1412 – Festival Malungo, da Pôr do Som, prossegue com mais quatro atrações até 12 de julho*

#MúsicaAfro #CulturaPopular

*Com Eliane Verbena, Verbena Comunicações

Entre amanhã, 9, e segunda-feira, 12 de julho, terá prosseguimento o Festival Malungo, que apresenta desde o dia 5 pelos canais virtuais da  Produtora, Gravadora e Selo Pôr do Som, sempre começando às 21 horas e com acesso gratuito, atrações que reverenciam a diversidade da música popular brasileira, feita por artistas que ressaltam nossa matriz africana em estilos como samba, jongo, capoeira, samba de roda, samba-rock, choro, afro, batuque de umbigada, samba de bumbo e partido-alto. Já passaram pelo palco Adriana Moreira (samba raiz), Henrique Araújo (choro), A Quatro Vozes (música popular) e Zé Eduardo (soul e MPB) e, agora, chegou a vez do Grupo Paranapanema (samba raiz, jongo e batuques); Luana Bayô (vissungos, jongo e samba raiz); Mestre Plinio & Angoleiro Sim Sinhô (capoeira); e Fanta Konatê (música africana). Todos os espetáculos foram gravados em vídeo no Estúdio 185 Apodi, situado em São Paulo (alô, Beto Mendonça!), com rigorosa obediência aos protocolos sanitários para evitar novos contágios pelo coronavírus (Covid-19) .

Segura Nessa Pisada é o nome do show do Grupo Paranapanema, que dará seu recado na sexta-feira, 9, trazendo para a roda as vivências dos seus integrantes em contato com as comunidades e com os mestres da cultura popular dos jongos, do batuque de umbigada de Piracicaba, Tietê e Capivari (todas situadas no Interior paulista), do samba de bumbo, do samba de terreiro (uma das manifestações presentes em Pirapora do Bom Jesus, na Grande São Paulo) e dos congados e ternos de Moçambique.

Mestres e compositores contemporâneos ligados ao samba e às linguagens musicais paulistas também têm a atenção do Paranapanema, que conta com Rosângela Macedo (voz), Samuel da Silva (violão sete cordas e coro), Ricardo Perito (cavaquinho e coro), Luiz Fonseca Lobo (voz, pandeiro, tambores, patangome e efeitos), Cesar Azevedo (voz, surdo, tambor e efeitos) e Paulo Dias (caixa de congado, tambor, tamborim e efeitos). O grupo reúne, ainda, militantes da valorização e do reconhecimento das culturas tradicionais brasileiras e desde 2004 vêm construindo um trabalho que exalta as tradições de matriz africana do Sudeste, patrimônio cultural pouco conhecido e reconhecido, sobretudo pela população do estado de São Paulo. O repertório faz o elo entre as origens do samba paulista, as manifestações de raiz e o samba presente nos grandes centros urbanos.

No sábado, 10, O Festival Malungo destacará a cantora, compositora e educadora paulistana Luana Bayô, com Tambú, trabalho fortemente marcado pela presença dos da música negra em diáspora: o público entra em contato com canções autorais e releituras que trazem como tema a espiritualidade, a magia, os feitiços e encantarias  perpassadas por vissungos, sambas, jongos  e outras músicas que fizeram e fazem parte da trajetória da cantora. A direção musical é de Giovanni Diganzá e a direção artística de Martinha Soares. Tambú  conta ainda com a participação de Xeina Barros e Cauê Silva na percussão, Thayná Oliveira no violoncelo e Mayara Almeida no sax e na flauta.

Estão escalados para o domingo, 11, Mestre Plínio & Angoleiro Sim Sinhô, protagonistas de A Luta Continua, com participação especial de Mestre Limãozinho e Mestra Janja. O repertório, quase todo autoral, mostra a capacidade de transformação da capoeira angola sem perder o elo com as tradições. As músicas são de Mestre Plínio, Mestre Limãozinho, Mestra Janja, Mestre Pedro Peu, Mestre Rouxinho e Mestre Gafanhoto. A apresentação terá, ainda, uma sequência de toques das tradicionais escolas de capoeira angola dos antigos mestres e um texto da contramestra Renata Kabilaewatala que pergunta “pelo que luta a capoeira angola?”

 Fundado pelo Mestre Plínio em 1993, o grupo Angoleiro Sim Sinhô vem atuando de maneira sistêmica e contínua na cidade de São Paulo pela valorização da capoeira angola e dos saberes tradicionais de mestres e mestras. O grupo tem sede no bairro paulistano Lapa, além de núcleos nas cidades de São Bernardo, Atibaia, São Roque, todas em São Paulo, Florianópolis, La Plata (Argentina), Atenas (Grécia) e em Madrid (Espanha). Ponto de referência, ao longo dos últimos 28 anos, para capoeiristas do mundo todo, o Centro de Capoeira Angola Angoleiro Sim Sinhô vem realizando diversas atividades ligadas às culturas de matriz africana no Brasil. Eventos, discos, seminários, transmissões ao vivo, mobilização comunitária, afoxé, dança, capoeira, samba de roda e candomblé são algumas frentes de atuação, sempre trazendo os saberes populares. O primeiro disco gravado, intitulado Angoleiro Sim Sinhô, teve participação dos mestres Môa do Katendê, Jogo de Dentro, Gaguinho e  Bigo, além de Mestre Plínio e sua bateria.

O Festival Malungo será encerrado por Fanta Konatê e Djembedon, na segunda feira, 12. Em Donabá, nome do show, Fanta Konatê apresentará composições próprias, músicas tradicionais de sua aldeia natal em Guiné Konacri, pais africano vizinho à Guiné Bissau, e uma homenagem a Miriam Makeba (a cantora sul africana Zenzile Miriam Makeba, também chamada de Mama África), que se exilou na Guiné nos tempos do regime segregacionista conhecido por Apartheid. Donabá significa “a grande bailarina” em malinkê (povo da África Oeste que ocupa regiões das Guiné, Costa do Marfim, Mali, Senegal, Gambia e Guiné-Bissau e fala a língua do tronco Mande, da família Niger) e revela o ritmo que homenageia as bailarinas virtuosas da cultura Mandén, herdeira do Império de Mali (século XIII), um dos temas de seu disco recente. 

quadrão mulungo

Cantora, bailarina, compositora e coreógrafa, Fanta estará acompanhada pelo grupo Djembedon, dirigido por Luis Kinugawa (djembê, ntama e guitarra base) e integrado por Koria Konatê (voz e danças), Bangaly Konatê (djembê), Josué dos Santos (sax soprano), Manu Neto (sangban), Fábio Serra (kenkenis), Barba Marques (dunumbá) e Otávio Teixeira (guitarra). Os figurinos que usa foram criados pela sua marca, Konateyá. Filha do mestre percussionista Famoudou Konatê, Fanta é especializada em danças tradicionais e contemporâneas do Oeste africano e trabalhou com diversas companhias de balés de Konacri, capital da Guiné Konacri. Domina a cultura das aldeias Malinkês, da região do Hamaná e já realizou shows e oficinas no Japão, Polônia, Suécia, Estados Unidos da América, Chile, Argentina e em mais de 50 cidades do Brasil, incluindo o Rio de Janeiro, onde cantou o tema de abertura dos Jogos Olímpicos de 2016, e recebeu o Prêmio Luíza Mahin, da Coordenadoria do Negro da Prefeitura de São Paulo, em reconhecimento ao seu trabalho de promoção da cultura africana.

O Festival Malungo tem curadoria e direção artística de Sérgio Mendonça, diretor e fundador da Pôr do Som, produtora e selo musical e está sendo realizado com recursos da Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc por meio da Secretaria Especial da Cultura do Governo do Estado de São Paulo, Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Ministério do Turismo, Governo Federal.

A transmissão dos shows será pelo canal: www.youtube.com/pordosomcultural

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Leia também aqui no Barulho d’água Música:

1187 – Paranapanema, grupo de São Paulo, lança Luzeiro, trabalho que exalta as tradições de matriz africana do Sudeste

 

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