1368 – III Mostra Internacional Violas D’Arame reúne brasileiros e portugueses

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Chico Lobo será idealizador do evento e curador do festival virtual que terá três dias de duração, concertos, oficinas e palestras 

Com recursos da Lei Emergencial Aldir Blanc, em edital aprovado pela Secretaria de Cultura de Minas Gerais (MG) e com a realização da Viola Brasil Produções, será promovida entre os dias 25 e 27 de março a III Mostra Internacional de Violas D’Arame do Brasil Edição Especial MG/Portugal , com transmissões das atrações pelo canal de YouTube do violeiro Chico Lobo, em http://youtube.com/chicolobooficial. A abertura, na quinta-feira, 25, está programada para as 19h30, com a presença de Leônidas Oliveira, secretário de Governo da Cultura e Turismo de Minas Gerais. Depois, na sexta-feira, 26, os violeiros convidados vão se revezar em cantorias a partir das 18 horas. O encerramento, no sábado, 27, a partir das 17 horas, prevê palestras e oficinas dos violeiros.

Chico Lobo e os demais participantes definem a III Mostra como um evento de importância histórica, cultural e social, que demonstrará e discutirá fatos relativos às tradições e à contemporaneidade da viola. Já com duas edições realizadas no Brasil, em 2015 e em 2016, as conferências, concertos e oficinas possibilitarão uma partilha de culturas pelas cordas das violas de arame nos moldes do que ocorre desde 2009 em Portugal. E, justamente, neste ano peculiar no qual a pandemia da Covid-19 atingiu todo mundo, realizar o III Encontro de Violas D’Arame do Brasil em ambiente digital já é em si uma novidade, tanto quanto a proposta de realizar uma edição especial que promoverá um encontro das violas portuguesas, especificamente, com as violas de Minas Gerais — visto que este estado brasileiro, além de ser considerado “celeiro” de grandes violeiros, foi o primeiro a reconhecer os Saberes, Linguagens e Expressões Musicais da viola como seu Patrimônio Cultural Imaterial, em 14 de junho de 2018.

Nessa terceira edição, Chico Lobo, proponente das duas primeiras mostras no Brasil, como anfitrião receberá Pedro Mestre (Viola Campaniça – Alentejo), Rafael Carvalho (Viola da Terra – Açores) e Roberto Moniz (Viola de Arame – Ilha da Madeira), mas os conterrâneos mineiros Wilson Dias, Rodrigo Delage e Fernando Sodré. “Sem dúvida será, mais do que uma simples mostra, um reforço à preservação cultural, como referência de pesquisa e memória às futuras gerações.”, acredita Lobo. “No evento, serão demonstradas as diferenças estruturais, sonoras e culturais de cada instrumento, possibilitando uma promoção ao intercâmbio musical e educativo por meio dos momentos oferecidos pela mostra, desde a abertura até as apresentações musicais e dos workshops, dos artistas e seus respectivos instrumentos.

As apresentações de cada violeiro e suas palestras foram previamente gravadas, para garantir a qualidade do registro final. O material a ser produzido (vídeos de apresentações musicais e dos workshops) ficará disponível para além do dia de acesso ao vivo pelo canal oficial de Chico Lobo. Depois, tudo será transposto e permanecerá on-line na página da III Mostra, já criada no Facebook e que poderá ser visitada em https://www.facebook.com/IIIMostraInternacionaldeViolasdeArameEdic.Especial

Percorrer o mapa mundi da carreira de Chico Lobo é conhecer o Brasil profundo. Idealizador, curador e diretor artístico das Mostra Internacional de Violas D’Arame no Brasil, o violeiro é reconhecido como um dos mais ativos da atualidade no país e há mais de 30 anos desempenha papel de ponte entre o som do interior de Minas Gerais, do Brasil e o som contemporâneo. Seu carisma o levou a inúmeros palcos nacionais e internacionais e turnês no Canadá, Itália, Portugal, Argentina, Colômbia, Chile e China. Fundou em sua cidade natal, São João Del Rei (MG), o Instituto Chico Lobo (ICL) para atender alunos da zona rural com aulas de viola. Desde 2018, o ICL também está presente na cidade de Santa Cruz de Minas (MG).

O anfitrião ainda idealizou, em 2003, e apresentou os programas de televisão Viola Brasil e de rádio O Canto da Viola. Foi consagrado por três vezes consecutivas com o Prêmio Profissionais da Música como Melhor Artista Raiz Regional e sua produtora, a Viola Brasil Produções, foi agraciada como Produtora Executiva no mesmo certame. É autor de mais de 25 álbuns, dois DVDs e um livro. Maria Bethânia gravou dele a música Criação no disco e no DVD no qual ela comemorou e 50 anos de carreira, o Abraçar e Agradecer. A baiana também participa de Viola de Mutirão – do Sertão Ao Mundo, interpretando Maria, composta em sua homenagem, por Lobo.

Pedro Mestre é natural da Aldeia da Sete (Castro Verde, Portugal) e dedica-se à música tradicional alentejana e a desenvolver projetos nesta área. É compositor, cantor, tocador e luthier (construtor) de viola Campaniça — instrumento que aprendeu a tocar com os mestres Manuel Bento e Francisco António. É fundador e ensaiador de grupos corais alentejanos e integra alguns deles. Participa de vários projetos musicais em âmbitos nacional e internacional. Desde 2006, Mestre desenvolve o projeto “Cante nas Escolas”, enquanto animador de música tradicional/cante alentejano, nas escolas do 1º ciclo do ensino básico português e trabalha o ensino do Cante Alentejano e da Viola Campaniça.

Dedica-se, ainda, à recolha etnográfica e possui um considerável acervo audiovisual, no qual a cultura imaterial ganha destaque. Pertence a várias associações culturais. É coordenador do Centro de Valorização da Viola Campaniça e do Cante de Improviso.

Rafael Carvalho é músico natural dos Açores, um dos maiores dinamizadores da Viola da Terra em âmbitos regional e internacional. Para além da pesquisa e ensino do Instrumento em várias escolas, das quais se destaca o Conservatório de Ponta Delgada, editou cinco de Viola da Terra e tem três livros editados do seu Método para Viola da Terra. Produz diversos eventos, anualmente, como a Orquestra de Violas da Terra, Encontro de Tocadores de Viola, e, com regularidade, várias sessões de dinamização da viola junto às escolas.

Roberto Moniz é professor de Cordofones Madeirenses, do Conservatório Escola Profissional das Artes da Madeira, vice-presidente da Associação Musical e Cultural Xarabanda, diretor artístico da Orquestra de Ponteado da Madeira e músico de rara sensibilidade que tem feito trabalhos importantíssimos para a divulgação da viola de arame e de outros cordofones tradicionais da Ilha da Madeira. Moniz foi um dos idealizadores da IX Edição do Encontro de Violas, em 2019, em Funchal, Madeira.

Wilson Dias é um matuto moderno. Suas músicas tem o som das matas e dos vales, das montanhas e do sertão, fazem-nos lembrar de que a beleza da vida mora nos detalhes. Tradicional e moderno, Dias nasceu em Olhos D’água, cidade da região Norte de Minas Gerais, onde fica o emblemático Vale do Jequitinhonha e traz na bagagem a musicalidade e os ensinamentos da nossa cultura popular, um som arraigado no Brasil profundo, mas com asas para voar mundo afora.

Muitos elementos contribuem para a formação e o desenvolvimento de um artista, para forjar as características do seu trabalho e definir seu relacionamento, sua cultura, bem como traçar o perfil de seu público. É o conjunto destes elementos articulados dialeticamente ao longo de toda uma carreira que garante o nome que Dias carrega e sustenta suas conquistas em termos estéticos e de mercado. Fazer música regional não significa estar parado no tempo. A música de Dias é prova disso: vale-se sim da tradição, mas suas composições têm frescor, roupagem contemporânea, são o Vale do Jequitinhonha de onde ele extrai sua poética em plena sintonia com o século XXI.

Fernando Sodré é compositor e instrumentista natural de Belo Horizonte reconhecido por sua técnica polida e muita originalidade e por fazer pontes sonoras entre ritmos variados e composições arrojadas. É considerado pela crítica especializada uma das mais importantes vozes da viola brasileira no mundo em tempos de novas abordagens. A discografia de Sodré possui quatro títulos e ele já dividiu palcos com músicos como Hamilton de Holanda, Toninho Horta, Jair Rodrigues, Juarez Moreira e Elza Soares. A cada novo projeto, Sodré avança na jornada de alquimia frente às possibilidades da viola.

Rodrigo Delage também nasceu em Belo Horizonte, mas morou em algumas cidades do interior de Minas Gerais, dentre elas Pirapora, às margens do Rio São Francisco, onde desde pequeno navegava por entre elementos do universo roseano da viola caipira. Com quatro discos próprios lançados e músicas utilizadas em variados documentários e programas de televisão, Delage é importante nome da viola brasileira contemporânea. Com adaptações de domínio público, composições instrumentais e parcerias com poetas, dentre os quais adaptações da obra de Manoel de Barros, o trabalho de Delage vem se consolidando como referência na música de viola. E já lhe rendeu diversos prêmios nacionais e a consagração pela crítica especializada como o Prêmio Nacional Rozini de Excelência da Viola como Melhor Disco (2003); Melhor Violeiro (2010); e Colaborador e Melhor Álbum (2013).

Ficha técnica da III Mostra Internacional Violas d’Arame

Idealizador: Chico Lobo/Realização: Viola Brasil Produções/Produção Executiva: Angela Lopes/Direção Artística e Curadoria: Chico Lobo/Assessor de Direção: Luísa Lobo e Yan Taigson/Filmagens: Marcos Produções Vídeo/Produção de Filmagens: Mateus Lobo/Câmera: Aquiles Marcos/Iluminação: U&G/Técnico de Luz: Gustavo Gurgel/Estúdio de Gravação: Estúdio RG/Roberto Lima – Técnico de Áudio/Técnico das Transmissões Ao Vivo: Derval Braga

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