1448 – Mestre Luiz da Paixão (PE) completa 60 anos de carreira e com Forró de Rabeca, álbum lançado pelo selo Sesc

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*Com Revista E do Sesc de São Paulo, edição número 298, de 30/07/2021

Álbum com participações de Siba e Renata Rosa traz em 14 faixas sambas, forrós, cocos, cirandas e cavalos-marinhos do instrumentista virtuoso e inventivo

O Selo Sesc lançou em junho Forró de Rabeca, segundo álbum do rabequeiro pernambucano Mestre Luiz Paixão, com 14 faixas que poderão ser ouvidas na íntegra pelo linque disponível ao final desta atualização e com o qual abrimos mais uma sessão de audições matinais neste sábado, 2 de outubro, aqui na redação do Barulho d’água Música, em São Roque (SP). Aos 72 anos de idade, Paixão está completando 60 anos de carreira como habitante e símbolo da arte da rabeca do município de Condado (PE), berço de vários mestres e mestras, localizado nas belezas da Mata Norte, a 60 quilômetros da capital pernambucana, a cidade do Recife. No disco também disponível nas plataformas virtuais, o mestre brinda os ouvidos mais afeitos à música de qualidade com uma seleta de sambas, forrós, cocos, cirandas e cavalos-marinhos tradicionais, escolhidos a dedo, mesclados à composições de autoria do próprio instrumentista, além de parcerias com aprendizes que contribuíram para o reconhecimento de sua musicalidade para além dos limites de seu estado, como Renata Rosa, Siba e João Selva.

Uma das principais referências para a geração de músicos que surgiu a partir do movimento manguebeat, o rabequeiro fala um idioma encantado, destaca texto que pode ser lido na edição 298 da Revista E, publicação mensal do Sesc de São Paulo disponível desde 30/7/2021 (clique aqui e leia a matéria na íntegra). Uma língua que dispensa papel e lápis, recursos que não estiveram ao seu alcance na Zona da Mata Norte de Pernambuco. Seu Luiz, como também é conhecido, vem dos canaviais dessa região, filho de agricultores e integrante de uma família de músicos, prossegue a Revista E. Começou a trabalhar aos oito anos cortando cana-de-açúcar, sempre participando de uma das festas mais populares da região: o cavalo-marinho. Aos 12 anos, com seu arco em punho e o pensamento a galope, começou a contar histórias em forma de melodias. Uma trilha que seguiu e, para tal, adotou como sobrenome artístico o mesmo do avô Severino Paixão, outro mestre da rabeca. Desse instrumento que parece um violino, nascem causos de amor, vida, morte, peleja e, claro, alegria. Um apanhado de vivências ponteadas em seis décadas como rabequeiro admirado dentro e fora do Brasil.

A Revista E o classifica como “protagonista de pesquisas de estudiosos e artistas de todo o mundo, pelo seu conhecimento do coco de roda, do cavalo-marinho, da ciranda e do forró”. E prossegue informando que enquanto sua candidatura a Patrimônio Vivo de Pernambuco segue em andamento, o dia a dia de Mestre Luiz Paixão é dedicado à rabeca. Sempre acompanhado de amigos que compartilham a mesma devoção à música. O fruto dessa combinação é o álbum Forró de Rabeca, gravado com músicos, cantores e compositores que já foram seus pupilos, como Siba Veloso e Renata Rosa, além de compadres de longa data, como Sidraque e Stef Pai Véio.

Gravado em abril de 2020, no Estúdio Gargolândia, na cidade de São Paulo, o álbum digital traz as composições preferidas do músico pernambucano e faixas autorais, como Samba da Santa, Baião Arrochado, Farol de Olinda e a faixa-título, Forró de Rabeca. Há também as escritas em parceria com os músicos que o acompanham nessa longa trajetória de festas populares, como Forró do Cambiteiro (com Guga Santos e Stef Pai Véio), Menina Linda e Samba das Rabecas (ambas com Mina), Dona Maria o Coco é Redondo (com Sidraque) e Ciranda da Macaxeira (com Guga Santos). A Revista E aponta ainda como destaque Maria Pequena, um coco em que Seu Luiz experimenta o papel de cantor. Para o produtor e diretor artístico do álbum, João Selva, Mestre Luiz Paixão é ao mesmo tempo inventivo e virtuoso: “Ele é muito aberto musicalmente e a ideia desse trabalho era mostrar essa versatilidade”,

Forró de Rabeca está na plataforma digital do Sesc São Paulo, cujo linque é https://sesc.digital/colecao/forroderabeca2.

ENTREVISTA

O Barulho d’água Música reproduz abaixo, na íntegra, a entrevista que Mestre Luiz da Rabeca concedeu à Revista E, na qual compartilhou a alegria de estar perto do público, ainda que seja ao pé do ouvido. “Agora é esperar a situação melhorar para mostrar para todo mundo esse nosso trabalho (o novo disco)”, avisou, referindo-se à pandemia de Covid-19.

RAÍZES MUSICAIS

Nasci em Engenho Palmeira, município de Aliança, e sou de uma família de rabequeiros. Meu avô e a família toda tocavam para os outros dançarem. Um batia o pandeiro; outro, o triângulo; outro, a rabeca. Quando eu tinha 12 anos, já andava no meio deles também e batia nisso que hoje conhecemos como zabumba, era um instrumento chamado ‘melê. Eu ficava lá com eles. Depois, com 15 anos, eu já fui tocar no cavalo-marinho [criado como uma brincadeira, misto de teatro, música e dança, nos intervalos do trabalho na lavoura de cana na Zona da Mata Norte de Pernambuco]. Foi com essa idade que eu apanhei uma rabeca do meu tio. Todo final de semana eu tocava nas cidades por aqui. Eu toquei em todos os cavalos-marinhos da região”.

RABECA NA ACADEMIA

Chegou um pessoal aqui fazendo pesquisa de música quando eu tocava em um cavalo-marinho com Mestre Batista. Foi aí que conheci Siba [músico recifense que, com a banda Mestre Ambrósio, reintroduziu a rabeca na indústria fonográfica]. Siba foi assistente de João, e eles fizeram uma pesquisa aqui [em 1991, Siba, na ocasião estudante da Universidade Federal de Pernambuco, acompanhava o etnomusicólogo norte-americano John Murphy, que ficou conhecido na região como ‘João Americano’, numa pesquisa de doutorado sobre o cavalo-marinho]. A primeira viagem que fiz foi para os Estados Unidos em 2000, por causa do estudo do João, e eu fui sozinho.”

TURNÊ MUNDIAL

A Renata Rosa me conheceu através de Siba. Quando ela veio aqui para Recife, porque morava em São Paulo, me chamou para tocar com ela. Então, com a Renata comecei a trabalhar em 2002. Aí foi que fiz meu primeiro CD, Pimenta com Pitú, que ela produziu, e saí em turnê com um trabalho dela na França em 2003. O Pimenta com Pitú foi gravado uma parte aqui e outra na França. Quando a gente começou a tocar lá, com apresentação, mais a Renata Rosa e os músicos dela, foi muito estranho porque eu não sabia o idioma. Mas, depois, fui me acostumando e já estava entendendo um bocado de coisas. Daí, desenrolei e me tornei conhecido no mundo. Estou aqui até agora e muito músico quer tocar comigo, mas, quando não pode [por algum motivo], pega uma música aqui do velho e toca lá no CD dele.”

DESEJO FUTURO

O sonho que tenho para fazer ainda é – e tenho fé em Deus – que, daqui para o final da minha vidinha, vou lançar um DVD. Nós ainda não gravamos um. Esse é meu sonho. Seria gravado por aí, por São Paulo, porque é uma coisa mais tranquila para gravar lá, embora eu tivesse que levar o povo daqui para lá, como eu gravei meu CD agora. Já tô velho que só a gota. Mas não tem problema, porque, se Deus quiser, vou realizar esse sonho. Vamos ver se esse pessoal maravilhoso que trabalha comigo também se anima.”

PIMENTA COM PITU

O primeiro álbum da carreira de Luiz Paixão saiu em 2005 com o título Pimenta com Pitu, no qual expande a sonoridade da rabeca dentro do forró, do cavalo-marinho e do coco de roda. “Na hora de escolher o nome coloquei pimenta com Pitú, porque eu bebia e fumava muito, quando bebia fazia o meu tira-gosto de pimenta com Pitu”, contou o músico ao jornalista Salatiel Silva no podcast Nossa história, Nossa memória (clique aqui e ouça na íntegra). O músico realizou também o lançamento desse trabalho na França e, depois, Mestre Luiz Paixão- A Arte da Rabeca, em 2012. Luiz Paixão já representou o Brasil em eventos como o Congresso de Etnomusicologia, na Flórida (Estados Unidos da América- 1999), a convite de John Murphy, etnomusicólogo da Columbia University. E participou do Encontro da Rabeca, Violino e Orocongo no Sesc Ipiranga (São Paulo.1998), a convite do músico Antonio Nóbrega.

O trabalho do Mestre Luiz Paixão reúne vários prêmios nacionais, como o Prêmio Funarte Interações estéticas (2009, 2010 e 2012); Prêmio Mestre Griô, Ministério da Cultura (2009); Projeto Pixinguinha, Funarte (2008) e Mapeamento Rumos do Itaú Cultural (2008). Em sua trajetória, além dos discos autorais, há participações em discos como Mestre Ambrósio (1996); Fuá na Casa de Cabral, Mestre Ambrósio (1999); Aboiando a Vaca Mecânica, de Lula Quiroga (2002); Zunido da Mata, de Renata Rosa (2002); Música dos Rabequeiros, compilação (2003); Cavalo-Marinho, Musique du Monde, Busa Music (2003); Caçuá, de Nicolas Krassik (2006); Manto dos Sonhos, de Renata Rosa (2008); Lia de Itamaracá (2008), Cláudio Rabeca (2009); e Rabequeiros de Pernambuco, de Cláudio Rabeca (2012).

BOI BRASILEIRO

Sua ligação com o cavalo-marinho Boi Brasileiro, de Condado, inicia desde o primeiro ensaio do grupo, no ano 2000. O fundador foi o seu sogro, Biu Roque. Sobre a importância dele para a cultura popular, Luiz Paixão pontua que “Biu Roque é um artista que tocava ciranda, coco e cavalo-marinho. Ao falecer, ele comentou com as filhas que não deixasse o Boi Brasileiro morrer. Então, eu já tocava com ele e segui tocando essa missão até hoje. Se eu não tivesse a consideração tinha ficado somente com o meu forró. Mas, como meu sogro deixou a missão de tomar conta do cavalo-marinho, aqui estou manobrando”.

Luiz Paixão relembra ainda os momentos áureos do cavalo- marinho quando havia um tempo maios para as apresentações e a apreciação dos turistas e visitantes. Para o futuro ele segue confiante e deixa o recado: “eu vou levando e fazendo isso até quando Deus vier me buscar. Tudo aqui, assim como o meu sogro deixou, quando eu for embora, pode ficar para a mulher e os meninos tomar conta ou outra pessoa que brinca com a gente no grupo”.

O podcast Nossa História, Nossa Memória, é apresentado por Salatiel Silva e coordenação e produção de Josi Marinho. A edição dedicada ao Mestre Luiz da Paixão é de 17 de março. A iniciativa conta com o incentivo da Lei Aldir Blanc e o apoio da Fundação do Patrimônio Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), Secretaria de Cultura, Secretaria de Micro e Pequena Empresa, Trabalho e Qualificação. Também apoiam essa produção a Secretaria de Desenvolvimento Social, Criança e Juventude; Governo de Pernambuco; Secretaria Especial de Cultura; Ministério do Turismo e Governo Federal. 

72 ANOS DE VIDA, 60 DE RABECA.

Nascido em 1949 no Engenho Palmeira, município de Aliança, Zona da Mata Norte de Pernambuco, Luiz Paixão completou, em 2019, 70 anos de vida e 58 de rabeca. São 58 anos de longas noites em claro, muito bem gastas puxando baianos e toadas em bancos de cavalo- marinho e solando em grupos de forró. São 58 anos de olhos e ouvidos bem abertos, espiando rabequeiros, tocadores de oito baixos, sanfoneiros, violeiros, cocos de umbigada, rodas de ciranda e sambadas de maracatu nos engenhos, sítios, povoados, ruas e praças da Mata Norte. Foram também mais de 40 anos de trabalho pesado no corte de cana-de-açúcar e no roçado, iniciado ainda menino, aos 8 anos, em 1957. Em 1998 “abandonou o campo” e desde então vem empunhando sua rabeca em palcos, festivais, cursos e oficinas em um grande número de cidades brasileiras e europeias, seja para apresentar sua própria obra e transmitir sua experiência, seja para acompanhar a cantora paulista Renata Rosa, aluna, amiga e admiradora de longa data.

Quando Luiz raspa o arco na rabeca e corre os dedos pelo braço do instrumento, saltam aos ouvidos a precisão, leveza e agilidade do seu toque e a elegância, força e balanço das músicas que correm soltas no seu juízo. Quem já o ouviu certamente guarda seu estilo e sonoridade na memória e é capaz de reconhecê-lo imediatamente, numa audição desavisada.

Saudado como instrumentista virtuoso, Luiz é também um compositor imaginativo, que sabe amarrar o som e fisgar o ouvinte. Dedicado principalmente à criação de forrós (o grande balaio onde cabem baiões, xotes, sambas e marchas), deu vida a melodias elaboradas e expressivas, com um efeito infalível sobre quem as escuta. Suas composições despertam aquela vontade repentina de balançar o corpo e assobiar junto com o tocador. É uma música forte, quente e doce. É como virar uma dose de aguardente e depois morder um caju pra tirar gosto.

A família de Luiz foi sua primeira referência musical: o avô, Severino Paixão (de quem herdou o nome artístico) e os tios Manoel e Antônio tocavam rabeca; o pai, Odilon, tocava triângulo; e um primo de segundo grau, Zé Alves, era um dos rabequeiros mais famosos e admirados na região. Aos 12 anos já “tava pelo mundo” e arriscava os primeiros toques na rabeca. Por volta de 1964, aos 15 anos, participou pela primeira vez de um cavalo-marinho, no brinquedo de Mestre Memésio, em Tupaoca. Em 1977, após o falecimento de Zé Alves, foi escolhido pelo Mestre Batista para substituir o rabequeiro no célebre cavalo-marinho sediado em Chã de Camará, Aliança, posto que ocupou por duas décadas, tocando ao lado de Biu Roque, Mané Roque, Sidrak e Mané Deodato. No tempo em que conviveu com Batista, ouviu do amigo: “nada se ensina, tudo se aprende”. Luiz aprendeu e ensinou.

Já era considerado na região um mestre do instrumento quando, em 1991, conheceu um jovem recifense, um estudante de música chamado Siba. Na ocasião, aluno da [Universidade Federal de Pernambuco] UFPE, Siba acompanhava o etnomusicólogo norte-americano John Murphy numa pesquisa de campo em Chã de Camará, como parte do doutorado do “João Americano” a respeito do cavalo-marinho pernambucano. O impacto da música produzida por Luiz e seus companheiros foi tão grande sobre Siba que acabaria por influenciar não só a carreira artística e profissional do recifense – levando à criação da banda Mestre Ambrósio, à (re)introdução da rabeca na indústria fonográfica e à renovação do interesse pelo instrumento para além dos limites da mata norte pernambucana – como transformaria a vida profissional e artística do próprio Luiz. Quase três décadas após esse encontro, o rabequeiro pode ser considerado uma das maiores referências para a geração de músicos nordestinos surgidos a partir do manguebeat, despertando também o interesse e admiração de etnomusicólogos, estudantes e artistas de outras partes do mundo.

Luiz, assim como muitos outros artistas brasileiros de tempos passados e atuais, realizou algo improvável: nascido nas entranhas do imenso e antigo moinho de gente e de ideias que é este país, deu um drible no destino e, apoiando-se na força criativa de sua comunidade, fez de si mesmo um músico enorme.

Saúde e alegria, Seu Luiz!

Caçapa
São Paulo, junho de 2020.

PAGANINI DA RABECA

Numa noite olindense de muito forró de rabeca, no comecinho dos anos dois mil, tive a sorte de conhecer Seu Luiz. De lá pra cá, nutrimos uma amizade e parceria, que culmina na gravação deste álbum. O repertório do disco, escolhido a dedo pelo mestre, é uma mescla de suas composições preferidas, de musicas inéditas e de temas de domínio publico. Uma amostra considerável de ritmos do Nordeste brasileiro, passando por Sambas, Forrós, Cocos, Cirandas e Cavalos-Marinhos.

Mestre Luiz Paixão fez questão de reunir no estúdio seus antigos companheiros de brinquedo da Zona da Mata Norte e os jovens músicos que o acompanham em suas turnês internacionais. Para incrementar, decidiu convidar seus discípulos Renata Rosa e Siba para virem abrilhantar a celebração dos seus 70 anos.

A gravação ocorreu entre 12 e 19 de março de 2020, bem no comecinho da pandemia do Covid19, no Estúdio Gargolândia em SP. Aproveitando as 5 salas disponíveis, optamos por gravar em situação ao vivo e em seguida completamos com coros, cordas e percussões adicionais. Uma maneira de conservar a espontaneidade e a energia que movem a musicalidade de Seu Luiz, sem perder a possibilidade de retrabalhar o som de uma maneira mais ousada e atual. Processo atingido com êxito graças ao trabalho minucioso do Gilberto Monte.

Esse método de gravação expõe os músicos de maneira mais cru, humana, revelando imperfeições e momentos de pura magia, que nenhuma musica escrita no mundo poderia desvendar. A beleza impar da arte do Mestre Luiz Paixão reside em parte nessas asperidades, acessos de genialidade que fizeram o renomado violonista francês Didier Lockwood apelidá-lo de “Paganini da Rabeca”.

Longa vida Mestre Luiz Paixão!

João Selva, Lyon, agosto de 2020

Leia matéria na Carta Capital sobre o Mestre Luiz da Paixão pelo linque abaixo

https://www.cartacapital.com.br/cultura/nao-imaginava-nem-ir-ao-recife-mas-cheguei-a-franca-diz-mestre-luiz-paixao/

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