1361 – Selo Sesc lança mais um EP, o terceiro da série do álbum Viola Paulista II*

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Com Luciano Pereira (Conteúdo Comunicação)

O Selo Sesc lançou na quarta-feira, 3 de março, o terceiro epê da coletânea Viola Paulista II, desta vez dedicado a violeiros da região Sudeste do estado de São Paulo. Nesta rodada nomes importantes que se dedicam a tocar o instrumento (Ricardo Anastácio, Zeca Collares, Fernando Deghi e Ricardo Vignini) representam Sorocaba e região, e assim vai sendo completado o mapeamento do instrumento no estado bandeirante, que já disponibiliza nas plataformas digitais do selo Sesc Digital as coletâneas que formam os epês 1 e 2; em 10/3 será lançado o 4 e, uma semana depois, em 17 de março, as faixas do 5.

O projeto Viola Paulista tem a curadoria do violeiro, compositor, professor universitário e pesquisador Ivan Vilela e reúne, ao todo, 20 artistas de carreiras consagradas, incluindo Adriana Farias e Juliana Andrade, representantes de um crescente protagonismo feminino no mundo da viola. 

Da dupla Tião Carreiro e Pardinho, sucesso na década dos anos 1960 ao eternizar o pagode de viola – à variante da música sertaneja brasileira marcada pelo ritmo diferente com toque aperfeiçoado do violão e da viola caipira juntos –, chegando ao violeiro e compositor Almir Sater no elenco da novela Pantanal, em 1990 – que ajudou a popularizar o instrumento -, a viola vem ganhando o status de símbolo do Brasil rural que canta e dança. Muito popular no Interior do país, em especial na região Centro-Sudeste, o instrumento se consolidou como uma forte manifestação do movimento popular e cultural.

Para traçar o mapa etnográfico do uso do instrumento no estado de São Paulo, celeiro de notáveis músicos, compositores e de inúmeras orquestras de viola caipira, o Selo Sesc convidou Ivan Vilela. O projeto, iniciado em 2018 com o lançamento da primeira edição do álbum Viola Paulista, apresentou ao público as múltiplas sonoridades deste instrumento, ora por meio de faixas instrumentais, ora cantadas, reunindo cantores e grupos diversos que têm em comum a paixão pela história e pelo som da viola.

Em 2021, para o segundo disco, Vilela convocou expoentes cuja carreira já encontra mais respaldo junto ao público e à cena musical. Neste novo mapeamento, os violeiros abrangem todo o território paulista, oriundos das regiões de Avaré, Bauru, Campinas, Piracicaba, São José do Rio Preto e Sorocaba.

O lançamento da segunda coletânea, dividida em 5 epês, dá voz aos diferentes sotaques que soam das cordas do instrumento em todo o Estado. Assim como as duas anteriores e as futuras, a terceira seleção poderá ser conferida nas plataformas virtuais, incluindo a do próprio Sesc Digital, que  oferece todo os conteúdos gratuitamente e sem necessidade de cadastro. Clique aqui e ouça.

Cigarrim de paia, pinga com cataia; Viola de faia, ai é bão demais sô’.

Os versos são da letra de Ricardo Anastácio que, em interpretação solo, toca e canta a respectiva música (Isso é bão demais) no álbum. Anastácio produz música carregada de sonoridade caipira paulista, com raízes no tropeirismo. Nascido em Assis, no Vale do Paranapanema, região Oeste de São Paulo, e radicado em Votorantim, dirige orquestras de viola e assim como na vizinha cidade de São Roque já transitou por diversos segmentos da música instrumental brasileira quando ainda dedicava-se ao violão clássico. Professor e tocador de viola, Ricardo Anastácio tem livros publicados sobre aspectos da Cultura Caipira e do Nheengatu – língua com origem no tronco linguístico Tupi-Guarani e muito falada durante a formação do universo cultural caipira tanto por indígenas, como por não-indígenas.

Ivan Vilela e Zeca Collares (Foto: Paula Rocha)

Compositor notável e tocador de viola que traz a sonoridade do Norte de Minas (é natural de Grão Mogol, município encravado na região de Montes Claros e na Serra do Espinhaço) para o universo da viola paulista, Zeca Collares é professor do Conservatório de Tatuí e vive em Sorocaba. Junto aos músicos Fábio Gouvea (guitarra) e Cleber Almeida (percussão), gravou sua composição autoral, Mirando a Mira. Em suas composições vocais e instrumentais, Collares apresenta uma fusão entre a música de raiz brasileira, jazz o barroco e elementos contemporâneos. Com mais de 20 anos de carreira e oito discos lançados, já dividiu o palco com Hermeto Pascoal, Duofel e Pena Branca e Xavantinho, só para ficar nestes exemplos.

Fernando Deghi: Caio Csermak

Compositor e exímio tocador de viola, de técnica muito apurada, Fernando Deghi, com passagem pelo violão clássico, também é afinador de pianos. Para o álbum Viola Paulista II gravou a peça instrumental Navegares — composição que resgata um pouco da sonoridade dos violonistas paulistas da década dos anos 1950, como Paulo Vanzolini. Atualmente, Deghi mora em Portugal, onde se dedica ao projeto de mestrado no Instituto Politécnico de Castelo Branco. Por lá, também tem trabalhado com construção da viola beiroa, típica da região portuguesa que faz fronteira com a Espanha.

 

Ricardo Vignini (Foto: Paula Rocha)

Ricardo Vignini é um dos protagonistas de um grupo de músicos que trabalha a viola caipira na vertente do rock. À viola de corpo maciço que utiliza nos concertos incorporou pedaleiras e eletrificou o instrumento. Músico com olhar dedicado à tradição e a modernização, é o violeiro “guitarrista” da banda Matuto Moderno, que há 20 anos mistura música caipira com rock.

Isso é bão demais (Ricardo Anastácio)/Músico: Ricardo Anastácio (viola e voz)/Afinação: Cebolão em mi

Mirando a mira (Zeca Collares)/Músicos: Zeca Collares (viola), Fábio Gouvea (guitarra) e Cleber Almeida (percussão)/Afinação: Cebolão em ré

Navegares (Fernando Deghi)/Músico: Fernando Deghi (viola)/Afinação: Coimbra terça abaixo

Amálgama (Ricardo Vignini)/Músicos: Ricardo Vignini (viola), André Rass (percussão) e Ricardo Carneiro (guitarra)/Afinação: Cebolão em ré

As seleções 1 e 2 do álbum Viola Paulista II já estão disponíveis com gravações de Adriana Farias, Arnaldo Freitas, da dupla Cláudio Lacerda e Rodrigo Zanc, Levi Ramiro, músicos de Bauru e região; e de Fernando Caselato, João Arruda, João Paulo Amaral e Zé Helder, tocadores das regiões de Campinas e de Piracicaba.

Próximos lançamentos

10 de março/EP 4 – Enúbio Queiroz, Juliana Andrade, Fábio Miranda e Márcio Freitas

17 de março/ EP 5  – Lauri da Viola, Wilson Teixeira, Neymar Dias e Júlio Santin

Ficha técnica: Viola Paulista – Volume II

Curadoria e direção musical: Ivan Vilela

Produção executiva: Paula Rocha e Caio Csermak – Arueira Expressões Brasileiras

Gravação: Maurício Cajueiro

Mixagem: Ivan Vilela e Maurício Cajueiro

Masterização: Homero Lotito

Assistente de gravação: Pedro Henrique Florio

Estúdio: Cajueiro Áudio (Campinas, SP)

Fotografia e vídeo: Paula Rocha e Caio Csermak

 Ivan Vilela – curador e diretor musical

SELO SESC

Criado há 16 anos, o Selo Sesc tem o objetivo de registrar a amplitude da produção artística brasileira construindo um acervo pontuado por obras de variados estilos, épocas e linguagens.

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1070 – Concertos em São José dos Campos e em Araraquara lançam volume I do álbum “Viola Paulista

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