1409 – Mestiça, múltipla: Helena Badari (SP) chega sem medo, avisa que merece mais e reivindica com Orí Gem sua afirmação*

#MPB #CulturaPopular 

*Com Osni Dias

Em parceria com Luiz Waack, este é um disco para abrir olhos: celebra novos compositores e revela um repertório diversificado e renovador, com participações de Zélia Duncan e Zeca Baleiro

As tradicionais audições que promovemos aos sábados pela manhã aqui no boteco do Barulho d’água Música, em São Roque (SP), começaram neste dia 3 com Orí Gem, primeiro álbum de Helena Badari, cantora, compositora e violonista natural de Joanópolis (SP). Distribuída pela Tratore, com 12 faixas, Orí Gem chegou ontem, 2, às plataformas digitais de todo o país e revela a parceria entre Helena e o músico e produtor musical Luiz Waack, um dos integrantes da superbanda de Edvaldo Santana (ave, Lobo Solitário!).

Este ótimo trabalho em dupla, produzido em Piracaia (SP), resultou em um repertório diversificado e renovador que permitiu a Helena desenvolver como quem emite uma opinião ativa toda sua versatilidade de intérprete e compositora de linha de frente, que, para ficar em uma expressão popular comumente mal empregada, mas que resumirá seus múltiplos dons, verte o (santo) balacobaco dos capazes de nos provocar arrepios; como diz seus versos, Helena Badari é flecha certeira que leva na ponta chama para emocionar, surpreender, conquistar almas, corações e mentes e se afirmar no concorrido universo da MPB vamos combinar, sem tentar mudar de assunto: nem sempre generoso com talentos como o dela e que prefere badalar quem vende antigases e telefones, por mais que ser garota propaganda que canta também possa ser legítimo neste mercado.

Mas, avisa o jornalista, ai, pega a visão: este álbum revela uma artista madura, que, segura e ousada, vai além do ai, ai, ai, ai e do laiá, laiá, tanto interpreta sucessos de Belchior, Gilberto Gil e Djavan, quanto desfila ao violão em apresentações magnetizadoras canções autorais e outras de parcerias inéditas, letras marcadas por frases cortantes, fortes referências afrodescendentes, ritmos e poesia pura que se choca com o descartável. O resultado traz à cena uma jovem (e bela!) cantora de personalidade e integridade atestadas, por exemplo, por Sua Majestade Zélia Duncan, que empresta a voz e o posicionamento preciso contra o racismo e a discriminação, em texto de sua autoria, na faixa título de Orí Gem, que vinha sendo lapidado desde 2018.

Luiz Waack e Helena Badari iniciaram a parceria em 2018

Na ordem da pleiliste, sem avançar, vamos adiante, canção por canção. Quando com seu violão não está nos oferecendo suas próprias crias, Helena Badari sacode a poeira do caô com recados de Lenine e Lula Queiroga e dá a (de) letra lustrando a chuteira de quem, como ela, vem merecendo aplausos: Ellen Oléria (O Haiti), Francisco El Hombre (Triste Louca ou Má), Vinicius Calderoni e Léo Bianchini (). Para ficar ainda melhor, o disco conta com participações dos experientes Fernando Nunes (baixo) e Kuki Stolarski (bateria) em seis faixas. Traz, ainda, uma pérola de Ednardo (Imã), relida com a costumeira competência por Zeca Baleiro, contempla Itamar Assumpção e Alice Ruiz (Tristeza Não), Arnaldo Antunes e Márcia Xavier (Abre os Olhos) e Sérgio Sampaio (Roda Morta), agora com os irmãos Lora, Douglas e Alexandre. E não acaba ai, pois merecem destaques, ainda, os temperos da região Bragantina que acentuam os sabores deste caldo acrescentados por Simone Julian (cantora, flautista e saxofonista), Adriana Sanches (cantora, compositora e sanfoneira) e Myriam Hungria (compositora, baixista e violonista).

A voz de Helena Badari começa a se amplificar no atual cenário musical brasileiro, tem força para profanar o que precisa de um chacoalhão, na mesma intensidade sacralizar quem ousa seguir pela contramão e rasgar buracos nos roteiros da mesmice e dos domingões, mas não é de hoje que ela vem se soltando ao vento, leve. Como convém aos que não esperam acontecer, Helena pegou a estrada cedo. Aos 16 anos, já protagonizava shows e eventos em espaços como a casa cultural Araucária, situada em sua cidade de origem. Impactando por atributos como o timbre, os primeiros brilhos de minério raro. Em 2017, gravou e publicou uma versão do rapper Sabotage e bateu mais de 3.900.000 visualizações, turbinando a banda AôA com a qual fez apresentações concorridas (WQS em Maresias, One Drop Festival Audio, entre outros). Em 2018, encontrou-se com Waack e iniciou a parceria que em Orí Gem brota reforçada pelo diálogo entre violões, guitarras, sopros, baixo, percussão e samplers eletrônicos, arranjos ricos e um trabalho permeado por referências que vão do suingue black e folk music à música negra e regional norte-americana, brasileiras e pela malemolência latino americana.

Para conheça mais sobre Helena Badari

Facebook: https://www.facebook.com/helenabadarioficial

Instagram:https://www.instagram.com/helenabadari

Youtube: https://www.youtube.com/c/HelenaBadari

https://expresso61.com.br/2021/04/12/mpb-uma-grata-surpresa-chamada-helena-badari/

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