1393 – Conheça o premiado “one man band” que o Inter (RS) perdeu para o lugar de Falcão: Oly Jr.

“Um homem é um sucesso se pula da cama de manhã e vai dormir à noite, e, nesse meio tempo faz o que gosta” – Bob Dylan

“Pedras que rolam não criam musgo.” – Muddy Waters

“O que me impressiona, à vista de um macaco, não é que ele tenha sido nosso passado: é este pressentimento de que ele venha a ser nosso futuro.” – Mario Quintana

As tradicionais audições aos sábados pela manhã aqui no boteco do Barulho d’água Música, em São Roque (SP), começaram neste dia 15 de maio excursionando desde o Guaíba ao Mississipi com Dedo de Vidro, o 11º título da discografia de treze autorais ou com participação do premiado gaúcho Oly Jr, nascido em e morador da Capital do Rio Grande do Sul, Porto Alegre. Dedo de Vidro tem como força motriz, em termos estéticos e sonoros, a intervenção do slide em todas as faixas. O slide é um objeto cilíndrico (ou um tubo) que pode ser feito de vários materiais, mas os mais usados são os de metais, de vidro ou de porcelana, como o de Oly. É usado para produzir efeitos sonoros, deslizando-o em algum instrumento de cordas, geralmente violão ou guitarra.

No álbum de onze faixas, Oly Jr. usou seu dedo de vidro com uma viola e uma guitarra, ambas de dez cordas, que ele chama de “guitarola”, “fuçada e reformada” pelo luthier André Moraes. Ou seja, ele consegue unir elementos que o emocionam no universo musical como o blues, a milonga, o folk, o rock, a viola e o slide. É por conta da paixão pelo blues que Oly Jr. estuda a técnica do slide desde 2009, quando lançou Milonga Blues.

Venho aplicando essa técnica também na milonga, que depois aperfeiçoei um pouco mais em outro disco, Milonga em Blue (Notas do Delta), de 2012”, contou. No primeiro trabalho, já tinha gravado os slides em viola de dez, mas a usava com apenas cinco cordas. Somente quando gravou Do Delta do Jacuí ao Deserto do Atacama (2013), em parceria com o harmonicista chileno Gonzalo Araya, que, de fato, passou a usar a viola de dez cordas, com intervenções do slide em algumas canções. “Como gostei muito do resultado, dediquei-me um tempo a mais pra viola e pra essa guitarra de dez cordas, com um slide no dedo, compondo e fazendo arranjos nessas condições. Foi daí que surgiu o Dedo de Vidro”.

O disco, cujo linque estará acessível nesta atualização para ser ouvido em uma plataforma virtual, traz as inspirações que Oly Jr. encontrou ouvindo: Robert Johnson, Muddy Waters, Mississippi Fred McDowell, Son House, Charley Patton, Julio Reny, Nei Lisboa, Bebeto Alves, Vitor Ramil, Mauro Moraes, Noel Guarany, Jayme Caetano Braun, Almôndegas, Bob Dylan, Neil Young, Joan Baez, Duane Allman (guitarrista/The Allman Brothers Band), Jeremy Spencer (guitarrista/Fleetwood Mac), Otávio Rocha (guitarrista/Blues Etílicos), Bebeco Garcia, Eric Clapton, Almir Sater, Paulo Freire, Roberto Corrêa, Tião Carreiro, Renato Andrade, Zé Côco do Riachão, Helena Meirelles, Ricardo Vignini, Renato Teixeira e Rolando Boldrin, entre outros.

Blues de placa

Oly Jr., torcedor apaixonado de um dos clubes de futebol que domina pelo menos, se não daí, para mais, a metade do Rio Grande do Sul (dizem que os outros 50% seriam assim distribuídos: 20%, Juventude; 10%, Caxias, ambos de Caxias do Sul; 10%, Brasil, de Pelotas; 5%, Sport Clube Rio Grande, da cidade de mesmo nome; 2,5%, Avenida, de Santa Cruz do Sul; e 2,5%, outros) chegou a tentar seguir os passos de Paulo Roberto Falcão jogando nas categorias de base do Sport Club Internacional, como centro médio, entre 1987 e 1993.

Não se sabe se por sorte ou por azar da nação alvirrubra, contudo, Oly Jr. não vingou com a bola nos pés, embora venha marcando com maior frequência gols de placa — tais quais os anotava o célebre camisa 5 dentro das quatro linhas – como músico desde 1998, ano no qual começou a tocar blues. Depois, Oly Jr. passou a incorporar ao seu trabalho rock, folk americano/gaúcho, milonga e capoeira, fazendo desses elementos musicais referencias diretas na sua obra autoral. O violão foi seu instrumento condutor para o aprendizado autodidata, ao qual acrescentou o domínio da guitarra, a gaita de beiço, mas desde 2008, as violas de dez e de doze cordas viraram seus instrumentos preferenciais.

Oly Jr. é estudante universitário do curso de Licenciatura em Música do IPA. Todos os seus doze discos são independentes, desde o primeiro, produzido por Egisto dal Santo; já participou do álbum duplo – ao vivo Os Blackbagual, que compõe a caixa Bebeto Alves em 3D, é guitarrista da banda Os Irish Boys (que acompanha o músico/compositor Julio Reny) e participou os discos de Reny A Primavera do Gato Amarelo e Bola 8.

O violeiro bluesman colorado dos quatro costados também participou da segunda e sexta edições do Moinho da Estação Blues Festival; do I Iguape Jazz&Blues, do festival Morrostock, da coletânea Blues na GP, promovida e distribuída pela Revista Guitar Player Brasil com a canção Milonga Blues; da coletânea independente Rota Blues Brasil, agora com as músicas Milonga Blues e Descansando A Alma; da coletânea Música na Casa 2004 (Casa de Cultura Mario Quintana) com a canção Dia de Chuva, com Gaspo Harmônica – no disco que fez em parceria com Gaspo, teve a música Onde Está O Meu Dinheiro? gravada por Solon Fishbone e, ainda no mesmo disco, as participações internacionais de Gonzalo Araya e Alex Pardal, ambos harmonicistas.

Entre os prêmios já arrebatados por Oly Jr. destacam-se quatro troféus do Prêmio Açorianos de Música, como Melhor Disco, Melhor Compositor e Melhor Intérprete na categoria Blues/Jazz, com o Milonga Blues, e Melhor Intérprete Pop com Milonga em Blues (Notas do Delta), ambos gravados no Estúdio Musitek. Coleciona, também, indicações ao prêmio com Do Delta do Jacuí ao Deserto do Atacama, em duo com Araya, e Dedo de Vidro. É integrante do quarteto de violeiros Violas ao Sul, ao lado de Valdir Verona, Angelo Primon e Mario Tressoldi.

Anote, ainda: Oly Jr. é fundador, instrumentista e vocalista da banda Cigar Box e participou da elaboração da trilha sonora do espetáculo teatral A Lição, da Cia de Teatro ao Quadrado, junto com Moysés Lopes. Costuma se apresentar em formato solo ao estilo “one man band” ou vez por outra acompanhado por sua banda de apoio, Os Tocaios, que reúne Jacques Jardim (baixo) e Jaques Trajano (bateria, cajon e bombo leguero) e, eventualmente, outros músicos parceiros.

 

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