1260 – Em casa dedicada à cultura caipira, Francis Rosa (SP) encerra roda de violeiros em São José dos Campos (SP)*

Imagem do álbum Caminhada (2007) (Foto: Leonil Júnior)

Apresentação será em primeiro espaço do Brasil dedicado à divulgação da cultura caipira e músico que compartilha nas canções a paixão pela Serra da Mantiqueira lançará Entre Serras e Águas, seu nono álbum

*Com Jefferson Bellodi

O cantor e compositor Francis Rosa será uma das atrações neste sábado, 23 de novembro, da roda de viola que será promovida com entrada gratuita na Casa de Cultura Caipira Zé Mira, situada em São José dos Campos, cidade paulista da porção conhecida por Vale do Paraíba a, aproximadamente, 95 quilômetros da Capital (veja mais detalhes na guia Serviços). Acompanhado por sua banda, Rosa deverá assumir o palco por volta das 22 horas e, a partir de então, apresentará à plateia e aos amigos músicas de sua carreira que já conta com nove álbuns – o mais recente, Entre Serras e Águas, lançado em 21 de maio, dia do aniversário do violeiro, e que ele vem mostrando em sua turnê homônima. O repertório na Casa Caipira Zé Mira, além das faixas deste novo trabalho, deverá reunir outras músicas de sua autoria e de artistas consagrados da música brasileira como Almir Sater, Tonico e Tinoco e Zé Geraldo, entre outros.

Francis Rosa é natural de Atibaia (SP), mas a maior parte de sua vida tem levado entre Joanópolis (SP) e o distrito de Monte Verde, situado em Camanducaia, município do Sul de Minas Gerais, onde tem residências, mora com a esposa Rebeca e gosta de tocar quando não está na estrada. Todos estes lugares pertencem à região formada por cidades dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro atravessadas pela monumental Serra da Mantiqueira, cujas belezas naturais, tradições e costumes dos moradores servem de inspiração para as poéticas letras do artista.

Nas cantorias e rodas informais que Francis Rosa promove esta receita revela e transporta quem o ouve até atmosferas bucólicas, permitindo desfrutar momentos acolhedores como se estivéssemos em torno de uma fogueira, iluminados pela luz do luar e de estrelas, saboreando rodas de viola que duetam com o mugido do gado ou o burburinho dos bichos do mato, acompanhadas por delicias típicas – ah, pinhão cozido, broa de milho, queijo e goiabada, café cuadin na hora e aquela santa pinguinha caseira, sem se esquecer do cigarro de palha, hábitos muito comuns nos terreirões das fazendas, sítios e lugarejos aos pés da Mantiqueira, ocasiões abençoadas e nos quais comungamos amores, reveses e sucessos da lida diária na roça, fechamos negócios, narramos os causos, renovamos a religiosidade, enfim, desfrutamos o desembrulhar e o correr da vida.

Este universo que costuma manter o público de Rosa permanentemente entretido e emocionado está fielmente presente, revela-se no lirismo dos versos que dão alma à obra dele – um músico que abdicou da Engenharia e talvez de maior conforto para fazer exatamente o que gosta, mas cujo ofício exerce com autenticidade, sabedoria e rigor profissional.

Em entrevista  ao apresentador Márcio Miguel, da revista Acesso Geral, que integra a programação da TV TEC de Jundiaí, o violeiro contou em 19 de novembro que nasceu em família de eclético gosto musical na qual a mãe, Maria de Lourdes, é fã e ouve, por exemplo, Nelson Gonçalves, Nat King Cole e Frank Sinatra, enquanto as irmãs curtem rock’n roll dos finais das décadas de 1970 e 1980. A porção feminina dos Rosa, claro, acabou por influenciar o rapaz (tanto que Francis também tem banda de rock!), mas no bate bola com Miguel, ponderou: “O gosto pelo pé no barro, mesmo, herdei do meu pai [Sineval], ouvindo, por exemplo, Sulino e Marrueiro, Vieira e Vierinha e Tonico e Tinoco”.

Incentivado dentro do próprio teto, portanto, Francis Rosa já sabia tocar aos 14 anos e por quais riachos, desde então, correriam as águas que movem suas paixões. Por algum tempo, apenas tocou e cantou por hobby, aos finais de semana, devido aos compromissos do batente que cumpria durante os dias úteis. Já há quinze anos, entretanto, ouviu o coração e abraçou em definitivo a carreira artística. Descobri que sempre fui músico, que não teria mais tempo a perder fazendo outra coisa”, afirmou. “Já nasci desse jeito, não há como correr disso”, completou, mas revelando a consciência de quem sabe que, por ser ao mesmo tempo o próprio patrão e se virar sozinho em gravações independentes, precisa agarrar o trabalho com unhas e dentes”, pois em sua visão quem não adota uma rotina regida e disciplinada por horários, organização e logística para exercê-lo, “desanda”. (E é bom sempre lembrar: moramos em Pindorama, onde artista, de uma maneira geral, sobretudo se dedicado à cultura caipira, racha lenha e se não plantar a própria espiga…)

Francis Rosa, é certo, sabe, assim, o esforço que precisa empreender para gerir a própria carreira com relativo sucesso e arrancar aplausos neste contexto inimigo de quem é avesso ao mercado convencional (ou seja: com quantos paus se tenta fazer uma canoa!), mas observou: só obedece aos (mais de cem) caminhos que a música o ensinou e o chama a trilhar, entretanto, como eles só passam por onde está acostumado a palmilhar e a conviver, jamais dá as costas às origens, ao que e com quem está familiarizado e se acompadrou, pelos fios do bigode e em boa fé, desde piá que nadou em muito córgo, apanhou caqui orvalhado de prata, pescou lambari, conhece o pássaro pelo trinado e deu nó em rabos de vaca – não sem antes atolar deliciosamente os dedos dos pés descalços no quente estrume que há pouco cagaram por currais e trilhas, com certeza sob o olhar atento de uma juriti circunstante.

Vista de um dos locais que inspiram Francis Rosa, aos pés da Mantiqueira, parte do encarte de O jeito desse meu lugar, de 2005, que tem participação de Zé Geraldo (Foto: Leonil  Júnior)

Embora também toque rock, pontear a viola caipira, confessa, é o que mais gosta. E o que realmente o inspira, conforme se nota à luz de suas composições, é sua verdade cotidiana, a simplicidade com a qual a vida frui no campo que o circunda e que ele capta nos modos de falar, de vestir, de comer, de ser dos vizinhos – entre os quais aponta um religioso entregador de leite de Joanópolis que até hoje exerce a atividade e vai, todos os dias, de port(eir)a em port(eir)a atender à clientela. “Como não vou cantar isso? Essa é minha realidade, vejo isso todos os dias”. E a despeito de se o que canta seria “sertanejo ou caipira”, ele resumiu, sem rodeios, mas primando pela sua marca, a autenticidade, em uma sentença: “O que faço é música brasileira, que só existe neste país.” 

MUNDO ENCANTADOR

Entre Serras e Águas é o nome de uma estrada vicinal que liga Joanópolis à rodovia Fernão Dias Paes, riscada entre a Mantiqueira e os lençóis do sistema da represa Jaguari, “um lugar poético, extremamente encantador”. E, de acordo com Francis Rosa, é por atender aos sentidos e sentimentos que este pedaço de paraíso nele provoca, que, ainda conforme suas palavras, gravou o álbum de sua discografia que considera como sendo “o mais chão, o mais terra, o que melhor representa” os vários predicados, exuberância e maravilhas da cadeia de montanhas que tenta compartilhar. O disco tem ainda atrativos como o próprio encarte – no qual, por exemplo, Francis se deixou fotografar com o cão, Serrano, homenageado em Pro Dia Chegar ao Fim,  em cuja composição o pai é seu parceiro e autor dos versos em homenagem ao animal – e que ainda traz um mapa geopolítico de Joanópolis (cidade que ele chama de “presepinho”) e região, na visão do próprio autor, desenhado pela irmã, Telma Rosa.

Francis Rosa produziu o nono álbum entre 2017 e 2018 e nele elencou oito canções de de autoria e releituras tais quais Tonta Saudade, de Eugênio Leandro, A Canção da Festa do Milho de Júlio Santin, e Festa de Janeiro, de Vieira e Vieirinha. Em São José dos Campos ele deverá estar acompanhado por Daniel Blando (sanfona), Jonas Barroso (violão/vocais), Reginaldo Oliveira (baixo/vocais) e João Lima (percuteria), em show que deverá ter, aproximadamente, 1h30 de duração, começando logo após apresentações do Grupo de Catira Joseense e das duplas Armando e Armindo, João Batista e Cristiano, Maria Priscila e Lenin, e Amilton e Tiãozinho..

Para saber mais sobre, ouvir e seguir Francis Rosa, encomendar seus discos ou contratá-lo para cantorias há o telefone (11) 99956 0700, do produtor Jefferson Bellodi (jefferson.bellodi@gmail.com), além das mídias sociais acessadas pelo portal francisrosa.com

Zé da Mira era violeiro e Mestre de Folia de Reis apaixonado pela cultura caipira

LEGADO AOS CAIPIRAS

A Casa de Cultura Zé Mira é um espaço destinado à divulgação da música caipira raiz idealizada pelo próprio Zé Mira e inaugurada em 15 de março de 2004. É a primeira casa de cultura do Brasil a divulgar a música caipira de raiz.

Zé Mira foi tropeiro, agricultor, lavrador, pedreiro, compositor, Mestre das Folias de Reis, do Divino e do Moçambique e, principalmente, violeiro. Sua vida foi contada no livro Nas Trilhas de Zé Mira, um caipira mira o Vale do Paraíba, pela jornalista Lídia Bernardes.

Zé Mira faleceu em agosto de 2008, mas deixou este legado para a cultura caipira que possui uma legítima casa de pau-a-pique, com paredes barreadas, fogão a lenha e teto protegido por legítimas telhas de coxa. Com um amplo rancho, palco e moderno aparelhamento de som, os violeiros do Vale do Paraíba e do Sul de Minas Gerais, dentre outras cidades e Estados, revezam-se em animadas rodas de viola, apresentando o melhor da música caipira. Localizado defronte ao Parque Burle Marx (Parque da Cidade), na região Norte de São José dos Campos, o prédio, cedido pela EDP (Bandeirante Energia), tem 2.677 m². 

Capa do DVD Cantos e Versos (2018), com Zé Geraldo, cujo álbum homônimo encontra-se esgotado

Discografia de Francis Rosa

Orvalhado (2005),Passaredo (2012), Tocando a Primavera (2014), Estradas (2015), Lírios (2015), O jeito deste meu lugar (2015), Caminhada (2017), Cantos Versos, com Zé Geraldo (2018, esgotado) e Cantos e Entre Serras e Águas (2019); DVDs Tocando a Primavera (2014) e Cantos e Versos, com Zé Geraldo (2018)

Serviço:

Roda de violeiros com duplas e Francis Rosa

Casa de Cultura Zé Mira: Avenida Olivo Gomes, Vila Zizinha, São José dos Campos, São Paulo,

Data: 23/11/2019, com entrada franca, a partir das 19 horas.

Contato: (11) 99956-0700 com Jefferson (produtor) ou (12) 99767-1220 com Maria Helena (Casa de Cultura Zé Mira)

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