos dois países.)

Os que se deixarem seduzir pela voz de um intérprete que canta como um amador – o que ama irrestritamente todo o fruto de sua musicalidade – experimentarão o doce prazer de ouvir algo incomum. A vocês, futuros amantes de uma voz que certamente lhes falará ao coração, eu digo: Fábio Jorge os arrebatará. Seu projeto musical é identificado pelo DNA que traz tatuado na alma, e com ele voa para além do oceano e volta ainda mais enriquecido pelas culturas musicais que já o habitam.

Connexions, produzido pelo sempre antenado Thiago Marques Luiz e pelo próprio Fábio, tem direção musical e arranjos de Alexandre Vianna, João Henrique Baracho e Rovilson Pascoal. Já os arranjos para cordas são de Daniel Bondaczuck. O time de instrumentistas também é bárbaro: Alexandre Vianna e João Henrique Baracho (piano); Ronaldo Rayol e Rovilson Pascoal (violão); Rafael Lourenço, Nahame Casseb e Guello (bateria e percussão), Decko Telles, Gabriel Nanni e João Benjamin (contrabaixo), Rafa Clarim (flauta e sax), Alessandro Ribeiro (Flugelhorn), Thadeu Romano (acordeom), Regina Vasconcellos e Jonas Moncaio (violoncelo). O CD foi gravado no Estúdio Parede-Meia por Rovilson Pascoal, mixado por João Henrique Baracho e masterizado por Clement Zular.

As catorze faixas vêm plenas de bons arranjos condizentes com cada música. A sonoridade é campeã; nada se perde na mixagem, nela tudo está audível e equilibrado; em Connexions tudo rola fluente, macio, desde a voz de Fábio até cada um dos instrumentos.

Na faixa que abre a tampa, “Paz do Meu Amor” (Luiz Vieira; “Paix de Mon Amour”), piano e voz entram como se chegassem de madrugada, caminhando na ponta dos pés para não acordar a amada, que, mesmo dormindo, mostra-se enlevada. A tampa fecha com a valsa da Bela Adormecida, de Tchaikovsky. Belo!

A seguir, “Pessoa” (Dalto; “L’Éternité”) tem acompanhamento de violão e violoncelo. A música é linda. Fábio canta com a mesma e linda maciez da música anterior. O cello ampara o violão. Juntos, criam um clima de lírica, quando Fábio faz valer a tamanha delicadeza de sua voz e a sua respiração, recurso que ele usa com sabedoria.

Ainda Bem” (Marisa Monte; “Mon Arc en Ciel”) tem intro com piano e sax, até que a batera puxa a levada pop que a caracteriza. O piano toca belo intermezzo. Para encerrar, Fábio faz vocalise com a melodia.

Marina” (Dorival Caymmi) mantém o título na versão em francês. Piano e cordas abrem o arranjo. A batera traz o samba lento, cadenciado, sobre o qual Fábio despeja uma interpretação tão amorosa quanto firme. Belo é o intermezzo do flugel.

Os três trabalhos anteriores de Fábio Jorge são de 2009, 2011 e 2013 e podem ser ouvidos nas plataformas digitais e em http://fabiojorge.com.br/site/discografia/

A seguir, “Foi a Noite” (Tom Jobim; “C’est la Nuit”), um dos clássicos da bossa nova, dedicado por Fábio à saudosa Sylvinha Telles, tem arranjo que valoriza a canção jobiniana. Fábio está à vontade para cantar e comover – essa é a praia dele.

Arrastão” (Edu Lobo e Vinícius de Moraes; “Les Bateaux Sur la Mer”) é uma escolha que confirma a intenção do título do álbum, Connexions. O repertório é absolutamente conectado com o que há de melhor na música brasileira. Fábio dá show!

Primavera” (Carlos Lyra e Vinícius de Moraes) é cantada em português por Márcia, dona de uma voz afinada e de um jeito brasileiríssimo de interpretar. Após a intro do piano, ela chega amparada pela batera. Tudo simples. Tudo lindo! Foi através de Fábio que eu fiquei sabendo que Marcia não grava há dezessete anos… Meu Deus!

Meu Bem Querer” (Djavan; “Mon Bien Aimé”) surge com o acordeom – talvez o instrumento que mais represente a música francesa. Piano e batera vêm com ele. Carregando nos “erres”, Fábio reafirma a descendência francesa. Linda interpretação.

Estranha Loucura” (Michael Sullivan e Paulo Massadas; “Mon Énorme Folie”) tem belo arranjo escrito para quarteto de cordas, mais cello, contrabaixo e piano. É uma deliciosa “sofrência”, carregada pela voz de Fábio Jorge.

Em “Água de Beber” e “Só Danço Samba” (ambas de Tom Jobim e Vinicius de Moraes), Fábio se esbalda de suingar nas duas bossas.

Com intro de piano, “Pela Rua” (Dolores Duran;“Dans Ma Rue”) vem na voz de Diva Maria, cantora que Fábio ouviu na noite e adorou. Canto que vem como um trovão, tamanha energia e poder. Tal como Fábio Jorge, encantei-me com a moça. Logo em seguida, acompanhada pelo piano, ela faz um vocalise quase sussurrado. A batera com vassourinhas e o baixo conduzem o arranjo, até que surge a voz de Fábio. Um duo de fazer cair o queixo. O sax arrasa no intermezzo.

Tarde Fria” (Poly e Henrique Lobo; “L’Aube Froide”): com emoção na voz, Fábio dedica a linda canção a Cauby Peixoto.

Briguei com Você” (Edith Veiga e Dora Lopes; “J’Ai le Mal de Toi”). Desde menino, assim como muitos de sua época, Fábio ama Edith Veiga, e neste CD viu a chance de gravar com ela. O bolero sai caloroso das gargantas de dois intérpretes que acaloram tudo o que cantam. Que linda é a voz de Edith, meu Deus do céu!

Travessia” (Milton Nascimento; “Ta Maison N’Est Plus la Mienne”) é a única versão que não é de Fábio Jorge: sua assinatura fica a cargo de Milton Nascimento, Michel Houssemaine e P. Fantosme. Assim se fecha a tampa de Connexions, mais um trabalho irrepreensível e imperdível de Fábio Jorge, o chansonnier do século 21.

*Texto extraído do encarte de Connexions

Opinião do blogue:

As versões de Marina (#4) e de Tarde Fria (#12) são as mais tocantes deste álbum que para os amantes da boa música brasileira classificamos como imperdível. Na arte delicada e arriscada de interpretar — e com o acréscimo de topar encarar ambos os desafios com o charme da língua francesa — apenas para ficar em dois exemplos dos mais incontestáveis: Fábio Jorge está à altura de Johnny Alf e preenche a lacuna deixada vaga desde a partida fora do combinado de Emílio Santiago. Quem tiver a chance ouça Connexions sem moderação e passe a dica adiante…

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Tambores Comunicações (11) 3887 7430 | 11 99966 9320)/ tamborescom@uol.com.br

Renato Teixeira
Um Poeta e um Violão
24 de maio, a partir das 21h30
Teatro Municipal Gloria Giglio
Avenida dos Autonomistas, 1533, Vila Campesina, Osasco

Ingresso: R$60 (meia-entrada), R$80 (promocional) e R$ 120 (inteira) e pelo whatsApp (11) 9835-75195

O ingresso poderá ser adquiro pelo endereçohttps://ticketbras.com/product/renato-teixeira-no-teatro-municipal-de-osasco/ida/barulhodagua

Vendas na bilheteria apenas a partir do dia 20, das 13h às 18h.

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