1424 – Zé Paulo Medeiros (MG/SP) prepara LARAS, álbum com faixas já disponíveis nas plataformas digitais

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*Com dados informados pelo artista, por Denil Nogueira, extraídos do blogue Em Canto Sagrado da Terra e do Dicionário Cravo Albin da Música Brasileira

As tradicionais audições aos sábados pela manhã aqui no Solar do Barulho, redação do Barulho d’água Música em São Roque (SP), começaram neste dia 14 de agosto com LARAS, título do álbum que está sendo preparado pelo cantor e compositor mineiro Zé Paulo Medeiros. O disco, em cujo título o autor presta homenagem às netas Clara e Lara, terá ao todo 10 faixas, 6 das quais já estão disponíveis em seu canal do Youtube, plataformas digitais e também podem ser ouvidas durante a programação da Rádio Sudeste FM, pilotada por Denil Nogueira, emissora que fica 24 horas no ar via satélite com acessos pelo site e aplicativos gratuitos. Em LARAS, Zé Paulo Medeiros celebra novas parcerias que incluem o produtor e maestro goiano Eliel Carvalho e o radialista Nogueira, ambos respectivamente compositores de Esqueci de te esquecer e Terapia Rural. Carvalho ainda responde pelos arranjos, violões e ukulelê. Outra parceria terá Sergio Turcão, da dupla Jica y Turcão, e uma das faixas na voz de Zé Paulo será Estradeiro, por enquanto gravada apenas por Cláudio Lacerda em seu álbum Cantador

Empresário há pouco aposentado da área de laticínios, Zé Paulo Medeiros é do distrito de São José dos Lopes, nascido ao pé da Serra de Ibitipoca, em Lima Duarte, município da região de Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira. A autenticidade decorrente da fidelidade às raízes, o respeito a valores como simplicidade e sua postura autônoma de quem não se verga aos ditames do mercado podem ser apontados como principais valores do seu perfil, tanto artístico, quanto humano. O cantor e compositor gosta de lembrar que cresceu na roça, onde há festas todos os anos, e teve contatos com a música regional e muita moda de viola, costumes que o influenciaram. Neste ambiente “peguei pela primeira vez a viola caipira para começar a desenvolver melodias e criar um som ao meu estilo”, contou. Depois, já com o violão, estudou música, entretanto, segundo as próprias palavras, de maneira informal, pois é formado em Engenharia Topográfica, carreira que não exerce. “Deu no que deu. Hoje tenho um projeto mais maduro, com influências do que tivemos tempos atrás.”

Para Zé Paulo Medeiros o gênero regional é o que mais guarda intimidade com a sonoridade das dez cordas e o que melhor traduz as tradições culturais do caboclo, mas sua formação em busca de uma visão própria para compor encontra suporte, ainda, em ídolos como Geraldo Vandré ou Chico Buarque, por exemplo, que permitiram “fazer minha música mais eclética”. E em suas cantorias gosta de deixar a plateia sabendo que ouvirá de moda de viola a blues à medida que revisita obras de luminares como Tião Carreiro a Bob Dylan, entre outros. “Faço parte de um perfil de artistas que buscam a preservação da cultura regional. Minha obra é totalmente voltada ao homem do campo, que substituiu sua pouca cultura pela sabedoria aprimorada, sem perder sua característica principal que é a simplicidade”.

Os álbuns Caminhante e A Cara do Sertão, de 2001 e de 2003, respectivamente, são seus discos mais conhecidos. A estreia no mercado fonográfico, porém, ocorrera em 1982, ano de lançamento do vinil Sei Lá, pela Fermata Discos. Em quase 40 anos de carreira, também produziu Cine Mazzaropi (indicado ao Prêmio da Música Brasileira, em 2009), além da trilogia Casulo (caixa com três discos individuais com canções representativas da trajetória de três décadas, completada em 2012) e As Aventuras de Pepita (projeto cantado e contado que traz temas e histórias com mensagens de preservação da Natureza). Em seus discos tem participações especiais de grandes nomes do cenário musical brasileiro tais quais Sergio Reis, Inezita Barroso, Zé Geraldo, Yassir Chediak, Osvaldinho da Cuíca, Cezar do Acordeon, Paulo Freire, Socorro Lira, Cláudio Lacerda, Rodrigo Sater, Tinoco, Saulo Laranjeira, Fernando Deghi e as irmãs Célia e Celma, entre muitos outros talentos.

Capas da trilogia Casulo

O Caminhante caracteriza bem a minha influência por esse povo de sutil sabedoria, que é o povo caboclo, caipira”, observou Zé Paulo Medeiros. “Nas 16 faixas busquei resgatar o valor dessa gente mais humilde, pela qual tenho muito respeito. O título é uma metáfora, talvez de procurar ou de passar em lugares para aprender novas coisas”.

Zé Paulo Medeiros atua sempre de modo a preservar a independência pessoal e artística – postura que permite vantagens como direcionar a obra para onde se quer, sem incorrer em riscos inerentes ao da assinatura de contratos viciados por caprichos patronais que obrigam o subordinado a seguir regras de mercado e metas lucrativas discrepantes com a liberdade de criação. “Há muitos esquemas ‘jabalísticos’ em gravadoras que pagam para tocar seus artistas com exclusividade, e como não abraçamos estes ‘esquemas’, acabamos por aparecer pouco, salvo em rádios que tocam nossa música e mostram nosso trabalho. Então o importante não é quantidade de público a ser atingido, nem quantidade de meios de comunicações, mas sim a qualidade deles.”

(N.R.: Jabalístico vem de “jabá”, apelido pelas quais são conhecidos os “agrados” que beneficiam como moedas de troca e “molham as mãos” de jornalistas, agentes ou programadores culturais que atendem interesses de determinadas fontes, nem sempre éticos)

Prestígio e prêmios

Apesar de ao longo da trajetória sempre precisar esgrimir contra estas barreiras, Zé Paulo Medeiros conta com o respeito e acumula prêmios e prestígio entre os amigos e admiradores dos meios caipira e regional. Para se ter uma ideia do valor de sua obra, basta mencionar que em 1976 a Campanha da Fraternidade da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) se desenvolveu com base em uma das músicas dele, Caminhar juntos. Além dos discos, também musicou peças de teatro como O Espantalho, teve Yanomami (Caminhante) incluída na trilha sonora do filme Zezinho, o menino mentiroso, e possui mais de 40 prêmios conquistados em festivais por tudo Brasil.

Em 1999, Jogo de cartas foi a escolhida pelo Grupo Ponteio para o álbum alusivo ao 25º Festival Nacional MPB de Ilha Solteira. Boiadeiro, faixa de A Cara do Sertão, recebeu prêmios em diferentes festivais de música; o disco contou com a participação especial de Tinoco, da dupla Tonico e Tinoco, homenageado na faixa Viola e Cumpadi, que no mesmo álbum ele canta com a participação de Oswaldinho Viana, foi selecionada pelo curador Ivan Vilela para compor a antologia Viola Paulista 2, do Selo Sesc, lançada em abril deste ano, com interpretação de Cláudio Lacerda e Rodrigo Zanc. A Cara do Sertão também foi o título do show que Medeiros protagonizou em julho de 2016 como atração do projeto Imagens do Brasil Profundo, que o professor e sociólogo Jair Marcatti ancorava na Biblioteca Mário de Andrade, na cidade de São Paulo.

Leia mais sobre Zé Paulo Medeiros ou conteúdos a ele relacionados aqui no Barulho d’água Música:

https://barulhodeagua.com/tag/ze-paulo-medeiros/

Leia a entrevista de Zé Paulo Medeiros a Antonio Carlos Barbosa da Fonseca, da Revista Ritmo Melodia ao clicar no linque abaixo:

https://www.ritmomelodia.mus.br/entrevistas/ze-paulo-medeiros/

Ouça LARAS e os demais álbuns de Zé Paulo Medeiros em https://www.youtube.com/channel/UCMWSP-V7EmYgJmXd1y0y7pQ

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