1437 -Wolf Borges (MG), cantor e compositor, lança oitavo álbum e comemora 40 anos de carreira

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Wolf Borges, por Simone Guimarães

­O cantor e compositor Wolf Borges (MG) reuniu um time de respeitados músicos para gravar o oitavo álbum de sua carreira, em comemoração aos 40 anos de estrada: Canto Para Manter Viva a Nossa Arte. O título não poderia ser mais sugestivo diante não apenas da pandemia de Covid-19,  flagelo que tomou conta do mundo e vem causando dor, desespero, empobrecimento crônico, o aumento de mazelas sociais e mortes mundo afora, mas também face à destruição gradativa da cultura e da arte que vem sendo posta em prática como política pelo governo de Jair Bolsonaro. O disco de Borges, com 12 faixas, enviado de Poços de Caldas (MG) pelo autor ao Barulho d’água Música, abriu as audições matinais deste sábado, 11/9, aqui no Solar do Barulho, onde está a redação do blogue, em São Roque, interior de São Paulo.

Wolf Borges é sempre avalizado com elogios por estrelas da Música Popular Brasileira que participam de seus álbuns: Cláudio Nucci, Paulinho Pedra Azul, Leila Pinheiro, Fátima Guedes, Simone Guimarães, Titane, Ceumar, Renato Motha, Sergio Santos dentre outros. Suas contribuições para a música brasileira justificam o carinho e o respeito, já que Wolf é premiado duas vezes pelo projeto Rumos do ltaú Cultural e semifinalista do Prêmio Profissionais da Música 2021 (categoria Autor de Música e Letra). Ele é, também, ocupante da cadeira Fernando Brant na Academia sul mineira de Letras, Ciências e Música. Sua inspiração, portanto, é mineira, sobretudo sul mineira, flui da convivência com os compositores de sua geração, mas também trazidos pelo rádio. Em seu ofício, ele investiga ritmos brasileiros e os mistura com a modernidade para dar um tom pessoal ao Carimbó, Milonga, passando pelo Frevo, Xote, Maracatu, Congada, ljexá, Samba, Bossa Nova e as baladas norte-americanas também estão presentes

Se dizem que a música das Alterosas tem qualidade devido sobretudo ao Clube da Esquina, os autores sul mineiros também conferem a ela uma musicalidade ímpar e Wolf Borges é um dos seus mais notáveis expoentes. Estar ao lado de bons músicos é a marca deste artista nascido na terra do famoso menino da porteira, Ouro Fino, que iniciou sua trajetória musical em serenatas, uma tradição do estado. Nos anos 1980, integrando um grupo regional, participou de inúmeros festivais e hoje compõe suas canções quase que integralmente de ouvido. A maioria delas já nasce com arranjos e harmonias sofisticadas, por isso um elenco iluminado de instrumentistas sempre o circula. A lista reúne Ivan Vilela, Marco Lobo, Lui Coimbra, Toninho Horta, Juarez Moreira, Toninho Ferragutti, João Paulo Amaral, Ney Conceição, Marco da Costa, César Bottinha, Emílio Martins entre outros parceiros do interior mineiro, como o pianista Albano Sales e o violonista Deivid Santos.

INDEPENDÊNCIA E CORAGEM

Wolf Borges lançou o primeiro disco, Impar, em 1997, quando gravar disco independente ainda era um raro sinal de coragem e fé no trabalho. Em 2003, veio o segundo, Singular, também de composições próprias e grande resultado de vendas para um trabalho independente. Em 2007 foi a vez da trilha sonora da ópera-rock 1984: uma leitura musical, composta e roteirizada para a intérprete Jucilene Buosi, que aborda o livro homônimo de George Orwell, o terceiro disco, portanto, que roteirizado por Wolf, virou musical e rodou o Brasil.

Em 2009 amigos e fãs ganharam Circo dos Sonhos, também autoral. O quinto disco, Pão de Queijo Music Project (2012) é inovador: promove uma mistura inusitada entre a harmonia mineira com grooves e rifs americanos, com mais de 30 músicos. Após cinco discos autorais, Wolf Borges lançou Outra Saudade (2016), junto com Jucilene Buosi, de caráter seresteiro, que vai do samba ao tango e traz sucessos mundiais, ressaltando a versatilidade dos intérpretes. O sétimo, Qual a menor unidade do amor, recebe o nome da canção composta com o saudoso Tavito, que participa do álbum. As canções visitam o Brasil de Norte a Sul e inauguram suas parcerias com Simone Guimarães, autora de duas faixas.

Um nome sempre recorrente nas produções de Borges é o da cantora e atriz Jucilene Buosi, também sua parceira de vida. Embora tenham se encontrado por meio da música, seus trabalhos guardam características e rumos distintos. Jucilene foi buscar na técnica do canto lírico elementos para a sua interpretação, sempre marcante. Egressa do canto popular, Jucilene guarda o respeito à poesia que sempre entrega ao ouvinte, de maneira clara e contundente. Wolf convidou-a para interpretar Canto Para Manter Viva a Nossa Arte, que comemora seus 40 anos de carreira, além dos parceiros Ceumar, Cláudio Nucci, Sérgio Santos e Simone Guimarães.

O álbum ganhou o nome da canção feita no inicio da pandemia de Covid-19, quan­do Wolf Borges escreveu sobre assuntos que precisam de cuidado, como a natureza (outra vítima dos ataques bolsonaristas) e a arte. Para interpretar a canção-tema, o autor chamou doze músicos. Todos gravaram à distancia em respeito às restrições sanitárias, mas o resultado ficou tão expressivo que deu origem ao oitavo disco dele. Entre as doze faixas, oito integram álbuns anteriores, como Circo dos Sonhos, agora regravada com um marcante arranjo circense e orquestral, com Claudio Nucci interpretando ao lado de Jucilene; respeitável público, a canção é mesmo digna de aplausos efusivos da plateia! Já entre as quatro canções inéditas consta O ovo do novo, samba-choro que inaugura a parceria de Wolf e Ceumar.

Os arranjos de Albano Sales (que também executa piano) são ao mesmo tempo complexos e cobertos de lirismo, o que capta a essência das composições de Borges. Para interpretá-los, Wolf convocou Toninho Ferragutti (acordeon), Marco Lobo (percussões), Ney Conceição (baixo) e cordas (Lara Ziggiatti, Silas Simões e Juliano Buosi). A engenharia de som, além de violões e guitarras, são do sul mineiro Deivid Santos. O disco foi viabilizado pela Lei Aldir Blanc/MG.

Outra vertente da atuação de Wolf Borges é a produção. Nesta área ele promove projetos culturais como Composição Ferroviária, que faz a ocupação de estações ferroviárias com concertos de grandes nomes da música brasileira, abrindo ainda espaço para talentos do Interior. Em oito anos e 37 edições (interrompidas apenas por conta da pandemia, mas que estão sendo retomadas em formato virtual),

TREM BÃO

Composição Ferroviária (clique na palavra e assista) visitou Poços de Caldas. São Lourenço e Itaúna, todas em Minas Gerais, e levou aos palcos Leila Pinheiro, Fátima Guedes, Kleiton e Kledir, Leny Andrade, Simone Guimarães, Renato Braz, Mônica Salmaso, Vanessa Moreno, entre tantos. Turnês, DVDs e edição de livro também fazem parte da trajetória de Borges; outro destaque é a produção do documentário de longa-metragem sobre a música do Sul de Minas, Falsete. E ele não pretende parar por ai: outros tantos projetos aguardam na gaveta uma oportunidade de ampliar horizontes escondidos no nosso interior. Que ele jamais perca a chave!

Leia mais sobre Wolf Borges, Jucilene Buosi e o projeto Composição Ferroviária aqui no Barulho d’água Música ao clicar no linque abaixo: 

https://barulhodeagua.com/tag/jucilene-buosi/

Assista e ouça Jucilene Buosi interpretar composições de Ivan Vilela e em parceria dele com o pernambucano e ex-integrante da Banda de Pau e Corda Tavinho Limma ao clicar no linque abaixo

https://www.youtube.com/watch?v=kzYX_3bRWCs

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