1417 – Nego Nelson (PA) completa 50 anos de carreira com Tiquinho de Céu, álbum instrumental lançado nas plataformas digitais

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Tiquinho de Céu, novo álbum do paraense Nego Nelson, foi o escolhido para abrir neste dia 24 as edições matinais que promovemos aos sábados aqui no Solar do Barulho, redação do Barulho d’água Música na Estância Turística de São Roque, Interior de São Paulo. Nego Nelson é o nome artístico de Nelson Batista Ferreira, violonista e compositor residente em Belém que em 2021 completa 50 anos de carreira com o lançamento do disco de nove faixas, instrumentais e todas de sua autoria, disponível em todas as plataformas digitais desde março. A faixa título homenageia o carioca do cavaquinho Waldir Azevedo e faz alusão à música Pedacinho de Céu, um dos sucessos do mestre do cavaquinho ao lado dos choros Brasileirinho e Delicado. Outro destaque, Quarto n°5, segunda da lista, composta em 1975 nunca antes fora gravada.

Tiquinho de Céu, contemplado com o prêmio Preamar de Cultura e Arte da Secretaria de Cultura do Estado do Pará, tem direção de Pedro Vianna, produção de Narjara Oliveira e direção musical e arranjos do próprio compositor, com direção de fotografia de Paulo Mendes. Em algumas faixas, Nego Nelson conta com as participações de Jean Charnaux, Gileno Foinquinos, Adelbert Carneiro, Jacinto Kahwage e Dadadá Castro. O primeiro dos seus discos, O Canto da Amazônia, de 1999, com participações de Paulinho Moura e Salomão Habib, também recebeu apoio daquela Secretaria, como parte do projeto Uirapuru, que homenageou os compositores mais significativos da música paraense.

Em um Estado no qual temos violonistas da tarimba de Moura, Habib e ainda Sebastião Tapajós, a crítica musical trata Nego Nelson como o “Baden do Pará” — alusão ao fluminense Baden Powell. Depois de estudar com os professores Tó Teixeira e Everaldo Pinheiro, Nelson se dedicou à formação erudita, jazzística e popular de todos os estilos. Em seu meio século de estrada, protagonizou concertos com diversos artistas e assinou trilhas para teatro, filmes e documentários. Em festivais e shows, esteve com Leny Andrade, João Donato, Leila Pinheiro, Fafá de Belém, Billy Blanco, Arismar do Espírito Santo, entre outros. Em 1994, classificou para o 13º Festival Musicantos, de Santa Rosa (RS), a instrumental Come Unha. Já nos anos seguintes esteve em Nancy, França, juntamente com o grupo Vox Brasilis (1995); no Projeto Pixinguinha (1997), ao lado de Sueli Costa e Paulo Bellinati, e no Projeto Itaú Cultural (2001), ambos na cidade de São Paulo (SP). Nego Nelson representou o Pará no Projeto Tempero do Choro do Sesc Ipiranga, também na capital paulista, em 2005, e dividiu o palco no projeto Cheio de Dedos ao lado do carioca Guinga, violonista brasileiro de carreira internacional

Em 1972, Nego Nelson teve uma música de sua autoria gravada pela primeira vez, Belém, parceria com Tapajós, que incluiu no repertório do disco Violão e amigos. Suas composições ultrapassam mais de 100 canções, em estilos como valsas, sambas, boleros, funks, carimbós e guarânias. Como artista solista, apresentou-se ainda com Habib (Dois violões amazônicos) e Paulinho Moura (13 cordas). Durante onze anos lecionou no Conservatório Carlos Gomes e no Curro Velho, onde atuou como gerente de oficinas.

Na década dos anos 1970, Nego Nelson integrou o Gema, grupo precursor da música instrumental na cidade de Belém, cuja primeira formação reunia, ainda, o percussionista Arlindo “Dadadá” Castro e o baterista Sagica. Antes de encerrar as atividades, o Gema se apresentava com Dadadá (percussão), Nego Nelson (violão), Sagica (bateria), Bob Freitas (guitarra) e Calibre (baixo).

Um dos discos de Nego Nelson, Choro Nosso de Cada Dia, de 2005, foi tema do programa Choro Vivo, da Secretaria da Comunicação Social e da Cultura do Governo do Paraná, apresentado por Noemi Osna, o que demonstra o alcance de sua obra para além das fronteiras amazônicas como um dos mais renomados violonistas e compositores da música instrumental do país. Sua obra musical transcende os limites do regionalismo, traça uma trajetória inovadora e sofisticada dentro da tradição da MPB. Com seu violão, brinda-nos com choros, sambas, bossas, valsas e até funks em canções que revelam o universo da musicalidade multifacetada de um artista que não se rende aos ditames mercadológicos e permanece em atividade já com idade superior aos 70 anos e depois de ter superado, ao final de 2020, uma delicada internação tratando de problemas de saúde derivados de doença cardíaca.

 

Aqui na redação do Barulho d’água Música há entre os discos de Nego Nelson ou que tenham participação dele Nego Nelson em Cantos, Paulo Levi interpreta Nego Nelson e Violões do Pará. Nego Nelson em Cantos é “cantado” e conta com as participações de várias vozes femininas tais quais Fafá de Belém, Rutinha Neves, Nazaré Pereira, Lanny Tavares, Andréa Pinheiro e Maria Lídia, além de Helinho Rubens, Pedrinho Cavallero e Walter Bandeira. Sobre este trabalho, vale a pena destacar o texto de Eduardo Neves, que faz parte do encarte do disco:

“A diversidade musical brasileira tem chegado aos quatro cantos do planeta, emocionando plateias, fazendo escola. Dentro desse universo musical, Nelson Batista Ferreira, ou simplesmente, nosso Nego Nelson é um dos mais notáveis valores musicais, dono de rara técnica recheada de melodias exatas, emocionantes, marcantes, sem sotaques nem exagero. Nego é, sem sombra de dúvida, motivo de orgulho.

Sem tecer teses inarmônicas faz transcorrer nas cordas de seu violão toda a poesia musical madura e segura de essência virtuosa. Nego nos surpreende a cada composição, sem desnecessários mergulhos jazzísticos ou excessos virtuosos. Sua música vem sem adereços nem alegorias pomposas: vem, sim com melodias que simplesmente refletem sua alma simples, bela, extasiante e elegante.

Viajando além das fronteiras da música instrumental Nego Nelson nos surpreende agora com seu mais novo trabalho. O CD Nego Nelson em Cantos, onde faz o casamento de sua música com letras de parceiros. Como ele costuma dizer “suas músicas cantadas”. Mostra ao público a versatilidade de incursões em samba de gafieira, blues, valsas, carimbós, etc. Nego Nelson viaja pelo universo musical sem perder a identidade. A raridade de sua musicalidade é digital, perceptível a cada harmonia, a cada faixa. Que venham mais para inquietar nossas almas.”  Eduardo Neves

 Leia também aqui no Barulho d’água Música: 

Salomão Habib e Sebastião Tapajós gravam e lançam juntos álbum duplo Violões do Pará em teatro de Belém

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