1202 – Conheça “11 Estudos para Viola Brasileira”, álbum de Reinaldo Toledo (MG/SP)

Nesta semana que passou as audições aqui no boteco do Barulho d’água Música privilegiaram 11 Estudos para Viola Brasileira, álbum lançado em agosto de 2018 por Reinaldo Toledo, professor, violeiro e compositor natural de Cássia (MG), atualmente residindo em Franca, Interior de São Paulo. O disco, cujo exemplar que tocamos na vitrola gentilmente nos foi enviado pelo autor, é um trabalho que visa a contribuir de forma ampla com o desenvolvimento técnico e a expressividade musical do estudante e/ou violeiro e também para servir de material de apoio a professores do instrumento. Traz apresentação do professor do Departamento de Música da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP), pesquisador e violeiro Ivan Vilela e ganhará versão em livro de partituras no primeiro semestre de 2020. “Com sua música, Reinaldo nos conduz a uma atmosfera de sensibilidade e beleza dando assim uma imensa contribuição ao mundo da viola”, observou Vilela. “Adiante, Reinaldo, você tem sempre muito a dizer com o instrumento nas mãos.”

Os 11 Estudos para Viola Brasileira foram iniciados em 2010 e terminados na quase totalidade em 2014, enquanto Reinaldo Toledo lecionava Viola Caipira para turmas do Projeto Guri, em Franca. São voltados a estudantes e/ou violeiros que almejem aprimorar-se por intermédio do estudo por partitura e que toquem nas afinações: cebolão em ré (Estudos 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 10 e 11) e rio abaixo em sol (Estudo 9).

Por meio das composições trabalha-se várias ferramentas, elementos e técnicas musicais como dedilhados, escalas duetadas em diversas formações, melodia acompanhada, padrões rítmicos de dedilhado com destaque para o dedo polegar da mão direita tão usado na viola, notas pedais, tríades, diversos ritmos caipiras — como a polca, o cateretê, e o pagode de viola, dentre outros — e ritmos não-caipiras — como o choro, o baião e o congado. Aprimora-se a sonoridade e o equilíbrio do som por meio de estudos com essa finalidade, a expressividade musical e fraseados, além de trabalhar a escala maior, menor harmônica e cromática, arpejos maiores e diminutos, trêmolos, ligados ascendentes e descendentes, modos: mixolídio e lídio b7, e escala blues

Sobre os Estudos e dedicatórias

Estudo n. 1 (à minha esposa Ana Lúcia da Silva): Esta polca tem influência de músicos como Agustin Barrios, Roberto Corrêa, Valdir Verona e Zé do Rancho. Trabalha arpejo para mão direita, o uso de escalas duetadas com auxílio

do baixo no polegar simultaneamente, além de ligados para a mão esquerda.

Estudo n. 2 (ao amigo violeiro Tiu Zé): Inspirado em Tonico e Tinoco, este arrasta-pé foi composto basicamente sobre dois modelos de escalas duetadas. É um resumo da técnica de mão direita empregada pelos antigos violeiros para se tocar ponteios.

Estudo n. 3 (ao violeiro Zé Jorge): Este baião foi inspirado nos repentistas nordestinos, na peça Ponteio Nordestino de Guerra Peixe e em Ternos de Congo das cidades mineiras de Pratápolis e São Sebastião do Paraíso. Tem uma melodia simples que se toca com dedos alternados (m, i) com o baixo no polegar fazendo a rítmica característica do gênero, simultaneamente. A melodia vai se desdobrando em diálogos, duetos, crescendo até transformar-se num pagode de viola, numa mistura de baião com pagode de viola.

Estudo n. 4 (à minha irmã Josiene Toledo): Este estudo, de inspiração erudita e podendo ser classificado como uma polca, trabalha o dedilhado (p, i, m, a, m, i) ao longo de praticamente todo o estudo. Depois muda para o compasso 5/4, trabalhando o dedilhado (p, i, m, a). Foi pensado para o desenvolvimento do equilíbrio da sonoridade.

Estudo n. 5 (à minha irmã Paulina Toledo): Cateretê com inspirações diversas como a de Zakk Wylde, da música mineira em geral, Milton Nascimento, Ivan Vilela, Gilvan de Oliveira e Marco Pereira. Trabalha arpejos, melodia acompanhada, escalas duetadas, o uso da técnica utilizada pelo violeiro Ivan Vilela – que consiste em tocar as dez cordas da viola em separado uma da outra, obtendo sonoridades não muito convencionais na viola —, visando acima de tudo, ao desenvolvimento técnico num sentido mais amplo, além da parte mecânica do violeiro.

Estudo n. 6 (ao amigo Ramon Silva): Esse choro tem influência de Mozart Bicalho e Steve Morse, em relação ao uso de cromatismos na melodia. Sua harmonia tem similaridade à de choros tradicionais como Tico-tico no Fubá, de Zequinha de Abreu. É um desafio para a mecânica de ambas as mãos.

Estudo n. 7 (à minha avó Dona Nega): De inspiração erudita e com mudanças de compassos durante a obra, desenvolve-se os temas por meio dos ritmos congado e pagode de viola, inspirado nas tradições mineiras das cidades de Pratápolis e de São Sebastião do Paraíso. Trabalha-se escala duetada, ritmos percussivos, melodia acompanhada e a técnica do trêmulo do violão erudito, que é pouco utilizada na viola caipira, além de uma ótima proposta de ligados na introdução do estudo.

Estudo n. 8 (ao mestre Heitor Combat, in memoriam): Baseado no Estudo n. 1 para violão de Villa Lobos e no Prelúdio em C Maior, BWV 846 de Johann Sebastian Bach, este estudo polca tem um dedilhado padrão (p i p m p a m a i m p i) para toda a música. Torna-se ótimo para trabalhar a sonoridade da mão direita e a resistência da esquerda.

Estudo n. 9 (aos violeiros do Norte de Minas Gerais): Este estudo tem como fonte de inspiração a região e os violeiros do Norte de Minas Gerais, também de Heraldo do Monte, Edu Ardanuy e Andreas Kisser. Trabalha-se os ritmos baião, congado e a sua mistura com o pagode de viola. É abundante em elementos para o desenvolvimento mecânico das mãos direita e esquerda.

Estudo n. 10 (ao meu tio Vicente Honório): Este estudo teve como inspiração os ex-alunos de viola caipira de Reinaldo Toledo da turma C do Projeto Guri, apaixonados por esse gênero. Possui vários elementos para o desenvolvimento mecânico de ambas as mãos.

Estudo n. 11 (ao meu pai Gilberto Toledo): Inspirado em João Pernambuco e Dilermando Reis, este choro desenvolve a técnica de melodia acompanhada, com o uso de contracanto.

Todos os Estudos, observou ainda Reinaldo Toledo, buscam contribuir para o desenvolvimento técnico/motor do estudante/violeiro,mas se espera que a eles sejam acrescentados recursos de interpretação, as (D)inâmicas, (A)góticas, (T)imbres, (A)rticulações e (O)rnamentações, para uma performance mais musical e para que haja o desenvolvimento de uma técnica num sentido mais amplo, muito além da visão. motora.

Empurrão familiar

Natural de Cássia (MG) e radicado em Franca (SP), Reinaldo Toledo atua como violeiro e professor. Graduado em Música (Licenciatura e Bacharelado – com habilitação em violão) pela Universidade Federal de Uberlândia (MG), encontrou na viola caipira o instrumento para expressar a música que toca dentro de si.

Ela, a música, está por toda parte no dia a dia de Reinaldo Toledo. E não é de hoje que as melodias, sons, letras e ritmos fazem parte de sua vida. “Lembro-me que desde criança minha mãe, Paulina Toledo, fazia os trabalhos de casa cantando o tempo todo, ouvindo músicas de Roberto Carlos, Billy Vaughn e orquestra, programas de rádios locais. Eu ficava ali ouvindo tudo, cantando junto com ela. Nessa época, minha influência foi totalmente de minha mãe e das músicas que ela ouvia”, contou.

Em 10 de outubro Reinaldo Toledo será atração do projeto ZÁS, da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (Foto: Reinaldo Meneguim)

Foi o primeiro passo para que aos oito anos o menino ganhasse do pai, Gilberto Toledo, um violão, ensinando ao filho os primeiros toques. “Além do meu pai, tive outra pessoa importante também na minha iniciação ao violão, meu tio Vicente, que também me ensinava”.

Com esse “empurrão”, aos nove anos Reinaldo Toledo foi matriculado no Centro Musical Heitor Combat, em Cássia, e lá passou a cantar no Coral Pequenos Cantores de Cássia, onde também teve aulas de canto, solfejo e leitura musical.

Depois, aos 10 anos, começou a tocar instrumentos de percussão, “pratos”, na Banda Maestro Godofredo de Barros e, conforme foi crescendo e se aprofundando nos estudos, aprendeu a tocar desde requinta, sax-tenor a fagote. “Fui estudante nesta escola até os 20 anos de idade.”

Ávido por aprender teoria e prática e evoluir na área musical, Reinaldo deu início à sua vida na noite musical aos 13 anos, tocando sax-tenor em banda de baile. Rapidamente, passou a tocar guitarra elétrica, violão e viola caipira com duplas sertanejas e bandas de rock.

Aos 20 anos deu um importante passo em sua carreira ao ingressar no Curso de Música da Universidade Federal de Uberlândia. Durante todo o período de curso continuou desenvolvendo o trabalho de sideman com bandas de baile, pop rock e duplas sertanejas.

Após concluir a faculdade, em 2010, passou a trabalhar como Educador Musical (viola caipira) no Projeto Guri, em Franca, onde surgiu a necessidade e a ideia de compor Estudos para o instrumento, iniciados ainda em 2010 e finalizados em 2014. Desenvolveu este trabalho por 5 anos e atualmente é Educador Musical pela Prefeitura Municipal de Franca, trabalho que desenvolve desde 2011.

Além de Educador, Reinaldo Toledo vem obtendo reconhecimento por seu talento como violeiro por meio de apresentações e prêmios. Já se apresentou em importantes projetos nos Estados de Minas Gerais (Palco Livre da UFMG), São Paulo (Mapa Cultural Paulista e Viola Paulista) e Festival   Festival Jacarezinhense da Canção (Fejacan), no Paraná, dentre outros.

 Possui entre os prêmios::

2011 – Melhor Intérprete do Iº Festival Nacional de Viola de Cruzeiro dos Peixotos, distrito de Uberlândia (MG).

2015 – 1º lugar da Categoria Instrumental no Festival Jacarezinhense da Canção; 2º Festival Viola Encena, em Uberaba.

2016 – 2º lugar da Categoria Instrumental do IIº Festival Patos e Viola.

Destaque para o Prêmio Mapa Cultural Paulista 2015/2016, categoria instrumental solo.

Sua música está presente nos CDs Mapa Cultural Paulista 2015/2016 – Música Instrumental (Estudo n. 5), IIº Festival Patos & Viola, 2016 (Estudo n. 10) e Viola Paulista Volume 1, 2018, Selo Sesc (Estudo n. 9).

Seus Estudos n. 5 e 9 estão incluídos no Brazilian Songbook Online Popular, Vol. 7, organizado pelo violeiro, pesquisador , professor e compositor Roberto Corrêa (DF), da Funarte, cujo objetivo é divulgar a música brasileira nas Instituições de Ensino, Centros Culturais e Conservatórios dos países onde estão presentes os Consulados e Embaixadas Brasileiras.

Em 10 de outubro Reinaldo Toledo será atração do projeto ZÁS, da Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

Para adquirir o disco basta entrar em contato com Reinaldo Toledo pelo endereço virtual reinaldohtoledo@hotmail.com ou pelo telefone cujos números são (16) 98161-0904 (whatsapp).O álbum custará R$20,00 por exemplar, mais o valor da postagem dos Correios para todo o Brasil.

O sítio eletrônico de Reinaldo Toledo está em https://reinaldotoledo.wixsite.com/reinaldotoledo.

O trabalho e mais informações também poderão ser conhecidos e adquiridas nas mídias  Instagram, Facebook e youtube digitando o nome Reinaldo Toledo nos campos de busca.

Sensibilidade e beleza

Há alguns anos conheci Reinaldo Toledo em Franca/SP e ele modestamente pediu-me que escutasse alguns de seus Estudos. Qual não foi o meu espanto ao me deparar com tamanha densidade musical? De lá pra cá o processo criativo foi só amadurecendo.

Seus Estudos são criativos e chegam com saber e sabor, ou seja, estuda-se a técnica através de músicas bem construídas, dotadas de inteligência e beleza. Ele explora com sutileza ritmos clássicos do cancioneiro caipira, mas sempre os expõe a partir de outras perspectivas e caminhos sonoros.

O repertório que Reinaldo toca é diverso e composto de polcas, cateretês, pagodes caipiras, baiões, choros paulistas e melodias que existem por si só. O uso de recursos idiomáticos como melodias em terças e sextas, repetições no grave de melodias apresentadas no agudo, troca de regiões na condução melódica, trêmolos, harmonias pouco comuns dentro do cancioneiro da viola e a fusão rítmica do baião com o pagode iluminam esses Estudos.

Com sua música, Reinaldo nos conduz a uma atmosfera de sensibilidade e beleza dando assim uma imensa contribuição ao mundo da viola. Adiante, Reinaldo, você tem sempre muito a dizer com o instrumento nas mãos”.

 

Ivan Vilela, professor de viola da USP (Foto: Thiago Molina)

Leia também no Barulho d’água Música:

1070 – Concertos em São José dos Campos e em Araraquara lançam volume I do álbum “Viola Paulista”

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