1237- Dez Cordas, disco raro de Ivan Vilela, chega às plataformas digitais

Já está esgotado no formato físico, álbum lançado em 2007 pelo mineiro de Itajubá que é uma das referências da viola no Brasil inova na maneira de tocar o instrumento e reúne no repertório Mário de Andrade, The Beatles, Chico Buarque e Pereira da Viola, entre outros

Dez Cordas, um dos álbuns da discografia do compositor, pesquisador e professor mineiro Ivan Vilela, de 2007, passou a estar disponível nas plataformas digitais a partir da sexta-feira, 27 de setembro. Com 14 faixas instrumentais, ao longo de sua trajetória Dez Cordas atravessou o Brasil pelas mãos de seus ouvintes, de outros violeiros e músicos, mas 12 anos se passaram e já teve sua tiragem do formato físico esgotada. Por isso, para quem não tinha um exemplar em mãos, recorrer ao streaming, agora, é a solução perfeita para, finalmente, ouvi-lo. O linque que dá acesso e permite salvar a playlist está em http://ffm.to/dezcordas.

Sobre Dez Cordas Ivan Vilela publicou que, desde 1994, ano no qual começou a tocar viola, trabalhou em duas frentes: “tirando” de ouvido músicas de viola de autores como Renato Andrade, Antonio Madureira, Almir Sater, Tavinho Moura e várias músicas caipiras de Zé do Rancho, Tião Carreiro, Cacique e Pajé, dentre muitos outros; e, numa segunda etapa, já compondo, o que resultou em Paisagens, álbum que lançou em 1998 com um repertório quase todo autoral, tema da atualização 1207 do Barulho d’água Música, publicada em 5 de julho.

Nesse disco já buscava, ainda que não de maneira muito clara, a ideia de tocar separadamente as notas graves e agudas do mesmo par, já que a viola tem cinco pares de cordas, sendo os dois primeiros pares uníssonos e os três últimos oitavados”, observou Vilela. Isto me levou a uma terceira etapa que foi a de fazer arranjos de um repertório amplo que combinasse músicas do cancioneiro internacional – como The Beatles – e clássicos da MPB, bem como temas antigos das modinhas e dos lundus”, prosseguiu. Trilhando por este caminho, o violeiro de Itajubá depurou a técnica que chama de dez cordas, ou seja, de tocar separadamente com a mão direita – que para os destros é a que dedilha as cordas – as notas de um mesmo par de cordas. Este trabalho, que durou cerca de cinco anos, resultou justamente no álbum Dez Cordas, gravado em 2006 e lançado um ano depois, em 2007.

Dez Cordas aponta para uma nova maneira de utilização da viola, na qual acabei por desenvolver outra concepção na maneira de tocar o instrumento, utilizando as dez cordas em vez de cinco pares”. E o repertório, explicou Ivan, mistura arranjos que ele próprio teceu para composições de nomes diversos como Chico Buarque, Edu Lobo, The Beatles, Tião Carreiro, Pereira da Viola, Euler Andrade, Gustavo Veiga, Carlos Brandão, Xisto Bahia, Mário de Andrade e Almir Sater. “Muitas faixas são executadas por minha viola solo, já em outras eu contei com as valorosas participações de Mané Silveira, Vinícius Alves, Trio Carapiá, Ricardo Matsuda, Budi Garcia, Nenê Silva e Toninho Carrasqueira”, finalizou Ivan Vilela que, atualmente, faz uma vivência na Universidade de Aveiro, em Portugal.

A distribuição será feita pela Tratore e a produção de Dez Cordas é de Paula Rocha e Caio Csermak, da Arueira – Expressões Brasileiras. Também estão disponíveis nas plataformas digitais os seguintes discos de Ivan Vilela ou que têm participação dele:

Paisagens (1998); Encontro, com o pianista Benjamim Taubkin (2019); Caipira, com Suzana Salles e Lenine Santos; O Quinteto, de Ulisses Rocha, com Vitor Loureiro, Walmir Gil & Raiff Dantas Barretos (2017); A Força do Boi, com a Orquestra do Estado do Mato Grosso, sob a regência do maestro Leandro Carvalho (2019); e Orquestra Filarmônica de Violas (2004).

Leia mais a respeito de Ivan Vilela ou conteúdos a ele relacionados no Barulho d’água Música clicando no linque abaixo:

https://barulhodeagua.com/tag/ivan-vilela/

O instrumento tocado por Ivan Vilela e outros mineiros da gema foi elevado à categoria de  patrimônio cultural imaterial de Minas Gerais no dia 14 de junho de 2018 pelo  Conselho Estadual do Patrimônio Cultural (Conep). Foi um processo que começou em 2015, que contou com a realização do seminário Violas: modos de fazer e o tocar em Minas, em 2017, com a participação de muitos violeiros, artesãos, mestres, produtores que durante dois dias realizaram debates nos quais foi possível traçar quais caminhos seriam realizados para o registro, principalmente sobre os modos de fazer – desde a maneira de tocar até sua fabricação, as linguagens (as afinações e ritmos) e expressões musicais. O Registro dos Saberes, Linguagens e Expressões Musicais da Viola em Minas Gerais como patrimônio cultural imaterial visa à preservação de valores históricos, socioculturais e identitários para o  Estado vinculados ao instrumento e possibilita preservar, valorizar e compreender o universo das violas.

Ao ser completado um ano do Registro dos Saberes, Linguagens e Expressões Musicais das Violas em Minas Gerais, para celebrar a data e como parte das ações de salvaguarda, o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG) lançou o Caderno do Patrimônio – publicação dedicada a valorizar e promover bens culturais protegidos – e documentário dedicado às violas, apresentando-a como instrumento musical que ultrapassa a produção sonora e chega até os vínculos sociais e emocionais de quem a produz, toca ou escuta. Concluído em dezembro de 2018, o exemplar reúne fotografias, textos e trechos de entrevistas coletadas ao longo da pesquisa realizada pelo Iepha-MG. A publicação sobre as violas está disponível no site do Iepha-MG (www.iepha.mg.gov.br) para quem quiser ler ou baixar por meio do linque http://www.iepha.mg.gov.br/index.php/publicacoes/cadernos-do-patrimonio

Já o documentário foi elaborado ao longo do ano de 2018, tendo como conteúdo entrevistas com violeiros, violeiras e a fazedores de diversas regiões de Minas Gerais, bem como momentos festivos em que as violas estão presentes, tais como as Folias, o Congado, a Catira e as Rodas de Viola. Também são contempladas no filme as trajetórias de alguns dos principais nomes da viola em Minas Gerais: Tião Carreiro, Zé Coco do Riachão e Renato Andrade. O documentário encontra-se disponível no canal do Iepha-MG no Youtube para assistir e compartilhar.

 

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