1365 – Consuelo de Paula (MG/SP) apresenta Maryákoré Duo em cinco concertos gravados no Vale do Paraíba *

#MPB #MúsicaIndígena #MúsicaIndependente #CulturaPopular

*Com Eliane Verbena

Consuelo de Paula vive um momento musical de comemoração. Maria Bethânia acaba de lançar em formato single Sete Trovas, canção da mineira de Pratápolis, em parceria com Rubens Nogueira e Etel Frota. E o show Maryákoré Duo, baseado em seu sétimo álbum, estreará temporada virtual neste domingo, 21 de março, programada para ter novas rodadas de 60 minutos cada em 27 de março, 3, 10, 14 e 18 de abril (domingos, às 19h, sábados e quarta-feira, às 21h) em seu canal cujo linque é https://cutt.ly/consuelodepaula.

O álbum Maryákoré, lançado em 2019, é definido por Consuelo de Paula como obra provocadora naquilo que tem de mais feminino, mais negro, mais indígena, e, por extensão, mais reveladora das mulheres em todas as suas condições. O título pode ser entendido como uma nova assinatura da cantora e compositora: maryá (Maria é o primeiro nome de Consuelo), koré (flecha na língua paresi-haliti, família Aruak), oré (nós, em tupi-guarani), yakoré (nome próprio africano).

O concerto da série foi gravado no estúdio Mirante, em São José dos Campos, cidade do Vale do Paraíba paulistano, com as montanhas da Serra da Mantiqueira emoldurando o cenário. Consuelo (voz, violão e caixa do divino) estava acompanhada por Ana Rodrigues (piano e bombo leguero) e interpreta o repertório completo de Maryákoré. O roteiro traz também canções essenciais de trabalhos anteriores, como Riacho de Areia (em Samba, Seresta e Baião – tema popular dos canoeiros do Vale do Jequitinhonha, adaptado por ela); Retina (versão instrumental de Ana Rodrigues) e Dança para Um Poema (ambas parcerias com Nogueira, gravadas em Dança das Rosas), além de Canto do Povo Kiriri e Canción con Todos (César Isella e Armando Tejada Gómez).

Consuelo de Paula, além de assinar todas as composições de Maryákoré, é responsável pela direção, pelos arranjos e violões e por algumas percussões. É nítida no disco a harmonia entre Consuelo e sua música, sua poesia, sua expressão e a estética apresentada. Ao interpretar letras carregadas de imagens e sensações, ao dedilhar os ritmos que passam por Minas Gerais e pelos sons dos diversos “brasis”, notamos Consuelo imersa em sua própria história de vida e a arte integrada às canções.

O violão, seu instrumento de composição, revela-se também, de maneira ousada e criativa, como parte do corpo dela; e como koré provoca as composições ao mesmo tempo em que comanda e orienta os ritmos que dão originalidade à obra. Consuelo gravou o violão e a voz ao vivo no estúdio e simultaneamente, transpondo para as faixas a naturalidade e a energia original das canções. O desafio pode ser conferido ouvindo Maryákoré: ora o violão silencia as cordas para servir de tambor, ora se ausenta para deixar fluir a voz à capela; em outros momentos as cordas produzem somente um pizzicato para acompanhar o movimento da melodia; e, às vezes, soa como percussão e instrumento harmônico.

 O álbum está dividido em dois movimentos. Da mesma maneira que assistimos a um bom filme, acompanhar o roteiro de Maryákoré é uma experiência surpreendente. O primeiro começa com Ventoyá. Consuelo abre o disco batucando no violão, trazendo um clima de ventos e tempestades que anunciam uma nova estação. Na sequência, Andamento, que compôs quando viu um instrumento feito por índios brasileiros (pau de chuva) e se lembrou de um verso do terno dos marinheiros de Pratápolis: “eu vou, eu vou remando contra a maré”. E o trio de abertura se faz com Chamamento, em um clima de capoeira que Consuelo realiza com o seu toque de violão-berimbau. E com seu violão harmônico e percussivo, traz na quarta faixa a canção homônima ao álbum: “Sou a fumaça que sobe na mata na hora mais quente / a fogueira no quintal da minha gente / sou maryákoré, katxerê, marielle da maré / sou a lua, a luta e os nossos olhos brilhando horizontes”. No final, Consuelo cria outro ambiente no qual cita Tom Jobim (“deixe o índio vivo”) e um ponto de candomblé. “Separaçãoencerra o primeiro movimento: é a música da ausência, do silêncio. O violão, em pizzicato, é perfeito para o sentimento que a canção nos causa.

O segundo movimento começa com Caminho de Volta, Consuelo, à capela, anuncia um recomeço em um canto limpo e forte; é um moçambique, ritmo afro-mineiro de forte presença nas origens de sua música. O álbum vai adiante com Arvoredo, sugerindo o clima das paisagens mineiras; mais uma composição com sua forma particular de cantar e tocar ritmos. Os Movimentos do Amor é um samba tocado com caixa de congo e berimbau, rico em harmonia, que passa pela sonoridade mineira mais urbana.  A nona faixa, Remando Contra a Maré, conversa com Andamento por meio do canto dos congadeiros: “eu vou, eu vou remando contra a maré”. Saudação encerra o segundo movimento com a despedida e a abertura para um recomeço: “E com o olhar cruzado no teu / abrirei caminho / noite afora, noite adentro / até que o sol retorne da casa de Lia / com o cheiro da terra que nossos olhos não alcançam / com aromas de um novo dia”. 

Maryákoré termina com o contagiante violão percussivo de Consuelo de Paula, como uma energia que nos visita, como um ciclo que se fecha e se abre no tempo.  

Informações à imprensa | Verbena Comunicação: Eliane Verbena | (11) 99373-0181 / 2548-8409

Saiba mais aqui no Barulho d’água Música sobre Consuelo de Paula e leia outros conteúdos a ela relacionados clicando na palavra destacada abaixo:

Máryakoré

Maryákoré Duo

Datas: 21 e 27 de março e 3, 10, 14 e 18 de abril

Horários: Domingos (às 19h), sábados e quarta (às 21h).

Transmissão: YouTube / Consuelo de Paula

https://cutt.ly/consuelodepaula

Grátis. Livre. Duração: 60 minutos.

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