1414 – Ouça SerTão Andante, quarto disco de Aldy Carvalho (PE), e viaje ao NE com xote, baião, coco, xaxado, galope e martelo

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Álbum de 2018 traz 12 faixas, entre as quais duas instrumentais, e é o quarto da trajetória do cantador, compositor e cordelista que aprendeu ainda na infância a valorizar as raízes artísticas da família pernambucana

A música de Aldy é diferente do chamado forró — quase sempre vulgar e barulhento demais. Seu canto é sereno, sua voz é limpa, bonita, melodiosa, agradável”.

Dirceu Soares, Jornal da Tarde

selo papo retoO álbum SerTão Andante, do cantador, compositor, escritor e poeta Aldy Carvalho, foi o escolhido para abrirmos neste dia 17 já do mês de julho as tradicionais audições dos sábados pela manhã aqui no Solar do Barulho, redação do Barulho d’água Música, em São Roque, cidade do Interior paulista. SerTão Andante é de 2018 e traz 12 faixas nas quais o pernambucano de Petrolina mapeia o universo afetivo e a natureza que traduzem as belezas de um sertão real e imensurável, universo onde nasceu e do qual, mesmo vivendo desde os anos 1980 na cidade de São Paulo, não se distanciou, pois jamais deixou o frenético ritmo e os hábitos cosmopolitas matarem suas raízes nordestinas. A sensibilidade e a resiliência de Aldy Carvalho vêm da infância, período no qual começou a se maravilhar com as cantorias e a poética cordelista, ensinadas pelo saudoso pai, João Joaquim de Carvalho.

SerTão Andante está disponível nas plataformas virtuais. É o quarto disco de Aldy Carvalho, gravado em um estúdio paulistano, com direção musical do produtor e violonista Tony Marshall e produção executiva do próprio cantador e Lenir do Vale Carvalho. O jornalista, publicitário e radialista Carlos Britto ¹escreveu em seu blogue em 8 de novembro, época do lançamento do álbum, que os ritmos presentes, tais como xote, baião, coco, xaxado, galope, martelo e balada, dão o tom da diversidade de gêneros que falam a língua dos conterrâneos de Carvalho: “São músicas inspiradas e conectadas com a diversidade das narrativas de suas letras que se comunicam, sobretudo, com o mundo de sons, aromas, plantas, água, terra, ar e comportamento humano de pessoas que trafegam no campo sentimental do poeta, a partir do sertão como seu mundo e seu quintal.”

Britto apontou ainda que a riqueza do repertório conta com criações assinadas por Aldy e nascidas de parceria. Da lavra do petrolinense há Tempero; Maria!; Martelo Tirano; Jornada; Massangana (estas ambas instrumentais) e Trem NordesteRedemoinho surgiu da parceria com José Verismar dos Santos; Estilhaços tem a participação do pai, João Joaquim de Carvalho; Companhia do Cordel tem colaboração de João Gomes de Sá e Veios d’água juntou ao poeta as sobrinhas Crica Carvalho e  Fabiane Carvalho, filhas do irmão Arnaldo. Aldy Carvalho também regravou Com Certeza, de Nildo Freitas.

 

Antes de SerTão Andante, Aldy Carvalho lançara Redemoinho (1984), Alforje (2011) e Cantos d’Algibeira (2014), selecionado entre os melhores que concorreram ao 26º Prêmio da Música Brasileira. Em seu mais recente rubi, conforme Britto identificou, o autor elevou “sua cantoria para  o que há de mais sofisticado do ponto de vista instrumental, sob a batuta de músicos tarimbados”. Além de violões e viola, os arranjos foram lapidados com violino, piano, flauta, acordeon, percussão e violoncelo. “Há até uma participação da ave (calopsita) de estimação do artista, batizado de ‘Nino’”, escreveu Britto.

O professor universitário da Universidade de Pernambuco (UPE) e radialista Simão Pedro dos Santos assina um dos textos do encarte de SerTão Andante com as seguintes palavras:

Ouvir Aldy Carvalho é adentrar a memória do sertão mais denso, de dentro, profundo. Seu cantar traz vida e aroma tão locais que palmilhamos outros sertões, outras veredas. O cantador, com o tempero local de sua poética, tende ao universal, pois quem canta sua aldeia sabe de suas entranhas, de suas veias e de seus veios. Poéticos veios. O disco de Aldy é um trem que chega, um trem dando partida.

NOVIDADES A CAMINHO

Além de cantar e compor, Aldy Carvalho também é literato dos bons, dedicado especialmente ao cordel. Pela Editora Luzeiro, publicou A Ganância de um Preguiçoso, A História das Copas do Mundo em Cordel (publicação coletiva) e No Reino dos Imbuzeiros – este premiado em concurso nacional do Ministério a Cultura. O poema/música Giralume, de Alforje, está inserido no livro Língua Portuguesa, Geografia e História 4º ano, da Global Editora. Depois de SerTão Andante, já publicou Via Sacra, em parceria com Gomes de Sá e Regina Drozina, que recria uma das mais icônicas cenas acerca da vida de Jesus. Ao Barulho d’água Música Aldy Carvalho revelou que tem no prelo três outros livros — dois deles com ilustrações de Rafael Lemaverde (uma fábula e um em verso O Cavaleiro das Léguas) e um cordel, com ilustrações de Valdeck de Garanhuns. Aldy também já voltou aos estúdios e grava canções inéditas para um projeto de álbum digital, em fase final de produção.

A obra de Aldy Carvalho vem sendo aproveitada também em trilhas sonoras de importantes documentários sobre fatos e eventos que ajudam à compreensão mais profunda de elementos e valores da cultura popular nacional. Uma delas, Meu Sertãoabre Os Descendentes do Sertão, que será transmitido a partir das 19 horas de 28 de julho pelo canal especializado em cangaço do jornalista paraibano Humberto Mesquita, cujo linque estará ao final desta atualização.

O dia 28 de julho foi escolhida por ser a data da morte, em 1938, no Sergipe, de Virgulino Ferreira da Silva, o “Lampião”, popularmente conhecido por “Rei do Cangaço”. Mesquita também divulga que em 28 de julho de 1944 teria morrido Manoel Batista de Moraes; o registro do óbito ocorrido em Campina Grande (PB), entretanto, consta em vários locais como 30 de julho, no mesmo ano. Moraes nasceu em 1875  em Afogados de Ingazeira (PE) e bem antes das atividades de Lampião Moraes ficou conhecido como o cangaceiro Antônio Silvino, o “Rifle de Ouro”. 

https://barulhodeagua.com/tag/aldy-carvalho/

Leia entrevista de Aldy Carvalho a Antonio Carlos da Fonseca Barbosa à Revista Ritmo Melodia:

https://www.ritmomelodia.mus.br/entrevistas/aldy-carvalho/


¹ Carlos Britto atua na área de comunicação há mais de vinte anos. Foi locutor e coordenador de emissoras de rádio AM e FM, correspondente do Jornal do Commercio, Jornal Correio da Bahia, Tribuna da Bahia, Rede Católica de Rádios e Sistema Globo de Rádio. Trabalhou ainda como repórter de televisão e diretor de criação publicitária. Assinou colunas políticas e foi Secretário de Imprensa da Prefeitura de Petrolina por seis anos.

 

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