1226 – Zé Luiz Mazziotti lança CD ‘A Roma’, gravado em 1992, pelo selo Kuarup

Elogiado por Zuza Homem de Mello, paulista de Rio Claro interpreta canções consagradas de Chico Buarque, Paulinho da Viola, Gilberto Gil e Tom Jobim, entre outros, além de uma parceria dele com Sérgio Natureza

As audições matinais dos sábados aqui no boteco do Barulho d’água Música começaram neste dia 24 com A Roma, de Zé Luiz Mazziotti, mais um lançamento do selo Kuarup e do qual recebemos o exemplar gentilmente nos enviado pelo amigo Moisés Santana, que ao lado de Beto Priviero responde pela agência Tambores Comunicação, na cidade de São Paulo. Somos gratos, mais uma vez, a ambos, e também cumprimentamos Rodolfo Zanke, diretor artístico da Kuarup e equipe, por mais esta valiosa contribuição à divulgação e compartilhamento da boa música e dos cantores, duplas, grupos, compositores e intérpretes brasileiros.

José Luiz Mazziotti, paulista de Rio Claro, em novembro emplacara 71 primaveras. Sobre o mais recente lançamento, ele relembrou que em 1992 foi à Itália ver amigos, matar a saudade de quando morou por lá e das comidas deliciosas e ficou hospedado na casa do meu amigo Cesare Benvenuti, produtor do seu primeiro bolachão, Zé Luiz (1979), “que talvez seja o disco mais sofisticado que gravei”. O intérprete recordou ainda que Cesare o convidou para experimentar um equipamento novo que tinha em seu estúdio e pediu que “gravasse algumas coisas brasileiras lindas, como temos aos montes: assim gravei essas canções, com um som lindo, somente voz e eu mesmo ao violão.

A Roma, portanto, quer dizer ‘em Roma’, cidade onde as 14 canções do álbum foram gravadas elencando um verdadeiro ‘quem é quem’ da nossa música, pois vai de Gilberto Gil (Mar de Copacabana) a Tom Jobim (Outra vez). Passa, ainda, por Paulinho da Viola (Dança da Solidão), Chico Buarque (Choro Bandido) e Rosa Passos (Verão) e tem, inclusive, uma música própria de Mazziotti em parceria com Sérgio Natureza: Amor ao Ofício, que diz: “Você me ouve no rádio/ Me vê na revista, na capa do disco/ E acha que eu não me arrisco/ Não corro o perigo de às vezes chorar”. Zé confessa: este é o disco no qual se sente mais inteiro. Que são lindos os que fez com banda, mas que este revela sua alma e essência, porque é só o que eu sei fazer.

Considerado um dos intérpretes mais sofisticados da música brasileira, com carreira iniciada em meados dos anos 1960, Zé Luiz participou do grupo Canto 4, com o qual conquistou o primeiro lugar no Festival da TV Record (SP-1966), interpretando, junto com Tom Zé, a musica São, São Paulo, do próprio Tom Zé. Na Capital paulista estudou com o violonista Vera Brasil, enturmou-se e apresentou-se em casas como Igrejinha e o Jogral, por exemplo.

Ao longo da carreira, dividiu o palco com artistas como Alaíde Costa, Antônio Adolfo, Zezé Gonzaga, Luiz Eça e Sílvio César. Participou de discos de Caetano Veloso e de Rosa Passos, e de tributos a Mauricio Tapajós e Candeia; também interpretou o tema da personagem Dona Benta, na trilha sonora da série de TV Sítio do Pica-pau Amarelo. Participou, na década dos anos 1970, do Projeto Pixinguinha apresentando-se em várias capitais com Elizeth Cardoso, Jamelão, Ângela Mana, Miltinho e Sílvio César, dentre outros. Em 1981, foi convidado por Gal Costa para gravar no LP Fantasia. Juntos, interpretaram a faixa Estrela, Estrela, do gaúcho Vitor Ramil. 

Outra de suas atividades foram as gravações de jingles publicitários em estúdios de São Paulo, como o Nosso Estúdio e o Publisol, e na produtora Zurana, ao lado de compositores e músicos como Marcos e Paulo Sérgio Valle, Ivan Lins, DjavanTavito e Eduardo Souto Neto. 

Da sua discografia constam discos como Zé Luís (Continental/1979), com arranjos de Dori Caymmi e Gilson Peranzzetta e participação especial de Nana Caymmi; Sinais (Independente/1981), com o qual ganhou o Prêmio Chiquinha Gonzaga, como uma das dez produções mais bem cuidadas daquele ano; Zé Luiz Mazziotti (Pointer/1995); Eterna chama-Candeia (Perfil Musical/1998); Pra fugir da saudade – Célia Vaz e Zé Luiz Mazziotti (Jam Music/2000); Zé Luiz Mazziotti canta Chico Buarque (Dab1iú/2003) e Sobras repletas (AMAR/CPC/UMES/2006).

“Não tenho cantado bastante, pois a mídia tem gostado de outra coisa”, disse Mazziotti em 9 de março, quando esteve no programa Sr.Brasil, ao ser entrevistado pelo apresentador Rolando Boldrin, que havia perguntado ao convidado se ele estava fazendo muitos shows. ” A Fernanda Montenegro tem 90 anos, mas não tem idade, tem talento. Eu acho que também estou chegando lá”, disse em outra altura da conversa, brincando com Boldrin. 

Mazziotti, no palco do Sr. Brasil, em março de 2019 (Imagem extraída de vídeo disponível na internet)

Zuza Homem de Mello (Foto: Cecília Bastos / USP Imagens)

“Que tal ouvir voz e violão de novo. Não, não é de novo, isso é para sempre. O CD ‘A Roma’ com uma das mais lindas vozes de nossa canção é para você ouvir sempre que estiver precisando de música. Alguém ai precisando de música? Ouça!

O timbre e a tessitura de Zé Luiz lhe garantem o centro entre os intérpretes que têm o dom de entregar a canção, dar vida à música. Seus graves arredondados e delicados, a la Dick Farney, são joia rara na paragem dos cantores que não morrem. Zé Luiz mergulha com paixão quando canta.

E mais deve ser dito: Zé Luiz engata um violão joãogilbertiano de sambas, sambas-canção, toada, bolero…

Aracy de Almeida não perdoava quando o calouro não entregava a canção. “Não acrescentou nada”, decretava. Justamente o que Zé Luiz oferece nesse mais que bem vindo CD, gravado na Itália, em 1992, em pouco mais que três horas.

 Luiz entrega as canções de bandeja, E acrescenta.”

Zuza Homem de Mello 

 

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