1415 – Especial “Zezé Motta – Mulher Negra” vai celebrar Tereza de Benguela e o Dia da Mulher Afro-Latina-Americana e Caribenha

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Apresentação será transmitida no dia 25 de julho e trará depoimentos de mulheres pretas como a cantora Iza, a filósofa Djamila Ribeiro, a escritora Conceição Evaristo e a influenciadora e ex-BBB Camilla de Lucas

O dia 25 de julho é dedicado a trazer à memória a luta das mulheres negras latino-americanas e caribenhas para uma sociedade mais justa, uma data especial para relembrar a história de Tereza de Benguela. No Brasil, em 2 de junho de 2014, foi sancionada a Lei que institui o Dia da Mulher Negra, em homenagem à líder quilombola  após intensa mobilização dos movimentos de mulheres negras brasileiras. Zezé Motta, ícone negro da cultura brasileira, para não deixar a data passar despercebida, protagonizará a partir das 17 horas o especial Zezé Motta Mulher Negra, que será transmitido no canal L!Ke (530 da Claro ou 500 da Claro NET), e pelo canal oficial do Teatro Bradesco no Youtube.

Durante a apresentação da atriz-cantora serão interpretadas músicas consagradas como Magrelinha, de Luiz Melodia, e Tigresa, de Caetano Veloso. Zezé estará acompanhada da maestrina Claudia Elizeue neste ano, como a novidade, o evento contará com a participação especial da jovem cantora Malía. Nascida na comunidade Cidade de Deus, na cidade do Rio de Janeiro, Malía tem 21 anos e começou a carreira em um coletivo no bairro de Madureira, erguendo a forte voz feminina para ajudar na afirmação da música urbana, no Rhythm & Blues e Hip hop. Já foi  atração do Rock in Rio e teve algumas de suas músicas incluídas nas trilhas sonoras de novelas da Rede Globo. Seu álbum, Escuta, atingiu 8 milhões de streams no Spotify.

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Malía começou a carreira em um coletivo no bairro de Madureira, erguendo a forte voz feminina para ajudar na afirmação da música urbana, no R&B e hip hop (Divulgação)

O comando ao vivo  caberá a Luana Xavier, atriz, influenciadora digital e ativista em prol do povo preto, ao lado de Rafaela Pinah, mulher trans negra, pesquisadora de tendências, colunista e diretora criativa do Coolhunter Favela. O especial, trará, ainda depoimentos de mulheres pretas como as atrizes Cris ViannaElisa LucindaIndira Nascimento, a cantora Iza, a escritora Conceição Evaristo, a filósofa Djamila Ribeiro e a ex-participante do programa Big Brother Brasil (BBB) Camilla de Lucas. A transmissão será no coração de Santa Teresa, onde fica o Chez Georges Rio, imóvel com vista única do mar e do Pão de Açúcar, construção de estilo único considerada modernista brutalista e que utiliza em seu projeto grandes arcos, concreto e madeiras de lei.

Com mais de 50 anos de carreira, Zezé Motta é a típica mulher da pele preta que se tornou figura respeitada na música, na televisão e no cinema, venceu o preconceito, quebrou paradigmas e desde a década dos anos 1970 vem usando seu espaço na mídia para denunciar, lutar e reivindicar a favor do negro. Com um canto de luta e resistência, Zezé é a estrela principal do especial que contará com roteiro e direção de Yasmin Thayná. Criadora do Afrolix, plataforma que reúne produções de artistas negros. Yasmin foi vencedora do “Oscar africano” pelo curta Kbela, em 2021 considerada pela Forbes como um dos 90 nomes brasileiros com idades abaixo de 30 anos mais brilhantes em sua área de atuação.

 “É difícil fazer arte no Brasil, de um modo geral, mas para a mulher negra é mais difícil ainda. A minha questão sempre foi com a justiça. Vejo este especial como uma grande homenagem, elas são importantes porque significam o reconhecimento de uma batalha para construir uma carreira. Iniciar uma carreira em qualquer segmento é difícil e mantê-la é mais complicado, ainda mais com os conflitos que temos, sejam eles de gênero ou de cor. Quando as coisas começaram a dar certo pra mim, eu sempre me questionava, só que não possuía um discurso articulado, foi então que conheci Lélia Gonzalez, a partir daí ela virou minha guru, logo no primeiro dia que a conheci ela me disse: (Nós não temos tempo para lamúrias. Temos que arregaçar as mangas e virar esse jogo). E essa frase ficou definitiva na minha vida. Hoje não sofro com a discriminação racial, mas aproveito o espaço da mídia para denunciar, combater. E vejo isso como uma missão. Venho tentando virar esse jogo há mais de 50 anos”Zezé Motta.

 “Todas as chefes de equipe, direção, roteiro, direção de fotografia, direção de arte e montagem são comandadas por mulheres negras. É muito importante que num dia como esse, o 25 de julho, a gente possa se celebrar de diversas formas. Inclusive criando juntas na frente e por trás das câmeras. A gente tá trabalhando para entregar um show muito especial com bate papo sobre autocuidado e estratégias para se manter vivas diante de tantos desafios. Eu sou uma mulher, negra, diretora e roteirista. Esse é o primeiro musical que dirijo no audiovisual. É meu sonho dirigir shows e experiências musicais nesse sentido. Yasmin Thayná, diretora artística do especial.

Solidariedade

Vice-presidente do Retiro dos Artistas, Zezé Motta engajará seu público para fazer doações à instituição por meio de um QR code que será disponibilizado na tela durante o especial. O Retiro dos Artistas fez 100 anos e abriga a história viva da Cultura Brasileira, guardando uma rica história não só artística, mas social e assistencial. As doações serão feitas simultaneamente à exibição e continuarão ao longo dos dias, pois a apresentação ficará disponível no YouTube do Teatro Bradesco

A ação conta com patrocínio do Teatro BradescoAvon, Salon Oline, Atacadão e Genera. A realização é da Entusiasmo e Entretenimento e Vinicius Belo Relações Públicas.

Esta atualização do Barulho d’água Música já está sendo publicada com o importante apoio cultural do Instituto Çare, situado em São Paulo.

Serviço:

Especial Zezé Motta – Mulher Negra/Data: 25 de julho (domingo), às 17 horas/Canal L!ke (530 da Claro – 500 da Claro NET), e Canal Teatro Bradesco (Youtube)

Roteiro e direção: Yasmin Thayná/Apresentação: Luana Xavier e Rafaela Pinah/Apresentação musical: Zezé Motta e Malía/Piano: Claudia Elizeu/Diretora de Arte: Jéssica Senra/Diretora de Fotografia: Suelen Menezes

Realização: Entusiasmo Entretenimento e Vinicius Belo Relações Públicas

  Tereza Benguela

Bravura e lutas ignoradas pela história

Tereza de Benguela, ou “Rainha Tereza” , como ficou conhecida em sua época, viveu no século XVIII no Vale do Guaporé, no Mato Grosso. Liderou o Quilombo de Quariterê, após a morte de seu companheiro, José Piolho, morto por soldados. Segundo os registros históricos, Tereza comandou comunidade de 3 mil pessoas que uniu negros, brancos e indígenas para defender o território onde viviam e resistir, bravamente, à escravidão por mais de 20 anos. Era comandante da estrutura política, econômica e administrativa da comunidade. A Rainha Tereza ainda criou uma espécie de parlamento e reforçou a defesa do Quilombo com armas adquiridas a partir de trocas ou deixadas após conflitos.

O Quilombo de Quariterê existiu entre 1730 a 1795, com Tereza de Benguela líder até 1770, quando depois de cair, o Estado matou o mesmo Estado que mata e oprime as mulheres nos dias de hoje”, conforme escreveu Edilene Cenourinha em 28 de julho do ano passado, em Belo Horizonte (MG), para o portal Brasil de Fato.

Nos dias atuais, as lutas de Tereza de Benguela são revividas a cada dia para o enfrentamento do governo genocida que se instalou na República, Cenourinha ainda observa e lamenta que a despeito do Dia da Mulher Negra, latino-americana e caribenha a história da líder não é lembrada nos livros ou sequer é estudada nas escolas.

A articulista do Brasil de Fato trouxe à tona outra mazela que está longe de ser extinta em nossa sociedade. Segundo ela, desde os primórdios da história, a humanidade foi sendo estruturada por outras relações de dominação, como racismo, o colonialismo e a opressão da sexualidade. “Na América Latina, nossa história é marcada pelo colonialismo, e pelo racismo, que produzem, estruturam o capitalismo, e aprofundaram o patriarcado”, frisou. “O patriarcado, origem da opressão sobre as mulheres, é um sistema fundamentado na divisão sexual do trabalho e na propriedade privada, e é muito anterior ao capitalismo.”

No modo de produção capitalista, prossegue Cenourinha, o patriarcado, assim como o racismo, torna-se base de sustentação da ordem do capital, ampliando-se a partir da exploração do trabalho e da vida das mulheres. O sistema capitalista, patriarcal e racista, atua em um sentido de totalidade, articulado no todo da realidade social.

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