1288 – Compositor e poeta Wescley Gama (RN) apresenta no Dia da Poesia “Cantigas da Aldeia”, quatro disco da carreira*

Premiado artista potiguar apresenta canções que, além da matriz e do legado indígena presentes na faixa-título, passeiam pela alma feminina, representada pela obra das poetisas Iracema Macedo, Marize Castro e Adélia Danielli. *Com  Franco Mathson, da Frika Records 

O compositor e poeta potiguar Wescley Gama apresentou ontem, sábado, 14, no Dia da Poesia, o seu novo disco Cantigas de Aldeia, disco que considera conceitual, composto de oito poemas musicados e que já pode ser ouvido nas plataformas digitais (clique aqui e ouça).Lançado pela Frika Records é o quarto trabalho do artista e foi desenvolvido do micro ao macrocosmos com inspiração na matriz e legado indígena presentes na canção homônima. Além de contar com poemas de sua autoria, o material  também passeia pela alma feminina representada pela obra forte das poetisas Iracema Macedo, Marize Castro e Adélia Danielli. Wescley Gama é poeta e músico, ele já lançara seridolendas e campos grandes reunidos, ambos muito bem recebidos pela crítica especializada, e recentemente, o livro Com a força das folhas que estiveram vivas, todos de forma independente. É dele, ainda, Nove Contos Serranos, que saiu em 2017 pela Editora Offset.

O disco Cantigas da Aldeia começa com Libre y Feliz, inspirada na obra do havaiano nativo Israel kamakawiwo’ole e é interpretada junto com a cantora Milena Carvalho. Canção de amor para uma moça judia, cantada com Paula Érica, retrata de forma misteriosa e onírica o amor e o desejo por alguém que já se foi. Diadorim, inspirada na obra Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa, traz o desabrochar de um desejo e uma nudez reveladora, acima dos preconceitos e dos padrões. Trilhos velhos brotando flores confere ao disco uma ciranda jazzistica. Cemitério de flores, em duo com o poeta Roberto Homem, é um folk-Seridó. Néctar, música feminista com teor existencial, mostra como a arte pode ser salvadora. O disco é encerrado com Liberto, parceria com Júlio César Bezerra, música de apelo hinduísta-cristão.

Os dois primeiros álbuns de Wescley Gama motivaram a atualização 1020 neste Barulho d’água Música em 30 de janeiro de 2018. Campos grandes reunidos figurou em 2017 entre os contemplados com a Menção Honrosa do conceituado sítio Embrulhador. Ed Felix, jornalista responsável pela indicação, como fazia anualmente desde 2010, há três anos apontara quais seriam em sua opinião os 100 melhores álbuns de cada temporada, mas como praticamente avaliou discos de todo o país, de todos os gêneros musicais (tanto físicos como distribuídos pela internet), abriu lista suplementar na qual selecionou outros trabalhos que, em meio a tantos, julgou que mereciam destaque entre nada mais, nada menos que 1.557 (!) discos, lançados entre 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2017, avaliados por Felix.

Quatro anos antes da indicação para campos grandes reunidos, com faixas que mesclam toques regionais,  rock e blues, seridolendas também garantira Menção Honrosa mesma distinção conferida pelo Embrulhador em 2013, por exemplo, a estrelas nacionais como Marcelo JeneciNenhum de Nós e Guilherme Arantes, entre 662 concorrentes. O disco tem um delicioso assaisonnement conferido pelo sanfoneiro Parcélio, da dupla com Paulinho, de Parelhas (RN), e homenageia o poeta mato-grossense Manoel de Barros; um comentário de Sérgio Vilar publicado pelo blogue Substantivo Plural em de 15 de janeiro de 2014 não deixa dúvidas quanto ao acerto do voto de Felix. “Fiquei deslumbrado com cada uma das 12 faixas. Seridolendas nos traz pureza interiorana mesclada à complexidade dos arranjos e à poesia de Iara Maria Carvalho. E nada de regionalismo (a exceção mais clássica talvez seja Coração Violento). A voz grave (me lembrou Samir Bilro) de Wescley conta histórias de arranjos próprios, singulares. É um CD original, fascinante, cheio de imagens por vezes surreais de baleias mortas em chãos rachados pelo sol. A beleza do disco começa já na capa: uma tela em acrílico assinada pelo artista plástico Assis Costa, intitulada Cabras do Sertão.”

Wescley Gama é natural de São Vicente, mas está radicado em Currais Novos, ambas situadas no Rio Grande do Norte. Se por conta da segmentação “seletiva” do mercado e da indústria do jabá-entretenimento viciosamente concentrada no “Sudeste maravilha” o músico é pouco conhecido fora do seu estado, a obra que ele assina ecoa a opinião de Vilar e só tem merecido elogios da crítica em sua região. Gama já levou, por exemplo, duas composições às semifinais do badalado Festival de Música do Beco da Lama (Mpbeco), em Natal: Janela na manhã e Hoje não faço mais caférespectivamente participantes da II e III edição. Janela na manhã também foi classificada no 1º Festival da Canção e da Cultura Potiguar, promovido em 2008 pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte. Em 2014, Wescley concorreu no 1º Festival de Samba e Jazz do Seridó (Currais Novos) e, em 2016, ano de lançamento de Campos Grandes Reunidos, tornou-se finalista do edital Música é Energia projeto do Som sem Plugs,  portal intermídia de produção e exibição de conteúdo original.

O “Sul maravilha” ainda não descobriu Wescley Gama, que vive em Currais Novos. Poeta e músico, ele já lançara seridolendas e campos grandes reunidos, ambos muito bem recebidos pela crítica especializada, além de livros de contos e de poemas vencedores de vários concursos dos mais gabaritados

O potiguar também recebeu indicação ao prêmio Troféu Cultura RN, tanto em 2015, quanto em 2016.  E a discografia inclui, ainda, chuva estiagem água lampiões (lançado em 2007 mais como um experimento poético). Paralelamente à carreira musical, ressalte-se que o potiguar fundador do Casarão da Poesia e produtor do blogue Planeta Jota também encanta os meios acadêmicos seridolenses e até importantes nomes da literatura universal. No ano passado, ele brindou amigos e admiradores com o livro Nove contos serranos e, como poeta, já se sagrou campeão dos três principais concursos de Poesia do estado: VII Concurso Luís Carlos Guimarães de Poesia (FJA, 2007); IV Concurso Zila Mamede de Poesia (Jornal Potiguar Notícias, 2008) e o IV Prêmio Rota Batida (Fundação Vign un Rosado)Mia Couto,  um dos maiores poetas da língua portuguesa, postou em sua página de uma mídia social (que à época, 25 de fevereiro de 2017, somava 465 mil seguidores) a belíssima canção Amanhecerágravado em parceria com a poetisa Iara Maria Carvalho em campos grandes reunidos  no qual Clarice Lispector, a exemplo de Manoel de Barros em seridolendas, outra paixão de Wescley, ganhou tributo. A postagem do escritor e biólogo moçambicano autor de Terra Sonâmbula e Mulheres de Cinza ultrapassou mais de 50 compartilhamentos apenas no dia em que Couto a publicou.

Leia mais sobre a música do Rio Grande do Norte ou conteúdos a eles relacionados e assista ao teaser de Canção de amor para uma moça judia  acessando os linques abaixo:

https://barulhodeagua.com/category/rio-grande-do-norte/

cancaodeamormocajudia

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s