1348 – Burro Morto, Zabé da Loca, Jackson Envenenado, Flávio José: conheça, ouça e curta conterrâneos de Genival Lacerda no blogue Música da Paraíba

Álbuns de ritmos e gêneros tradicionalmente nordestinos ou resultantes de fusões aparentemente incongruentes  compõem o  eclético cardápio de músicos e  de grupos conterrâneos de Zé Ramalho, Chico César e Socorro Lira disponíveis para serem baixados na faixa

“Nós somos irmãos por afinidade/já que a humanidade ergueu-se do pó/a mãe Natureza não tem preconceito/nem separa o peito para um filho só…” Otacílio Batista

A Covid-19 levou, recentemente, Genival Lacerda, um dos ícones da nossa cultura popular, que deixou como legado uma copiosa obra de valorização de ritmos nordestinos como o forró, o xote e o coco.

O Rei da Munganga conquistou várias gerações e sua majestade de quase sete décadas se espraiou para além do Nordeste a partir de sua cidade natal, Campina Grande (PB), contagiando o Brasil inteiro. Seu legado, certamente, ainda terá força e representatividade por muitos mais anos; o mercado comercial da música pode, logo menos, até começar a interferir e se mexer para que seja imposto ao gosto popular um novo ídolo, à feição do mainstream, contudo, assim como as contribuições de Luiz Gonzaga e outros nordestinos, será muito difícil, mesmo que a indústria do entretenimento force a barra, desidratar a marca do criador de Severina Xique Xique e todo o conteúdo cultural que seu nome carrega!

Mas, por outro lado, a internet tem amantes e críticos e tanto pode entrar na roda para promover, quanto para denegrir e esvaziar talentos, ajustando seus holofotes para incensar A ou B segundo conveniências de emissoras, mídias e empresas do mercado fonográfico. Vendo pelo lado bom, trata-se uma ferramenta capaz de integrar e ampliar boas ofertas de entretenimento e trabalhos culturais dos mais interessantes, reduzindo por meio do compartilhamento as distâncias e tornando mais democrático o contato entre o artista e os fãs, ajudando a formar novos públicos; fazendo aquilo que o Sr.Brasil, Rolando Brasil, chama de “tirar o Brasil da gaveta”. E os blogues cumprem bem este papel à medida a qual seus idealizadores e mantenedores (geralmente idealistas e um pouco desparafusados) se esforçam para garimpar e trazer à luz obras escondidas ou esquecidas pelo Brasil profundo à dentro.

Genival Lacerda é do mesmo barro, entre outros, de Jackson do Pandeiro, Zé Ramalho, Babilak Bah, Chico César, Cátia de França, Cabruêra, Zé do Norte, Geraldo Vandré, Sivuca, Canhoto da Paraíba, Jarbas Mariz, Vital Farias, Totonho e os Cabra, Socorro Lira, Elba Ramalho, Luiz Kiari. Quer estejam em atividade ou já partido para outro plano, estes são alguns dos conterrâneos de João Pessoa que fazem sucesso na música nacional de todos os tempos, com maior ou menor projeção. Mas, para além desta seleta lista, o estado que em seu território oferece atrações naturais como as paradisíacas praias de Manaíra e Tambaú, mais o farol Cabo Branco, em Ponta do Seixas, onde se localiza o ponto mais a Leste das Américas, inspira e é ainda berço de um sem-número de outros cantores, duplas, trios, grupos, bandas que buscam um lugar ao sol.

Como dica, quem tiver curiosidade e paciência, poderá constatar a riqueza da produção musical paraibana e o quanto ela é eclética fuçando no blogue Música da Paraíba. A equipe responsável pelo veículo, curiosamente, nada oferece de Genival Lacerda (autor de pelo menos 70 discos!), contudo de 2009 até hoje quando redigimos esta atualização teve a moral de elencar mais de 242 marcadores, compartilhando produções paraibanas de manguebeat ao samba; forró e frevo ao rock progressivo ou psicodélico; repente ao thrash metal; xaxado à cumbia; soul ao funk; MPB ao hardcore; caipira à música armorial; orquestra ao brega, punk à música étnica, galope à música andina; cordel, carimbó e muito mais ritmos e gêneros que misturam cítaras, pífanos, violões, violas, charangos, guitarras, triângulos, rabecas, zabumbas, piano, sanfona, flautas, metal pesado, enxadas, parafernálias xing lings, geladeira, furadeira, botijão de gás, um tanque de Chevette! A galera que é figurinha carimbada aqui no Sudeste maravilha está lá em peso, basta ver que apenas a etiqueta Jackson do Pandeiro dá acesso a 32 entradas; Zé Ramalho aparece com metade, 16, incluindo Paêbirú (1975), que ele assinou décadas atrás com o pernambucano Lula Cortês, virou ouro em pó e se tornou o “bolachão” mais cult e caro à venda por ai. Sivuca tem 11, quatro a mais que Chico César; Geraldo Vandré e Cátia de França, 5, cada, empatados com a Cabruêra.

O Barulho d’água Música não testou todos, obviamente, mas outro “pecadilho” do blogue Música da Paraíba além de deixar Genival Lacerda fora da festa é ter vários linques inativos ou que remetem a páginas de antivírus que alertam sobre os potenciais riscos de tentar dar prosseguimento aos downloads; pode ser porque os artistas torceram o nariz por verem seus trabalhos disponibilizados para serem baixados na faixa e exigiram a remoção dos linques a eles relacionados; pode ser porque são de até dez anos atrás e atualizar e administrar coletâneas deste porte exige renúncias e dá muito trampo…

Entre os linques que não funcionam ou acendem a luz amarela na tela do PC, por exemplo, estão os das quatro entradas de uma banda instrumental de João Pessoa com o sugestivo nome Burro Morto, cuja pegada investe no afrobeat, no rock, no funk e na psicodelia, com toques de tropicália, mas sem perder a raiz nordestina. A Burro Morto até já passou pelo palco do projeto paulistano Sesc Instrumental em maio de 2011, apresentando-se no Sesc Vila Nova e tem endereço no Face. Para ajudar, também na net há vários registros dos caras, como este  em https://auniao.pb.gov.br/noticias/caderno_cultura/musica-do-mundo-leva-burro-morto-ao-palco-da-funesc

Os demais trabalhos disponibilizados no Música da Paraíba, embora possam ter linques “quebrados” ou arriscados são, sem dúvidas, um baú com pedras preciosas que revela não apenas a capacidade produtiva/criativa e a diversidade dos músicos e dos compositores locais: de uma forma mais abrangente, demonstram o quanto somos um país rico e eclético culturalmente, o que cessa o mimimi de que coisa boa no Brasil seria só o que vem de fora ou é atração do Domingão do Faustão. Portanto, quer os autores busquem preservar as raízes paraibanas e/ou nordestinas, quer misturem o tradicional com o novo no mesmo liquidificador/caldeirão, batam tudo e sirvam um caldo de sabores experimentais, diversos e até aparentemente incongruentes e a princípio perturbador aos ouvidos (pensando em seguir carreira ou apenas em tirar uma onda e “viajar” comendo munguzá com saquê), configuram um mapa diversificado pelo qual vale a pena ao menos dar uma palmilhada de leve.

A incursão poderá começar, a título de sugestão, pela coletânea Farinha, Hardcore e Rapadura — que saiu pela Cactus Discos com “gente que começou a tirar um som entre 1998 e 2002 por aqui”, conforme observaram os produtores do blogue (http://musicadaparaiba.blogspot.com/search/label/Farinha%20Hardcore%20e%20Rapadura). Ou pelo álbum Brassil, junção de forças de um quinteto de metais formado em 1980 por professores da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), galera que já tocou em todas as regiões do Brasil e em vários lugares no exterior, ao lado de Sivuca e Dominguinhos, por exemplo, e Per Brevig e Charles Schlueter (http://musicadaparaiba.blogspot.com/search/label/Brassil)

Então, pega a visão: se você está folote (afolozado) e quiser dar um frexeiro de mais fôlego pelas águas deste oceano, deixaremos a seguir 15 indicações para a trip ser arretada! Os linques estão positivos e operantes, então é baixar, apertar o pitôco e curtir! Ah, os textos são integras extraídas do Música da Paraíba, com algumas breves edições!

As Parêa

(http://musicadaparaiba.blogspot.com/search/label/As%20Par%C3%AAa)

Banda paraibana criada no final de 1999 que, no ano seguinte, já estava abrindo shows de Lenine. Pode ser considerada a contrapartida paraibana do manguebeat, uma mistura de música popular com rock digna de Chico Science, rock-cocos, groove-cirandas, funk-bois e todas essas misturas modernosas, mas com o sentimento folclórico fortíssimo, longe de ter sido deturpado. Para infelicidade geral da nação, As Parêa encerrou as atividades no centro histórico de João Pessoa, em maio de 2009. 

O álbum homônimo, de 2002, contou com participações e colaborações de grandes músicos paraibanos tais quais Cátia de França, Chico César, Pedro Osmar, Escurinho, Chico Correa e vários outros. O resultado é de uma beleza indizível. De fato, é um dos poucos discos que se pode acrescentar entre os adjetivos, além de “inovador”, “criativo”, “do caralho” e esses de praxe, um “bonito” bem enfático. 

Caiana dos Criolos (http://musicadaparaiba.blogspot.com/search/label/Caiana%20dos%20Crioulos)

A comunidade quilombola de Caiana dos Crioulos, localizada no município de Alagoa Grande, distante 125 quilômetros de João Pessoa, reverencia e preserva a cultura dos antepassados, por meio do canto e da dança. “Não há uma festa no ano que não tenha uma ciranda, um coco-de-roda”, explicou Severina Luzia da Silva, ou Cida [à época da entrevista com 38 anos]. Além de agricultora, Cida é uma das integrantes do grupo musical que leva o nome da comunidade.

A tradição por lá é tão forte que Cida disse não se lembrar de quando ou como começou a usar a voz e o corpo para executar o coco. “Antigamente, não tínhamos outra diversão na cidade. Só me lembro de que o povo se reunia nas festas e ficava dançando e cantando a noite toda. E eu lá com eles”, revelou a quilombola, abrindo um sorriso.

Em Caiana dos Crioulos, ainda segundo Cida, bastava juntar algumas pessoas para que se formasse uma roda de ciranda ou de coco. “O pessoal vinha chegando para rezar um terço ou uma novena, mas não deixava de brincar.”

Além do canto e da dança, as rodas em Caiana também têm o pífano (instrumento de sopro), o triângulo, a zabumba e o ganzá (instrumentos percussivos).

Preocupados em manter a cultura local, os moradores incentivam a participação de crianças e jovens nas apresentações. “Temos também um grupo de ciranda-mirim, para não deixar morrer a tradição. Os mais velhos vão deixando o aprendizado para os mais novos”, completou Cida. A comunidade abriga aproximadamente 800 pessoas (cerca de 150 famílias), o que deve garantir muitas gerações de coquistas.

Clique aqui para baixar o álbum Caiana dos Criolos

Chico Correa/Thomas Barrière (Canape Duo) (http://musicadaparaiba.blogspot.com/search/label/Chico%20Correa)

Não se perca pelo nome Chico Correa porque se você é fã de jazz pode (e com certeza irá) associá-lo a Armando Anthony “Chick” Corea, pianista e tecladista de jazz estadunidense e compositor bastante conhecido por seu trabalho na década dos anos de 1970, tornando-o um expoente do gênero chamado jazz fusion, apesar de ter contribuições significativas para o jazz tradicional.

Sobre o paraibano de João Pessoa, estamos falando aqui de um dos membros do Canape Duo, que tem, ainda, Thomas Barrière, ambos guitarristas porretas. Barrière é francês e vive em Le Thor, no sul do país e com Chico Correa são experimentadores, com um currículo considerável no campo da improvisação livre. Com suas guitarras e um exército de aparelhos eletrônicos, os dois constroem atmosferas com texturas que vão se modificando lentamente e imperceptivelmente, numa polifonia de timbres, ruídos e fragmentos melódicos que flutuam à deriva na massa sonora.

Técnicas expandidas do instrumento e os vários equipamentos à disposição do duo permitem o aparecimento de elementos impensáveis – aqui uma percussão meio africana, ali um som de sopros orientais, e vez por outra uma passagem mais ruidosa quase digna do mago nova iorquino John Zorn. Improvisando ao vivo durante quase uma hora, o Canape Duo consegue manter a música viva e respirando ininterruptamente, criando uma espécie de mantra eletrônico do século XXI. É música para os fortes!

Derrotista (http://musicadaparaiba.blogspot.com/search/label/Derrotista)

Banda oriunda de Campina Grande, terra natal do rei da Munganga, a Derrotista toca punk rock com distorção leve  e influenciado pelo velho e sempre rock rock, com riffs marcantes! Os integrantes Ri (baixo e vocal), Bené (bateria) e Abu (guitarra e vocal) trazem para esse projeto influências de diversas esferas de suas vivências e de dentro do subterrâneo. 

O trio tenta transcender a música desenvolvendo um trabalho culinário que visa a propagar a dieta vegana como sendo uma opção ética, saudável e saborosa, além de ter participação ativa na cena underground da Paraíba. Traz nas letras questões como gênero, existência, trabalho e libertação animal. Destaque para a arte gráfica bem elaborada do EP (incluso no link, junto com as músicas), feita pelos próprios integrantes da banda. O material também foi lançado por um selo próprio, a Derrotista Discos.

Página oficial no Facebook: https://www.facebook.com/Derrotista

Flávio José (http://musicadaparaiba.blogspot.com/search/label/Fl%C3%A1vio%20Jos%C3%A9)

Flávio José Marcelino Remígio, ou apenas Flávio José, cantor, compositor e acordeonista, tem 11 entradas no Música da Paraíba. Sanfoneiro, suas principais influências são Luiz Gonzaga e Dominguinhos e consagrou-se como um dos maiores intérpretes de forró da região Nordeste do Brasil. Genival, afinal, não estava sozinho nesta brincadeira…

Nascido em Monteiro, na região do cariri paraibano, teve uma vida sofrida e difícil. Precoce, já aos sete anos revelou vocação para tocar acordeon. Aos 10 anos, seguindo o tino dos instrumentistas nordestinos, viu no “céu da boca o chão das estrelas do forró” e passou a cantar e a estar onde o povo estava (bem assim, seguindo a receita de Nos Bailes da Vida…) . Sempre acompanhado da sua sanfona de 24 baixos, o forrozeiro gravou oito vinis e 16 cedês, protagonizou milhares de shows e de eventos depois e passou a ser reverenciado como o “rei” do xote e do forró romântico dançante.

Conta-se que Flávio José é como os cavalos de desfiles de 7 de setembro em se tratando de contratos com gravadoras, não faz parte da indústria cultural, nem do esquema comercial do tal show business. Apesar do sucesso popular no Nordeste, não recebe espaço para divulgação de sua obra nas redes nacionais de rádio e televisão; já ouvira falar dele antes? Por isso, seu trabalho não aparece além do Nordeste. O cara só vai na dele, trilha um caminho próprio, em produção independente. Seu sucesso se faz boca a boca, de ouvido em ouvido, de cidade em cidade. Tem dia em que faz show em duas, três cidades diferentes, conforme informações extraídas de seu sítio virtual.

Um dos seus discos, Filho do Dono. tem participações especiais de Dominguinhos na terceira faixa, Gente sofrida (Antonio Barros e Dezinho Queiroga), e de Elba Ramalho, na quarta faixa, Dois rubis (Petrúcio Amorim). Também são destaque as trilhas iniciais Caia por cima de mim, de Maciel Melo, e a música que empresta o nome ao álbum, de Petrúcio Amorim. Destaque para outros dois xotes maravilhosos, Mensageiro beija-flor, de Nanado Alves, e Mulher comprometida, de Antonio Barros.

Sítio oficial: http://www.flaviojose.com.br

Grupo Etnia (http://musicadaparaiba.blogspot.com/search/label/Grupo%20Etnia)

O Grupo Etnia, entre 1986 e 1994, reuniu quatro músicos que moravam em João Pessoa: Alice Lumi, etnomusicóloga paulista descendente de japoneses, que toca uma profusão de instrumentos étnicos de sopro, cordas e percussão; Fernando Pintassilgo, graduado em flauta transversal na UFPB e especialista em instrumentos de sopro folclóricos; Paulo Ró, também conhecido pelo seu trabalho solo com a Jaguaribe Carne; e Milton Dornellas, que há muito tempo desenvolve trabalho como intérprete e compositor em João Pessoa.

A ideia do Grupo Etnia era a de compor e interpretar músicas folclóricas e tradicionais de vários lugares do mundo. Há uma profusão de músicas andinas, com charangos e flautas tradicionais, além de samba, ciranda, música japonesa e até experimentações com música eletrônica e atonal. Apesar da disparidade de estilos, pois uma música céltica irlandesa é seguida de um caboclinho com naturalidade, deram ao disco uma sonoridade impressionantemente coesa. Além disso, Canto Cereal, nome do disco do Etnia, é de um grande interesse histórico, pelo simples fato de reunir quatro grandes personalidades da história da música paraibana recente.

Jackson Envenenado

(http://musicadaparaiba.blogspot.com/search/label/Jackson%20Envenenado)

Direto das brenhas do interior da Paraíba, a cidade de Alagoa Grande, a banda tem como inspiração o imortal Jackson do Pandeiro. A Jackson Envenenado caiu no mundão em 2001 levando nas mochilas canções com doses cavalares de poesias filosóficas e sociais, temáticas nordestinas apimentadas com o bom e velho rock and roll. Pandeiro guitarra, baixo e batera batem um papo reto, num diálogo frenético, mas no qual ninguém fala grego ou deixa o parça e o fã com cara de ué.

Em sua trajetória, a Jackson Envenenado agitou diversos festivais e projetos culturais em vários Estados do Nordeste, tendo como registro o primeiro disco, Cultura de Levadas, dois singles premiados no MPB SESC; lançou, em 2012, o disco Quanto?. O amadurecimento artístico se fez com obras que navegam desde o rock and roll original do grupo a canções que põe na roda e casam o regionalismo paraibano e a temática ecológica, interagindo com o universo brejeiro, que é o grande pano de fundo que envolve o trabalho artístico da banda.

Site: http://www.jacksonenvenenado.com/

Myspace: http://www.myspace.com/bandajacksonenvenenad

Jaguaribe Carne (http://musicadaparaiba.blogspot.com/search/label/Jaguaribe%20Carne)

Este é outro trabalho redondo, com destaque para Instrumental (1993) o segundo disco do lendário projeto de Pedro Osmar e Paulo Ró criado no bairro pessoense de Jaguaribe, em 1974. É possível que a Jaguaribe Carne tenha sido a primeira banda completamente independente de Pindorama. E também muito mais do que uma banda, é um coletivo de guerrilha cultural, que surgiu para “estudar, difundir, praticar, experimentar, fazer intercâmbios e trocar ideias com artistas da cidade de João Pessoa e de todo o estado da Paraíba”.

É difícil, inútil e preguiçoso querer categorizar a Jaguaribe Carne dentro de um estilo musical. Os seus membros são o resultado de um conjunto gigantesco de influências planetárias, da música clássica e do caboclinho do sertão ao experimentalismo mais puro e mais livre.

O experimentalismo do Instrumental começa antes de você dar o play: cada um dos mil discos da tiragem ganhou uma capa diferente, feita por artistas plásticos profissionais e amadores, por meio de oficinas em várias cidades nordestinas. O disco é feito quase 100% de músicas instrumentais, é quase um manifesto de como a criatividade combate e derrota o virtuosismo estéril. Mas a faixa que abre o disco não é instrumental. A letra é simples: o povo não precisa de esmola / precisa de escola pra se educar / precisa de cultura para avançar / o povo precisa de armas pra trabalhar / precisa de justiça pra se afirmar. Role Jaguaribe Carne e se ligue, no final, na entrevista…

Macumbia

Esta banda de João Pessoa traz influências latinas como cumbia e salsa, nacionais como brega, carimbó, e do reggae e do ragga, uma salada de frutas que nem precisa de creme de leite! O linque da entrada deles no blogue Música da Paraíba já era, mas Chuta que é Macumbia — o abre-alas da galera–, pode ser ouvido na íntegra nestes dois a seguir (http://musicadaparaiba.blogspot.com/search/label/Macumbia)

https://www.youtube.com/watch?v=ieCMIQuZQCw

Vá lá, caia de cabeça e e um bico no baixo-astral que a pandemia do coronavírus pode estar causando, pois valerá a pena!

Néctar do Groove (http://musicadaparaiba.blogspot.com/search/label/N%C3%A9ctar%20do%20Groove)

A Néctar do Groove surgiu em João Pessoa em 2006 – os brothers suíços Stephan Tomas (saxofone) e Peter Bühler (percussão) se meteram a fazer jam sessions com Victorama (bateria), Orlando Freitas (baixo) e Cristiano Oliveira (viola caipira) e o resultado foi a formação da banda, que doppo passou também a contar com o guitarrista Marcelo Macedo.

Apenas com um EP anteriormente lançado, depois de cinco anos tocando em diversos eventos alternativos, além de bares e restaurantes da capital paraibana, a banda presenteou os manos com um disco de produção impecável, gravado ao vivo! Talvez a idéia fosse justamente preservar o clima de jam session que a banda sempre passa em suas apresentações. 

É jazz de responsa, brô, groove que não acaba mais!

Linque do blogue: http://odhecaton.blogspot.com

Otacílio Batista e Oliveira das Panelas (http://musicadaparaiba.blogspot.com/search/label/Oliveira%20de%20Panelas)

Otacílio Guedes Patriota, mais conhecido como Otacílio Batista, nasceu a 26 de setembro de 1923 em São José do Egyto (PE) e morou na Paraíba desde 1977. Membro de uma família que contabiliza mais de cem cantores e poetas,  ingressou na carreira musical quando fez sua primeira cantoria, durante a tradicional festa de Reis, realizada em sua cidade natal, a 6 de janeiro de 1940.

Otacílio  Batista

Numa época em que os repentistas eram mais aventureiros, Otacílio  Batista andarilhava por várias cidades rasgando o interior nordestino juntamente com os irmãos Lourival e Dimas Batista. Nesse ritmo, rapidamente aprimorou seu trabalho, envolvendo a diversidade de tipos da cantoria com suas sextilhas, “quadrão” em 8 e em 10, martelo agalopado, mote, gemedeira, entre outros ritmos que Lampião e seu bando dançavam nas funções quando davam um tempo das atividades do cançago .

Por exigência da profissão, os rolês continuaram mesmo depois que foi morar no Ceará, onde ficou por mais de 20 anos, casando-se com Rosina Freitas, esposa com quem teve 10 filhos. Além das aventuras, a época favorecia também maior atuação dos repentistas nas rádios nordestinas. Em Pernambuco, Otacílio Batista participou de um programa na Rádio Clube de Pernambuco e também em emissoras de Caruaru (PE), Fortaleza (CE) e na Rádio Tabajara de João Pessoa, onde manteve um programa diário durante mais de uma décadas. Otacílio Batista também teve participações na televisão, a exemplo do  Senhor Brasil, apresentado por Rolando Boldrin.

Quando vivia somente de sua arte, Otacílio Batista percorria o Brasil do Oiapoque (AP) ao Chuí (RS). Esteve também no exterior. Quando em parceria com Oliveira de Panelas, foi a Portugal, em 1996, a convite do governo português; e a Cuba, quando participou do Festival de Cultura Caribenha, no ano de 1997.

Repentista, escritor e sobretudo poeta, Otacílio Batista registrou sua obra em nove discos, mais de dez livros, vários folhetos de cordel, além de ter sido tema em matérias jornalísticas da grande imprensa brasileira, a exemplo do Jornal do Brasil e Folha de São Paulo. No campo literário, considera sua obra mais importante a Antologia Ilustrada dos Cantadores, cuja primeira edição foi lançada em 1976. Esgotado em suas duas edições, o livro consiste numa pesquisa relatando a vida e obra de mais de 300 cantadores de viola.

Otacílio Batista lançou, também, os livros de poesia Ria até cair de Costa(82), A Criança Abandonada e outros Poemas (83), O Caçador de Veado (87), O Que Me Falta Fazer mais e Outros Poemas(90), Poemas Escolhidos (93); os autobiográficos Os Três Irmãos Cantadores (95) e Dois Poetas do Povo e da Viola – Otacílio Batista e Oliveira de Panelas (96); além dos cordéis Peleja de Otacílio Batista com Zé Ramalho e Peleja de Zé Limeira com João Mandioca, entre outros.

Sua discografia é composta pelos bolachões Só Deus Improvisa Mais – Otacílio Batista e Oliveira de Panelas (1976), Otacílio Batista do Pajeú, produzido por Zé Ramalho em 1976; Os Irmãos Batista do Pajeú – Dimas, Otacílio e Lourival, Coletânea de Repentistas (75); Apelo ao Papa (parceria com Pedro Bandeira, quando se apresentou na visita de sua Santidade João Paulo II a Fortaleza em 1980) e Meio Século de Viola (89). Mais sobre ele pode ser conferido no documentário A Voz do Uirapuru.

Depois de ouvir Otacílio Batista cantar durante um festival de violeiros realizado no Rio de Janeiro, o poeta Manuel Bandeira  mandou os seguintes versos:

“Anteontem, minha gente,/Fui juiz numa função/De violeiros do Nordeste/Cantando em competição,/Vi cantar Dimas Batista,/Otacílio, seu irmão,/Ouvi um tal de Ferreira,/Ouvi um tal de João./Um a quem faltava um braço/Tocava cuma só mão;/Mas como ele mesmo disse,/Cantando com perfeição,/Para cantar afinado, Para cantar com paixão,/A força não está no braço,/Ela está no coração./Ou puxando uma sextilha,/Ou uma oitava em quadrão, Quer a rima fosse em inha/Quer a rima fosse em ao,/Caíam rimas do céu,/Saltavam rimas do chão!/Tudo muito bem medido/No galope do Sertão./A Eneida estava boba,/O Cavalcanti bobão,/O Lúcio, o Renato Almeida,/Enfim toda comissão./Saí dali convencido/Que não sou poeta não;/Que poeta é quem inventa/Em boa improvisação/Como faz Dimas Batista/E Otacílio seu irmão;/Como faz qualquer violeiro,/Bom cantador do Sertão,/A todos os quais humilde/Mando minha saudação.”

Pedro Osmar (http://musicadaparaiba.blogspot.com/search/label/Pedro%20Osmar)

Na música, a maior parte das coisas que deram resultados interessantes surgiram a partir da fusão de elementos contrastantes, muitas vezes até opostos e, à primeira vista, inconciliáveis. Visto daí, esse disco de Pedro Osmar que pode ser visitado pelo linque acima deve ser uma das obras mais interessantes desse começo de século.

Por um lado, temos Pedro Osmar, paraibano, veterano de música experimental com a Jaguaribe Carne, fundado em 1974, um dos primeiros e até hoje ainda poucos praticantes da livre improvisação no Estado. Sua especialidade são percussões, violas, violões, em busca da sonoridade acústica da música popular nordestina. Junto a ele, temos Loop B — paulista, programador de sons, um mestre da música eletrônica, dos samples, do que há de mais moderno em relação à tecnologia musical, ou seja, dois perfis aparentemente tão distantes, mas na verdade muito próximos, graças ao prazer pela experimentação.

Entre a instrumentação usada por Loop B, além de xing lings eletrônicos, há uma geladeira, uma furadeira, um bujão, um tanque de Chevette (que aparece ligado num pedal delay) cápsulas vazias de balas de canhão, um serrote, um monitor de computador, um painel de carro, uma placa e até uma espada de brinquedo. Entretanto, se você espera um disco barulhento, experimentações que vão longe demais e não chegam a lugar nenhum, aquela excentricidade pelo mero prazer da excentricidade, vais cair do jegue! O cuidado com a sonoridade é tão grande que mal dá pra notar que tem o tanque do carro da Ivete cantando – algumas músicas quase beiram o easy-listening. É um disco para provar que não necessariamente o que é experimental é barulhento e que nem necessariamente o agradável tem de ser simples e desinteressante – uma concepção comum entre os experimentadores mais cascudos.

Pinto de Monteiro (http://musicadaparaiba.blogspot.com/search/label/Pinto%20de%20Monteiro)

Severino Lourenço da Silva Pinto foi um poeta superlativo, vai ouvindo… Astuta raposa, cobra das mais venenosas. o seu poder de criação e a velocidade de raciocínio muitas vezes faziam as palavras tropeçarem umas nas outras, não pelo verso quebrado, absolutamente, mas quase engolindo sílabas, dada a ligeireza dos versos despejados em turbilhão. Autor de versos contundentes, tudo nele transpirava grandiosidade. Foi um gênio da cantoria.

A data de seu nascimento é incerta. Mas numa entrevista concedida a Djair de Almeida Freire, em 11/04/1983, na casa do poeta, este calculou que veio à luz a 21 de novembro de 1895, por volta da uma da madrugada:

Nasci na rua, mas morava em Carnaubinha. Com sete anos de idade, por volta de 1903, fui para a Fazenda Feijão. Saí de lá em 1916, 30 de junho. Meus avós eram da Itália. Quando chegaram por aqui se misturaram com sangue de português. Esse Monteiro é parente dos Brito, eu sou parente dos Brito”.

Pinto de Monteiro

Essa figura legendária, que atendia pelo nome de Pinto do Monteiro, correu muito trecho pelo Brasil afora. Filho de um tropeiro com uma doméstica, Pinto de Monteiro experimentou muitas profissões, antes de se dedicar inteiramente à viola. Para começar, atacou de vaqueiro. Foi, ainda, soldado de polícia, guarda de serviço contra a malária, auxiliar de enfermeiro, vendedor de cuscuz no Recife. “Depois larguei o cuscuz e ficava cantando na calçada do mercado de São José”, declarou o próprio Pinto de Monteiro.

Recordou outra vez que, ao cantar como estreante, alguém o alertou: “Se você continuar, vai cantar de assombrar o mundo”. E assombrou.  Já somava 25 anos quando começou a cantar. Foram seus mestres de cantoria Saturnino Mandu, de Poções (PE), Manoel Clementino, de Sumé (PB), e José de Lima, em companhia de quem foi ao Recife e cantou com muitos repentistas daquele Estado.

Pinto de Monteiro, que em vida se estranhava com Patativa do Assaré — trilili que quem ler a íntegra da entrada sobre ele no blogue Música da Paraíba vai entender — bateu 101 primaveras. Já velhinho, carregava um pandeiro para acompanhá-lo nos improvisos, alegando que “o volume é mais pequeno/e o pacote é mais maneiro”. Para alegria dos admiradores, deixou sua voz registrada em dois elepês — Pinto do Monteiro: Vida, Poesia e Verdade, produzido pela Fundação Joaquim Nabuco; e Pinto de Monteiro e Zé Pequeno: acelerando as asas do juízo, de selo independente. Há, ainda, sua imagem e voz em inúmeras fitas de vídeo, super-8, cassete e cinema, sem contar possíveis registros de muitos dos festivais dos quais participou no Recife, em Sampa, em João Pessoa, em Fortaleza, em Caruaru, em Limoeiro, em Petrolina, em Campina Grande, entre outras cidades.

Entre 1988 até a morte, Pinto permaneceu em Monteiro (PB). Já cego e paralítico, porém totalmente lúcido, entregou-se à morte por absoluta falta de opção, numa noite de domingo, 28 de outubro de 1990, após viver mais de dez décadas e deixar seu nome inscrito nos anais da fama como cantador dotado de muita agilidade mental e muita ironia.

A viola de Pinto de Monteiro era sagrada e tinha um ciúme danado dela. Quando ele próprio sentiu que já estava próximo de desencarnar, muito doente, fez a seguinte recomendação à mulher:

Velhinha, quando eu morrer/Conserve a minha viola/Bote ela numa sacola/E deixe o rato roer/Barata dentro viver/O morcego morando nela/O cupim comendo ela/E ela perdendo o valor/Só não deixe cantador/Bater mais nas cordas dela.

Zabé da Loca (http://musicadaparaiba.blogspot.com/search/label/Zab%C3%A9%20da%20Loca)

A pifeira Isabel Marques da Silva, mais conhecida como Zabé da Loca, era natural de Buíque (localizada no agreste pernambucano), mas ainda menina se mudou para  Monteiro, na Paraíba, onde acabou ganhando o apelido e nome artístico que deriva do fato de ter vivido por mais de 25 anos em uma loca (ou gruta), habitação fechada por duas paredes de taipas em um sítio nas proximidades da cidade paraibana. Sempre acompanhada de seu pífano, Zabé, que desperta atenção pela propriedade com que executa o instrumento, é também reconhecida como a “Rainha do Pife” – forma como os sertanejos chamam o pífano.”

A infância, entretanto, nada teve de realeza para Isabel: dos quinze irmãos, oito morrerem de fome, doença e sede. Aprendeu a tocar o pife com o irmão Aristides (do qual, já adulta nunca mais soube do paradeiro). A vida seguiu sofrida após a mudança de Estado, marcada por muito trabalho ao cabo de enxada, casada com Delmiro, do qual mais tarde ficou viúva e com o qual teve dois filhos. Com grandes dificuldades financeiras, viu a casa em que vivia desmoronar, levando-a e à família a se abrigarem sob duas pedras na serra do Tungão, onde permaneceram por um quarto de século.

Já em 2003, Zabé da Loca passou a morar no Assentamento Santa Catarina, também em Monteiro. Nesta época, aos 79 anos de idade, é que foi descoberta pelo programa Biblioteca Rurais Arca das Letras, do Ministério de Desenvolvimento Agrário, que além de implantar e incentivar a leitura no campo, também identifica a potencialidade culturais das comunidades rurais. No mesmo ano gravou o álbum aqui destacado, Canto do Semi-Árido, com composições próprias como Balão, Araçá cadê mamãe e Fulô de mamoeiro, mais uma versão de Asa Branca, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira.

Zabé da Loca apresentou-se em 2004 no Fórum Cultural Mundial, ao lado de Hermeto Pascoal. Em 2007, gravou Bom Todo, pelo selo Crioula Records, com a direção artística de Carlos Malta, lançado no ano seguinte no Sesc Pompeia, em São Paulo. Ainda em 2008, foi condecorada com a Ordem do Mérito Cultural, do Ministério da Cultura e eleita “Revelação da Música Brasileira”, no Prêmio da Música Brasileira.

A pifeira morreu em Monteiro, já com a saúde fragilizada em decorrência de Mal de Alzheimer, em 5 de agosto de 2017. Seu corpo foi velado na Associação Cultural Zabé da Loca , em seguida no Centro Cultural de Monteiro até o sepultamento no Cemitério Municipal da mesma cidade.

Para saber mais de sua história: http://www.myspace.com/pifedaloca#ixzz0zeKgs53L

Zé Viola progressive band

(http://musicadaparaiba.blogspot.com/search/label/Z%C3%A9%20Viola%20progressive%20band)

O Zé Viola progressive band é um projeto idealizado por André Nóbrega e Helder Laurentino em João Pessoa; o nome Zé Viola vem de uma homenagem aos músicos Zé Guilherme e Chico Viola pela musicalidade e atitude compatíveis com a expressividade regional destes artistas. O nome segue como inspirações o rock progressivo e um dos maiores nomes desse gênero, a banda britânica formada em 1965, Pink Floyd, que por sua vez é a junção, também, do nome de dois artistas da época admirados pelos roqueiros, Pink Anderson e Floyd Council.

“Esse grupo musical traz consigo reflexões da vida cotidiana, sua música rockeanesca em embate harmonioso com os sotaques nordestinos nos remete ao autêntico, ao novo desafiador”, escreveu Roderick Fonseca, da banda potiguar Café do Vento. “Os quatro músicos cabras da peste coexistem permanentemente com seus devaneios multimusicais, com sede e fome antropofágica do experimento poético e sonoro finalmente fundem-se nesta brilhante concepção musical chamada Zé Viola progressive band”. O quarteto reúne André Nóbrega (voz e guitarra); Helder Laurentino (guitarra, triângulo e vocal), Michel Charles (baixo) e Nielsen Batista (bateria).

Biliu da Campina: Essência e independência contra o “forró de plástico”

Severino Xavier de Souza, conhecido por Biliu de Campina, outro forrozeiro de Campina Grande, 18 anos mais novo que Genival Lacerda, a exemplo do seu concidadão também não aparece no blogue Música da Paraíba, mas o Quadrada dos Canturis dá acesso a nove de dez álbuns dele, gravados entre 1989 e 2011, todos independentes, por meio deste linque: https://www.mediafire.com/folder/s8ogit3fi6pqc/

Nascido em 1 de março de 1949, Biliu de Campina é compositor, cantor e advogado e em 2014 foi atração do programa Sr.Brasil, apresentado por Rolando Boldrin. O fato de estar ausente no Música da Paraíba pode ser explicado por este trecho do texto do médico do programa familiar no sertão pernambucano, professor da Universidade do Vale do São Francisco (Univasf/PE) e militante da Frente Brasil Popular de Pernambuco de Aristóteles Cardona Júnior que o apresenta no Quadrada dos Canturis:

“Um dos motivos que faz a sua música ser tão difícil de encontrar talvez seja sua ‘independência’ convicta: Biliu é um exemplo do artista que não se vendeu para as gravadoras e assim manteve a coerência musical em seus álbuns”.

Biliu da Campina

O próprio Biliu da Campina, em entrevista ao jornalista Orlando Ângelo, em maio de 1989, dissera:

A música nordestina está ficando poluída pela variedade de ritmos que estão misturando a ela, num trabalho de descaracterização da música genuinamente nossa que é o coco, o xaxado, o baião, o xote, entre outros, sendo o coco o pai de todos os ritmos. Essa variedade de ritmos que existe na atualidade é uma forma que as produtoras encontraram para fabricar cantores e danças, a exemplo do que acontece com a lambada e o fricote etc. Esse processo de criação de ritmos é efêmero e só visa ao lado econômico da questão, sem se preocupar com a valorização da música nordestina”

Biliu da Campina se opõe ao “forró de plástico”, como ele classifica o trabalho que não respeita as tradições e se rende ao mercado. Sua marca guarda a essência das tradições, com o bem temperado suingue característico dos discípulos de Jackson do Pandeiro e uma irreverência no duplo sentido das letras [Genival Lacerda seguia esta mesma cartilha] que evidencia bem toda a malícia e o bom humor nordestinos com composições que apresentam, ainda, diferentes formas de tocar e  de cantar o forró, como o rojão e a embolada. O campinense alega que prefere manter um trabalho local por opção e menos por falta de oportunidade de mostrá-lo em âmbito nacional, pois não quer se desgastar no Sudeste, batendo portas lacradas e ser trocado por modismo do mercado fonográfico.

Além da discografia de Biliu da Campina, o Quadrada dos Canturis traz 39 entradas com álbuns de Jackson do Pandeiro pelo linque https://www.mediafire.com/folder/07put053qbmu1/

O Barulho d´agua Música não testou nenhum dos linques de ambos os artistas.

Leia entrevista de Biliu de Campina concedida em 2002 para a revista Ritmo Melodia pelo linque https://www.ritmomelodia.mus.br/entrevistas/biliu-de-campina/

Sobre o blogue Música da Paraíba

Música feita por quem nasceu aqui, por quem vive aqui ou, ainda, por quem se identifica com as nossas particularidades, mas que fala para o mundo”, observam os criadores do blogue Música da Paraíba, que assim prosseguem: “As postagens pretendem compartilhar o prazer em divulgar o cancioneiro paraibano, sem objetivos comerciais. Nesse sentido, os arquivos aqui inseridos estão voltados à divulgação e apreciação dos sons da Paraíba”. Por fim, alertam: “Se alguém se sentir prejudicado, basta nos enviar um e-mail ou tweet para que o post seja retirado.”

Os endereços para contato com a moçada são: musicadaparaiba@gmail.com/twitter.com/musicadaparaiba/facebook.com/musicadaparaiba

Leia também aqui no Barulho d’água Música:

1345 – Genival Lacerda deixa contribuição indelével à cultura popular do país, com irreverência e deboche

1303 – Produtora cultural paulistana promove apresentações virtuais para comemorar 90 anos de Sivuca (PB)

1195 – Luis Kiari (PB) lança De Dentro, pelo selo Kuarup, com participações de Nando Cordel e Chico Lobo

1180 – Ana Costa, Dorina e Lu Oliveira lançam álbum em homenagem a Socorro Lira (PB)

1170 – Rock, baião e psicodelia fervem no caldeirão de “Paêbiru”, bolachão mais caro da MPB

1116 – Cátia França, Consuelo de Paula e Déa Trancoso cantam em “Mamelucas”, no Sesc Pompeia

Baixe gratuitamente a discografia de Cátia de França (PB) do blog Quadrada dos Canturis

 

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