1387 – Já está disponível nas plataformas virtuais o álbum Viola Paulista II, com as 20 canções

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As tradicionais audições matinais aos sábados aqui no Solar do Barulho, onde fica o boteco do Barulho d’água em São Roque, Interior de São Paulo, começaram neste dia 1 de maio com Viola Paulista II, agora disponibilizado na integra desde meados de março nas plataformas virtuais do selo Sesc Digital com os cinco epês que formam a coletânea, totalizando 20 canções. O mapeamento do instrumento no estado bandeirante, portanto, agora está completo e mereceu, inclusive, o programa levado ar em 15 de abril no Revoredo, da USF FM, com apresentação do maestro José Gustavo Julião Camargo e cujo linque para ser ouvido e baixado estará ao final desta atualização.

O projeto Viola Paulista tem a curadoria do violeiro, compositor, professor universitário e pesquisador Ivan Vilela, que convidou inclusive violeiras tais quais Adriana Farias e Juliana Andrade, representantes de um crescente protagonismo feminino no mundo da viola.  

Da dupla Tião Carreiro e Pardinho, sucesso na década dos anos 1960 ao eternizar o pagode de viola à variante da música sertaneja brasileira marcada pelo ritmo diferente com toque aperfeiçoado do violão e da viola caipira juntos , chegando ao violeiro e compositor Almir Sater no elenco da novela Pantanal, em 1990 , o que ajudou a popularizar o instrumento -, a viola vem ganhando o status de símbolo do Brasil rural que canta e dança. Muito popular no Interior do país, em especial na região Centro-Sudeste, o instrumento se consolidou como uma forte manifestação do movimento popular e cultural.

Para traçar o mapa etnográfico do uso do instrumento no estado de São Paulo, celeiro de notáveis músicos, compositores e de inúmeras orquestras de viola caipira, o Selo Sesc convidou Ivan Vilela. O projeto, iniciado em 2018 com o lançamento da primeira edição do álbum Viola Paulista, apresentou ao público as múltiplas sonoridades deste instrumento, ora por meio de faixas instrumentais, ora cantadas, reunindo cantores e grupos diversos que têm em comum a paixão pela história e pelo som da viola.

Em 2021, para o segundo disco, Vilela convocou expoentes cuja carreira já encontra mais respaldo junto ao público e à cena musical. Nesta continuidade, os violeiros abrangem todo o território paulista, oriundos das regiões de Avaré, Bauru, Campinas, Piracicaba, São José do Rio Preto e Sorocaba. Os dois últimos epês lançados, o 4 e o 5, e trouxeram Juliana Andrade, Enúbio Queiróz, Fábio Miranda, Márcio Freitas (4) e Neymar Dias, Lauri da Viola, Wilson Teixeira e Júlio Santin .

Galope, moda clássica, balada…

Juliana Andrade fez sua primeira apresentação ainda adolescente no palco do programa Viola Minha Viola, da saudosa Inezita Barroso (1925-2015) e logo revelou o seu talento ao grande público. Na companhia dos músicos Cleiton Torres (violão), Miller (violão) e Adevilson Ribeiro (contrabaixo), ela interpreta em Viola Paulista II a instrumental Ciumento, uma composição autoral com sabor de choro paulista. Nascida na Capital de São Paulo, Juliana mora em São José do Rio Preto.

Ivan e Enúbio
Ivan Vilela e Enúbio Queiroz (Crédito: Caio Csermak)

Outro representante do Noroeste do estado, Enúbio Queiroz, sempre foi uma referência aos tocadores da música caipira de Rio Preto e região: sua loja de instrumentos musicais é um dos pontos de encontro dessa turma. Em Viola Paulista II Enúbio intercala a viola com o violão para interpretar sua composição instrumental Visões do Nordeste.

Natural de Iturama (MG), chama-se Enúbio Divino de Queiroz  e foi criado na roça; começou a tocar profissionalmente acompanhando conjuntos de forró no interior mineiro. Formou-se em violão pelo Conservatório Renato Fratesh, de Uberaba (MG), e estudou no Conservatório Carlos Gomes, em São José do Rio Preto (SP), cidade em que se radicou. No período de 1980 a 1984, fez parte da dupla Economista & Contador, lançando dois discos. Depois, foram mais de dez álbuns solo e quatro livros.

Natural de Brasília (DF) e radicado na cidade de São Paulo, Fábio Miranda traz uma composição ligada ao universo do cancioneiro brasileiro. Junto aos músicos Mariana Brandão (violoncelo) e Bruno Menegatti (rabeca), Fábio Miranda empunha viola e viola fretless e toca e canta em Viola encantada, uma cantiga com ares de música caipira paulistana. Com mestrado na área de educação musical, trabalha os processos livres de criação utilizando a viola e ministra oficinas nas periferias de São Paulo.

Dono de uma viola vigorosa, de toque bonito e criativo, Márcio Freitas gravou Estouro da boiada, composição autoral de sonoridade diferenciada, toques rápidos, muitos galopes e que carrega um pouco da cultura nordestina, também muito presente no entorno da Grande São Paulo. Filho caçula de uma família vinda do interior de Minas Gerais cujas referências são os avôs e tios violeiros, nasceu na Capital de São Paulo e, atualmente, vive em São Bernardo do Campo, na região metropolitana

Filho de compositor de música caipira, Neymar Dias é hoje um dos mais respeitados multi-instrumentistas brasileiros. Formado em contrabaixo pela Universidade de São Paulo (USP), compositor e arranjador para orquestras, Neymar Dias também é craque neste universo, transita da música regional brasileira ao repertório clássico e transcreveu parte da obra original do músico alemão Johann Sebastian Bach (1685-1750) para a viola caipira. Para a coletânea Viola Paulista II, gravou La valse, uma composição instrumental de sua autoria que traz a música de concerto para o universo caipira da viola; Vana Bock (violoncelo) e Pedro Gadelha (contrabaixo), este integrante da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), acompanham Neymar Dias.

Mais ligado à música caipira tradicional, Lauri da Viola é violeiro, cantor, compositor e luthier. Com uma trajetória de mais de 30 anos de carreira, em Viola Paulista II toca e canta, ao lado de Daniel Alves (violão e voz), sua composição Viola, rainha do meu destino — um pagode muito alegre e pulsante cuja letra é uma homenagem ao instrumento. Lauri da Viola foi o criador da Orquestra de Viola Caipira de Angatuba, cidade do Interior paulista localizada na região de Itapetininga (SP) e por muito anos foi professor de viola.

Outro músico natural de Avaré (SP), Wilson Teixeira é cantor, compositor e violeiro, que se destaca por um repertório des baladas, mesclando o rock com a canção popular em versões de músicas de língua inglesa para o universo da viola. Em paralelo à carreira solo, desenvolve o projeto Viola sem Fronteiras, que oferece cursos online do instrumento, do iniciante ao violeiro que deseja aperfeiçoar sua técnica e repertório. Para a coletânea gravou Seresteiro, uma canção romântica de sua autoria na qual Wilson Teixeira canta e toca viola e violão e consta em seu primeiro álbum, Almanaque Rural. Ao lado de Rodrigo Zanc (São Carlos), Cláudio Lacerda (Botucatu) ambos também presentes em Viola Paulista II –, mais o mineiro de Araguari Luiz Salgado integra o grupo 4 Cantos.

Vivendo entre a música e a cardiologia, o violeiro Júlio Santin é natural de Uirapuru (SP) e aprendeu a tocar e a fabricar seus próprios instrumentos. Atualmente vive na cidade de São Paulo. No álbum, ele gravou uma peça solo ao ritmo da contradança, que é muito presente no Vale do Jequitinhonha (MG) e que dá nome à faixa. Quando o Dr. Júlio César Santin encerra o expediente no hospital em que trabalha, entra em cena o violeiro que há alguns anos se dedica à música caipira.

A história de Ivan Vilela com a música começou aos 11 anos de idade, quando o pai lhe presenteou com um violão. Músico e pesquisador, é doutor em Psicologia Social (USP), Mestre em Composição Musical (Unicamp), e professor na Faculdade de Música da Universidade de São Paulo (USP), onde leciona História da Música Popular Brasileira, Viola Brasileira, Rítmica e Percepção Musical. Desde 2018 é pesquisador do Instituto de Etnomusicologia – Centro de Estudos em Música e Dança (INET-md) da Universidade de Aveiro, Portugal.

Durante os estudos no curso de Composição Musical, Ivan Vilela desenvolveu uma crescente identificação com a cultura popular e a viola caipira. Com seus trabalhos de composição e interpretação foi indicado a importantes prêmios da música brasileira. Desde 1996, faz apresentações no exterior e já tocou em países como Alemanha, França, Portugal, Itália, Inglaterra e Espanha. Lançou mais de uma dezena de álbuns, dentre eles Dez Cordas, em que primeiro utiliza a técnica de mão direita inovadora que criou para tocar individualmente todas as dez cordas da viola. É autor do livro Cantando a Própria História – Música Caipira e Enraizamento (Edusp, 2013).

viola paulista 2 FT

 Lista dos artistas participantes em cada EP de Viola Paulista II

 EP 1 com Adriana Farias, Arnaldo Freitas, a dupla Cláudio Lacerda e Rodrigo Zanc e Levi Ramiro

EP 2 com Fernando Caselato, João Arruda, João Paulo Amaral e Zé Helder

EP 3 com Ricardo Anastácio, Zeca Collares, Fernando Deghi e Ricardo Vignini

EP 4 com Enúbio Queiroz, Juliana Andrade, Fábio Miranda e Márcio Freitas

EP 5 com Lauri da Viola, Wilson Teixeira, Neymar Dias e Júlio Santin

Clique nos linques abaixo para ouvir o álbum Viola Paulista II

https://sesc.digital/colecao/viola-paulista2

https://jornal.usp.br/radio-usp/cd-viola-paulista-traz-no-volume-ii-a-diversidade-da-viola-caipira-no-estado/

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