1430 -Série que visa a destacar a produção e a carreira das violeiras em atividade no Brasil traz perfil de Laís de Assis (PE)

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Recifense que cresceu em meio a instrumentos musicais de brinquedo e assistia Viola, Minha Viola com a avó desenvolve sua obra autoral trazendo como fonte de inspiração ritmos populares e elementos da cultura nordestinos como a literatura de cordel. Primeiro disco terá participação de índias Tuxá.

A pernambucana Laís de Assis, violeira, violonista, arranjadora, pesquisadora e arte-educadora, é a escolhida para dar sequência à série especial que o Barulho d’água Música passou a publicar e que já trouxe os perfis das mineiras Cláudia Morais e Letícia Leal. Formada em viola de dez cordas desde 2018 e violão popular a partir de 2013 pelo Conservatório Pernambucano de Música (CMP), onde teve aulas com o mestre violeiro Adelmo Arcoverde, Laís de Assis é graduada em Música e Licenciatura pela Universidade Federal de Pernambuco (2016), mestre em Etnomusicologia pela Universidade Federal da Paraíba (2018), com estudos direcionados à viola de dez cordas nordestina. Embota também toque violão, sua vida ligada à música sempre teve mais cumplicidade com a viola, conforme relatou ao radialista Domingos Júnior, durante entrevista que concedeu a ele em 29 de março, para o programa 10 Cordas em 30,  com o título A cara da nova violinha pernambucana. “Desde criança eu sempre adorei música e tenho contato com instrumentos musicais. Os poucos brinquedos que eu tinha em casa não eram bonecas ou casinhas, essas coisas, eram, por exemplo, violõezinhos.” 

O ambiente familiar também ajudou a menina Laís a encontrar sua vocação ainda na infância. Os pais eram ouvintes dedicados de programas musicais e com uma das avós a neta não perdia o Viola, Minha Viola. Os cantores e duplas que passavam pelo palco apresentados por Inezita Barroso estimularam Laís a buscar aulas particulares, nas quais conheceu tanto o violão, quanto a viola e, então, chegou às aulas do CPM, decisivas para sua escolha como instrumentista. É resumidamente assim que, desde 2016, desenvolve sua obra autoral com a viola de dez cordas, trazendo como fonte de inspiração a música popular nordestina e, a partir deste universo, experimenta diversos ponteados, sonoridades e texturas, mas sempre tentando preservar o sotaque nordestino do instrumento. Em suas composições há elementos da cultura do romanceiro popular nordestino como a literatura de cordel –  folhetos que guardam arte e literatura mesclando poesias e xilogravura, assim como da música e o canto de seus versos acompanhados pela viola ou rabeca.

Quem a ouve tocar não tem dúvida de que está diante de uma violeira com talento mais do que suficiente para se firmar entre as melhores do país, ajudando, inclusive, a arejar o mundo da viola, onde se não há misoginia explicita ainda resiste a ideia de que o reduto seria masculino por excelência, sobretudo nas rodas caipiras. Laís se recorda, conforme também relatou a Domingos Júnior, que durante as aulas para aprender estreitar a intimidade com as dez cordas “perdeu as contas de quantas vezes era a única mulher da sala”. Esta constatação não a desanimou, pois, ao contrário, “eu sempre me sentia ainda mais motivada e querendo ser o que estava planejando“.

Laís seguiu o coração, e, embora tenha admiração por Dona Helena Meirelles e Badi Assad, além de Mocinha de Passira, vai pelos próprios caminhos revalorizando ritmos ligados às raízes. Hoje, o currículo dela revela expertise mais do que notória experiência e ela ainda se uniu a Cláudia e Letícia Leal, a também mineira Sol Bueno e a goiana Paula de Paula, entre outras, para turbinar a iniciativa que busca conectar em rede o máximo possível de violeiras espalhadas Brasil, movimento que já conta com o blogue Violeiras do Brasil, em processo de transição para se tornar Organização de Sociedade Civil (OSC). A meta é articularem em conjunto a produção cultural do segmento feminino da viola e fomentar a devida valorização da mulher musicista, produtora, gestora e, sobretudo, violeira.

Laís de Assis já participou de importantes festivais de música como o  RecBeat-SP (2021), Festival Duos (2021), do Projeto Memória Brasileira-Violeiros do Brasil (2021), Circuito Violada SP (2020) e da Abertura do Festival Janeiro de Grandes Espetáculos (2021). E também foi destaque em três edições do programa Revoredo, que o maestro José Gustavo Julião de Camargo dedica à viola instrumental e apresenta, semanalmente, nas tardes de quinta-feira e com reprises aos sábados, pela manhã, nas rádios FM da Universidade de São Paulo (USP) das cidades paulistas de São Paulo e de Ribeirão Preto. Os linques para ouvi-los e baixá-los estarão ao final desta atualização.

QUILOMBOLA, CIGANA, ÍNDIGENA

Em 2018, Laís de Assis esteve entre oito instrumentistas indicados ao Prêmio MIMO de Música Instrumental e foi finalista do Prêmio Profissionais da Musica 2020, na categoria Violas e Violeiros. Além de seu trabalho com a viola solo, tem protagonizado com seu trio – formado por ela , a tuba de Alex Santana e a percussão de Gilú Amaral. Nos concertos, buscam promover um diálogo sonoro e alcançarem diferentes texturas timbrísticas a partir dos elementos da música nordestina, e explorando o improviso. O Laís de Assis Trio já participou de importantes festivais de música como Aurora Instrumental (2018), Sons do Brasil Unilever (2019), do projeto A Hora do Frevo, idealizado pelo Museu do Paço do Frevo, em Recife (2018-2019) e do programa Almoço Musical da TV Universitária (2019), Sesc ao Vivo pelo Sesc São Paulo (2021), Mostra Canavial de Música Instrumental (2021), Festival Espiral das Artes (2021), entre outros.

Também em 2018, Laís de Assis participou como pesquisadora do projeto Caminho de Comadres: a poética da ancestralidade feminina em cena, que abrangeu comunidades quilombolas, ciganas e indígenas no sertão pernambucano. Foi palestrante no III Fórum de Etnomusicologia na Universidade Federal da Paraíba (UFPB) Música Instrumental Brasileira (2019) e em 2020 participou como professora da classe de Viola Brasileira no Festival Internacional de Música em Casa (Fimuca) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). É ex-integrante do coletivo artístico feminino A Dita Curva, com o qual participou de diversos festivais e apresentando-se na turnê de circulação nacional do grupo em 2019. Foi professora de Música do Sesc Pernambuco (2017-2020), onde coordenou coletivos artísticos, dentre eles o Núcleo de Pesquisa em Música Nordestina e dirigiu o espetáculo musical instrumental Desemudecer, do Grupo de Choro do Sesc-PE, em 2019. No Sesc ainda colaborou como curadora de diversos projetos culturais, dentre eles, a Mostra de Música Leão do Norte, Sesc Cultura em Rede e Sesc ConVida (Sesc Brasil). Atualmente, tem acompanhado vários artistas da cena musical recifense como as cantoras Isaar e Renata Rosa e está finalizando seu primeiro disco, com apoio do Funcultura-PE.

Renata Rosa está escalada e participará do primeiro disco de Laís de Assis (Foto: Reprodução)

E o disco, sai quando? O primeiro álbum de Laís de Assis está sendo preparado com muito carinho e cuidado e sobre ele soltou spoilers durante a entrevista a Domingos Júnior. Com produção de Yuri Queiroga, terá participações da rabequeira Renata Rosa, do trombonista Nilsinho Amarante, da poetisa Mestra Graça Nascimento, de Adelmo Arcoverde, dos músicos do Trio e ainda de membros da etnia Tuxá, de Inajá (PE), em sua maioria formada por mulheres e cuja pajé se chama Aline. “As faixas serão 90% autorais, apenas uma é do Adelmo”, revelou Laís. “O disco será muito eu, trará muito do que é minha música, mas também poesia, dança um diálogo artístico com estes luxuosos amigos”, completou, referindo-se aos participantes

Para conhecer melhor Laís de Assis visite:

Página no Facebook https://web.facebook.com/laisdeassisviola/

Perfil no Instagran: @lais_deassis 

Canal YouTube: https://www.youtube.com/channel/UC7zzpr8etPH6LW4CcE8867g

Vídeos:

Ponteada (Laís de Assis): https://www.youtube.com/watch?v=Fbqk75Aj65s&t=39s

Cortando Caminho (Laís de Assis): https://www.youtube.com/watch?v=1hnAQXINa50&t=2s

Cantorias (Tradição oral)//Espelhos (Laís de Assis): https://www.youtube.com/watch?v=AGYhVwE2_gg

Vira Folha (Sebastião Biano): https://www.youtube.com/watch?v=G0tIsORs4e4

Show Sesc ao Vivo: https://www.youtube.com/watch?v=VI1ejBIWxnw&t=4462s

Show Violeiros do Brasil com Adelmo Arcoverde: https://www.youtube.com/watch?v=Dxqtl0TC_YM&t=2004s 

Show Duos Lives com Gilú Amaral: https://www.youtube.com/watch?v=VJZG0mERaww&t=1866s

Linques para o programa Revoredo, da USP FM

https://jornal.usp.br/radio-usp/violeira-pernambucana-tem-como-fonte-de-inspiracao-o-universo-do-romanceio-popular-nordestino/

https://jornal.usp.br/radio-usp/musicos-apresentam-a-diversidade-da-viola-instrumental-nordestina/

https://jornal.usp.br/radio-usp/violeira-usa-tracos-da-literatura-de-cordel-em-suas-obras/

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